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Cris Dias

Nessa, o Cris Dias fala sobre o então recém-criado Toplinks, que não existe mais.

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Entrevista publicada em 29 de julho de 2002

Blogdex dos trópicos

Com seu Toplinks, Cris Dias quer saber o que se passa na cabeças dos blogueiros brasileiros

O webdeveloper Cristiano Dias, 29 anos, tem histórias para contar: administrador de um dos fóruns de discussão de notícias sobre TI no Brasil (o Idearo), ele foi trabalhar com internet nos EUA no mês em que a bolha pontocom estourou e sai de lá no mês seguinte aos atentados ao World Trade Center. Teclando do Canadá, ele dá um passo ousado e importante. Com o Toplinks, ele quer rankear os assuntos mais comentados nos blogs brasileiros. É a versão nacional para o já obrigatório Blogdex, mas vai muito além de um Herbert Richers eletrônico – a idéia é mapear as áreas de interesse da comunidade blogueira do país, coletivo que tem no próprio Cris um de seus pioneiros. Conversei com o cara e segue o bate-papo que tivemos, via ICQ, hoje (29/07) à tarde – logo após ele ter oficializado o lançamento do Toplinks em seu blog.

PLAY – Quando começou a sua relação com a internet?
Dias –
Xi 🙂 Bom, eu uso internet desde… hmmm… Eu tenho e-mail desde 1995. Eu fazia FTP via e-mail e tudo. Uma coisa levou à outra e comcei a fazer sites profissionalmente por volta de 1997. Em 1998, lancei o MegaTV, site sobre TV por assinatura. E em 2000, fui contratado por uma empresa americana como webdeveloper, por isso tive que tirar o MegaTV do ar.

PLAY – Foi seu primeiro trabalho “autoral” na rede?
Dias –
O primeiro, o único que foi ao ar, foi o site de uma loja de bolsas, carteiras e artigos de couro em geral, Zélio. A versão atual não é minha.

PLAY – Você parou com o MegaTV por que não tinha mais tempo para colocá-lo no ar?
Dias –
Pois é, não tinha tempo de atualizar e os planos de ficar milonário falharam 😉 A “equipe” do MegaTV era a minha famÌlia. Minha mãe começou a usar computador naquela Época e hoje tem blog e tudo 🙂 Eu trabalhava meio-expediente numa ONG, o Comitê pela Democratização da informática e no outro meio expediente cuidava do MegaTV. PLAY – O que você fazia no CDI?
Dias – Eu era “coordenador de informática”. Fazia todo o trabalho de programação de sistemas internos, dava umas aulinhas. Cuidava de tudo, menos da parte de montar computadores para as comunidades.

PLAY – E aí você virou webdeveloper…
Dias –
Em outubro de 1999, eu recebi a proposta para vir trabalhar nos EUA, para a RunTime Technlogies. Meu visto de trabalho demorou seis meses pra sair, só me mudei em abril de 2000. Fui de mala, cuia e gato siamês para NYC.

PLAY – Justo quando a bolha da internet estourou…
Dias –
Mas como a empresa em que eu trabalhava não tinha ações na bolsa, ela não foi afetada de cara. Ela só sentiu o baque mais pro fim do ano, com os investidores segurando o dinheiro e os clientes parando de contratar serviços. Mas até o fim do ano era tudo maravilhoso, refrigerante grátis, partidas de DreamCast no fim da semana. Depois de dezembro, as coisas começaram a piorar.. Mandaram gente embora e o baixo astral tomou conta da empresa. Como eu tinha visto de trabalho, se fosse mandado embora tinha que voltar para o Brasil. Então comecei a procurar outro emprego por simples insegurança. Além disso a empresa fazia um software para gerenciar sites, não era um site de conteúdo que vivia de publicidade.

PLAY – E você chegou a mudar de emprego?
Dias –
Então, rolava aquela esperança de que não seríamos atingidos. Mudei de emprego em abril de 2001. Fui para uma empresa que rodava um serviço de B2B. a empresa se chamava eMarketplaces e fazia ponte entre exportadores de Taiwan e empresários americanos. A Runtime continuou mandando gente embora, mas eu já estava na outra. Mas nenhum investidor ainda tinha coragem de botar dinheiro. E… Eis que os investidores chineses da emarketplaces resolveram tirar o corpo fora. E a empresa fechou total.

PLAY – E você foi para a rua.
Dias –
Eu e todo mundo. Em 2001, ninguém contratava nada, mas rolava uma esperança de que o plano de choque do Bush ia trazer a economia de volta. Mas estava num ponto em que ninguém mais contratava. E eu, com visto temporário, sem chance. Para contratar gente com visto temporário, rola uma baita burocracia e algumas taxas – então, sem chance. Tentei uma última cartada: Canadá. Antes de ir para os EUA, meus planos eram ir para o Canadá, onde a imigração é incentivada. Mas com o boom pontocom era simplesmente mais fácil arrumar emprego nos EUA. Mandei currículo pra praticamente todas as empresas de webdevelopment no Canadá e recebi UMA resposta positiva, de uma empresa de Winnipeg. Que é onde vim parar: cheguei aqui em outubro de 2001 🙂 A empresa é a Mars Hill Group que “faz websites” 🙂 Eu fechei com a empresa em agosto, mas demorou um pouco para processar papelada, etc.

PLAY – E aí vieram os atentados…
Dias –
Foi quando me tornei “blogueiro celebridade” 🙂 2000 acessos em um dia. Eu tava desempregado e morava em Nova Jérsei. Tipo uma hora do ground zero. Já estava nos preparativos para me mudar pro Canadá. No dia, eu ia ver um carro pra comprar e meu pai ligou e disse: “Tudo bem aí? Viu que dois aviões se chocaram com as torres gêmeas?”. E eu, com sono, só conseguia pensar: “Tem que ser muito mané pra bater no WTC”. Liguei a TV, fui pro computador e começou a chover gente que eu nunca tinha visto no ICQ.

PLAY – Tinha teu uin no teu site?
Dias –
No meu profile, do ICQ, tinha q eu trabalhava em Nova York.

PLAY – Jornalistas ou curiosos?
Dias –
Curiosos, gente falando espanhol e o escambau: “Qué pasa?”.

PLAY – E como você reagiu ao atentado?
Dias –
A primeira reação foi de choque e revolta. Mas depois eu comecei a ver a reação dos americanos e comecei a ficar revoltado com aquilo. Tipo: “O que nós fizemos? Por que nos odeiam?”. E comecei a entender o papo que americano é bitolado. Meu erro foi começar a ler blog direto sobre o assunto. Os meus amigos de NY sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas o “americano padrão”, não. Foi um erro, porque eu vi uma versão meio aumentada da estupidez americana. Nem todo mundo pensava daquele jeito, mas era o que eu lia. Comecei a me revoltar e partir pra ofensiva até nos textos do meu blog. De repente, eu havia esquecido que quatro mil “vizinhos” haviam morrido. Esquecido que eu ia no WTC quase todo dia. Mas eu saí dos EUA menos de um mês depois, já estava com tudo arrumado.

PLAY – Como começou seu blog?
Dias –
Comecei a blogar nos EUA. Um cara do trabalho, Calvin (um coreano que se mudou para os EUA ainda moleque) me mostrou o dele e, na época, blog era sinônimo de link, não de “querido diário”. Eu achei legal, porque eu sempre mandava e-mail para os amigos com links legais, opiniões etc. Então o blog seria a ferramenta ideal. Logo depois, achei um site que listava blogs de todo o mundo, achei o do Zamorim e, lá, achei vários outros. O blog acabou sendo a minha maneira de me manter em contato com o pessoal no Brasil, o “chopp com os amigos”.

PLAY – Já no Crisdias.com?
Dias –
O domínio mesmo, veio um pouco depois. Eu hospedava a conta no meu provedor, mas a URL era tão grande que resolvi registrar o domínio.

PLAY – Então você é dos tempos pré-blogger. Como viu o crescimento posterior da ferramenta?
Dias –
Eu achei muito legal. O Blogger, acima de tudo, me mostrou que é possível ter uma ferramenta de publicação tão fácil que até a minha mãe pode usar. Como eu faço sistemas de “gerência de conteúdo”, comecei a prestar atenção em certas coisas, ao desenvolver os sistemas.

PLAY – Mas em seguida vieram os blogs “querido diário”…
Dias –
E as pessoas meio que se voltaram para dentro. Eu gostava de colocar links para notícias no meu blog e dizer “eu concordo, eu discordo”. Tanto que a área de comentários do meu site é fundamental. Troca de idéias. De repente, todo mundo começa a achar que blog é lugar para falar sobre a vida… É engraçado, todo mundo vivia com medo de ter seus diários publicados na internet e de repente sai contando tudo da vida… Eu acho que se você escreve um “querido diário” contando suas experiências é válido. Tipo, “fiz isso e isso e quebrei a cara, não é uma boa”. Uma troca de experiências. Ou então, como me disseram uma vez, para mostrar às outras pessoas que elas não são as únicas neurótico-deprimidas do mundo. Mas tem gente que simplesmente relata a própria vida. “Hoje fui no shopping e tava lotado”. Caramba, e daí?

PLAY – E como foi ver crescer, de fora do Brasil, a rede das celebridades blogueiras?
Dias –
Eu acho esse lance de celebridades até engraçado. Converso todo dia com boa parte dessas tais celebridades. É tudo gente normal que se tornou celebridade por link-a-link. E serve pra mostrar que tipo de blog o pessoal gosta de ler. Os blogs mais linkados acabam sendo os mais pessoais, como a Zel e ou a Lia Caldas.

PLAY – Olhando de fora, quem é o blogueiro típico brasileiro?
Dias –
Antes do blog a gente dizia que as pessoas só usavam a internet para e-mail e chat, certo? Então: esse é o blogueiro-padrão… Ele praticamente não lê sites de notícias… O blog é um “ICQ público”, se quiser chamar assim. Mais uma ferramenta para se “socializar”. O blog é uma continuação do ICQ. Da mesma maneira que antes entrava no ICQ e dizia “oi, quer tc?”, com blog é “ei, gostei do seu blog, passa lá no meu…”.

PLAY – Isso é bom ou ruim?
Dias –
Pra mim, isso não acrescenta nada. Não é ruim, mas não é pra isso que eu leio blog. Não me interessam as vidas dos blogueiros, me interessam as idéias. Não me interessa se o cara terminou com a namorada. Pode me interessar saber o que ele acha disso, o que ele acha de relacionamentos. Mas, na verdade, estou mais interessado em blogs que falem mais do mundo e menos dos autores. Minha mãe, por exemplo. O blog dela não é “pessoal”, ela fala das coisas que vê por aí. Então isso fez com que ela usasse mais a internet para procurar mais coisas pra colocar no blog. Outro “perigo” dos blogs é a esculhambação da língua portuguesa. Neguinho escreve altas atrocidades (meu exemplo preferido é o “naum”) e acaba virando certo falar assim. Uma coisa é linguagem informal, outra coisa é falar errado. Dizem que para escrever bem você tem que ler bastante. Mas e se eu ler um monte de coisa errada? Eu não sou professor de português; eu erro, falo palavrão, mas pelo menos eu tento falar direito.

PLAY – Mas ao mesmo tempo, as pessoas vão se acostumando às tags e à terminologia da rede…
Dias –
Será que vão se acostumando? Pra escrever que foi ao shopping, o cara não precisa saber HTML. Ele não linka. O máximo que faz é colocar uma imagem bonitinha que viu…

PLAY – Mas isso não é um começo? Ou melhor: não é o começo da vida digital do sujeito?
Dias –
Começo da vida digital, isso é. Eu acho que todo mundo deve ter um blog. Não acho que blog é só pra uma elite, não, e escreva o que quiser. Eu só estou dizendo o que me faz voltar e ler um blog de novo. Eu tenho 29 anos, não 19 🙂

PLAY – E o que você acha da Globo usar o Blogger como tática para crescer no Brasil?
Dias –
Eu acho uma jogada de mestre. Antes de mais nada mostra que a Globo é mais séria do que outras empresas que tentaram copiar o Blogger sem “dar nada” ao Ev (isso do cara que copiou o blogdex, ehehe). O Globo.com tá cheio de gente boa, que entende da coisa. Se a coisa funcionar direito, sem eles ficarem querendo se intrometer nos blogs dos outros, vai dar certo.

PLAY – Mas junto a que público? Isso não é uma tendência para que surjam mais “diários”?
Dias –
Vào surgir mais diários, sim. Diário não é problema. O problema é dizer “se você não tem blog, tá out”. Uma pessoa só deve ter um blog se acha que tem algo a dizer (não interessa se o que se tem a dizer é bom ou não, mas o fato de estar botando a boca no mundo). Mas ainda sobre o lance da jogada de gênio. Se o Globo.com pegasse e fizesse “um blogger”, não ia adiantar. o Blig e o Weblogger tão aí pra provar. Mas eles pegam “o” Blogger. A marca mais famosa. E assimilam. Fora que devem estar pegando a base de usuários. No Blogger, você diz em que idioma o blog está, então deve estar vindo um email aí “ei, quer mudar para o Blogger.com.br?”.

PLAY – Ou melhor: “a sua URL a partir de hoje é .com.br”… Mas o primeiro blogueiro do Blogger brasileiro é o Tarcísio Meira. Há sintonia nisso?
Dias –
Talvez esse lance da novela seja para levar o blog para quem não conhece. Mais fácil do que ficar explicando o que é. “Sabe aquele site do vampiro? Então, aquilo é um blog”. A força da Globo sempre foi o marketing cruzado. Coisa totalmente comum aqui na América do Norte mas que o pessoal torce o nariz porque é a Globo.

PLAY – E o Idearo, como comecou?
Dias –
O Idearo era um fanzine que só teve uma edição 🙂 Foi inventado pelo Alexandre Maron, em papel. Mas sempre rolou a idéia de fazer alguma coisa online. O mote do Idearo é “para quem sabe não sabe de tudo”. Não somos os donos da verdade. Você não precisa concordar comigo para publicar lá e eu vou lá ver o que você acga e tentar assimilar a sua opinião.
Então quando eu vi coisas com o Slashdot e kuro5hin eu falei “é por aí”. O Idearo ia ser “o blog do Cristiano mais o Maron”, mas a gente tinha que abrir pra todo mundo. É só ir lá, criar um usuário e mandar um texto., Aliás, por isso que anda parado, o povo não tem mandado texto. E nós dois meio que desanimamos.

PLAY – E como é o feedback? Quem é o público? Qual o número de acessos/dia?
Dias –
Bom, aé é que eu acho que está um dos problemas do Idearo. O público acabou sendo “a comunidade blogueira”. Então pra que mandar texto pro Idearo se eu tenho meu blog? Meu sonho era o Idearo ser o No.com.br “do povo”, artigos “opinativos” de qualquer um, não precisa ser “intelectual” pra escrever lá. Os acessos hoje são por volta de 100 pessoas/dia, praticamente todo mundo vindo de Google, etc.

PLAY – E quem bate no site, volta?
Dias –
Voltar, volta. Mas o Idearo tem uma coisa engraçada… Praticamente ninguém bota comentário. Eu senti que o pessoal fica meio “intimidado” com o site. Já me contaram isso, blog È “informal”. O Idearo ficou sisudo, ficou meio com cara do No.com.br, mesmo. Talvez a dificuldade seja que esse publico vá “direto na fonte” dos sites em inglês. Por isso, inclusive, a idéia de ter um “blogdex nacional” que fale do Paulo Coelho na ABL ao invés de falar do novo plano do Bush.

PLAY – O Toplinks é sobre “assuntos” nacionais ou com blogueiros brasileiros?
Dias –
Blogueiros brasileiros, o que (eu espero) deve levar a assuntos nacionais. Teoricamente as pessoas vão linkar para assuntos que lhe interessam. E o novo plano do Bush não interessa TANTO assim a ponto de colocar o link no site.

PLAY – E quando você teve esta idéia.
Dias –
Comecei algumas semanas depois deste post. Fiz o robozinho e deixei ele lá, catando os sites. Fazer massa crítica de links. Aí algumas semanas atrás fui ver no que tinha dado 🙂

PLAY – E começa oficialmente hoje?
Dias –
Começa hoje. Algumas partes do processo ainda estão manuais pra que eu possa ver se estão funcionando direito.

PLAY – E quais os planos pro futuro? Alguma idéia mirabolante na manga?
Dias –
Vem aí a lista “alltime” que vai dizer que o Catarro Verde é o blog mais linkado da internet.br 🙂 E a versão RSS do Toplinks. O próximo projeto é um site meio Idearo, meio blog… Um Idearo informal… Meio metafilter, meio fark… Um metafilter que se leva menos a sério e um fark sem “boobies” 🙂 No fundo é um blog, o projeto eu faço sozinho, mas todo mundo vai poder escrever.

Nicholas Frota

Um breve momento de resgate de entrevistas que eu fiz pro site da Play. Esbarrei com estes “25 Momentos da Blogosfera Brasileira” feito pelo Inagaki e no meio tinham várias entrevistas com blogueiros da época que eu tocava a revista. Aqui vão algumas que eu fiz.

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Entrevista publicada em 20 de agosto de 2002

Pra frente

O designer Nicholas Frota e a irreversibilidade da era eletrônica

A entrevista ia ser com Nicholas Frota, designer, integrante do Apavoramento, blogueiro e “personalidade digital” – como vocês já vêm acompanhando aqui diariamente nos Players. Mas, no meio da conversa (via ICQ, em duas partes), começamos a falar sobre outras coisas mais… teóricas. Ciente de seu papel de entrevistado, ele conduziu o papo para uma questão macro de um ponto de vista filosófico, quase espiritual (como, talvez – sugere um cético aposto -, as coisas realmente devam ser). Você sabe: McLuhan. Lévy e outros filósofos da eletrônica sempre associaram a própria linguagem como uma “volta às raízes” (e toda aquele papo que esta “volta” está associada aos DJs, ao movimento open source e outras coisas – falei disso no editorial da PLAY 4) por parte da civilização. Ele conecta esta revolução eletrônica aos Situacionistas, Hakim Bey, Grant Morrison, metáforas e desinformação. Afirma, claramente, que o sistema já faliu e não há reversão para isto. Você pode reclamar dos excessos de “né?”, “ae” e termos em inglês, mas Frota fala sobre um lado especialmente importante neste período de transição. No começo, ele fala de si mesmo. Depois…

PLAY – Como foi o seu primeiro contato com a eletrônica?
Nicholas Frota –
Meu pai era técnico eletrônico. Dae ele sempre trazia novos gadgets, e liberava pra gente usar. Não teve cisão. Não lembro de momento que caiu a ficha… Se bem que na época do Telejogo, a maior empolgação da galera pra jogar e porque você MOVIA as paradas daa tela. Era VOCÊ no comando! OK, era UM pixel na tela que nos chamavamos de BOLA, mas era você no comando!
Eu não curtia computer, só meu irmão mais velho. Eu queria fazer revistas, e com fontes monoespacadas não rolava né? eu só entrei mesmo nessa quando comecei a entrar em BBS, daí a conta do telefone foi às alturas… Mas meu pai nunca reclamou! 🙂 Eu queria computer pra desktop publishing (mas não sabia o nome na época, claro). Eu só perguntava pro meu irmão se a letra M era mais larga que a letra L… Enquanto não fosse, não valia pra mim…

PLAY – Você já queria trabalhar com design desde pequeno?
Frota –
Sim, quadrinhos, desenhos, Eu era viciadinho em logotipos e embalagens… Minha mãe mandava eu pôr o lixo pra fora e eu voltava com um monte de caixas… 🙂 É isso. queria fazer fanzines, imprimir as paradas… Meu irmão queria programação, sistemas. Ele sim era o viciadinho! 🙂 Fiz muitos quadrinhos. fanzine, nunca dava certo (a turminha nunca colaborava). E depois que comecei a sair na noite, tinha os flyers… Mas nunca trabalhei com isso, não…

PLAY – Você começou, pra valer, fazendo flyers?
Frota –
Acho que sim… Não lembro, tinha muito bico, mas nada oficial. Eu comecei pra valer mesmo em bureau de serviços… “Pra valer” significa ganhando dinheiro. Flyer é legal e tudo, dá visibilidade, cê pode pirar e cria a cena, mas nao dá dinheiro. Mas eu já fazia bicos. Vários. Pais separados, tu sempre arranja uma maneira de ganhar dinheiro. Mas eram bicos treeevas, senão me lembraria. Na real, na real começou mesmo quando eu fazia trabalhos pra designers mais velhos, que não sabiam mexer no computador. Hora-máquina.

