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Entrelaçando repertórios

Ana Spalter e Felipe Távora entrelaçaram instrumentos, vozes e repertórios nesta quarta-feira, ao fazer a primeira apresentação em dupla no Teatro da Rotina. Com a casa lotada, os dois passearam pelas próprias canções, encontrando pontos em comum entre melodias e temas e reduzindo os arranjos quase sempre a um violão e um teclado, pilotados respectivamente por Felipe e Ana, que também encontraram-se no bom humor (com algumas piadas infames) com o qual conduziram a noite. Numa apresentação minimalista e delicada, os dois cativaram o público presente, fazendo-os cantarem trechos de músicas que sequer conheciam. E além das próprias composições, passearam por músicas de Gilberto Gil (“Drão”) e Edu Lobo (“Zum-zum”), esta última dividida com a voz fantástica de Luiza Villa. Os dois encerraram a apresentação cantando “Gosto Meio Doce”, música de Távora que foi imortalizada pela dupla Nina Maia e Chica Barreto.

Assista abaixo:  

Liana Padilha (1963-2024)

Que barra essa notícia, ainda difusa, sobre a passagem de Liana Padilha. Mais conhecida como a metade do duo eletrônico No Porn, era uma artista com A maiúsculo, transitando entre diferentes disciplinas (artes plásticas, música, audiovisual, poesia) e questionando os limites impostos pela hipocrisia da sociedade em projetos que eram protestos, transformando cada pequeno gesto seu em um minimanifesto, vivendo plenamente o artivismo. A conheci dos tempos que a internet (outra seara que ajudou a desbravar, ainda nos anos 90) era mato e pude realizar uma apresentação de seu Tintapreta na mítica sala Adoniran Barbosa, quando fui curador de música do Centro Cultural São Paulo. Ainda não há notícias sobre a causa de sua passagem, mas sua ausência é sentida desde já. Muito triste, muito nova.

Uma viagem para dentro

A produtora e musicista Lorena Hollander conduziu o público que foi ao Centro da Terra nesta terça-feira em uma jornada interior. Apesar de apontar para o satélite natural do planeta ao batizar o espetáculo de seu projeto Ushan como Ao Redor da Lua, ela mergulhou em uma jornada interior dividida em três partes. Na primeira delas, entre apitos e um kotô, ela foi acompanhada pelo baixo de Samuel Bueno e pela bateria de Martin Simon e apresentou a paisagem sideral no cenário ao mesmo tempo em que conduzia o público para uma introspecção lisérgica que misturava baixo e bateria de rock psicodélico a beats, distorções digitais e mantras vocais ao timbre peculiar do instrumento asiático. Depois entrou numa viagem de improviso ao lado da convidada da noite, Sue, que trouxe sua guitarra e seus processadores sonoros para duelar com o kotô e os processadores de Lorena, em um improviso intenso. A terceira e última parte trouxe Samuel e Martin de volta ao palco, quando a líder da noite nos conduziu pelo momento mais expansivo e intenso da noite, entre efeitos e uma cimitarra na cabeça. De deixar todos perplexos.

>Assista abaixo:  

Ushan: Ao Redor da Lua

Adoro quando essas coincidências acontecem. Conversei faz tempo com a Lorena Hollander, autora do projeto Ushan, sobre a possibilidade de fazermos uma apresentação no Centro da Terra e entre datas que vão e voltam, conseguimos acertar o espetáculo para o dia 19 de março – sem perceber que esse dia marcava justamente o fim do ano astrológico e de um ano regido pela lua! Seu projeto musical é regido por nosso satélite e o nome Ushan também faz referência à Lua, inspiração também para o disco Banho de Lua, de 2022, e o clipe “Lunar”, cuja equipe ela reuniu para esta celebração no Centro da Terra. Misturando música brasileira, música eletrônica e rock, a apresentação contará com Lorena tocando o instrumento asiático koto, além da guitarra, sintetizadores e voz, que ainda reuniu o baixista Samuel Bueno, o baterista Martin Simon, o cenógrafo Cleverson Salvaro, as projeções de Carol Costa e a luz de Morim Lobato, além de contar com a participação especial da Sue, tocando guitarra e disparando samples. O espetáculo Ao Redor da Lua começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda neste link.

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Neil Young de volta ao Spotify

Todos os discos do Neil Young, incluindo os dois volumes de sua caixa Archives e os vários discos que tem desenterrado nos últimos anos, já estão no Spotify. De nada.

