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“A vida até parece uma festa”

A primeira apresentação da turnê de reencontro dos sete fundadores dos Titãs em São Paulo foi o que deveria ser: um espetáculo impecável de entretenimento pop. O grupo poderia ter optado por inúmeros recursos cênicos e musicais para lapidar ainda mais as expectativas em relação a esta volta histórica aos palcos. Mas preferiu optar pela própria presença e a grande atração para além do grupo no palco era um telão espetacular que esfregava o rosto de qualquer um dos integrantes na cara de todo o público, não importasse se você estivesse na pista vip (e este show ainda tinha uma pista vip da pista vip, acredite) ou na última arquibancada. O impacto audiovisual que as imagens do grupo causavam ao espetáculo acentuavam ainda mais o principal aspecto desta nova leva de shows: a carga emocional do reencontro.

Acompanhados do compadre produtor e mutante Liminha, substituindo a guitarra do saudoso Marcelo Fromer (cuja presença foi celebrada com a participação de sua filha Alice no intervalo acústico do show), os sete Titãs originais estavam visivelmente emocionados e aquilo se traduzia tanto em texto quanto em música. A cada vez que um deles pegava o microfone para comentar essa sensação, praticamente se repetiam – mesmo porque a sensação é única e fazia o grupo voltar a ser a hidra de multicabeças que enfeitiçou os anos 80. Arnaldo Antunes pulava no palco com um sorriso de orelha a orelha, Paulo Miklos suava carisma e Branco Mello encheu os olhos do público de lágrimas ao falar de sua volta por cima.

O repertório foi o mesmí(ssi)ssimo de todos os shows da turnê, sem tirar nem por, o que repete o elemento mecânico de como colocar uma máquina de entretenimento daquelas sem que nada saia do lugar, mas isso não é propriamente um problema. O encadeiamento das músicas repassa quase todos os clássicos dos quatro clássicos da banda, costura hits new wave dos dois primeiros discos, sobrevoa superficialmente o início dos anos 90 para jogar luz na fase acústica – e mais popular – da história do grupo, no fim do século passado. O entrosamento dos caras entre si e com as câmeras que projetam seus corpos no telão é de tirar o fôlego e são quase duas horas e meia com poucos intervalos para todos tomar fôlego. Caberia alguma participação especial diferente ou música inédita pelo fato de estarem tocando em sua cidade-natal, mas pelo menos revisitaram “Ovelha Negra”, que tocaram em Salvador em homenagem a Rita Lee. Mas ainda tem outros dois shows e surpresas podem vir…

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Alanis Morissette no Brasil!

E São Paulo 2023 é assim: você pisca e surge um show grande do nada. Agora é a vez da Alanis Morissette bater cartão por aqui comemorando os 25 anos de seu primeiro disco no único show na América do Sul, no dia 14 de novembro, no Allianz Parque. As vendas começam semana que vem primeiro para clientes do banco patrocinador do show (dias 20 e 21 de junho, a partir das 10h), depois pra geral, a partir do dia 22. Mais informações neste link.

Uma primeira noite quente

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles pegou fogo e quem foi sabe como foi a temperatura – e a colisão de corpos, tribos e faixas etárias. Mas não vou resenhar minha própria festa e sim me ater à breve e passional explosão de calor que fez o ar do sobrado-resistência de Pinheiros pesar mesmo antes de Sopha Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo subir no micropalco. Num dos últimos shows antes do lançamento de seu aguardado segundo disco, o quarteto lotou a casa e trouxe camadas intensas de emoção sobre novos clássicos que em breve sairão dos shows recorrentes da banda – os quatro cogitavam quais músicas iriam parar de tocar ao vivo a partir do segundo semestre -, todos cantados a plenos pulmões por um público mais jovem do que a própria banda, que por sua vez já é jovem pacas. Depois, eu e a Fran seguimos madrugada adentro transformando o público de um show de rock em uma pista suada de música pop de todos estilos, épocas e nacionalidades em que só uma regra era determinante: botar todo mundo pra dançar. E se você foi ou perdeu essa noite, já anote aí que a próxima é no dia 30 de junho, uma sexta-feira, por isso não tem conversa… Mas antes vai pintar outra festa – o que você vai fazer no próximo sábado?

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Aparelho: Outro segredo do morcego – Alfred Pennyworth é o verdadeiro Batman

Demorou mas cá estamos de volta e entre elocubrações sobre música instrumental, a cena do Lauren Canyon, sommerliers de conflitos, o manual do espião analógico, a identidade real de Shakespeare, a volta da baixa fidelidade, a contracultura dos anos 60, Capital Inicial tocando Hojerizah, discotecas para exibir para os outros, Miles Davis e dub, a volta dos Titãs, a criação da personalidade pública pop, o fim da reclusão, nouvelle vague, filmes de arte(s marciais) e a inclusão da não-montagem de presépio no LinkedIn, eu, Tomate e Vlad – os últimos usuários do Zoom – deixamos o verbo correr cada um de sua cidade para questionar as relações trabalhistas entre o Homem-Morcego e seu mordomo.

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“Gostei” do Varanda

“Sim, cê acertou, eu gostei”, assim a carismática Amélia do Carmo nos apresenta à nova cara da banda mineira Varanda, ela que é parte crucial deste novo momento, uma vez que assumiu os vocais do grupo de Juiz de Fora há menos de um ano. “Gostei”, que o quarteto de Juiz de Fora lança nesta sexta-feira (e antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo), é o primeiro passo dessa transformação. “É o primeiro single da banda comigo nos vocais”, continua Amélia, “entrei pra banda no fim do ano passado e esse é um trabalho de apresentação, digamos que mais formal, com arranjos de banda completa”, explica a nova vocalista, que cantou no segundo EP da banda, lançado no começo do ano com versões acústicas de músicas que já haviam sido lançadas no disco anterior com a vocalista original. Paula Mendes. Assista abaixo o clipe da música:  

John Romita Sr. (1930-2023)

Mais do que ser o criador de personagens clássicos da Marvel como Wolverine, Mary Jane Watson, Luke Cage e o Justiceiro, o grande John Romita Sr., que nos deixou esta semana, é o criador de um estilo de desenho que ecoa até hoje nos quadrinhos e fora do meio é o padrão identificado como arte de HQ. Um mestre.

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo

Vocês querem festa? Então toma! Nessa quinta-feira inauguro mais um puxadinho da minha zona de influência como parte das comemorações dos cinco anos de vida do sensacional Picles, que acabou de ser reformado e apresenta sua nova cara ao público nesta semana de aniversário. Inferninho Trabalho Sujo é uma festa quinzenal em que faço todo mundo dançar logo depois de uma das atrações da noite, o show de uma banda, essa espécie em extinção. E começo com um grupo exemplar desta nova safra, os queridos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo que acompanho desde antes do primeiro single. Às vésperas de lançar seu segundo álbum, o grupo faz um dos últimos shows de seu disco de estreia e sintoniza a frequência dessa minha nova onda, de fazer o lugar queimar de tanta música. E quem chamei pra ferver a pista é a comadre Francesca Ribeiro, a Fran, que repete a divisão de MP3 que fizemos naquele baile de carnaval no Cortina. O Picles fica na Cardeal, 1838, e quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Bora?

“Sentido” pela primeira vez

Encerrando a minitemporada Notas e Sílabas nesta terça-feira no Centro da Terra, o trio Atønito recebeu Luiza Lian para uma celebração ecumênica de música e poesia. Como explicou o saxofonista Cuca Ferreira no meio da apresentação, a relação de Luiza com o trio vem desde antes da pandemia, quando ela participou do segundo disco do grupo, Aqui, mas nunca pode cantar a faixa que dividiu com os três num palco – até essa semana. Além de passear pelo próprio repertório e por músicas do Azul Moderno de Luiza (como “Sou Yabá”. “Pomba Gira do Luar” e a faixa-título do disco de 2018), o grupo tocou pela primeira vez a suíte “Sentido”, num improviso em que o sax de Cuca, o baixo de Ro Fonseca, a bateria de Priscila Brigante e a voz de Luiza num amálgama sonoro intenso, uma febre de jazz de culminou a apresentação.

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