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Algo Sinistro Vem Por Aí – Ray Bradbury

Essa também.

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Bradbury com gosto de Neil Gaiman

Quando se menciona o nome Ray Bradbury, é quase automático que o coloquemos naquela prateleira de escritores de ficção científica que trabalhavam feito condenados nos anos 50 e 60, produzindo livros a rodo. Ato falho, porque o velho Ray nunca se considerou um autor de ficção científica – essa fama vem do fato de ter sido tirado do gueto pulp para o mainstream por um diretor cult que dirigiu o único livro que ele admitia ser do gênero (quando Truffaut adaptou Fahrenheint 451 em 1966). Até mesmo sua clássica saga Crônicas Marcianas, ele prefere rotular como fantasia, uma vez que ela não tem embasamento científico algum. Este Algo Sinistro Vem Por Aí, de 1962 (o segundo volume de sua trilogia Green Town), só agora publicado no Brasil, é um ótimo exemplar deste outro Bradbury. O livro conta a história de dois pré-adolescentes amigos de infância (Jim Nightshade e William Halloway) e como sua vida começa a ser mudada com a chegada de um parque de diversões dark à sua cidade, que, ao mexer com a vaidade das pessoas, torna a vida local mais tensa e bizarra. Equilibrando com perfeição fantasia e horror, este Bradbury é para fãs de Neil Gaiman e Harry Potter – tanto em temática quanto em abordagem.

Kassin é o cara

Essa é da edição que tá na banca.

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Multi-homem
Em estúdio e em turnê, Kassin se consolida como o nome mais produtivo da musica brasileira

“Uma coisa que me deixa muito feliz a respeito do Cansei de Ser Sexy, fora ser uma banda que eu gosto pra caralho é o fato de eles terem o tratamento fora do Brasil como uma banda… normal”, perguntei sobre a repercussão sobre seu trabalho no exterior e Kassin emenda do outro lado, “Sem precisar da coisa típica brasileira, do elemento regional. Eles são vistos como uma banda de pop que também é um deles. Isso é uma alegria de ver e ajuda muito a gente a não parecer mais que aqui é uma selva”.

Kassin tem autoridade pra falar. Um dos fundadores do Acabou La Tequila (“a” banda carioca dos anos 90 que não aconteceu – e volta e meia ameaça ressuscitar), o baixista grandalhão de óculos de aro grosso é uma das personalidades mais importantes na música brasileira hoje. Não bastasse a banda + 2, formada com os compadres de adolescência Domenico Lancelotti e Moreno Veloso, ser uma das melhores coisas novas no pop nacional atualmente (melhorando significativamente a cada disco), ele transita entre diferentes nichos deste cenário, atuando como produtor, instrumentista, compositor e arranjador. Basta ver com quem ele está trabalhando na metade deste 2007, pra ter uma amostra.

“Acabei de produzir o disco da Vanessa da Mata, com o Mario Caldato (produtor dos Beastie Boys)”, puxa pela memória, como se fosse difícil lembrar do que ele está fazendo agora. “Também tou produzindo o Wander Wildner e terminei o Canastra, que acabou de ir às bancas (via revista Outracoisa), com o Berna (Ceppas, dupla de Kassin no estúdio Monoaural). E ia fazer o Los Hermanos, mas eles resolveram dar um tempo”.

É e ainda tem isso. Como se não bastasse seus projetos paralelos, como o solo eletrônico experimental Artificial (“estou começando o segundo disco agora, mais tradicional, sem Gameboy. Tou usando teclados baratíssimos e brinquedos de criança até sintetizadores e baterias eletrônicas melhores. Não tou limitando a um tipo de som”), a mixtape Pará Planetário (compilada ao lado do produtor Carlos Eduardo Miranda, “a gente acabou o disco, só que o governo de lá mudou e eu não sei como é que anda isso”) ou o coletivo Orquestra Imperial (“era uma coisa que eu achava que não chegaria a um mês de existência”), Alexandre Kassin também é responsável por ajudar a maior banda de rock do Brasil – quase ali na MPB – a achar seu próprio tipo de som.