Como foi o primeiro show da turnê do Weezer tocando seu primeiro disco trinta anos depois

Aconteceu neste sábado: o Weezer deu início às comemorações do aniversário de 30 anos de seu primeiro disco, mais conhecido como “o disco azul”, ao tocá-lo na íntegra para uma plateia de 500 pessoas, no Lodge Room, em Los Angeles. A turnê só começa no segundo semestre, mas deu pra sacar o quanto a banda está prontinha para rodá-lo por aí com os vídeos que apareceram online. O show teve abertura da banda Dogstar, que abriu para o Weezer em 1992 com o mesmo baixista da noite deste sábado, o ator Keanu Reeves, e o Weezer limitou-se a tocar apenas as dez músicas do disco, mudando apenas a ordem de duas músicas, ao colocar o hit “Say It Ain’t So” depois de “In the Garage”, mas isso deve ter sido feito pois o grupo chamou o ator norte-americano Dominic Fike, da série Euphoria, para dividir os vocais na antepenúltima música do show (Fike lançou um single no ano passado, “Think Fast“, em que justamente citava a música do Weezer). Mas eu queria mesmo é que eles tocassem o segundo disco, o Pinkerton, disparado a melhor coisa que o Rivers Cuomo já fez na vida. Mas é muito pouco provável que isso aconteça…

Assista a mais vídeos abaixo:  

“É preciso viver só pra gente se encontrar”

“Pra viver junto é preciso viver só, pra gente se encontrar”, incitando o público a cantar o refrão da inédita “Oração 18”, que faz parte de seu Prece, rosário em forma de disco que lança em abril, e que será lançada como single na semana que vem, a mineira Luiza Brina resumiu a força tanto de sua temporada no Centro da Terra, quando apresentou-se pela terceira vez dentro de Aprendendo a Nadar, quanto de seu novo momento artístico, quando aproximou-se de outros artistas para somar forças e criar algo coletivo, ciente das respectivas individualidades. Desta vez ela chamou o carioca Castello Branco e o alagoano Batataboy e os três criaram momentos únicos, Castelo sempre ao violão, Batataboy entre o piano e o contrabaixo e Luiza entre o violão e o contrabaixo, os três entrelaçando vocais sem pausas entre as canções desde o primeiro dedilhado que abriu o show, parando só na citada última música, que recebeu todos os aplausos da casa. “Pra andar junto é preciso poder andar só, pra gente caminhar”, caminha Luiza!

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Assista abaixo:  

Elis Regina em 2024

Elis Regina teria completado 79 anos neste domingo caso estivesse viva e seu filho João Marcelo Bôscolli aproveitou a efeméride para relançar a clássica “Para Lennon e McCartney” em uma roupagem 2024, só que com sabor de 1976. A cantora gaúcha registrou a versão para o clássico de Milton Nascimento quando estava gravando o disco Falso Brilhante mas ficou de fora deste disco. A versão de Elis chegou ao público depois de sua morte, quando foi incluída na coletânea póstuma Luz das Estrelas, de 1984, e depois incluído na trilha sonora de uma novela. O contrato com a gravadora da época venceu há um ano e meio e quando João Marcello foi procurado pela rádio Nova Brasil para ver se não tinha nenhum material da Elis para aproveitar a comemoração do aniversário, lembrou-se de “Para Lennon e McCartney”, que foi recriada em estúdio este ano. O vocal isolado da cantora feito para um especial de TV foi gravado no estúdio Vice-Versa (na época de propriedade de Rogério Duprat e da dupla Sá & Guarabyra), que hoje é o estúdio da gravadora Trama, de João Marcello, e toda a parte instrumental foi recriada neste mesmo estúdio este ano, só que com instrumentos e equipamentos de gravação equivalentes ao período em que o vocal foi gravado, pelos músicos Marcelo Maita (teclados), Conrado Goys (guitarra), Robinho Tavares (baixo) e Daniel de Paula (bateria). A produção da nova versão ficou por conta de João Marcello e seu irmão Pedro Mariano supervisionou o tratamento que foi dado à voz de sua mãe. “Saber que Lô Borges ouviu muitas vezes a faixae e se emocionou foi um momento repleto de significados”, me contou João Marcello, “além de Elis ser muito amiga dos Borges todos, ter a aprovação do Lô como compositor de ‘Para Lennon e McCartney’ foi muito importante para todos nós.” A faixa por enquanto só pode ser ouvida exclusivamente nas rádios da rede Nova Brasil e chega às plataformas de streaming no próximo dia 25.

Ouça um trecho abaixo:  

Timothée Chalamet fazendo cosplay de Bob Dylan

Vazaram as primeiras fotos de Timothée Chalamet fantasiado de Bob Dylan para o próximo filme de James Mangold, A Complete Unknown, que conta a história da chegada de Dylan a Nova York até seu rompimento com a cena folk que o acolheu no primeiro momento. Nem duvido que o filme possa ser bom (Chalamet é bom ator, Mangold bom diretor e é bom que mais gente conheça a história de Dylan), mas quando Hollywood se esforça pra tornar um ator famoso, ela acaba o tornando insuportável pela insistência – e não custa lembrar que o próprio Chalamet irá cantar no filme. Como o projeto começou a ser filmado agora, o filme vai levar um tempinho pra chegar nos cinemas e ainda tem Elle Fanning vivendo o papel de Sylvie Russo, Monica Barbaro como Joan Baez, Nick Offerman vivendo Alan Lomax, Boyd Holbrook fazendo o papel de Johnny Cash e Edward Norton como Pete Seeger (consigo vê-lo com o machado cortando o cabo de energia no festival de Newport).

Mais fotos abaixo: