Tá bom
Mais uma, porque hoje tá sol.
Mais uma, porque hoje tá sol.
Essa é pra começar bem o dia (e não é uma gracinha à Nouvelle Vague ou similares e sim a versão original). E lembre-se que hoje tem a feshteenha no Vegash – mas a lista encerra às 17h, por isso, don’t sleep on the point. E nos vemos à noite. Ou antes. Vai saber.
“I’m tired of running
Let’s walk for a minute”
(Nelly Furtado, “Promiscuous Girl”)

Depois da Clash, é a vez de Gente Bonita invadir o Vegas! O alvo é a festa do colunista social hype/fashion/new raver Lucio Ribeiro, Rockfellas, que recebe a dupla Gente Bonita Clima de Paquera na 150ª edição do dia internacional da mulher – data que coincide também com os festejos de 32 verões de metade do clã GB, Luciano Kalatalo, que soprou velinhas no último dia quatro, aproveita e emenda a comemoração no pico mais quente da rua Augusta. O endereço do Vegas você já sabe (756 – tudo bem que você não saiba o número de cor) e como a festa não é nossa, não temos controle direto sobre a lista. Mas inclua seu nominho aê do lado que, além de entrar na lista de desconto da casa (R$ 10 – quem não tá na lista paga R$ 15), você ainda corre o risco de ser um dos cinco felizardos que ganharão entrada na faixa, com direito a um acompanhante. Ou seja – mesmo quando a festa não é nossa, a gente se diverte – e não esquece de você. Cola lá!
Gente Bonita Clima de Paquera @ Rockfellas
DJ residente: Lucio Ribeiro
CDJs convidados: Luciano Kalatalo & Alexandre Matias
Quinta-feira, dia 8 de março
23h59
Local: Vegas Club. Rua: Augusta, 765 Cerqueira César Telefone: (11) 3231-3705
Preço: R$ 15 na hora / ou R$ 10 para você que é Gente Bonita, é só se cadastrar na lista www.gentebonita.org
Vários canadenses, Gorillaz gente-grande, a nova do Arctic Monkeys, compadre do Aphex Twin, instrumental paulistano, filandeses em Moscou, três de uma trilha sonora, bruxa espiritualizada, remix do Simian, nova do Takara e menos pista de dança.
– “Walking on Thin Ice” – Yoko Ono (feat. Spiritualized)
– “Moscow 1980” – Javelin vs. Kompleski vs. Polytron
– “My Moon My Man” – Feist
– “Dead Disco” – Metric
– “Dentadura de Robô” – Mamma Cadela
– “Actress/Model (Rubick’s Remix)” – Cylob
– “Dude, You Feel Electrical” – Shout Out Out Out Out
– “Brianstorm” – Arctic Monkeys
– “My Party” – Kings of Leon
– “Chelsea Dagger” – Fratellis
– “Whole Wide World” – Wreckless Eric
– “Going Missing” – Maximo Park
– “The Book I Write” – Spoon
– “Meu Mundo Numa Quadra” – M. Takara
– “Whoo! Alright – Yeah… Uh Huh (Simian Mobile Disco Remix)” – Rapture
– “Give it to Me (Sta Remix)” – Timbaland (feat. Nelly Furtado and Justin Timberlake)
– “Herculean” – The Good, The Bad and The Queen
Outra resenha pra Bizz, essa da edição de janeiro…
The Sweet Escape – Gwen Stefani (Universal)
Um eco falso encontra Gwen Stefani fantasiada de tirolesa numa paisagem campestre que passa a ser pisoteada por estacas gigantescas que caem do céu – prédios inteiros que transformam a Arcádia em gueto de cidade grande, e assumem a batida do tamborzão de baile funk até que o ritmo reduz-se a um mínimo seco, salpicado de percussão e um baixo robótico e autista. Por cima de tudo, Gwen cresce.
Não em maturidade. Esqueça isso – vivemos em uma época que desdenha da transição do amadurecimento. Ou se nasce maduro ou se é moleque a vida toda – dilema bem representado pela música pop de nosso tempo. Jovens velhos se reúnem ao redor do conservadorismo do rock de casal, da MPB autocelebratória (o rock brasileiro dos anos 80 já pode ser considerado MPB?), da micareta descerebrada ao som de qualquer gênero “dançante” (ou “xavecável” e “sejogável”?) e do indiesmo de brechó. Velhos jovens se acabam ao som reciclado de pós-punk com música eletrônica, roupas de marca bem cortadas o suficiente para esconder as rugas que surgem mesmo antes dos trinta, o fingimento que o hip hop ainda vive seu auge, que o pop nacional vive dias saudáveis ou que o rock não é mera xerox do passado.
Gwen é filha da segunda metade dos anos 90 e se você viveu aquela época, sabe que pouco se muda desde então. A tensão pré-milênio tornou-se depressão pós-milênio e vivemos personalidades apenas um pouco mais envelhecidas daquelas que éramos nos últimos anos dos 1990. Desde que Kurt assassinou o rock ao se matar, a música pop (mais uma vez, metáfora para nós mesmos, afinal, somos o que consumimos) estagnou-se. Sem o rock, a música pop voltou à ordem do dia e a ser o que era – mera fábrica de hits, que trata artistas, discos e músicas como lâmpadas, carros e chips.
(Isso sem sequer entrar no mérito industrial do negócio. A constatação é estética. Desde meados da década passada, tudo é mera repetição de fórmulas e reciclagem de clichês cujos parcos momentos de genialidade quase sempre são exemplos bem sucedidos destas duas constatações – ou o arquétipo aventureiro reinventado; ou previsível gente boa. Longe do pop – esta música de compromisso com as vendas e com o refrão – há verdadeiras revoluções em andamento – seja na pista de dança, na fila de downloads ou em jam sessions instrumentais. Mas o pop é o assunto.)
Só há uma forma de crescimento neste pop atual – e é a única contribuição que a velha mídia ainda tem para com a música de nosso tempo – e esta é a dimensão. Nas paradas de sucesso, os artistas se deformam. Basta fazer sucesso que as gorduras somem, os sorrisos não saem dos rostos, as roupas ganham grife – e as hipérboles transformam um novo nome simpático num mutante gigantesco habitante de um Olimpo fake que não faz parte da vida das pessoas “comuns”. Foi isso que transformou os Smashing Pumpkins em prog, custou as vidas de 2Pac e Biggie, saturou Los Hermanos antes do segundo disco, transformou a eletrônica em trilha sonora, desandou o britpop em britrock e gera discos ao vivo, coletâneas, caixas e discos-tributo.
E no meio disso tudo está Gwen Stefani, pobrezinha, que nem queria ser cantora e só foi por insistência do irmão, e hoje se vê convertida em ícone de um feminismo teen que se recusa a crescer, a síndrome de Peter Pan passada pro gênero de lá. Com sua vozinha frágil e estridente, ela se infiltrou nas brechas de um pop de divas esculturais como uma moleca amiga dos garotos, que faz caretas e enche a cara, e fica tanto com a turma do fundão quanto com os meninos do futebol. E de single em single (sua transição entre o No Doubt e sua carreira solo é uma história contada em canções), as brechas abriram-se em alas para uma ícone pop passar – e rivalizar, simultaneamente, com Avril Lavigne, Dido, Beyoncé, Jennifer Lopez, M.I.A., Fergie e Madonna.
Não é pouco. Mas também, não é muito. Contudo, graças à graça pessoal da cantora (afeita a esquisitices sonoras como o parque de diversões de “Don’t Get It Twisted”, a balada gangsta “Breakin’ Up”, o sexo-atari de “Yummy”), seu segundo disco solo sobe um pouco acima da média modorrenta que é o tal Olimpo fake das celebridades inventadas pelo mercado do disco. The Sweet Escape fica poucos metros acima de qualquer disco-padrão de orçamento inflado e lançado com o auxílio da máquina de exposição da ainda bilionária indústria do disco (que, apesar da crise, ainda tem grana pra torrar – incrível, não?). Há momentos de certo brilho pop (o roquinho da faixa-título, o groove sirene de “Now That You Got It”, “Wonderful Life” é um elogio tecnopop com cara de paródia), mas as várias derrapadas (“Orange Country Girl” é uma boa balada que azedou, “4 in the Morning” soa Cardigans, a insuportável “U Started It”, a esquizofrênica “Wind It Up”, que abre o disco e esse texto) garantem que há um executivo de gravadora multinacional na coordenação. Então, nota cinco – e não reclama porque é mais do que a média que o pop atual tem produzido em discos hoje.
Mais uma resenha da Bizz do ano passado, sobre o Love dos Beatles.