Mas ele não se considera um quinto integrante do Los Hermanos. “ Eu sou muito amigo deles, a gente se vê sempre, o Marcelo (Camelo) mora perto de casa… Mas quando a gente tá trabalhando junto, por mais que a gente seja amigo, aquilo é trabalho, a gente tem que terminar um negócio que no fim das contas é um produto. Eu ajudo eles a chegarem no ponto em que eles querem. A minha função, além de amigo, é essa: São as idéias deles e a minha função é concretizá-las. Isso é bem diferente de ser da banda, mesmo porque eu teria tudo pra ser da banda, a gente se conhece há mais tempo do que trabalha juntos. Mas o meu trabalho acaba quando o disco termina, e o deles começa quando o disco vai pra rua, quando eles vão defender aquilo todo dia, em Goiânia, no Nordeste”.

Sobre um possível fim da banda, Kassin nem pestaneja. “Eu acompanhei todo o processo. Eles resolveram dar uma parada. Tava cada um com seu projeto, com suas coisas e não combinava com a idéia da banda. E eles preferiram tirar umas férias, mas depois eles voltam. Mas não se deram prazo, porque ninguém começou ainda aos seus trabalhos específicos. Eles acharam que não ia ficar tão bom. E pra lançar um disco ruim, melhor nem lançar. Eles foram bem honestos, com eles e com o público. Ninguém brigou, não terminou o tesão de tocar juntos. É mais uma preocupação com a qualidade do material”.

Além das produções, Kassin volta para a estrada com o + 2 ainda no meio do ano. “Como o disco só sai nos EUA no segundo semestre, a gente só vai pra lá mais pro final do ano. Antes disso a gente vai pra Santiago no Chile, duas ou três cidades na Argentina e depois em Montevidéu, no Uruguai, no final de junho. Em julho, a gente fez um projeto com a Adriana Calcanhoto que é ela e nós três, num show pra teatros menores, sem bateria, mais calmo, eu vou tocar piano elétrico. São cinco shows na Espanha e dois shows no Japão e quando chegar lá, a gente vai tocar como Kassin + 2 no Fuji Rock. É o primeiro festival em que a gente toca, e aí é a banda toda, com os outros dois músicos, o Pedro Sá e o Stephan San Juan. Aí a gente volta em agosto e vai fazer uns shows por aqui”.

Sobre o Brasil – e além do CSS –, ele fala do que anda ouvindo de bom por estas bandas. “Tem o Fino Coletivo, que é bonzão ao vivo. Eu sempre ouço o Diego Medina, sempre. Curto também essas bandas de folk psicodélico, tipo Supercordas e Momo. As coisas de funk, como o Sany Pitbull ou o DJ Rudi, de Volta Redonda, até os derivados, como o Bonde do Rolê ou o Edu K. Mas eu tou meio por fora da cena, pra falar a verdade, com essa parada do disco, viagem direto… Mas eu não tenho muito ido a show, que foi uma parada que mudou depois da paternidade. A Nara vai fazer três anos e é uma coisa que muda completamente tudo, até umas paradas que eu achava que nunca iam mudar, tipo acordar cedo. Hoje eu acordo às seis da manhã e acho bonzão!”.

Skolba 2007

Essa foi pautada mas não saiu, vai pros extras do DVD.

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Skol Beats, 4 e 5 de maio de 2007, São Paulo

Domingo, passando das seis da manhã, céu limpo, um fantástico sol nascente e o alto astral solto no ar. A dupla Simian Mobile Disco já havia deixado o público do palco principal do Skol Beats em ponto de bala quando o hit “Hustler” bateu. Aquela vibração boa e divertida de eventos de música eletrônica à luz do dia dissipava-se no ar, coroando o que deveria ser o início da parte final do evento, tradicionalmente um dos pontos altos da história do festival.

Mas há exatas vinte e quatro horas, o clima era bem diferente. O grupo brasileiro Life is a Loop parecia testar os limites da paciência na marra, fazendo o nome do grupo soar mais do que irônico tamanha repetição. O comentário já havia sido oficializado através da sala de imprensa, mas ninguém lembrou de avisar ao público os dois desfalques que aconteceram logo no primeiro dia do festival. Não bastasse o público pífio (cambistas vendiam os ingressos de 100 reais a cinco, depois de uma certa hora) e uma série de atropelos técnicos (o pior deles, nocateou o som de Afrika Bambaataa por duas vezes), duas atrações esperadas para encerrar o palco principal no primeiro dia simplesmente não vieram. Donnacha Costello e a dupla canadense MSTRKRFT, um dos principais nomes desta edição, não puderam vir por motivos distintos (problema de saúde e aeroporto congestionado, respectivamente), mas quem precisava saber? Tirou-se do ar o letreiro eletrônico que anunciava a próxima atração e ninguém foi avisado do cancelamento das duas atrações – o que obrigou o repetitivo Life is a Loop esticar-se até ninguém mais aguentar. Não bastasse isso, a surpresa ainda contou com ares macabros, quando o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino, subiu no palco para cantar “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho. Pode ter soado como exorcismo para a produção do evento, mas para o público parecia uma enorme piada sem graça.

E assim foi o Skol Beats de 2007. Depois de criar uma expectativa gigantesca na edição anterior (quando enchia o peito para bradar que era o maior festival de música eletrônica), o SB foi surpreendido pela má repercussão do caos insuportável que foi o show do Prodigy para boa parte do público. Localizado na cabeceira da passarela do sambódromo paulistano, o palco da edição de 2006 recebeu LCD Soundsystem e os Plump DJs para recepções quentes mas civilizadas. Mas quando a banda de Liam Howlett começou sua apresentação, a passarela funcionou como um imenso funil de concreto, que espremeu a maior parte das pessoas que queriam assistir ao show. A confusão imediatamente fez com que o festival se prontificasse a dividir-se em dois dias, e a ausência de nomes grandes inéditos no país deu a tônica da edição deste ano. Outra diferença foi o inflacionamento do ingresso, que, no ano anterior, era de R$ 70 para um dia e este ano era de R$ 200 com o direito de assistir aos dois, gerando comentários sobre uma possível elitização à força do evento. A prefeitura de São Paulo ainda abriu concorrência direta contra o festival, quando marcou sua Virada Cultural (programação cultural durante 24 horas seguidas) para o mesmo fim de semana do Skolba.

A Virada não foi rival para o festival, já que aconteceu durante a segunda noite do Skol Beats – a que teve maior público. Da sexta para o sábado, a ausência de pessoas desanimava e o gigantesco número de funcionários parados de braços cruzados era o retrato da apatia das apresentações. O momento mais lastimável talvez tenha sido o pau no som durante o show de Bambaataa, obrigando o papa do hip hop a assistir técnicos arrumando equipamento enquanto seus MCs tentavam, em vão, animar o público. E o que deveria ser uma festa do groove parecia um comício político.

No dia seguinte, o público aumentou, mas fora um Simian Mobile Disco aqui e um Laurent Garnier acolá, a festa não decolou. E o retrato do que aconteceu no evento foi a apresentação do Crystal Method, que limitou-se a apertar o pause e o play e quase não encostou no equipamento, desfilando versões integrais de músicas do Prodigy e até um Rage Against the Machine – que, mesmo peixe fora d’água, funcionou.

Com os dez anos do festival se avizinhando, cabe à produção repensar urgentemente os conceitos do que é o Skol Beats e para que serve o evento. Se o sucesso da edição 2006 levou à reestruturação do festival como acontecimento, o fracasso da edição deste ano os obriga a repensar artisticamente um nome que tem importância histórica, comercial e popular – mas que corre o risco de virar um Coca-Cola Vibezone ou um Festival de Verão de Salvador da vida. E sumir.

Bitter – Jupiter Apple and Bibmo

Resenha do disco novo do Júpiter, na mesma edição…

Jam session, baile de máscaras e aperitivo

Enquanto cria a mística em torno de seu quarto álbum – Uma Tarde na Fruteira, dizem, sai ainda este ano por um selo europeu -, Júpiter Maçã encontra tempo para alimentar sua mitologia pessoal com um disco quase bastardo, composto ao lado da parceira Bibmo, e gravado praticamente ao vivo. Em um clima de jam session (algumas músicas passam dos cinco minutos, a psicodelia californiana de “Deep” chega a 14!), Bitter é um baile de máscaras em que Flávio Basso veste suas fantasias prediletas (beatlemania, Sgt. Pepper’s, David Bowie, Roberto Carlos, Nuggets, Syd Barrett) e algumas novas – ao menos, para nós: “Exactly” é puro rock de Detroit (com Bo Diddley na veia), “Any Job” é um clone perfeito da fase Gram Parsons dos Stones, “Lovely Riverside” o coloca em pastos irlandeses. Mesmo assim, o disco tem mais cara de registro corrido do que propriamente de um álbum e faz as vezes de aperitivo para o aguardado próximo disco de Júpiter, sucessor do estranho Hisscivilization, que já tem algumas versões correndo na internet. Tudo para aumentar a lenda. Júpiter pode parecer maluco, mas, em alguns sentidos, ele sabe o que faz.

