Trabalho Sujo - Home

Perdidos no espaço

Ontem na Funhouse, hoje no Milo. Começo as 23h, vou até o show dos Space Invaders (o último?), depois o Dago assume por uma horinha e meia e depois nós entramos naquele famoso duelo em que “quem ganha é a pista”, como diz o Gui.

Segue o servicinho:

Peligro no Milo
Show : Space Invaders R$10,00
[Pouso Alegre; experimental / math-rock]
DJs: Alexandre Matias + Centro Cultural Batidão
Rua Minas Gerais 203a Higienópolis

Todos meus amigos

Mão do céu/ Pé do chão

Se tiver de bobeira hoje, tem um programinha classe A. Vou discotecar antes do Vanguart nessa quarta, ali na Funhouse (faz tanto tempo que eu não vou por lá, desde que as festas da Trombador acabaram…). A banda, de Cuiabá, faz merecer os elogios que tão rasgando aí – os vi em Belém e recomendo (embora a descrição “Radiohead alt.folk com um jovem Dylan nos vocais” só faça sentido quando você vê os caras ao vivo). Baixa “Semáforo” e vê se você não está cantando a música hoje à noite…

Rock Together
Vanguart
Rua Bela Cintra, 567
R$ 10,00
23h – A banda toca à 1h
Consolação, São Paulo-SP, 01415-000
Telefones: (11) 3259-3793 / 7109-7144

Cola lá.

“Qual que é essa mesmo?”

10 do Guab

Integrante do coletivo Reco:Head, Gustavo Abreu participa da banda Labo, mas é mais conhecido como Guab (a contração das duas primeiras letras de seus nomes) e é um dos DJs mais pop de São Paulo -que diga sua festa Mixtape, que acontece todo sábado no Milo Garage, cuja fila se estende longamente até as três da madruga. Guab dá a letra de seu atual set.

“Atoms for Peace on a Doom’s Night” – Thom Yorke + Azzido da Bass
“Depois + Over and Over” – Druques + Hot Chip
“Banquet for Jo” – The Streets + Bloc Party
“Chuva Negra + Cara Valente” – Hurtmold + Maria Rita
“Rock And Roll Rat” – Beatles + The Walkmen
“Yeah, Vai Passar” – Chico Buarque + LCD Sound System
“We Travel The Space Ways Rmx” – Guab + Guilherme Granado
“Keep On Rocking In The Free World, Sugar Kane” – Neil Young + Sonic Youth
“Deceptacon Reptilia” – Le Tigre + Strokes
“Charles Jr. + Vivão Vivendo + Abrindo O Coração Para Uma Cadela Chapada” – Racionais Mcs + Jorge Ben + Mundo Livre S/A

O feitiço da repetição está sobre você

O Ronaldo tava comentando que havia comentado com alguém como esse ano tá bom de singles – algo que eu já tinha comentado por aqui (não lembro) e com o Miranda, o Dago, o Bruno e o Luciano. Poucos discos inteiramente bons, mas no quesito música, vários. Seria a vitória do formato canção graças a uma mãozinha do MP3? É cedo pra arriscar.

Enquanto isso, outra jóia de 2006: “Over and Over”, do Hot Chip.

Laid back,
Laid back,
Laid back we’ll give you play back.
Laid back,
Laid back,
Laid back I’ll give you play back.
Over and over and over and over and over,
Like a monkey with a minuture symbol,
The joy or repetition really is in you.
Under and under and under and under and under,
The spell of repetition really is on you,
And when I feel this way I really am with you.

Laid back,
Laid back,
Laid back We’ll give you play back.
Over and over and over and over and over,
Like a monkey with a minature symbol,
The joy of repetition really is in you,
Under and under and under and under and under,
The spell of repetition really is on you,
And when you look this way I really am with you.

I started thinking what you wanted him to you (hell you)
I got to thinking and I knew just what to do (hell you)
I started thinking what you wanted him to do (hell you hell you hell you)

K-i-s-s-i-n-g-s-e-x-c-a-s-i-o-p-o-k-e-k-i-s-s-i-n-g-s-e-x-c-a-s-i-o-p-o-k-e-
K-i-s-s-i-n-g-s-e-x-c-a-s-i-o-p-o-k-e-c-u-n-t-a–s-s-b-u-m–s-e-x-n-o-w-
K-i-s-s-i-n-g-s-e-x-c-a-s-i-o-p-o-k-e-y-o-u-m-e-i

Play back

Há pouco mais de um ano, saiu numoutra Bizz…

Moby, Espaço das Américas, São Paulo – 20 de setembro de 2006

Filas, preço do ingresso, cambistas, pilastras, acústica ruim, política, desorganização, segurança truculenta… Muito se falou sobre a passagem de Moby pelo Brasil em setembro, quando se apresentou duas vezes em São Paulo: a primeira em um hotel com formato de fatia de melancia e outra num galpão do bairro Barra Funda, com ingressos variando entre R$ 140 e R$ 300. Mas pouco se falou sobre música.

Talvez porque não houvesse muito o que falar. Desde que sua pontualidade vegan exigiu começar o segundo show, que aconteceu no Espaço das Américas, nas mesmas 23 horas anunciadas na programação, a apresentação soou profissa e eficaz como um relógio, mas sem um mínimo de calor emocional, pelo menos que viesse do palco. É claro que a música de Moby é muito maior do que o show apenas correto que trouxe ao Brasil – e foi o reconhecimento de seus hits pelo público responsável pela pequena fresta de entusiasmo que se viu naquela terça-feira fria.

O produtor passa boa parte do tempo com uma guitarra pendurada no corpo, cuspindo riffs e tentando solar como se estivesse num show de rock. Mas prestenção: atrás dele tem uma tecladista que tocou “Fur Elise” (a música do caminhão de gás) em versão pseudo-dance, ao seu lado um baterista com permissão para solar (em pleno século XXI, vê se pode!); à frente um guitarrista de verdade e uma cantora virtuose negra. Todos solam, todos dão o sangue e todos conseguem – cada um por vez – empolgar o público. Menos o distante Moby que, como band-leader, não conseguiu grande coisa. Talvez ao protestar contra a Guerra do Iraque e exigir dedos em riste para uma foto em “homenagem” ao presidente norte-americano Bush (qual o endereço do fotolog dele?) foram os poucos momentos em que se comunicou diretamente com o público.

E não foi por falta de tentativa. Fora a boa obviedade de seus hits, Moby teve idéias infelizes e sem-noção, como tocar covers de clássicos do rock como “Sweet Child’O Mine” dos Guns’N’Roses (anunciada como “uma versão samba-jazz” que de samba-jazz não tinha nada – parecia uma versão piorada da versão do Luna), “Break on Through” do Doors e “Creep” do Radiohead. Ainda teimou em tocar uma música do Sepultura, para constrangimento geral da nação.

O lance é que Moby é compositor, e não maestro, embora seu nerd interior ache que seja. Pior: a auto-imagem que ele faz de si é a de popstar, o roqueiro trintão comandando um dos braços da indústria de entretenimento. E por melhores que sejam os músicos, carisma não é algo que se consegue fácil. E Moby, por mais simpático que tente ser, não tem carisma.

O mesmo não pode ser dito sobre suas músicas. Pequenas sinfonias pós-disco, elas fundem cordas de teclado, soul music, beats sintéticos e letras contemplativas, e provocam suspiros coletivos, ondas de urros e mãos jogadas para cima em hits como “Porcelain”, “Why Does My Heart Feel So Bad?”, “Find My Baby”. Além dos sucessos, ele ainda lembrou do tempo em que era um nome importante para a música de pista – bem antes de ser um major player do showbusiness – tocando seus próprios clássicos como “Go!” e “Feeling So Real”. Suas músicas são o cerne da noite, o motivo de quase 5 mil pessoas assistirem a um show pelos telões, porque não dava pra ver o palco direito. E nem parecem ter saído da cabeça daquele carequinha pagando de roqueiro.

E, de repente, não é mais um show de música eletrônica, e sim um evento de pop rock. Dinossauro por opção, o show de Moby faz lembrar dos medalhões do rock’n’roll durante os anos 80, quando Phil Collins, Pink Floyd, Sting e Dire Straits, por mais diferentes entre si na origem, pareciam soar parte de uma mesma tendência musical. Mecânico, correto, inerte – sem alma. Eu não sei ele chegou a vende-la, mas pelo preço do ingresso…

Video Game Boy

Outra resenha de uma Bizz no ano passado.

Artificial – Free U.S.A.
A primeira vez que Kassin trouxe seu GameBoy a público foi na festa de aniversário do site Urbe, em 2003, quando, escudado pelo compadre Berna Ceppas, transformou a pequena pistinha do Zero Zero no Rio em um pesadelo IDM Atari anti-Guerra do Iraque. De lá pra cá, a brincadeira tomou tento, ganhou nome, centralizou-se no próprio produtor e optou pelo groove. Mas a tensão robótica e retrô continua dando o tom do projeto que, mesmo quando apela para o eletro-suingue branco lo-fi (em beckismos princeanos como “Time to Change”, “Nurse”, “Feel Like Makin'”, “Dirty Disco” e a vampiros lesbos “Let’s Make”), ainda mantém o clima de paranóia digital que o videogame portátil craqueado carrega nos circuitos (mesmo quando descamba pro dada – em “Pa Pa Pa” e “Joy”). Timbres Devo convivem com teclados Casiotone e beats oitentistas rachados por distorção como pedaços de um muro Tetris destruídos pela bolinha do Arcanoid. O clima político daquela primeira apresentação, no entanto, se mantém, do título do disco a faixas como “My Sound Will Kill You” e “Palestina”.

Esse fogo

Enquanto eu não arrumo tempo pra atualizar isso aqui direito, vou postar umas coisas velhas só pra “ir manteno”, como diz um conhecido meu. Pra começar, a resenha do segundo disco do Franz, que saiu em alguma Bizz do ano passado.

You Could Have it So Much Better With Franz Ferdinand – Franz Ferdinand
Felizmente, esse papo de “síndrome do segundo disco” é coisa dos anos 90. A linha oitentista do Franz Ferdinand não segue apenas padrões de riff angulosos e jogos de vocais das bandas pós-punk, mas também o saudável hábito de caminhar para frente. Como seus ancestrais diretos (Talking Heads, Devo, Jam, Blondie, Fall), o grupo prefere deixar os clichês consagrados no primeiro disco e mudar o rumo. É claro que o choque é gradual – a ótima “Do You Want to” (o melhor “dju-dju-ru-dju” do século 21) é a ponte perfeita entre “Take Me Out” e o disco novo. Mas à medida em que se atravessa You Could Have it So Much Better, percebemos que o grupo saiu pela tangente na disputa pela autenticidade que o tal rock pós-Strokes parece buscar. Indo para as sombras (“Fade Together” e “Eleanor Put Your Boots On” parecem sair tanto dos primeiros discos do Lou Reed como dos últimos do XTC) sem perder a pegada quadrada de disco rock (“What You Meant”, “I’m Your Villain”, “Outsiders”), emblemática de seu disco de estréia, o grupo tira onda com gosto, fazendo um dos melhores discos gringos deste ano. Faixas como “The Fallen”, “Evil and the Heathen”, “Well That Was Easy”, “This Boy”, a faixa-título e a balada “Walk Away” (a “Boulevard of Broken Dreams”/ “Wonderwall” deste ano) se sustentam sozinhas. Juntas, fazem o disco brilhar.