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Pecado original

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Que o RZA se garante, ninguém duvida (fez trilha sonora prum filme do Tarantino e pro Afro Samurai, dispensou atuar num filme do Scorsese por causa da agenda cheia, atuou num filme do Jim Jamursch ao lado do Bill Murray, é broder do Dave Chappelle). Mas o cara teve a manha de entrar pra história com estilo – é do Wu-Tang Clan o título de primeiro sample autorizado pelos Beatles a aparecer num disco. A idéia original era chamar o John Frusciante, do Red Hot (segunda a MTV brasileira, “a banda internacional de 2007”), e o filho de George Harrison, o Dhani, numa música que utilizava a base de “While My Guitar Gently Weeps”, uma das quatro do George no Álbum Branco. Mas Dhani e a Erykah Badu deram uma mão, segundo o grupo admite em seu blog no MySpace. A notícia fez com que o disco do grupo, o primeiro desde Iron Flag de 2001, adiasse o lançamento do próximo álbum, 8 Diagrams, em um mês – e agora ele sai no começo de dezembro, não em novembro, como anunciado antes. E a faixa em questão, “My People Gently Weeping”, sim, contará com o Frusciante e o Dhani, mesmo com o sample.

A briga dos Beatles com quem os sampleia é velha e acompanha a história do grupo. Os casos mais clássicos são dos Beatles tretando com o Steve Jobs pelo uso da maçã como símbolo de uma empresa (um acordo que teve de ser revisto algumas vezes, porque a primeira vez que ele foi fechado, a empresa do Jobs garantia que não iria se envolver com música – veja você as voltas que o mundo dá) e, claro, dos Beatles processando o Dangermouse quando ele fez o Grey Album. Aliás, falando nisso: agora pode?

Devo? Soulwax?

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Rolou um boato que o Devo talvez não venha ao festival Planeta Terra, que acontece em novembro no Brasil, que deve ter sido motivado pelo aviso que o grupo colocou na página de shows de seu site oficial, onde anunciavam:

Unfortunately, the OCTOBER 2007 shows advertised for SOUTH AMERICA were not confirmed. We will let you know if we are able to re-schedule for later in 2007 or 2008.

Vamo torcer pra ser só boato e pros caras não terem confundido novembro com outubro. E, se por um lado rola essa possível má notícia (não bastasse o cancelamento do Digitalism), por outro parece que o 2ManyDJs baixa aqui de novo esse ano. O problema é que parece que, em São Paulo, eles tocam na Pachá :/

“There’s No Other Way”

Falando em Blur, parece que o grupo volta ainda esse ano para gravar com a formação original (um almoço essa semana decide os destinos dos quatro). Entusiasmado com a notícia, o baixista anunciou que pode ser o melhor disco do grupo. Não duvide: depois de anos rondando o pop de formas improváveis (seja com o Gorillaz ou com o projeto The Good, The Bad and the Queen), bem fácil Damon Albarn doma as paradas e o zeitgeist na unha. Na paralela, o Liam anunciou oficialmente o fim da treta Blur x Oasis. Resta saber se isso possibilita o melhor Além da Imaginação dos anos 90: Damon e Noel trabalhando juntos. Imagina – só isso seria páreo para o posto “Beatles da década de 90”. Que é do Radiohead, se alguém pergunta.

Vida Fodona #096: As melhores tradições são aquelas que você inventa

!!! que não sai da cabeça, Elis & Tim, beatle solo, Digtalism remxado, Lidell e Calvin, Syd só, Zombies, Velvet e Neil Young ao vivo, clássico do Raul, boa do QOTSA, nova do Hurtmold e “Mulherbarrigudaquivaitermininuuuu!”.

– “Smootz da Police” – Hurtmold
– “Heart of Hearts” – !!!
– “Foggy Notion (Live)” – Velvet Underground
– “Winterlong (Live)” – Neil Young & Crazy Horse
– “I’d Have You Anytime” – George Harrison
– “These Are the Songs” – Elis Regina & Tim Maia
– “Terrapin” – Syd Barrett
– “I Want Her She Wants Me” – Zombies
– “Mulher Barriguda” – Secos & Molhados
– “Novo Aeon” – Raul Seixas
– “Make it with Chu” – Queens of the Stone Age
– “The Girls” – Calvin Harris
– “The City” – Jamie Lidell
– “Idealistic (A-Trak Remix)” – Digitalism

Veeeeenha!

O pote de ouro

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O assunto Radiohead 2007 mal começou. Olha a Time:

The ramifications of Radiohead’s pay-what-you-want experiment will take time to sort out, but for established artists at least, turning what was once their highest-value asset — a much-buzzed-about new album — into a loss leader may be the wave of the future. Even under the most lucrative record deals, the ones reserved for repeat, multi-platinum superstars, the artists can end up with less than 30% of overall sales revenue (which often is then split among several band members).

Aí entra o Bob Lefsetz e vai além:

“This is big news. This says the major labels are fucked. Untrustworthy with a worthless business model. Radiohead doesn’t seem to care if the music is free. Not that they believe it will be. Because believers will give you ALL THEIR MONEY!

This is the industry’s worst nightmare. Superstar band, THE superstar band, forging ahead by its own wits. Proving that others can too. And they will.

This is what happens when you sell twenty dollar CDs with one good track and sue your customers for trading P2P. This is what happens when you believe you’re ENTITLED to your business. This is what happens when music is a second-class citizen only interested in the bottom line.

There’s no testimonial to Jimmy Iovine on inrainbows.com. No thanks to Rick Rubin, never mind Lyor Cohen.

Radiohead doesn’t need those stinkin’ badges. They’re THINKING FOR THEMSELVES!

What did that button say back in the sixties? “Question Authority”? That’s what Radiohead is doing here. They’re not holding back, saying their hands are tied, but are forging into the future.

You can’t make a TV show by yourself. Certainly not a movie. Not that anyone can see. But you can make a record all by your lonesome, it doesn’t cost that much. And you can say exactly what you want, you don’t need to clean it up for Wal-Mart. And, you can distribute it yourself online. That’s what Radiohead is doing.

Will they make a deal with a major for physical distribution? Will they do it themselves? Or will they leave ALL that money on the table? Shit, that would blow MY mind.

Resumindo a ópera, o Radiohead fez o que muita gente (eu inclusive) esperava que o Los Hermanos fizesse quando seu contrato com a Abril terminou e eles preferiram lançar o Ventura pela SonyBMG a lançar por conta própria. Só que agora não é uma banda brasileira promissora com um culto de fãs cada vez mais obediente. É a banda mais importante do mundo em atividade erguendo a mesa onde antes negociava seu trabalho com engravatados. Eles nem perceberam a inclinação da superfície. Em pouco tempo, a mesa vai virar.

Resta só agora ver se o Michael Moore faz um filme sobre direito autoral. E, em vez de deixar vazar online como fez com seu Sicko, usar a rede como veículo de distribuição.