PLAY – Voltando um pouco: fala da transição das BBSs até o programa de edição de imagem…
Frota –
Não tem transição. Foi smooth. Tinha tecnologia desde que me conheço por gente…BBS era Hotbit, neh? Era pra papear… Só quando teve PC que deu pra entrar em edição mesmo… Corel Draw, PageMaker… Meu computer não tinha potência pra Photoshop, dae virei o rei do vetor… Até hoje prefiro vetor… Graças a deus o Flash deu uma reavivada. Eram evoluções. Continuam sendo. Não teve “ah, agora preciso cair nessa”. Na real foi mais “ué, será que vocês não entendem?” Curtir parada eletrônica era sine qua non…

PLAY – E como você percebeu que a eletrônica permitia que você fizesse suas próprias coisas?
Frota –
Bom, eu já fazia. Claro que eu fazia design há muuuito tempo, mas não ganhando com isso. Eu comecei artista, né? cliente é minha própria inspiração… Depois de aprender Corel Draw, fiquei forte pro mercado, daí eu valia alguma coisa… Obviamente que fazia trabalhos por fora, eu nunca estou parado, sou meio esquizofrênico, pulverizo minhas funcoes em váários projetos…
Autoral autoral, meu trabalho sempre foi, sou beeem tortured artist, às vezes me bato com o cliente. Mas foi quando eu limei do meu portfólio os trabalhos grandes – eu dava ênfase no cliente – e comecei a dar ênfase só naquilo que eu gostava. “esse trabalho é bonito? Me representa? Sim. ah, mas não foi aprovado. Foda-se, vou pôr mesmo assim”. Dae deu uma guinada, as pessoas me quiseram pelo que eu gostava de fazer.
Quando comprei meu computer, podia ganhar um scanner ou uma impressora. Fiquei com o scanner, dae eu só podia mostrar meu trabalho via web. Eu fazia sites em inglês, nem tinha comunidade nacional, só depois que galera foi entrando… Trabalho autoral significa aquilo que eu olho e digo “uau, é isso ae”… Primeiro foram os flyers. E depois, sites, quando parei de ser bonzinho… E comecei a desencanar… 94? Deve ter sido. 95, 96 foi o boom da web, então foi 94, 95… Eu sei que comecei antes de saberem o que era internet…

PLAY – Você lembra do seu primeiro site?
Frota –
Era uma comunidade de audiófilos, que fiz com uma amiga minha, Stella, que me ensinou HTML. Depois claro, comecei a testar com meu site pessoal, que o era Nonlinear mas era ainda noutro server…

PLAY – O computador criou uma geração de designers…
Frota –
Sim, sim. Mais solta, design era muito religioso… Muito mais sisudo… Galerinha de tipografia então, quase monges… A coisa ficou mais soltinha… Na real, eu achava que tava “fora”… Depois que a internet juntou as pocinhas num mar que percebi que tinha MÓ GALERA fazendo a mesma coisa… Tudo tateando no escuro, hehe! 🙂
Computer é foda, automatizam as coisas, então te deixam solto pra partir pro mais abstrato – se tu souber organizar as coisas, né?
O jogo do computador eh automação. Faz o trabalho uma, duas vezes. a partir daí, deixa o computer repetir, e vai se ocupar de outras coisas – conceito, laboratório, pesquisa…
Mó galera entrou nessa de corporações por causa do boom da Nasdaq. Dae veio a quebra, mas ae ninguém saiu porque padrão de vida é que nem gás: ocupa todo o espaço que colocar… Mas a galera tá mordida… Tipo, nossos chefes não sabem mesmo o que fazem… Se pegam com semântica, buzzwords…
Acho que galera se tocou que pelas corporações nada sai – é incrível, parece que toda ideia idiotiza a medida que anda, até ficar irreconhecível. É um ambiente tóxico, raro sair algo dali…
E se conectando bottom-up…

PLAY – E como você vê o lado faça-você-mesmo que a eletrônica permite?
Frota –
É vero. a cena eletrônica só funciona quando não tem cisão entre público e produtor… É todo mundo metendo a mão na massa… senão não rola, estagna. Aqui em Flopz, por exemplo, é um horror. Há um público que espera que façam algo. E esperam. E esperam. Mas os computers acabaram com essa de patrão é quem tem os meios de produção. Agora os patrões só governam seu tempo. Com meaningless atribulations. 🙂

PLAY – Como foi descobrir que existiam pessoas que pensavam da mesma forma que você na rede?
Frota –
Comunidade era de RPG, né? Muitos amigos, sysops, jogadores… Eu já entrei cedão e pouco a pouco as pessoas foram entrando. Lembro-me que eu que fiz o mail de muuuitos amigos meus da noite, tenho até hoje a senha deles! 🙂
Eu sou MUITO abusado com internet. Não basta ter a informação, tem que ter da maneira que eu quero. É mente mundial, né? Então posso abusar. Daí eu via coisas absuuurrrdas, que soh lia na net… Neoismo, Hakim Bey, caoticismo, essas coisas… Só agora que a coisa tá transbordando pra fora…
Quando a tendência de design era essa cosia Photoshop cheia de sombras, forget about it, eu tava fora. Depois que o design minimal imperou, aaaí sim… Os amigos começando a ter ICQ ajudaram…

PLAY – E quanto às festas? Como você começou a sair do online?
Frota –
Ah, quanto às festas era diferente… É bizarro, meu background eh RPG – caoticismo, cenários- , techno – comunidade, futurismo -, e internet – sistemas, publicação, conexão. Vai entender, as coisas mesclaram… Absurdo… Eram três coisas completamente diferentes…
Gestão de comunidades é a mesma para net ou fora dela. Montar festas, falar com a galera, essa coisa rizomática, sem dono, crescendo como fungo, é o mesmo conceito que eu busco de sistemas bottom-up.
As coisas mesclaram, entende? Quando vi, estava usando conceitos de RPG para montagem de sistemas (criação de cenários, papéis), sistema para festas (divulgação)… Essa convergência é o que há. Logosfera, o Supercontext do Grant Morrison… É absurdo como as coisas mesclaram.

PLAY – Fale mais sobre bottom-up…
Frota –
Bottom up é minha herança anarquista. Para os Situacionistas, a arte foi cooptada, separaram o público do autor. Isso é a morte, tiraram a arte da vida, a arte é a fuga da vida. Um dos objetivos Situs é mesclar novamente platéia e espetáculo. E pensando bem, é fato, as pessoas querem participar. Dae, partindo para sistemas, qualquer classificação up-down é falha… Como se classifica estilos musicais?
Bottom up é assim: construa vários prédios e ponha grama entre eles. Depois de três meses, pelos passos das pessoas, você terá caminhos feitos de baixo pra cima, sem planejamento central. fluidos, nada de 90 graus, entende? Isso passa por matemática do caos (sistemas auto-organizados), anarquia (não-líderes), sistemas de informação (clusters de usuários). Você não é um passivo consumidor. Você participa.
E não é só computador, computadores sao a parte visível desse espectro, okeis? NÃo seja tecnocêntrico. As coisas estão mesclando por outros meios… É meio fatalista, mas duh, isso já se provou tantas vezes pra mim que é idiotice não tomar esse fato em consideração…
McLuhan dizia que o livro foi o primeiro device que oficialmente separou público de palco… Até então as coisas eram fluxos… Não tinham papéis definidos…Aí, hm… Eu acho que como estressamos na VISÃO e no MATERIAL, essa é a dimensão que vemos do que acontece.
O alfabeto fonético foi o primeiro código que se propunha limitar a realidade em mínimos denominadores comuns – as 26 letras -, que foi aceito pelo povão – claro, isso os herméticos perseguiam há tempos, mas foi Gutemberg que popularizou…
É o fim da lógica linear, né? Dae o nonlinear. Lógica linear é aquilo… Tem que metrificar, traduzir a realidade para então mexer nela. Se você distorce os medidores, distorce a percepção da realidade. Isso o neoliberalismo faz toda hora…

PLAY – E entra a historia do Philip K. Dick: Quem controla a palavra impressa controla o mundo…
Frota –
Quem controla a metáfora governa o mundo. Por isso essa corrida do ouro pelo controle digital/informático/cultural. Sociedade do espetáculo.

PLAY – E o não-linear implica no fim das classificações…
Frota –
Na real, classificações existem, mas não são excludentes. E não são inerentes ao objeto… Se o João é bombeiro, ele é SEMPRE bombeiro? E SÓ bombeiro? Lembrando, claro, que essa parada toda é oque penso, mas tá remendado… Já estamos no poder, as coisas tão BEM esquisitas. Na real o que precisamos é de um novo paradigma… Entenda: Grant Morrison dizia que demora-se 20 anos para uma cultura passar de fringe a oficial. A cultura caótica passou do fringe ao central. Cabou. É central já, we need another directives, as nossas já não cabem mais… As coisas tao esquisitas…

PLAY – Mas as pessoas ainda estão pensando com padrões lineares…
Frota –
As pessoas não pensam mais linearmente. elas falam linearmente. Eu acho. Mais a mais, “as pessoas”, que pessoas? O jogo do mass media é justamente te isolar enquanto te oferece o que chama de realidade.. Aqui em Floripa, por exemplo, a noite techno é TOTAL noite de novela da Globo… O que obviamente não tem NADA de noite. Mas é a referência.

PLAY – Você falou que as coisas estão esquisitas. Pra quem? E como nós conseguimos se aproveitar desta “esquisitice”?
Frota –
Olha, já aproveitamos. As coisas estão BASTANTE desestruturadas. Não se sabe a extensão dos danos (ou oportunidades). Desinformação é o negócio… Acho que vem uma quebra ae… Hm, bizarro dizer, mas vamos lá.

PLAY – Então o próximo passo é a desinformação total? Esvaziar o valor da informação?
Frota –
1 -Linguagem é TRADUÇÃO da realidade, nao é a realidade em si.
2 – Linguagem era, no tempo dos egípcios, algo restrito a galera da alta. True names, algo muito sério.
3 – A linguagem está cada vez mais popular (digo, a troca de símbolos)
4 – Entropia age. Exaustão dos símbolos.
Sei que é foda explicar exaustão dos símbolos simbolicamente, mas que tá próximo, está.
Pegue estudos sobre adaptação do ser humano na gravidade zero. Porque você sabe, a gente aprendeu a se mexer COM gravidade. Fora dela, somos um zero à esquerda. Sem parâmetros, sem referências. É mais ou menos isso. claro, expect the unexpected. Freefall. Algo assim. Mas Grant Morrison… Ele chamava de agregados emocionais… Falar por pulsos, explicar por vibrações, isso é foda de dizer. Mas acontece, é o tal vibe da noite. Todo mundo sabe quando a noite funciona. E não se explica. É um segredo que se guarda. We know that. É o tal TAZ, vem e vai. Ah, tem o (Frijof) Capra também… Um assimila o outro.

PLAY – Tamos falando de feeling, entao. A volta do instinto, depois da idade da razão…
Frota –
Sei lá… A idade da razão valeu como “greve” para os deuses… Que nos tratavam como gado, saca? Uma revolucao francesa do espirito… Ai ,droga, parti pro abstrato. vamulá.

PLAY – Mas o povo não “perdeu” a revolução francesa?
Frota –
Cara, isso é o que dizem… A revolução francesa serviu sim… Contrato social… Entre o povo e seus governantes… O foda é que as empresas cresceram e tomaram o poder do estado… As empresas não tem nem contratos com seus consumidores, e sim com seus acionistas. O Grant Morrison dizia – no final de Invisibles – que era Supercontext… A realidade TODA foi TÃO cooptada, tão idiotizada, todos os símbolos esvaziados, que só restava, slip out, era a única maneira de se manter true to your heart.

PLAY – E como é essa quebra que você está falando? É algo central ou metafórico, como o 11 de setembro?
Frota –
O 11 de setembro foi foda. Sei lá, mais merdas. Como explicar por símbolos a morte do símbolo? É idiotice, é como caçar o próprio rabo… Nada nos prepara… A gente antecipa as coisas porque transforma em símbolos, cara. É idiotice pensar nisso. Vem mais boosters ae… As estruturas estao bem frágeis… O poder tá só na imagem… E cara, its real. it might hurt. nao é imagem, nao é espetáculo.

PLAY – Então o barato é cair fora. Hakim Bey como o novo Thoureau?
Frota –
O Hakim Bey nao é bobo. Não quer ser mártir de ninguém. Em anarquismo tem o tal “pie in the sky”, os “ismos ” sempre te prometem o futuro… Ele cansou do futuro. Ele quer agora. Cadê?
Em Invisibles – de novo Invisibles- , os inimigos sao aqueles que nos mostram coisas que não conseguimos conceber com nosso paradigma atual. Criamos inimigos para inserir idéias alienígenas ao nosso paradigma – nossa estrutura de símbolos, pra dar sentido pressa porra toda. Obviamente, todos os inimigos serão assimilados. McLuhan dizia – e ele é FO-DA! mesmo quando não entendo, sei que tem sentido – que uma guerra é travada quando alguem rouba sua identidade e você precisa resgatá-la.
Se no fim do calendário maia, temos a morte do tempo, ou seja, podemos ir e voltar como quisermos, e isso mais cedo ou mais tarde será realidade, então podemos contar como se já estivessemos lá, não?

PLAY – E como ir? Como chegar lá? Tou perguntando do ponto de vista do leigo, do sujeito que está na frente de seu computador perguntando exatamente isso…
Frota –
Você tá procurando um paradigma top-down, um call to arms para as pessoas se dirigirem em uníssono. Esqueça. Atualmente, o sistema só vê cabeças. Ele corta as cabeças, ele coopta as cabeças, ele metrifica pelas cabeças. Todo movimento será cooptado. Desista. A coisa é descentralizada, mesmo. É essa bagunca. Você é líder agora, amanhã nao mais. Better this way.
A esquerda tá dumbfounded porque perdeu o eixo, não tem slogan que centralize. E não terá. Todos os símbolos serão cooptados. Toda resistência será absorvida.
É que nem correr atrás do próprio rabo, I’m smarter than that. É isso. Sair da realidade. Para apreender por completo sua extensão, e poder traduzi-la em símbolos flawlessly. esse era o manisfesto racional, e acabou. Estamos envelopados na realidade, não podemos sair dela.

PLAY – A subversão da linguagem é um dos aspectos-chave da cultura pós-moderna. E aos poucos eles estão sendo usados pela massa com fins políticos…
Frota –
Aaah sim, disinformation. Apropriação dos símbolos. Quem controla a metáfora governa a mente e EU quero o controle de minha própria vida, logo preciso cavalgar nas metáforas.

PLAY – A saida é criar realidades alternativas…
Frota –
Sim, tá acontecendo. Clusters. As pessoas não vêem as realidades alternativas, obviamente, porque são alternativas. Querem poder olhar de longe, para daí então olharem uma E outra, do ladinho, sem se tocar, para daí se convencerem. E isso, como já disse, nao é possivel.
Não sei. Não entendo essa matemática. Ah, entendo sim. outro pensador: Manuel de Landa. Ele descrevia a geografia da matéria, dos genes, e dos memes. Em thousand years of nonlinear history. Dae, ele disse – e o cara é CÍNICO, SECO e ASSERTIVO, nada do blá-blá-blá espiritual-revolucionário dos outros – que até então o tráfego dos memes estava subordinado ao tráfego dos genes – culturas, yknow -, e o tráfego dos genes estavam subordinados ao da matéria – migrações, nações, yknow. Give or take, o tráfego dos memes estava subordinado a matéria. A internet “descolou” os memes da matéria. Do espaço. Ela segue, lenta e irreversivelmente, um caminho todo próprio. Suas próprias artérias. Seus próprios acúmulos. Seus próprios órgaos. got it?

PLAY – Mas as realidades alternativas não estão se convergindo?
Frota –
Não é que tá convergindo ou divergindo… Tá se ordenando por uma nova lógica… Não subordinada ao espaço – talvez ainda subordinada ao tempo, mas com bons conjuracoes de zeitgeits, a gente chega lá.

PLAY – Mas a internet também liberou o ponto de emissão. Não seria o papel dos players confundir o status quo com suas realidades alternativas?
Frota –
Você fala do tal one-to-many do broadcast para o few-to-few das comunidades, certo?

PLAY – Isso.
Frota –
Hm, pode ser. Olha, não há centro. Há aqueles que se dizem detentores do centro e que por isso merecem nossa atenção (e que coincidência, eles são homens, brancos, heteros e cristãos, invariavelmente.

PLAY – Nao é o caso de dizer para estes q detém o poder que existem outras pessoas que detém ainda mais poder que eles?
Frota –
Você só tem uma vida. E seu ponto de vista. EU quero navegar pelo sexto circuito de Leary, pq acho massa e sexy toda essa velocidade. Caguei pros outros. Você quer o quê? Confronto direto? Hyperlinks subverts hierarquies. Tu quer bater de frente com eles? As coisas tão se pulverizando, façamo-nos invisíveis. Você quer um clímax, neh? Revolution, bombas, explosões… 🙂 O sistema vai ser assimilado. Nós seremos assimilados por ele. Do lado esquerdo do cérebro o que classifica, você vê dois lados, o de cá e o de lá. Do lado direito do cérebro, o que amálgama, você vê… Que lado direito?
Essa de sistema, não sistema, eles contra nós… Plz, eles VÃO cair. É questão de tempo. E QUANDO caírem, Vai doer na gente também! So, why bother? Mas que a exceção se tornou a regra, isso é.
Só pra terminar: tudo o que falei é o que pensava há uns seis meses atrás. As coisas mudaram. Não sei mais o que pensar. O que seus leitores pensam? Na real: quais são as dúvidas deles?

“O Rock Acabou” – Moptop

B
Está tudo bem acho que sempre foi assim
A
Nada pra sentir espero outro dia vir
B
Eu quero te ligar eu quero algo pra beber
A
Algo pra encher algo que me faça acreditar

C#m F# D#m E
Sempre ausente me faz sorrir
C#m F# D#m E
Sempre distante dorme aqui

B
Enquanto você se produz
C#m
Eu vejo o que não vê
G#m
Crescer para que?
E
Ser e esquecer
B
Eu corro contra a luz
C#m
Eu fujo sem entender
G#m
Vencer para quem?
E
Ser e esquecer

B
O rock acabou melhor ligar sua TV
A
Ela nunca está ela nunca vai entender
B
Gosto da sua saia assim vem deitar perto de mim
A
Verdade eu não me importo quero um amor que não sei mais sentir

C#m F# D#m E
Sempre ausente me faz sorrir
C#m F# D#m E
Sempre distante espere por mim

B
Enquanto você se produz
C#m
Eu vejo o que não vê
G#m
Crescer para que?
E
Ser e esquecer
B
Eu corro contra a luz
C#m
Eu fujo sem entender
G#m
Vencer para quem?
E
Ser e esquecer

Vida Fodona #088: É esse clima, só que com suingue na cintura

Cansei duplo no Coachella, Ledão, Gal rediviva, tudo-é-vai-e-volta-á, musica binária, deu branco, Velvet, dudududadada, pau no super-homem, a filha do Stevie Wonder, os macacos mandando Amy, groove nação dos beasties, suspiro do Air e Cure clássico.

– “Supermercado do Amor” – Orquestra Imperial
– “You Know I’m No Good” – Arctic Monkeys
– “Trampled Under Foot” – Led Zeppelin
– “Oh! Sweet Nuthin'” – Velvet Underground
– “Writer’s Block” – Just Jack
– “Arrudeia” – Maquinado
– “Suco de Tangerina” – Beastie Boys
– “You Only Get What You Give” – New Radicals
– “Isn’t She Lovely” – Stevie Wonder
– “Just Like Heaven” – Cure
– “De Do Do Do De Da Da Da” – Police
– “Sexy Boy” – Air
– “Kryptonite Pussy” – Yo Majesty
– “Music is My Hot Hot Sex (Coachella 2007)” – Cansei de Ser Sexy
– “Let’s Make Love and Listen to Death from Above (Coachella 2007)” -Cansei de Ser Sexy

Chegae.

Gente Bonita e Perdida

gentebonita23.jpg

Fomos convidados pelo Barcinski a segurar uma das quintas-feiras da nova noite do Clash, a Perdida, e separamos a estréia da nova festa para fazer mais uma apresentação da temporada Outono/Inverno de hits Gente Bonita Clima de Paquera. Quem perdeu a estréia no domingo passado, pode matar a vontade agora nessa quinta – e sem desembolsar nada! Na estréia da festa, basta colocar seu nome aí na lista ao lado e simplesmente ir se esbaldar em mais uma noitada daquelas – além desta virada da quinta pra sexta ser a noite mais longa de 2007!

Além da sua dupla de discotecários favorita, a noite ainda conta com o grupo cearense Montage atacando na discotecagem, além do Thiago DJ e do compadre Guab. Na pista, todos os tipos de música – do rock ao discopunk, passando pelo indie e outras groovezeiras eletrônicas – vão tocar até new rave! De nossa parte, todos os gêneros, todas as épocas e todos os hits se colidem para a liberação dos hormônios a fim de aproximar sexos opostos para mais um treinamento para o exercício de reprodução. Depois da balada, claro. Enquanto ela não termina, só boas vibrações carregando o ar daquele cheiro de satisfação que só uma pista bem temperada – daquelas – é capaz de proporcionar.

Nada tema: diversão em estado bruto mashupada com bom gosto em pleno movimento, nossa velha equação pra esquentar qualquer inverno – especialmente este que começa nesta quinta (daí o porquê desta ser a noite mais longa do ano!). Queima!

Gente Bonita @ Perdida
Mais uma apresentação da coleção de hits da Temporada Outono/Inverno 2007
DJs residentes: Thiago DJ, Montage (DJ set), Guab e Luciano Kalatalo e Alexandre Matias (Gente Bonita Clima de Paquera)
Quinta-feira, dia 21 de junho de 2007
23h59
Local: Clash. R. Barra Funda, 969. Barra Funda.
Preço: R$ 00 com nome na lista. – pra colocar o nome na lista www.gentebonita.org