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Vida Fodona #071: O grande barato é descobrir coisas novas em lugares completamente diferentes

Rio do B, Tarantino com Beastie Boys na manha, big band sueca, boogie nerd, hip hop geek, country safado, cover de Bread, New Order sem eletrônica, Floyd solar, krautrock disco, sem surpresas, rock gaúcho clássico, uma geral no Porto Musical 2007 e promessas não-cumpridas…

– “No Surprises” – Swan Lee
– “Suffused with Love” – Sondre Lerche
– “Bounty” – Gustav Brom
– “Aspectacle” – Can
– “Guitar Man” – Cake
– “Scooby Snacks (Schmoove Version)” – Fun Lovin’ Criminals
– “As Aventuras de Jack Brinsk” – Quinto Andar
– “Samba Dia” – Gabriel Muzak
– “Take Me Away” – Ween
– “Pode Me Chamar” – Eddie
– “Beethoven” – Graforréia Xilarmônica
– “Blue Monday” – Nada Surf
– “Free Four” – Pink Floyd
– “Lazy Days” – Byrds

Por aqui.

Mediovágel

E eu procurando palavras que já existem…

Tem muita gente que já sabe…

…mas tem muita gente que não. O Barcinski abriu mesmo uma casa nova na Barra Funda (bom nome, Clash Club – “com cara de querer ser a Haçienda brasileira”, me soprou um compadre insuspeito) e o Guab é o dono da noite de domingo, batizada Fuzz – e me chamou pra tocar lá com o Kalatalo no carnaval. É, Gente Bonita expandindo fronteiras na noite paulistana – e isso depois de entrar no Top 40 das melhores festas de São Paulo . “It’s we”, como eu comemoro no meio da balada. É, “we”, contigo no meio, se tu tiver nessa mesma vaibe que eu. Não tá? E por que não?

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Ah, e eu sei… Tá sentindo falta, né? Semana que vem tem outra dessas antes das folias mominas começarem e eu falo de uma promo misturada com essa outra festa durante o carnaval…

Vida Fodona #070: Como se isso fosse algum problema

Delírio praiano, aquecimento global dá bossa, hip hop Rio, britpop clássico, trinca de mashups, resquícios noventistas, groove motorik, funk italiano e a nova do Ronei Jorge.

– “Don’t Look Back” – The Remains
– “Futurismo” – Kassin + 2
– “Desculpa Aí” – Chambaril
– “Seja o Líder” – Inumanos
– “Sorted for E’s and Wizz” – Pulp
– “Keep Your Dreams” – Suicide
– “Let’s Go Away for a While” – Beach Boys
– “Ten Little Twelvetoes” – Chavez
– “Disco Six Six Six” – Girls Agains Boys
– “Snip Snap” – Goblin
– “I Wanna Be Christina’s Dog” – Divide & Kreate
– “Sweet Sovereign” – C.H.A.O.S. Productions
– “Feel Wall Inc.” – Ben Double M
– “Aquela Dança” – Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta

Come together.

“Young Folks” – Peter Bjorn & John

Assobio: F Dm Am

F Dm
if i told you things i did before,
Am
told you how i used to be.
F Dm Am
would you go along with someone like me?
F Dm
if you knew my story word for word,
Am
had all of my history,
F Dm Am
would you go along with someone like me?

F Dm
i did before and had my share,
Am
it didn’t lead nowhere…
F Dm Am
i would go along with someone like you.
F Dm
it doesn’t matter what you did,
Am
who you were hanging with,
F Dm Am
we could stick around and see this night through.

F C
and we don’t care about the young folks,
Am C
talkin’ bout the young style.
F C
and we don’t care about the old folks,
Am C
talkin’ ‘bout the old style too.
F C
and we don’t care about their own faults,
Am C
talkin’ ‘bout our own style.
F C
all we care ‘bout is talking,
Am C
talking only me and you.

Repete a parte do verso (F Dm Am) e depois a do refrão (F C Am C) infinitas vezes

Kdickeano

Mais uma sobre o Scanner Darkly, desta vez sobre o livro, que saiu na Folha hoje…

***

Lançamentos agitam o legado do escritor

A lenta consolidação do nome de Philip K. Dick no imaginário popular chega aos 25 anos neste 2007, quando aniversariam tanto a morte do escritor norte-americano (que morreu dia 2 de março de 1982) quanto a estréia de “Blade Runner” (25 de junho daquele ano), o primeiro de seus livros a virar filme. Desde então, o escritor de ficção científica – contemporâneo de bastiões do gênero como Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, que tiveram seus dias de glória ainda em vida – passou não só apenas a ser mais conhecido e reconhecido, como lentamente o material de seus romances diz muito mais a respeito dos nossos dias do que as colônias interplanetárias e os robôs de Asimov e Clarke.

Veja este “O Homem Duplo”, que acaba de ser lançado pela primeira vez no Brasil (só existia uma edição em português, na clássica coleção lusa Argonauta – o título da versão 2006/07 segue o desta primeira edição; o original “A Scanner Darkly” contém referências à Bíblia – em especial ao capítulo 13 da Primeira Epístola aos Coríntios e o amplo significado da palavra “scanner” nos anos 70). Sem nos atermos aos maneirismos futuristas do livro, a saga do policial que tem de se infiltrar no submundo das drogas e torna-se um viciado, confundindo sua obsessão por manter-se chapado com a de descobrir as subdivisões do narcotráfico foi escrita em 1977 mas é rotina trinta anos depois – ainda mais se trocarmos “droga” por qualquer outra atividade que venha ser considerada ilegal para o estado. A esquizofrenia de uma sociedade fragmentada é uma das principais profecias concretizadas por K. Dick, que inverte o totalitarismo de George Orwell em uma visão mais multifacetada (nem por isso menos agressiva) de possíveis ditaduras do futuro

Como em seus grandes livros, o escritor usa o futuro como metáfora para explorar a natureza do ser humano e a narrativa ficcional serve como veículo para a filosofia. Escrito em duas semanas mas reescrito por seis anos, “O Homem Duplo” mistura referências autobiográficas na história, principalmente no que diz respeito ao uso de drogas – Philip é famoso por ter frito o próprio cérebro com anfentamina durante os anos 60, quando escrevia livros às dúzias.

A mesma Rocco que lança “O Homem Duplo” promete uma nova edição o livro para “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (lançado como “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, em 1968) para o próximo mês de abril, quando a editora Aleph, que lançou no ano passado a obra-prima “O Homem do Castelo Alto” (de 1964), publica a primeira edição em português para o livro-enigma “Valis” (de 1981). A Aleph ainda promete para o segundo semestre “Ubik” (de 1969) e “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch” (de 1965).

Nos EUA, acaba de sair o livro póstumo “Voices from the Street”, há dois filmes em produção sobre sua biografia (um com Bill Pullman vivendo o escritor e a outra com Paul Giamatti no papel) e o reconhecimento oficial do governo finalmente aconteceu quando a Library of America (a Biblioteca Nacional deles) anunciou que irá publicar “Blade Runner”, “Castelo Alto” e “Ubik” em sua coleção. Fora a edição definitiva do filme de Ridley Scott, que chega às telas no meio do ano. Nada mal para um escritor frila obcecado, paranóico e chapado que, alucinando, viu o nosso futuro.

O HOMEM DUPLO
Cotação: ****
Editora: Rocco (308 páginas)
Preço: R$ 38,50

Vida Fodona #069: Não sei porque eu tava falando disso

Três faixas de abertura, quatro covers, um mashup, três músicas escolhidas a dedo e três músicas pinçadas aleatoriamente, além de qualquer parada dita aqui e ali.

– “For What’s Worth” – Sergio Mendes & Brasil 66
– “Brasil Pandeiro” – Novos Baianos
– “Concrete Jungle” – Bob Marley
– “From Out of Nowhere” – Faith No More
– “Heroes and Villains” – Apples in Stereo
– “Dancing Days” – Stone Temple Pilots
– “Mama Told Me (Not to Come)” – Yo La Tengo
– “Bus Stop Bitties” – RJD2
– “Go” – Common
– “Tilt” – Plump DJs
– “Same Jeans” – The View
– “Must Be the Moon” – !!!
– “Girl’s Night Out” – The Knife
– “Bad Ghostbusters” – Michael Jackson vs. Ray Parker Jr.

Colaë

Cinco Perguntas Simples: Felippe Llerena

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Na verdade, a partir do momento que a música se tornou um bem intangível ela já perdeu o suporte, pois o CD era o “armazenador” de música oficial, e os walkmans da vida, e o CD player era o “reprodutor” de áudio. Na medida que os “reprodutores” e os “armazenadores” se tornaram o mesmo, o suporte físico, tal qual conhecemos, deixar de existir. De certa maneira, música sempre vai precisar de algum hardware para ser reproduzido, ainda que a música em si possa ser transportada por vias eletrônicas, portanto de certa maneira o suporte físico continua existindo na media que necessitamos de um local para armazenar a musica, o que se traduz no HD do computador que tem um player virtual ou o MP3 Player – pois jamais teremos como fugir da armazenagem – portanto o CD ainda será um otimo armazenador de música e ainda deverá ser por muitos anos, mesmo que seja para fazer backup – mas o modelo CD ->fabrica -> loja -> consumidor -este está com os dias contados sim…

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
A música já é consumida hoje atraves de outros meios que não são levados ao consumidor através do CD e sim através do cinema, do videogame, da televisão, pela internet por meios digitais atraves de serviços de venda a la carte – como o iMusica e o iTunes – ou por assinatura via “all you can eat” – este modelo já existe – se deixar de pagar o mês seguinte, as músicas caducam e deixam de ser reproduzidas – mas temos é que fazer os jurídicos, autores, artistas e tecnologistas se falarem mais pragmaticamente para encontrarem um modelo comercial que agrade a todos, pois acredito que música deveria passar a ser considerado que nem sistema de encanamento de água de casa – você paga uma conta mensal e tem água à vontade, quase de graça. Mas se quiser uma Evian, vais pagar mais por isto.
Existem outras suposições e possibilidades, que a música poderá ser paga por algum patrocinador, mas no fim das contas o que vale é a música sob demanda. O perigo é que se a conta não for paga, o artista vai deixar de ter alguém para pagar a inspiração, uma vez que para gerar demanda, ainda necessitamos da oferta e isto é gerado a partir do marketing e nisto as gravadoras ainda detém este know how melhor que ninguém. Direção artística, por mais que artistas dizem que gravadora não serve mais para nada, quem melhor sabe adequar um artista a repertório é quem sempre fez isto no dia-a dia – e se matarmos este modelos, tal qual se desenha hoje, vamos ter que pensar em novas fórmulas de criar demanda de novas obras.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
De passar por todos os barracos e saber o que não queremos e escolher o que queremos a partir do esvaziamento da mídia de massa para mídia individual. O acesso à informação e tecnologia mudou o modelo econômico. O ser humano mudou seu comportamento de acordo com as evoluções tecnológicas, nada do que está acontecendo é novidade, mas o difícil esta sendo assimilar.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Praticamente todos desconhecidos maravilhosos. Não recebemos mais demo tapes pelo correio e sim um link. Também ao mesmo tempo passamos a conhecer um universo de musicas muito ruins devido a facilidade de acesso a gravação e não-dicernimento artístico. A incógnita: como fazer isto gerar receitas?
Outro fator muito interessante é que passei a conhecer melhor artistas de antigamente através destas tecnologias novas também. Acho mais fácil eu vir a me interessar por projetos gravados em outrora do que assimilar as novidades atuais, pois hoje para se criar referência é muito complicado e quando ela se realiza a gente passa batido, sabendo que foi gerada a partir de sonoridades e musicas de outros tempos, porque são referências de vida. Hoje fazer estourar um artista parecer ser muito mais fácil, mas já que a massificação na rádio não fortalece mais do jeito que era antes. Ou seja, antigamente mesmo que a música nao fosse tão boa ela era assimilada e consumida pela carência de vários canais de divulgação e pela maciça quantidade de inserções, mas hoje o que é bom, é bom na hora e isto se propaga rápid. Novamente, mudança de comportamento.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Sim, com a facilidade de acesso a tecnologia e gravação, podemos focar em música ao mesmo tempo em que você vira parceiro do artista. Antigamente isto não existiria, pois todo o custo era somente da gravadora. Sonho mesmo será conseguir usufruir destas tecnologias e fazer a música brasileira bombar no resto do mundo.

Felippe Llerena é fundador do iMúsica.