Love – Beatles (EMI)
Sir George Martin escreve uma sinfonia mashup que conta a história definitiva sobre o legado de seus pupilos
Stones em Copacabana, Pink Floyd se move no mesmo ano em que Syd Barrett morreu, documentário sobre a fase política de Lennon, mais um grande álbum de Bob Dylan, o garoto-propaganda do iPod… Mas nenhum ano pode ser um grande ano para o Rock Clássico sem a presença da franquia Beatles. Dessa vez, deixa pra Sir George Martin (e filho) que, ao fingir escrever a trilha sonora para o espetáculo de Las Vegas que o Cirque du Soleil fez sobre o grupo, remixa um mashup gigantesco como se escrevesse uma sinfonia a partir de pedaços de 130 músicas do grupo, direto das fitas matrizes originais – vocais e instrumentos separados antes da mixagem, trechos que nunca foram utilizados, variações de temas conhecidos. Assemelha diferentes pontos da carreira do grupo entre si, e traça paralelos entre personalidades musicais, canções do mesmo autor e busca a coesão que o grupo deu para toda a sua carreira ao decidir encerrá-la com o disco-testamento Abbey Road. Assim, estende o conceito do lado B deste disco para toda a história do grupo, George Martin ainda sublinha que o grande legado da banda foi tirar o rock da repetição mecânica dos shows para a experimentação sem limites do estúdio, e escolhe os momentos mais ousados do grupo – entre Revolver (1966) e Abbey Road (1969). O disco é um crescendo de momentos brilhantes, onde cada nova releitura fascina mais que a anterior – de “Because” só com vocais a uma “Get Back” aberta pelo acorde inicial de “A Hard Day’s Night” e pelos solos de bateria e guitarra de “The End”, passa por “Sun King” de trás pra frente, os vocais fantasmagóricos de “Nowhere Man” subem sobre o transe de “Blue Jay Way”, o instrumental de “Why Don’t We Do It in the Road” abre “Lady Madonna” e por aí vai, sem nunca decepcionar. O detalhe é que ao excluir qualquer música de Let it Be (produzido depois do fim da banda por Phil Spector, o único oficial sem o tio George), Martin aproveita para alinhar-se aos quatro como o quinto Beatle definitivo, que incentivou e concretizou as idéias mais ousadas e impensáveis da banda. Ele pode, afinal de contas, e merece. E, assim, 2006 encerra clássico.
Mais uma utilidade para o YouTube, possibilitar listas terem uma louvável muleta audiovisual, linkada direto do site. Tem várias de clipes e de cinema por aí (linkem, eu sempre curto), mas essa sobre monólogos ou discursos históricos de grandes filmes é bem foda. Pessoalmente sou fã da crise de stress do âncora de Rede de Intrigas e do cheiro matinal de Napalm do Apocalypse Now (mas, porra, ainda tem a citação bíblica de Pulp Fiction e a contagem de tiros do velho Harry, só pra ficarmos em outros duas jóias). Mas a minha citação favorita não tava na lista, mas não demorei muito pra encontrar.
(Tiraram a íntegra do ar, só sobrou:
)
Ferris Bueller, Curtindo a Vida Adoidado (1986): “How can I possibly be expected to handle school on a day like this? The key to faking out the parents is the clammy hands. It’s a good non-specific symptom. A lot of people will tell you that a phony fever is a dead lock, but if you get a nervous mother, you could land in the doctor’s office. That’s worse than school. What you do is, you fake a stomach cramp, and when you’re bent over, moaning and wailing, you lick your palms. It’s a little childish and stupid, but then, so is high school. Life moves pretty fast. You don’t stop and look around once in a while, you could miss it. I did have a test today. That wasn’t bullshit. It’s on European socialism. I mean, really, what’s the point? I’m not European, I don’t plan on being European, so who gives a crap if they’re socialist? They could be fascist anarchists – that still wouldn’t change the fact that I don’t own a car. Not that I condone fascism, or any ism for that matter. Isms in my opinion are not good. A person should not believe in an ism – he should believe in himself. I quote John Lennon: “I don’t believe in Beatles – I just believe in me”. A good point there. Of course, he was the Walrus. I could be the Walrus – I’d still have to bum rides off of people“.
Ieah, rait… Vida Fodona, indeed (Ah é, falando em filme, o Maron pediu pra avisar que o 300 Filmes tá vendendo no Submarino).
O Bruno levantou a lebre que o Simian Mobile Disco botou no MySpace deles que é presença no Skol Beats desse ano (e um certo Pedro – será quem eu tou pensando? – comentou que o MSTRKRFT foi outro nome cogitado – embora tanto o MySpace deles quanto o site oficial só apontem até no máximo para o final de abril). Depois que parece que o Girl Talk vem mesmo pro ResFest (só torcer pra que não dê a zica que deu pro TV on the Radio e pro Lali Puna nas versões anteriores do evento), capaz de, ainda no primeiro semestre desse ano assistamos a três atrações internacionais de calibre e em plena ascensão.
Eu particularmente fiquei de cara.