Trabalho Sujo - Home

Dragão feminino

Nos últimos anos, as comadres Alessandra Leão, Isaar e Karina Buhr vêm selando uma amizade de décadas, que remonta às origens do mangue beat em seu Pernambuco e um movimentação feminina e feminista no mundo da música mesmo a contragosto de seu status quo. O novo passo do trio foi dado neste sábado, no Sesc Pinheiros, quando reuniram-se ao guitarrista Régis Damasceno e à tecladista Sofia Freire para celebrar esse laço comum no espetáculo Dracena, em que repassaram músicas de suas respectivas carreiras solo em conjunto. “Não tem macumba sem planta, não tem macumba sem folha”, Alessandra explicou o nome da apresentação a partir da planta que o batiza no momento central do show, quando só as três entregam-se às suas vozes e instrumentos de percussão, “dracena também quer dizer ‘dragão feminino’. Dracena é planta que limpa, abre caminho e aponta para a frente como uma lança”. Axé!

Assista aqui:  

Centro da Terra: Julho de 2023

Mal chegamos à metade de junho, mas já temos aí a programação musical do Centro da Terra neste mês de julho. A temporada das segundas-feiras fica com Maria Beraldo, que mergulha em conexões afetivas e musicais numa série de apresentações que batizou de Manguezal. Na primeira segunda da temporada, dia 10, Beraldo recebe sua irmã de Quartabê Mariá Portugal para uma noite de improviso livre. Na segunda, dia 17, é a noite em que Maria escolheu para reverenciar Cássia Eller num encontro com Josyara. Depois, dia 24, ela junta-se a Rodrigo Campos abraçando o pagode para finalizar dia 31 com músicas novas que poderão estar em seu próximo disco, tocadas com os compadres Lello Bezerra e Marcelo Cabral. E como julho tem cinco segundas-feiras, a primeira delas, dia 3 de julho, ficou para o encontro dos duos Retrato e Antiprisma que apresentam a noite Reflexvs em que recebem participações diferentes (Raquel Diógenes nas projeções Debbie Hell na performance, narração dpoeta Rodrigo Qohen e synths de John Di Lallo, além de algumas surpresas). No dia seguinte, dia 4, a cantora Tila mostra o que virá a ser seu primeiro álbum no espetáculo Estelar, que conta com a participação de Izzy Gordon. Na segunda terça do mês, dia 11, o músico e produtor pernambucano Rodrigo Cøelho mostra o espetáculo Six Sines, uma performance, que, como ele mesmo descreve, “é um estudo sobre caos e dualidade, baseado no álbum composto sem instrumentos musicais, apenas com seis filtros ressonantes que se auto influenciam”. No dia 18, é a vez do músico, produtor, compositor e sócio do selo Desmonta, Luciano Valério mostrar seu trabalho solo MNTH, em que compõe peças ambient a partir de ruídos e texturas que cria com seus convidados. Às vésperas de lançar o disco Lume Púrpuro, ele testa essas novas composições ao lado de Paula Rebellato, Sarine, Aline Vieira e Nathalia Carvalho. E fechando julho, na última terça-feira do mês, dia 25, a banda Glue Trip, liderada pelo paraibano Lucas Moura, revê sua primeira década de carreira repassando diferentes momentos de sua discografia num novo espetáculo, 10 anos de psicodelia. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados neste link.

“A vida até parece uma festa”

A primeira apresentação da turnê de reencontro dos sete fundadores dos Titãs em São Paulo foi o que deveria ser: um espetáculo impecável de entretenimento pop. O grupo poderia ter optado por inúmeros recursos cênicos e musicais para lapidar ainda mais as expectativas em relação a esta volta histórica aos palcos. Mas preferiu optar pela própria presença e a grande atração para além do grupo no palco era um telão espetacular que esfregava o rosto de qualquer um dos integrantes na cara de todo o público, não importasse se você estivesse na pista vip (e este show ainda tinha uma pista vip da pista vip, acredite) ou na última arquibancada. O impacto audiovisual que as imagens do grupo causavam ao espetáculo acentuavam ainda mais o principal aspecto desta nova leva de shows: a carga emocional do reencontro.

Acompanhados do compadre produtor e mutante Liminha, substituindo a guitarra do saudoso Marcelo Fromer (cuja presença foi celebrada com a participação de sua filha Alice no intervalo acústico do show), os sete Titãs originais estavam visivelmente emocionados e aquilo se traduzia tanto em texto quanto em música. A cada vez que um deles pegava o microfone para comentar essa sensação, praticamente se repetiam – mesmo porque a sensação é única e fazia o grupo voltar a ser a hidra de multicabeças que enfeitiçou os anos 80. Arnaldo Antunes pulava no palco com um sorriso de orelha a orelha, Paulo Miklos suava carisma e Branco Mello encheu os olhos do público de lágrimas ao falar de sua volta por cima.

O repertório foi o mesmí(ssi)ssimo de todos os shows da turnê, sem tirar nem por, o que repete o elemento mecânico de como colocar uma máquina de entretenimento daquelas sem que nada saia do lugar, mas isso não é propriamente um problema. O encadeiamento das músicas repassa quase todos os clássicos dos quatro clássicos da banda, costura hits new wave dos dois primeiros discos, sobrevoa superficialmente o início dos anos 90 para jogar luz na fase acústica – e mais popular – da história do grupo, no fim do século passado. O entrosamento dos caras entre si e com as câmeras que projetam seus corpos no telão é de tirar o fôlego e são quase duas horas e meia com poucos intervalos para todos tomar fôlego. Caberia alguma participação especial diferente ou música inédita pelo fato de estarem tocando em sua cidade-natal, mas pelo menos revisitaram “Ovelha Negra”, que tocaram em Salvador em homenagem a Rita Lee. Mas ainda tem outros dois shows e surpresas podem vir…

Assista aqui:  

Alanis Morissette no Brasil!

E São Paulo 2023 é assim: você pisca e surge um show grande do nada. Agora é a vez da Alanis Morissette bater cartão por aqui comemorando os 25 anos de seu primeiro disco no único show na América do Sul, no dia 14 de novembro, no Allianz Parque. As vendas começam semana que vem primeiro para clientes do banco patrocinador do show (dias 20 e 21 de junho, a partir das 10h), depois pra geral, a partir do dia 22. Mais informações neste link.

Uma primeira noite quente

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles pegou fogo e quem foi sabe como foi a temperatura – e a colisão de corpos, tribos e faixas etárias. Mas não vou resenhar minha própria festa e sim me ater à breve e passional explosão de calor que fez o ar do sobrado-resistência de Pinheiros pesar mesmo antes de Sopha Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo subir no micropalco. Num dos últimos shows antes do lançamento de seu aguardado segundo disco, o quarteto lotou a casa e trouxe camadas intensas de emoção sobre novos clássicos que em breve sairão dos shows recorrentes da banda – os quatro cogitavam quais músicas iriam parar de tocar ao vivo a partir do segundo semestre -, todos cantados a plenos pulmões por um público mais jovem do que a própria banda, que por sua vez já é jovem pacas. Depois, eu e a Fran seguimos madrugada adentro transformando o público de um show de rock em uma pista suada de música pop de todos estilos, épocas e nacionalidades em que só uma regra era determinante: botar todo mundo pra dançar. E se você foi ou perdeu essa noite, já anote aí que a próxima é no dia 30 de junho, uma sexta-feira, por isso não tem conversa… Mas antes vai pintar outra festa – o que você vai fazer no próximo sábado?

Assista aqui:  

Aparelho: Outro segredo do morcego – Alfred Pennyworth é o verdadeiro Batman

Demorou mas cá estamos de volta e entre elocubrações sobre música instrumental, a cena do Lauren Canyon, sommerliers de conflitos, o manual do espião analógico, a identidade real de Shakespeare, a volta da baixa fidelidade, a contracultura dos anos 60, Capital Inicial tocando Hojerizah, discotecas para exibir para os outros, Miles Davis e dub, a volta dos Titãs, a criação da personalidade pública pop, o fim da reclusão, nouvelle vague, filmes de arte(s marciais) e a inclusão da não-montagem de presépio no LinkedIn, eu, Tomate e Vlad – os últimos usuários do Zoom – deixamos o verbo correr cada um de sua cidade para questionar as relações trabalhistas entre o Homem-Morcego e seu mordomo.

Assista aqui:  

“Gostei” do Varanda

“Sim, cê acertou, eu gostei”, assim a carismática Amélia do Carmo nos apresenta à nova cara da banda mineira Varanda, ela que é parte crucial deste novo momento, uma vez que assumiu os vocais do grupo de Juiz de Fora há menos de um ano. “Gostei”, que o quarteto de Juiz de Fora lança nesta sexta-feira (e antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo), é o primeiro passo dessa transformação. “É o primeiro single da banda comigo nos vocais”, continua Amélia, “entrei pra banda no fim do ano passado e esse é um trabalho de apresentação, digamos que mais formal, com arranjos de banda completa”, explica a nova vocalista, que cantou no segundo EP da banda, lançado no começo do ano com versões acústicas de músicas que já haviam sido lançadas no disco anterior com a vocalista original. Paula Mendes. Assista abaixo o clipe da música:  

John Romita Sr. (1930-2023)

Mais do que ser o criador de personagens clássicos da Marvel como Wolverine, Mary Jane Watson, Luke Cage e o Justiceiro, o grande John Romita Sr., que nos deixou esta semana, é o criador de um estilo de desenho que ecoa até hoje nos quadrinhos e fora do meio é o padrão identificado como arte de HQ. Um mestre.