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Altos Massa: Música na Vida da Gente

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Eu e Pablo Miyazawa resolvemos pegar mais leve e puxamos música como assunto deste Altos Massa, mas em vez de falarmos de artistas, discos ou canções, resolvemos discutir como a música mexe com nosso comportamento, nossas rotinas e nossos sentimentos, ajudando a moldar nossa personalidade ao mesmo tempo em que abre portas para percepções bem diferentes de mundo.

Bom Saber #031: Bruno Natal

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Velho compadre de outros carnavais, já fiz muita coisa junto com o Bruno Natal e a primeira edição brasileira da Wired, que acaba de sair, foi só mais uma delas. Bruno foi meu sócio no falecido consórcio de blogs OEsquema, capitaneou por um dos principais blogs de música do Brasil (o URBe, que anda num outro ritmo) e fundou a plataforma de shows Queremos. Mas em vez de falar de sua trajetória, assunto para um outro programa futuro, resolvi focar em seu filhote mais recente, o podcast Resumido, e entender sua relação com as notícias, a urgência do jornalismo, o excesso de ofertas e o papel da internet.

Vida Fodona #694: Festa-Solo (29.11.2020)

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Mais uma edição ao vivo do Vida Fodona para acompanhar a apuração da eleição – mais um Festa-Solo lá no twitch.tv/trabalhosujo nesta tarde de domingo.

Kylie Minogue – “Magic”
Konk – “Your Life”
Talk Talk – “It’s My Life”
Criolo – “Bogotá”
Bixiga 70 – “Pedra de Raio”
Metá Metá – “Corpo Vão”
Letuce – “Quero Trabalhar Com Vidro”
Boogarins – “Foimal”
Rincon Sapiência – “Crime Bárbaro”
Stevie Wonder – “All Day Sucker”
Last Poets – “It’s a Trip”
Meters – “Tippi Toes”
Cymande – “Brothers On The Slide”
Curtis Mayfield – “Superfly”
Marvin Gaye – “I Heard It Through The Grapevine”
Creedence Clearwater Revival – “I Heard It Through The Grapevine”
Amy Winehouse + Paul Weller – “I Heard It Through The Grapevine”
Slits – “I Heard It Through The Grapevine”
Yoko Ono – “Walking On Thin Ice”
Waterboys – “The Whole Of The Moon”
Velvet Underground – “Foggy Notion”
Os Cascavellettes – “O Dotadão Deve Morrer”
Raul Seixas – “A Verdade Sobre A Nostalgia”
Hüsker Dü – “Pink Turns to Blue”
Sonic Youth – “Skip Tracer”
Buzzcocks – “What Do I Get?”
Sebadoh – “Pink Moon”
Pixies – “Monkey Gone To Heaven”
Neil Young & Crazy Horse – “Powderfinger”
Legião Urbana – “Heroes”
Lulina – “Birigui”
Pavement – “Gold Soundz”
Elastica – “Connection”
Olivia Tremor Control – “Hideaway”
Big Star – “Down the Stret”
Jimi Hendrix Experience – “Still Raining, Still Dreaming”
Bob Dylan – “Just Like Tom Thumb’s Blues”
Bárbara Eugenia – “Cama”
Pink Floyd – “San Tropez”
Beck – “So Long, Marianne”
Courtney Barnett & Kurt Vile – “Over Everything”
Blur – “End Of A Century”
Billie Eilish – “All The Good Girls Go To Hell”
Angel Olsen – “Too Easy”
PJ Harvey – “The Dancer”
Paulinho da Viola – “Dança da Solidão”
Beatles – “Cry Baby Cry”

Todo o Show: Paulinho da Viola Live

PaulinhoViola

Que alento assistir à apresentação de Paulinho da Viola ao vivo no meio desta quarentena às vésperas de uma eleição tão improvável. Um segundo turno de eleições para prefeito em algumas das principais cidades do Brasil que mostra novos nomes de uma esquerda nada reacionária, positiva e pra frente, funciona como um horizonte possível neste tétrico 2020 e a aparição sensível e delicada de Paulinho na noite deste sábado, agiu como um portal para um Brasil que vem sendo vilipendiado desde que tiraram Dilma à força da presidência. Com um tato específico seu, ele nos conduziu a um repertório invejável que mostra não apenas toda sua majestade, como o quanto a cultura brasileira é mais forte que o lado mais abjeto do país numa apresentação memorável, que segue disponível online (embora a Globoplay ainda não tenha descoberto a tecnologia que permite incorporar seus vídeos em outros sites). Olha esse rosário de hits:

“Onde a Dor Não Tem Razão”
“Peregrino”
“Ruas Que Sonhei”
“Vela no Breu”
“Coração Imprudente”
“Amor à Natureza”
“Ela Sabe Quem Eu Sou”
“Retiro”
“Para um Amor no Recife”
“Dança da Solidão”
“Roendo as Unhas”
“Coisas do Mundo, Minha Nega”
“Ainda Mais”
“Pecado Capital”
“Argumento”
“Eu Canto Samba”
“Talismã”
“Coração Leviano”
“Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”
“Timoneiro”
“Sinal Fechado”

David Prowse (1935-2020)

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Você lembra do rosto do fisiculturista britânico David Prowse, que faleceu neste sábado, do filme Laranja Mecânica do Kubrick, mas ele entrou para a eternidade ao vestir-se como Darth Vader nos três primeiros filmes da trilogia de George Lucas.

A Wisteria de David Lynch

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A revista norte-americana de mercado Production Weekly, fechada para assinantes, anunciou em sua última edição, entre as novidades que soube em relação ao mês de dezembro deste ano, que o grão-mestre David Lynch estaria desenvolvendo uma série pra Netflix, que começaria a ser produzida a partir de maio do ano que vem no Calvert Studios, onde também filmou partes da terceira temporada de Twin Peaks. Wisteria também é referida como Untitled David Lynch Project e aparentemente é uma série com episódios sem relação entre si – e não tem nenhuma relação com Twin Peaks, como o cocriador da série, Mark Frost, fez questão de frisar no Twitter (o que não diminui a expectativa sobre uma possível quarta temporada). No meio do ano, Lynch deu uma entrevista para o site Daily Beast sobre a guinada YouTuber que o diretor deu durante a quarentena e ameaçou, de forma enigmática, que “talvez tenham coisas vindo aí que possam significar que poderei gastar menos tempo com o canal”. Lynch já começou o ano com um pé no serviço de streaming, quando lançou o curta What Did Jack Do?, em que ele mesmo interrogava um macaco.

“Sunrise doesn’t last all morning…”

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O clássico disco triplo de George Harrison, All Things Must Pass, o primeiro disco que lançou após sair dos Beatles e uma rara unanimidade entre os fãs do grupo (pois é o melhor disco solo de um ex-beatle), completa 50 anos nesta sexta e começa a ganhar tratamento de luxo a partir de uma nova versão estéreo para a faixa-título.

Segundo o filho de George, Dhani Harrison, contou ao NME, é o início do resgate do disco como seu pai gostaria que ele soasse. “Este novo mix em estéreo da faixa-título é só um aperitivo do que está por vir em 2021 quando celebraremos os 50 anos do lendário álbum All Things Must Pass, do meu pai. Estamos escavando entre montanha de fitas e elas continuam surgindo – caixas e caixas delas. Fazer o som deste disco mais claro sempre foi um dos maiores desejos do meu pai e é algo que nós estávamos trabalhando juntos nisso quando ele faleceu. Mas com a ajuda da nova tecnologia e com o trabalho de Paul Hicks neste projeto, nós vamos conseguir fazer isso acontecer”. O disco original foi produzido por Phil Spector, que entupiu algumas faixas com sua clássica parede-de-som deixando-as com o som embolado, tornando difícil reconhecer os instrumentos isoladamente, o que George sempre havia lamentado. E Hicks acaba de trabalhar tanto na caixa que os Stones lançaram para seu disco de 1973 Goat’s Head Soup e a nova versão para “Gimme Some Truth”, do John Lennon, lançada quando em seu aniversário deste ano.

Daria Nicolodi (1950-2020)

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A atriz italiana Daria Nicolodi, musa e esposa do diretor Dario Argento, que revolucionou o cinema de horror ao criar o subgênero giallo na virada dos anos 70 para os anos 80. A morte da musa do horror italiano foi confirmada por sua filha, a também atriz e diretora Asia Argento, em sua conta no Instagram, nesta quarta-feira. Daria estrelou vários clássicos de Argento, como Profondo Rosso, Inferno, Tenebrae e Phenomena, e também deu a ideia que inspirou o revolucionário Suspiria, primeiro clássico do formato deste diretor. Ela tinha 70 anos.

Vida Fodona #693: Festa-Solo (27.11.2020)

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Sexta-feira é dia de Festa-Solo, a versão ao vivo do Vida Fodona lá no twitch.tv/trabalhosujo – a partir das 23h45 – e segue a discotecagem dessa sexta…

