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Bardo duplo

Resenhinha que saiu na Folha de hoje, sobre o primeiro DVD do Van Morrison, mas que a edição no jornal fez parecer que os músicos do primeiro CD tocam mal. Enfim…

Live at Montreux 1980/1974Van Morrison
Gravadora: ST2; Quanto:R$ 50, em média
Cotação: ***
O clichê da contracapa (“este DVD registra Van Morrison em sua melhor forma”) é mentira, pois isso só aconteceu uma vez na biografia do irlandês, no clássico “Astral Weeks”, de 1968. A partir dali, o ex-Them seguiu uma carreira sempre irregular, entre o brilhante e o desapontador. Mas a voz de Morrison é um instrumento – e mesmo que seu músico esteja mal (como no disco de 74, em plena crise pós-casamento que gerou o disco-jam – e depois engavetado – “Mechanical Bliss”), ela ainda soa intacta. É claro que é bem melhor ouvi-la plena (como no show de 80), e é esta voz, limpa, suave e forte, que garante que o primeiro DVD do velho Van seja bem acima da média.
POR QUE ASSISTIR: O disco de 1980 (que chama a responsa do DVD duplo) traz Morrison mais à vontade e inspirado. O de 74 o apresenta em fase crítica, por vezes inseguro e discreto, e a banda aparece mais – o que pode ser bom, se você for músico.

Vida Fodona #071: O grande barato é descobrir coisas novas em lugares completamente diferentes

Rio do B, Tarantino com Beastie Boys na manha, big band sueca, boogie nerd, hip hop geek, country safado, cover de Bread, New Order sem eletrônica, Floyd solar, krautrock disco, sem surpresas, rock gaúcho clássico, uma geral no Porto Musical 2007 e promessas não-cumpridas…

– “No Surprises” – Swan Lee
– “Suffused with Love” – Sondre Lerche
– “Bounty” – Gustav Brom
– “Aspectacle” – Can
– “Guitar Man” – Cake
– “Scooby Snacks (Schmoove Version)” – Fun Lovin’ Criminals
– “As Aventuras de Jack Brinsk” – Quinto Andar
– “Samba Dia” – Gabriel Muzak
– “Take Me Away” – Ween
– “Pode Me Chamar” – Eddie
– “Beethoven” – Graforréia Xilarmônica
– “Blue Monday” – Nada Surf
– “Free Four” – Pink Floyd
– “Lazy Days” – Byrds

Por aqui.

Mediovágel

E eu procurando palavras que já existem…

Tem muita gente que já sabe…

…mas tem muita gente que não. O Barcinski abriu mesmo uma casa nova na Barra Funda (bom nome, Clash Club – “com cara de querer ser a Haçienda brasileira”, me soprou um compadre insuspeito) e o Guab é o dono da noite de domingo, batizada Fuzz – e me chamou pra tocar lá com o Kalatalo no carnaval. É, Gente Bonita expandindo fronteiras na noite paulistana – e isso depois de entrar no Top 40 das melhores festas de São Paulo . “It’s we”, como eu comemoro no meio da balada. É, “we”, contigo no meio, se tu tiver nessa mesma vaibe que eu. Não tá? E por que não?

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Ah, e eu sei… Tá sentindo falta, né? Semana que vem tem outra dessas antes das folias mominas começarem e eu falo de uma promo misturada com essa outra festa durante o carnaval…

Vida Fodona #070: Como se isso fosse algum problema

Delírio praiano, aquecimento global dá bossa, hip hop Rio, britpop clássico, trinca de mashups, resquícios noventistas, groove motorik, funk italiano e a nova do Ronei Jorge.

– “Don’t Look Back” – The Remains
– “Futurismo” – Kassin + 2
– “Desculpa Aí” – Chambaril
– “Seja o Líder” – Inumanos
– “Sorted for E’s and Wizz” – Pulp
– “Keep Your Dreams” – Suicide
– “Let’s Go Away for a While” – Beach Boys
– “Ten Little Twelvetoes” – Chavez
– “Disco Six Six Six” – Girls Agains Boys
– “Snip Snap” – Goblin
– “I Wanna Be Christina’s Dog” – Divide & Kreate
– “Sweet Sovereign” – C.H.A.O.S. Productions
– “Feel Wall Inc.” – Ben Double M
– “Aquela Dança” – Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta

Come together.

“Young Folks” – Peter Bjorn & John

Assobio: F Dm Am

F Dm
if i told you things i did before,
Am
told you how i used to be.
F Dm Am
would you go along with someone like me?
F Dm
if you knew my story word for word,
Am
had all of my history,
F Dm Am
would you go along with someone like me?

F Dm
i did before and had my share,
Am
it didn’t lead nowhere…
F Dm Am
i would go along with someone like you.
F Dm
it doesn’t matter what you did,
Am
who you were hanging with,
F Dm Am
we could stick around and see this night through.

F C
and we don’t care about the young folks,
Am C
talkin’ bout the young style.
F C
and we don’t care about the old folks,
Am C
talkin’ ‘bout the old style too.
F C
and we don’t care about their own faults,
Am C
talkin’ ‘bout our own style.
F C
all we care ‘bout is talking,
Am C
talking only me and you.

Repete a parte do verso (F Dm Am) e depois a do refrão (F C Am C) infinitas vezes

Kdickeano

Mais uma sobre o Scanner Darkly, desta vez sobre o livro, que saiu na Folha hoje…

***

Lançamentos agitam o legado do escritor

A lenta consolidação do nome de Philip K. Dick no imaginário popular chega aos 25 anos neste 2007, quando aniversariam tanto a morte do escritor norte-americano (que morreu dia 2 de março de 1982) quanto a estréia de “Blade Runner” (25 de junho daquele ano), o primeiro de seus livros a virar filme. Desde então, o escritor de ficção científica – contemporâneo de bastiões do gênero como Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, que tiveram seus dias de glória ainda em vida – passou não só apenas a ser mais conhecido e reconhecido, como lentamente o material de seus romances diz muito mais a respeito dos nossos dias do que as colônias interplanetárias e os robôs de Asimov e Clarke.

Veja este “O Homem Duplo”, que acaba de ser lançado pela primeira vez no Brasil (só existia uma edição em português, na clássica coleção lusa Argonauta – o título da versão 2006/07 segue o desta primeira edição; o original “A Scanner Darkly” contém referências à Bíblia – em especial ao capítulo 13 da Primeira Epístola aos Coríntios e o amplo significado da palavra “scanner” nos anos 70). Sem nos atermos aos maneirismos futuristas do livro, a saga do policial que tem de se infiltrar no submundo das drogas e torna-se um viciado, confundindo sua obsessão por manter-se chapado com a de descobrir as subdivisões do narcotráfico foi escrita em 1977 mas é rotina trinta anos depois – ainda mais se trocarmos “droga” por qualquer outra atividade que venha ser considerada ilegal para o estado. A esquizofrenia de uma sociedade fragmentada é uma das principais profecias concretizadas por K. Dick, que inverte o totalitarismo de George Orwell em uma visão mais multifacetada (nem por isso menos agressiva) de possíveis ditaduras do futuro

Como em seus grandes livros, o escritor usa o futuro como metáfora para explorar a natureza do ser humano e a narrativa ficcional serve como veículo para a filosofia. Escrito em duas semanas mas reescrito por seis anos, “O Homem Duplo” mistura referências autobiográficas na história, principalmente no que diz respeito ao uso de drogas – Philip é famoso por ter frito o próprio cérebro com anfentamina durante os anos 60, quando escrevia livros às dúzias.

A mesma Rocco que lança “O Homem Duplo” promete uma nova edição o livro para “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (lançado como “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, em 1968) para o próximo mês de abril, quando a editora Aleph, que lançou no ano passado a obra-prima “O Homem do Castelo Alto” (de 1964), publica a primeira edição em português para o livro-enigma “Valis” (de 1981). A Aleph ainda promete para o segundo semestre “Ubik” (de 1969) e “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch” (de 1965).

Nos EUA, acaba de sair o livro póstumo “Voices from the Street”, há dois filmes em produção sobre sua biografia (um com Bill Pullman vivendo o escritor e a outra com Paul Giamatti no papel) e o reconhecimento oficial do governo finalmente aconteceu quando a Library of America (a Biblioteca Nacional deles) anunciou que irá publicar “Blade Runner”, “Castelo Alto” e “Ubik” em sua coleção. Fora a edição definitiva do filme de Ridley Scott, que chega às telas no meio do ano. Nada mal para um escritor frila obcecado, paranóico e chapado que, alucinando, viu o nosso futuro.

O HOMEM DUPLO
Cotação: ****
Editora: Rocco (308 páginas)
Preço: R$ 38,50

Vida Fodona #069: Não sei porque eu tava falando disso

Três faixas de abertura, quatro covers, um mashup, três músicas escolhidas a dedo e três músicas pinçadas aleatoriamente, além de qualquer parada dita aqui e ali.

– “For What’s Worth” – Sergio Mendes & Brasil 66
– “Brasil Pandeiro” – Novos Baianos
– “Concrete Jungle” – Bob Marley
– “From Out of Nowhere” – Faith No More
– “Heroes and Villains” – Apples in Stereo
– “Dancing Days” – Stone Temple Pilots
– “Mama Told Me (Not to Come)” – Yo La Tengo
– “Bus Stop Bitties” – RJD2
– “Go” – Common
– “Tilt” – Plump DJs
– “Same Jeans” – The View
– “Must Be the Moon” – !!!
– “Girl’s Night Out” – The Knife
– “Bad Ghostbusters” – Michael Jackson vs. Ray Parker Jr.

Colaë