Kick All the Jams, Motherfuckers!

Mais uma pra RS…

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Rock’n’Soul
Vocalista do The Bellrays antecipa a vinda da banda ao Brasil

“Eu já cantei aí no Brasil, mas agora é outra história”, Lisa Kekaula pelo telefone, manda avisar. A vocalista dos Bellrays, que baixam no Brasil na virada de maio para junho, explica melhor: “Da outra vez que fui, fui como vocalista de apoio do Basement Jaxx. Festival grande, música eletrônica. Agora o clima é outro!”, comemora.

É com os Basement Jaxx que seu trabalho talvez seja mais popular – é dela o vozeirão que abre o terceiro disco da dupla inglesa de house/big beat, mandando ver em “Good Luck”. Mas com os Bellrays, sua banda oficial, a coisa muda de figura. Ancorada por um power trio punk rock (formado pelo guitarrista Tony Fate, pelo baixista Bob Vennum e pelo baterista Craig Waters), ela solta todo o vozeirão black em cima de uma base pesada e elétrica, refazendo a ponte entre o rock’n’roll e rhythm’n’blues – ou entre a praia dos White Stripes e a de Amy Winehouse, pra nos mantermos em parâmetros atuais.

“Acreditamos em uma experiência única em cada show, e como vamos tocar em lugares bem diferentes, em termos de estrutura, serão dois shows completamente diferentes”. Ela se refere às apresentações que farão no clube Inferno (em São Paulo, dia 31 de maio) e no festival Porão do Rock (em Brasília, dia 2 de junho). O grupo praticamente bate-e-volta no Brasil, em uma lacuna de um fim de semana durante sua turnê européia.

Lisa quer conhecer o Brasil melhor. “Da outra vez foi muito rápido, não posso nem dizer que conheço nada daí. Quer dizer, conheço os Mutantes, Tom Jobim, mas é muito esparso, sei que aí tem muito mais!”, admite.

Bota pra fuder

Materinha que saiu na Rolling Stone de maio.

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Corpo Estranho
Sem expectativas, o Camisa de Vênus retorna aos palcos brasileiros

“Agora virou moda falar mal do Lobão. Que ‘o cara se vendeu ao sistema!’, que babaquice. Lobão é um sujeito que, certo ou errado, sempre se posicionou de uma forma crítica, sempre mostrou sua visão”. Marcelo Nova parece não ter consciência de que, ao defender Lobão e seu Acústico MTV também está justificando o retorno da banda ou tenta desculpar-se pela volta do Camisa de Vênus. Ícone dos que falam o que quer e ouvem o que não querem, o vocalista defende seu compadre polemista como se inconscientemente precisasse dar satisfação.

O Camisa de Vênus é precoce em tudo o que diz respeito a rock dos anos 80: foi a primeira banda nova de sua geração a gravar um LP (em 83), a primeira a botar um ponto final em sua própria história (em 87) e a primeira a voltar durante os anos 90 (quando ressuscitou entre os anos de 95 e 96). Mas ao evitar o revival oitentista que assolou o Brasil na virada do milênio, o Camisa chega atrasado – de propósito – para a festa nostálgica, com planos de passar o ano de 2007 inteiro fazendo shows pelo Brasil.

Mas Marcelo Nova, uma espécie de Pantaleão (o personagem do Chico Anysio, não o de Vargas Llosa) do rock, está mais interessado em contar ‘causos’, proferir idiossincrasias e esbravejar contra todos. O alvo da vez é a cultura da celebridade e ele pega Lobão como exceção deste mercado. Continua: “Tentam extratificar o sujeito pra que ele corresponda a essa imagem a vida inteira. Essa idéia de ser outsider por convicção ideológica não existe! Nós temos esse culto à pobreza no Brasil, que é uma coisa tenebrosa. Agora, se você ganha dinheiro, se vendeu ao sistema”.

O Camisa de Vênus ensaia sua volta no estúdio Deboni, na av. Indianópolis, em São Paulo, e a pausa para a entrevista, quase à meia-noite, encerra as atividades do dia. Além de Marcelo, o novo Camisa ainda conta com o baixista Karl Hummel e o guitarrista Robério Santana (ambos da formação original) e dois novos integrantes – o veterano Luiz Carlini (o Zelig do rock brasileiro) na guitarra e o garoto Denis Mendes na bateria. A banda sai da sala de ensaio, aos poucos esparrama-se numa ante-sala do estúdio e deixa Marcelo Nova à vontade para falar. Como sempre.

Nem punk engajado, nem rock ensolarado, o Camisa, como outras bandas fora do eixo da época (Rio, São Paulo e Brasília), fugia do padrão vigente no rock brasileiro dos anos 80. “O nome diz muito, ‘camisa de vênus’ – era um incômodo”, segue. “E isso que você percebeu é verdade, nós sempre fomos um corpo estranho, o tempo todo, até hoje”.

“O Camisa sempre teve uma coisa meio anárquica, que tinha um texto que não era necessariamente político, social ou humorístico, mas que tinha um pouco de cada um desses elementos”, continua Marcelo. “E sonoramente era um mata-borrão sonoro, podia ter um pouco de Sex Pistols ou Lou Reed, mas também tinha um tanto de Raul Seixas, Genival Lacerda e até Adelino Moreira” – este último, parceiro de Nelson Gonçalves, que, além de “A Volta do Boêmio” e “Fica Comigo Esta Noite” também assinou “Negue”, consagrada por Maria Bethânia, que o Camisa toca nos shows.

E ele continua: “Mas a inabilidade da crítica em nos situar sempre me divertiu. E como eu ironizava isso, os ataques se viraram contra mim, o que eu acho natural. Até porque eu conheço mais rock’n’roll que a maioria dos críticos, sou mais inteligente e mais culto do que eles e quem comeu aquelas meninas que viviam em volta dos críticos quando eles tentaram ter bandas de rock, antes de eles fracassarem e virarem jornalistas, fui eu!”, cospe.

A banda voltou num evento chamado Festa da Cerveja de Divinópolis, onde dividiu espaço no cartaz com artistas de sua geração que seguem na carreira, como Lulu Santos, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial e Roupa Nova, e nomes estabelecidos no pop brasileiro na última década, como Marcelo D2, Pitty e Inimigos da HP. Depois, têm shows marcados em São Paulo – você sabe, aqueles balaios de gato cheios de nomes que, um dia, freqüentaram o rádio. No festival, gravaram o show para virar um DVD, ainda sem gravadora definida, que funcionará como cartão de visitas do novo Camisa. Do interior de Minas (redundância?) passaram por São Paulo e Porto Alegre, e continuam a turnê por todo ano. “Mas sem grandes expectativas!”, salienta o vocalista. “Primeiro, porque tamos velhos, não adianta ter expectativa pra banda de velho. Mas a idéia é fazer uma grande tour durante o ano de 2007”.

Marcelo lembra com certa nostalgia os dias de periculosidade de sua banda: “Nosso primeiro disco foi lançado pela SomLivre, veja só, e três meses depois fomos expulsos da gravadora. Tivemos uma reunião e nos disseram que ‘a esposa de Roberto Marinho não pode ouvir um nome desses na empresa’, uma argumentação muito consistente”, diz, rindo, lembrando os tempos que o preservativo era praticamente um palavrão. “Na época, as bandas tinham nomes como A Cor do Som, Clave de Sol e eu sugeri mudar o nome, pra deixar de ser Camisa de Vênus pra chamar de Capa de Pica”.

Dali, foram pra RGE, onde além de estourarem com o hit “Eu Não Matei Joana D’Arc” ainda registraram um dos discos mais crus e desbocados da música brasileira, o ao vivo Viva!, rito de passagem para qualquer pré-adolescente nos anos 80. “Até o Camisa, o único palavrão que havia sido registrado em vinil era ‘bosta’, que o Chico Buarque gravou quando cantou ‘joga bosta na Geni’”, continua Marcelo. “Quando o Camisa gravou o Viva!, isso foi tudo por água abaixo. Mas não era uma apologia ao palavrão. Mas quando eu tinha meus 17, 18 anos, assisti ‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’ do Plínio Marcos no Teatro Castro Alves de Salvador e fiquei impressionado, não só com a quantidade de palavrões que era dita na peça, mas como aquilo fez com que 70% da classe média baiana se retirasse do platéia. Isso me impactou de uma forma! Não era uma apologia do palavrão, era a pertinência do palavrão em nosso cotidiano. Ninguém dá uma topada com o pé numa pedra e fala ‘que dor horrível!’”.