Billie Eilish – “Therefore I Am”
Angel Olsen – “New Love Cassette (Mark Ronson Remix)”
Chromeo – “6 Feet Away”
Doja Cat – “Say So”
Solange – “Losing You”
Prince – “1999”
Neneh Cherry – “Buffalo Stance”
Chemical Brothers – “Galvanize”
Radiohead – “Reckoner (James Holden Remix)”
Dua Lipa – “Future Nostalgia”
Jessie Ware – “Ooh La La”
Kyle Minogue – “Magic”
Miley Cyrus + Joan Jett – “Bad Karma”
Black Kids – “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You (The Twelves Remix)”
Midnight Juggernauts – “Into the Galaxy”
Digitalism – “Digitalism In Cairo”
Rapture – “How Deep Is Your Love?”
Cut Copy – “Lights & Music”
Whitest Boy Alive – “Timebomb”
Rihanna – “Same Ol Mistakes”
Jennifer Lopez – “If You Had My Love”
Lisa Stansfield – “All Around the World”
Daft Punk – “Around the World”
LCD Soundsystem – “Yeah”
Hot Chip – “Over And Over”
Beastie Boys – “Triple Trouble”
Isley Brothers – “That Lady (Parts 1 And 2)”
Funkadelic – “One Nation Under A Groove”
Tim Maia – “A Fim de Voltar”
Lincoln Olivetti – “Baila Comigo”
Di Melo – “Kilariô”
Jorge Ben – “Menina Mulher da Pele Preta”
Paulinho da Viola – “Quatorze Anos”
Instituto + Sabotage – “Cabeça de Nêgo”
Racionais MCs – “Fim de Semana no Parque”
A Tribe Called Quest – “Bonita Applebum”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Erasmo Carlos – “Mané Joao”
Escort – “If You Say So”
Run-DMC – “It’s Tricky”
Shaggy – “It Wasn’t Me”
Dumbo Gets Mad – “Future Sun”
Domenico Modugno – “Volare”
Gipsy Kings – “Hotel California”
Tom Zé – “Mã”
Talking Heads – “Air”
Moby – “Natural Blues”
Massive Attack – “Unfinished Sympathy”
David Bowie – “Fashion”
Def – “Alarmes de Incêndio”
Napalm Death – “White Kross”
Knife – “We Share Our Mothers Health”
Nicolas Jaar – “Keep Me There”
Björk – “Hunter”
Luiza Lian – “Sou Yabá”
Metá Metá – “Três Amigos”
Michael Kiwanuka – “You Ain’t The Problem”
Lorde – “Team”
Alanis Morissette – “Hand In My Pocket”
Anelis Assumpção – “Receita Rápida”
Douglas Germano – “Valhacouto”
Gui Amabis – “Miopía”
Kali Uchis – “Ángel Sin Cielo”
Negro Leo – “O Pato Vai ao Brics”
Beat Happening – “Indian Summer”
Ariana Grande – “Thank U, Next”
Weyes Blood – “Wild Time”
George Harrison – “All Things Must Pass (Demo)”

A primeira edição da Wired no Brasil

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Enorme prazer de fazer parte da primeira edição da Wired no Brasil. Fui incumbido de uma maratona profissional: entrevistar e perfilar os 50 brasileiros mais criativos de 2020, uma lista que chegou pronta mas que pude interferir à medida em que me inteirava de todo o processo. E este foi junto de uma equipe dos sonhos: a querida Cris Namouvs no comando da espaçonave, o compadre Bruno Natal na edição, a comadre Juliana Azevedo no design e a capa assinada por Laurindo Feliciano (sem contar outros que conheci no processo, como o fotógrafo Wendy Andrade e a produtora Karina Mendes Cardoso). Mas a saga de entrevistar 50 universos pessoais em plena expansão, ainda mais num ano como 2020, abriu minha cabeça em múltiplas camadas e este trabalho tornou-se especialmente mais enriquecedor por acontecer neste ano pandêmico. Encontros, virtuais claros, com gente tão diferente e ativa como Ailton Krenak, Teresa Cristina, Emicida, Miguel Nicolelis, Silvio Almeida, Yasmin Thainá, Iana Chan, Sidarta Ribeiro, Nath Finanças, Marcelo D’Salete, Kaique Britto, Felipe Neto, Alê Santos, entre vários outros, me fizeram recuperar a sensação de horizonte que parecia ter sido perdida desde o início do ano. Abaixo, o texto que escrevi na apresentação da revista, que está sendo distribuída gratuitamente em alguns pontos de venda no Rio e em São Paulo (e não vai ser vendida em bancas) e a relação dos 50 nomes escolhidos, com os respectivos links para cada uma das matérias.

50 Horizontes

Entrevistar os 50 brasileiros mais criativos de 2020 não foi só uma tarefa hercúlea como inspiradora. Incumbido desta missão, encontrei 50 universos únicos, 50 pontos de vista singulares e 50 perspectivas distintas, mas todos, sem exceção, esperançosos em relação ao seu papel no futuro do Brasil.

Foram quase 50 videoconferências (só três responderam por email e só um pelo telefone) em que pude conferir olhares curiosos e empolgados, ver sorrisos e caras sérias para descrever altos e baixos de um ano que ficou na história de todos nós. A ausência do encontro presencial, crucial quando se faz esse tipo de entrevista, mostrou, por outro lado, que todos estavam à vontade com a rotina da quarentena.

Muitos entediados, outros exaustos, alguns felizes pela convivência com os filhos, outros tensos pela tragédia sanitária, mas todos dispostos a seguir fazendo seus trabalhos, que encontraram, neste ano, um ponto de inflexão definitivo.

50 indivíduos que tiveram que se reinventar para adequar-se ao novo ano, 50 pontos de conexão com redes exponenciais – vários inclusive conectando-se entre si -, 50 biografias que deram um salto no ano que está chegando ao fim.

Mais do que isso: 50 olhares dispostos a tirar o país do atraso conceitual que se encontra, 50 horizontes possíveis que creem em um Brasil que, mesmo na adversidade, só melhora.

Os 50: