”Lager, lager, lager…”
Underworld no Brasil – info via Churrasco Grego. Istaile.
Underworld no Brasil – info via Churrasco Grego. Istaile.
Nunca dá tempo pra nada, mas ao menos deu pra bater um rango com o Matias, dar um sonzinho na Casa da Matriz (com direito a go-go girls até as cinco da manhã), tomar um chopp com o Bruno, dar umas duas bandas pela praia (soléu, paulistada!), esbarrar com o Zé Dassilva e com o Felix do nada, sem combinar – isso fora trabalhar (e pacas), mas faz parte do pacote… Vez que vem venho devagar (ah, as aliterações…).
Essa saiu na Folha de hoje.
“As crianças parecem relacionar-se universalmente com animações e fantoches. Talvez seja a visão simplificada e colorida do mundo ou um humor básico, mas há algo especial na animação que acende a imaginação delas”, assim Ian MacKinnon, sócio da MacKinnon & Saunders, uma das principais companhias de animação da Europa, resume o fascínio dos desenhos animados por parte das crianças.
MacKinnon é um dos convidados internacionais da edição 2006 do Anima Mundi e, apesar de conhecido por campanhas publicitárias e programas infantis (como o simpático “Bob o Construtor”), tem seus maiores sucessos comerciais em parceria com o diretor Tim Burton – os marcianos de “Marte Ataca!” e todo o universo de “Noiva Cadáver”, do ano passado.
“Eu e Peter (Saunders, seu sócio) conhecemos Tim Burton em 1995 quando ele nos convidou para criar os marcianos do filme ‘Marte Ataca!’. Ele realmente queria que fosse uma homenagem a Harryhausen (Ray Harryhausen, um dos pioneiros da animação stop-motion em filmes como ‘Jasão e os Argonautas’, de 1963, e ‘Fúria de Titãs’ de 1981), com personagens de animação stop-motion tradicional. Trabalhamos juntos por oito ou nove meses, contudo houveram algumas dificuldades técnicas e no final foi mais fácil combinar animação com cinema usando computadores”.
“Os bonecos de ‘Noiva Cadáver’ tendem a forçar os desafios físicos ao limite absoluto, pois os personagens têm pés minúsculos e corpos altos e avantajados”, continua falando de seu trabalho com Burton, “mas a maior dificuldade é manter-se fiel à visão do diretor e fazer jus aos belos desenhos originais”.
“Longas saias vitorianas e vestidos de casamento, cabelo esvoaçantes e longos véus são coisas que usualmente você tende a evitar em animação em frames parados”, explica o inglês. “Trabalhar com animadores para superar estas dificuldades era apenas uma das partes do desafio de ‘Noiva Cadáver’. O co-diretor do filme, Mike Johnson foi fundamental para que conseguíssemos levar o trabalho que já havíamos feito para outros níveis, porque ele sempre queria que as pequenas cabeças dos bonecos conseguissem mostrar movimentos faciais expressivos em closes bem próximos”.
Ian, que participou ontem do Papo Animado do festival (o que volta a acontecer amanhã), conversando com fãs sobre seu trabalho, apenas passará pela edição carioca do evento, que traz os bonecos de seu filme mais recente para exposição no Brasil, além de outros trabalhos de sua produtora.
“Eu sempre fui fascinado por fantoches desde criança”, lembra o animador. “Eu amava o trabalho que a oficina de Jim Henson (o criador dos “Muppets”) produzia. Quando deixei a escola, tive a sorte de trabalhar brevemente para o produtor de televisão, que fazia programas como os ‘Thunderbirds’, usando só marionetes. Eu também sempre fui um grande admirador dos filmes de Ray Harryhausen, mas eu nunca pensei que eu poderia aprender a técnica por trás destes filmes”.
“Por isso me entusiasmei quando me encontrei pela primeira vez com Peter Saunders, meu sócio atual, e o mundo da animação com bonecos foi aberto para mim”, conta. “Ele me ensinou as técnicas de filmar bonecos com stop motion e estamos trabalhando juntos há vinte anos, fazendo personagens para programas infantis, comerciais e filmes”.
“O que eu gusto nos filmes em stop-motion é o nível de controle que um animador pode trazer à performance em relação às marionetes e aos fantoches”, explica MacKinnon. “Há uma mágica real para mim no fato de um objeto inanimado, feito de borracha e metal, poder viver através das mãos de um bom animador a ponto de você achar que o personagem é real”.
PAPO ANIMADO COM IAN MACKINNON
Quando: amanhã, às 19h30
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil – rua 1º de Março, 66 – Rio de Janeiro
ANIMA MUNDI
Quando: de 14 a 23 de julho (Rio); de 26 a 30 de julho (São Paulo)
Onde: CCBB, Casa França-Brasil, Centro Cultural Correios e outros (Rio); Memorial da América Latina (SP). Programação e horários estão no site www.animamundi.com.br

Tou discotecando na pista 2 da Casa da Matriz. Na pista 1, toca uma banda chamada Menage Modular, que eu não faço a mínima qualé. Mas cola lá!

Pô, groovezeira de grátis, no pico mais istaile do melhor bairro da Babilônia. E olha esse sol aí fora… Tou lá!
Essa também tá na Folha de hoje.
Uma inocente garota descobre um universo mágico que irá mudar sua forma de ver o mundo real – poderia ser “Alice no País das Maravilhas”, “Sex and the City” ou “O Mundo de Sofia”, mas é apenas mais uma incursão da mente metadisney de Miyazaki, um filósofo pacifista que decidiu passar suas mensagens criando um novo formato para o conto de fadas. Tradicional, psicodélico e encantador na mesma medida, o anime (como “Princesa Mononoke” e “A Viagem de Chihro” antes dele) mira o formato “família” da forma mais ampla possível, englobando velhos, crianças, animais, plantas, seres mágicos, andróginos e objetos (há um fogo – adorável, aliás – que fala!) num grande e ecológico sentido de “família terrestre”. Fora as paisagens, todas deslumbrantes. Um filme de encher os olhos.
Essa eu não lembro se saiu na Bizz 200 ou na 201…
Nem enfant terrible da nova escola do hip hop nacional, nem cronista da sociedade do espetáculo ou Eminem à brasileira. Todos estes rótulos acabam reduzindo o impacto que De Leve deveria ter com seu público-alvo. Bem-definido, ele foi descrito com precisão em “Largado” de seu disco de estréia (O Estilo Foda-se, de 2003) e é aquele moleque pós-adolescente que ainda mora com os pais, vive de bicos aqui e ali, fuma um e ouve hip hop, tem uma certa consciência política e está de saco cheio com tudo, até com a própria apatia – um recorte social parecido com o loser de Beck, o espírito juvenil de Kurt Cobain, a farra dos Beastie Boys ou a geração Coca-Cola de Renato Russo, embora mais autocrítico e sem pretensões estéticas. Ao sair do Segundo Mundo de Dudu Marote e voltar para o terceiro mundo dos discos lançados pelos próprios artistas, ele não deixa de botar o dedo na ferida da indústria de entretenimento brasileira, como gosta. “É um caô fudido, tudo aquilo que eu faço e em que eu tô metido”, diz, sem se poupar com metáforas ou dar mole de dar nome aos bois, deixando a carapuça no alto (“por que que não adianta só com vontade e trabalho?/ Tem que ter algo a mais pra ser enfiado/ Babar ovo e comer uns viados/ E disso eu tou fora que nem gandula/ Isso é que dá tomar remédio sem ler receita nem a bula”, “esse negócio de música só é bom quando/ Teu pai já era famoso quando tu tava engatinhando/ Aí as portas se abrem que nem perna na zona/ Sempre cabem mais talentos quando esse vem à tona”, escarniça a letra). Mas pisa em calos doídos do brasileiro em geral, como a paranóia de emprego (“Assalariado”, “Se Liga”, “Diploma”) e a política (“Isso Sim É uma Piada” e “Pode Queimar”, incitando à fogueira). Ainda há momentos para candura familiar (“Magali, Carol, Bisteca e Chuleta”, suas cachorras – rá!), gozação generalizada (“Feipa”, uma ode às avessas à feiúra) e a contemplação (“Rolé de Camelim”). Pronto para seu público (aliás, desde o primeiro), resta saber se De Leve chegará nele.
Essa é a resenha pro primeiro episódio da décima-sétima temporada dos Simpsons, que saiu na Folha. Na edição impressa, o Lucio entrevista o Matt Groening.
De vez em quando pinta aquele papo: que Matt Groening quer fazer outros projetos (como se não fizesse), que a equipe de redatores está sem assunto pra escrever (como se isso fosse possível), que os dubladores gringos estão sendo mal pagos (como se não fossem pagar seu preço mais umas temporadas), mas não tem erro. Toda temporada os Simpsons voltam mais pesados, mais cínicos, mais pessimistas em relação à humanidade – mas igualmente amáveis, desfuncionais e otimistas em relação às pessoas como indivíduos.
“O Desafio dos Manatis”, primeiro episódio da 17ª (gasp!) temporada do desenho animado, mostra como os Simpsons nem começaram a chafurdar na lama que assola o planeta – eles apenas testam a temperatura e provocam sempre de forma agressiva sem se aprofundar nas questões que levantam apenas como piadas ilustrativas, de passagem. O desenho de Groening mostra que a TV – e, mais abstratamente, a mídia – se tornou o sexto elemento de uma sitcom familiar; e a TV pós-moderna, com suas centenas de canais a cabo, pay-per-views e 24 horas de canais de compra de qualquer coisa imaginável – de bate-papos eróticos por telefones a tapetes e jóias.
A história-base é simples e você conhece: Homer apronta, Marge sai de casa, se apega a alguma coisa diferente, Homer a convence de voltar de uma forma estúpida. No meio do caminho, esbarramos em um Papai Noel lendo Tom Clancy, bastidores de um filme pornô, playboys que esfolam bichos, um enterro com ar-condicionado, uma mãe psicótica que se vinga do marido com o carro, referências à máfia gay, Mr. Burns e Smithers brincando com água ao som de “Car Wash” e Moe falando que conhece “um cara que transforma cavalos mortos em carne seca e vende para os bares”, enquanto Homer devora um bastão desses. Simpsons nem começou sua verdadeira missão: desnudar a TV. E quando Homer pergunta à Lisa “onde está seu senso de magia e fantasia?”, sabemos que está em qualquer outro canal, basta zapear. Acreditar é que são elas.
Essa saiu na última Trip.
Podia falar horas sobre a entidade Gnarls Barkley, as fantasias de droog, o fenômeno Danger Mouse, os primeiros formatos ao chegar ao topo do pop, a nostalgia feliz de “Smiley Faces” ou da cover de Violent Femmes, mas, podemos resumir tudo a “Crazy”, esse petardo de soul music que marca o início da segunda metade da década como “Hey Ya” havia marcado o da primeira. Enquanto o clima da música do Outkast incendiava pistas de dança como os aviões que explodiram dentro do World Trade Center, o single-bomba da dupla americana transforma a tensão dos dias de hoje em tentativa de explicar o sentido de tudo. O tema da loucura é levado para onde músicas-irmãs (a do Fine Young Cannibals, a do Seal) sequer cogitaram: a percepção da insanidade iminente, marcada por um baixo-pilastras e cordas descendentes das do Play de Moby. Séria, densa, sóbria e sombria, é um hit hip hop que prova que o gênero já se dissolveu na paisagem e um cartão de visitas perfeito para o século 21.
Essa saiu na Bizz número 200.
Que grande alívio foi assistir aos quatro Pink Floyd tocando novamente juntos no Live 8 do ano passado (o que não faz uma causa humanitária, mas… qual que era mesmo?), depois de quase um quarto de século do corte final das relações entre Roger Waters e David Gilmour. Alívio pra todo mundo: para os milhões de fãs do grupo, para Waters (que devia esperar por aquele momento como os irmãos Cavallera esperam a Sepultura Reunion Tour – com a impaciência de um escada de comédia pastelão que espera a torta na cara), mas principalmente para Gilmour.
Eis o fardo que o velho Dave carrega ao capitanear a persistência temporal da franquia que se tornou seu antigo grupo: uma vez cuidando da galinha dos ovos de ouro, torna-se inibidora a produção de uma carreira solo que esteja desvinculada da marca original. Porque se colocarmos na ponta do lápis, tanto o Momentary Lapse of Reason quanto o Division Bell (os dois discos de inéditas lançados após a reformulação do Floyd sem Waters) são discos solo de Gilmour cuja ausência cerebral do ex-parceiro o forçou a emular uma opulência autoral que não é natural em sua composição genética.
Ainda com os pingos nos is: sem Waters, o Floyd talvez se tornasse a grande banda inglesa de blues rock dos anos 70, ao preencher a vaga deixada por bandas como Cream, Blind Faith e Jeff Beck Group, competindo com o Led Zeppelin num terreno que, em nossa realidade, Page e Plant reinaram sozinhos. Ou você nunca reparou como “Shine on You Crazy Diamond” é quase uma “Since I’ve Been Loving You”?
Eu tou falando da guitarra elétrica, aquele antigo instrumento que gemia e rugia notas antes do punk reinventá-la como máquina de riffs, tal como o hip hop reinventou o toca-discos como instrumento musical. Esse é o domínio de Gilmour, o habitat natural que faz o pacato dinossauro caminhar feliz. Não importa onde esteja, desde que tenha a oportunidade de embarcar num solo mortal (dá pra vê-lo fazendo caretas sobre as notas), Gilmour voa satisfeito como o albatroz de “Echoes”.
Isso é bom e ruim. Pois se é bom ouvi-lo renovado no lamento de sua Stratocaster (aquele mesmo, confortavelmente entorpecido), não há necessidade de as músicas serem grandes coisas para abrigarem seus solos. “Dave precisa de um veículo para sua guitarra”, desmereceu Waters em várias entrevistas, ridicularizando (como os fãs xiitas) o fato de sua mulher, Polly Samsom, ser co-autora de mais da metade de On an Island. E daí? Ao encarar as engrenagens do sistema no Live 8 (“onde você esteve?”, pergunta a máquina), Gilmour exorcizou-se, ao menos por hora, do karma floydiano e pariu um disco despretensioso e, por isso mesmo, insosso – mas seus solos não se incomodam e permanecem precisos como animais selvagens à solta, celebrando a vida ao correr pelo mato. As condições para assisti-los (as canções, de fato) talvez não sejam tão confortáveis, mas quando eles vêm… A beleza segue intacta.