Viva! foi para as lojas antes de ser enviado para a Censura. O órgão, resquício da ditadura, ainda atuava em 1986. Se passasse pelo crivos dos censores antes do lançamento, certamente nem veria a luz do dia. “Eu tive a sorte de ver meus discos sendo apreendidos!”, ri Marcelo. “Eu estava na Hi-Fi, aquela loja de discos no Iguatemi, quando entraram os caras da Censura Federal, se identificando e apreenderam meus discos. Meus discos foram pro camburão! E eu estava lá e continuava solto! Sensacional!”.

E mesmo que acidez ou a polêmica levantadas pela volta do Camisa ou qualquer declaração de Marcelo pareçam de araque, ele deixa pra lá. E encerra voltando ao tema da indústria da fama, que domina o cenário pop brasileiro hoje mais do que nunca. “Eu não dou a mínima para o que dizem de mim. Cerquei meu território com arame farpado e valorizo o que conquistei. O que dizem, o que falam… Esse é o jogo da celebridade. Você não é ninguém e quando você se torna alguém, você tem que fazer tudo que pode pra se manter nesse ponto em que chegou. Porque o que as pessoas que hoje lhe jogam pra cima são as mesmas pessoas que querem te devolver pra baixo. Você enche a bola de fulano pra amanhã dar uma cacetada e dizer que ‘viu? Esse cara era um idiota, um cuzão?’. É nessa aparente contradição é que está fundamentada a venda das revistas de maior circulação do país hoje”.

Vida Fodona #090: Aumenta o volume que esse é pra dançar

‘- “Phantom” – Justice
– “Umbrella (Vandalism Remix)” – Rhianna
– “Any Way You Choose to Give It (Playgroup Remix)” – Black Ghosts
– “49ers” – Busy P
– “Office Boy (Brodinski Remix)” – Bonde do Rolê
– “Kryptonite Pussy (DJ Weekend’s 19 & Dirty Remix)” – Yo Majesty
– “It’s Getting Boring by the Sea (Blamma Red Shoes Mix)” – Bloody Red Shoes
– “Lanchinho (RMX)” – Bonde dos Magrinhos
– “The Noise of Carpet” – Stereolab
– “Highagain” – Stereo Maracanã
– “O Pinto de Peitos” – Cidadão Instigado
– “Tribulations” – LCD Soundsystem
– “Sirens (Nick Kief 4×4 Remix)” – Dizzee Rascal
– “Promise (MOVES!!! Remix)” – Ciara
– “Pogo Vs, Haterz (DJ Original Bozak Blend)” – Digitalism Vs. B.O.B
– “Astronauts and All (Barringtone Remix)” – Foals
– “Rock Yo Hips (Disco D Dirty Remix)” – Crime Mob
– “Technologic (Hot Einstein Remix)” – Daft Punk

Esse é o rumo.

A Pura Perdição

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Só delírio durante a aparição na Brasa na sexta passada – demo do Little Quail, Guilherme Arantes, Hurtmold e Arnaldo Baptista, pura sensação brasileira -, mas nesta quinta voltamos à nossa programação normal comandando os CDJs da Perdida, no Clash. A noite novamente começa com o Thiago DJ esquentando a entradinha, seguido de perto pelo brou Guab, que tempera a festa pra deixar no grau pra Gente Bonita, que aparece a partir das três da matina. Tarde? Cedo – tu esqueceu que é férias escolares? E numa hora dessa ninguém é mais de ninguém e você sabe que nós somos a trilha sonora perfeita pra essa hora na madruga. 15 pilas pra quem não botar o nome na lista em nosso site ( www.gentebonita.org ), dez reais pra quem se lembrar – até às 20h. E mulher não paga NADA entrando até a uma da madruga! Já viu…

Gente Bonita @ Perdida
DJs residentes: Thiago DJ, Guab e Luciano Kalatalo e Alexandre Matias (Gente Bonita Clima de Paquera)
Quinta-feira, dia 05 de julho de 2007
23h59
Local: Clash. R. Barra Funda, 969. Barra Funda.
R$ 15 sem nome na lista e R$ 10 colocando seu nome no www.gentebonita.org
Mulher entra de graça até a uma da madruga