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MúsicaLivre 30/09/2007

Desde que comecei a editar o Link em maio deste ano, ganhei uma tarefa a mais: apresentar o programa que caderno tem na rádio Eldorado, todo domingo às 21h (a freqüência é 92,9 FM e dá pra ouvir pelo site da rádio, em streaming). Divido o programa com o Otávio Dias, que edita o caderno comigo, e com o infame Fabio Lima, que conduz o bate-papo. No Link Eldorado, damos uma geral no caderno de segunda-feira e, aos poucos, fui conseguindo espaço para tocar artistas que disponibilizam músicas para download. Já incluí nesta brecha de espaço músicas do Supercordas, Jumbo Elektro, A Roda, Grenade, PELVs, Lucas Santtana, entre outros. A partir deste domingo estou oficializando a contribuição e toda semana tem duas musiquinhas tocando na rádio, com links e informações rápidas sobre as bandas escolhidas. Neste domingo, temos:

I Feel Fine” – The Twelves
Mini-Otário” – Hurtmold

Verequete é o Rei

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Quando estive em Belém na semana retrasada, trouxe uma pequena amostra de um forte tempero local depois de fazer compras na histórica loja de Ná Figueiredo: o disco Verequete é o Rei, lançado pelo próprio Ná, no ano passado. A abrangência dos domínios de sua coroa do cidadão do título se restringem ao território do carimbó, gênero afro-indígena que surgiu no litoral da ilha do Marajó e contagiou toda aquela região há mais de um século. Parente do samba, do blues, do rhythm’n’blues, do forró e do baião, o carimbó é o gênero-base de boa parte da música paraense – de sua natureza rítmica ao canto quase falado, de uma certa melancolia disfarçada a um gosto natural pela festa. Como seus parentes, o carimbó é bem-humorado e sacana, malemolente e sensível, bad boy e brincalhão.

Acontece que o Elvis do carimbó é outra eminência parda – Pinduca, cujo nome tornou-se nacional quando Eliana Pittman gravou “A Dança do Carimbó” há um par de décadas. Contemporâneo de Verequete, Pinduca foi quem teve a sacada de transformar o formato em gênero radiofônico, traduzindo a batida dos tambores para a bateria e trocando o banjo por guitarra, além de acrescer sax e baixo elétrico. Tirou o carimbó do terreiro e o levou para as massas. Muitos disseram que ele havia “traído o movimento”. Poizé – até o carimbó tem dessas.

Verequete. não. Rústico por falta de opção e posteriormente estética, ele rege os tambores com sua voz peculiar e conduz o ritmo como quem toca gado. Se Pinduca é o Elvis, Verequete (olha ele aqui em vídeo, mais de 90 anos!) é uma mistura de Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, jóias brutas, sem lapidação. Uma pena é saber que o sujeito que é um dos mestres da cultura local – e brasileira, sem exagero – dorme no chão num colchão de espuma e depende da ajuda de uma farmácia que lhe dá uma “bolsa higiene” mensal para, literalmente, uma lenda-viva.

A passagem por Belém foi frutífera, se der outro dia eu conto aqui.

As Aventuras do Jovem Adolf Hitler

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Um papo sobre o novo Indiana Jones (o moleque do Transformers vai ser o filho do sujeito?) puxou a lembrança do clássico The New Adventures of Adolf Hitler, dessas histórias curtas que o Grant Morrison faz com tanta classe e estilo (como a irretocável We3 ou o psicodélico Vimanarama).

Polêmico é eufemismo: Morrison partiu da história de que Hitler teria passado seus dias de pós-adolescência com parentes em Liverpool (que, ao que consta, é fato) e, ao lado do desenhista Steve Yewol, resolveu propor o que poderia ter acontecido ao futuro führer alemão em seus dias respirando smog. A história foi publicada originalmente em 1989, na revista escocesa Cut, para depois ser republicada na revista Crisis, da mesma turma da 2000 AD. Nas duas aparições, a controvérsia veio a reboque – afinal, a simples menção do nome do austríaco megalomaníaco causa um certo desconforto social, pra ficarmos no mínimo (a lei de Godwin não existe à toa…).

Antes de pensar em cogitar alguma espécie de nazismo no gibi, vale lê-lo. Morrison não só mostra que Hitler não valia muito quando era moleque quanto pisa fundo nos delírios psicopatas de Hitler. Assim o vemos planejar sua conquista da Europa como um sonho de um nerd anti-social misógino e covarde, artista frustrado e filho esquecido, que busca encontrar o Santo Graal (mesmo que para isso ele tenha que sujar-se) e fazer seu nome vingar na história – e vingar todos aqueles que lhe disseram que ele não era um bom pintor. No meio do caminho, ele topa com o próprio John Bull (o Tio Sam dos ingleses), que lhe dá uns conselhos sobre como liderar um país e não consegue entender o que diabos Morrissey (é, cantando “There’s a Light that Never Goes Out”) faz em seu armário.

O personagem, no entanto, ainda assusta e a revista logo foi engavetada e tornou-se lenda. Felizmente, aqui está a internet para nos salvar do moralismo barato desses metido a certinhos. Dá pra baixar tudo aqui ou ver pela web aqui e depois aqui.

E falando em Hitler na Inglaterra…

Tempo Perdido

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Aproveitando o papo sobre Lost iniciado no RadarPop, aproveito pra linkar a tal matéria da Superinteressante, em que o Versignassi parece ter levantado outra ótima lebre. Depois que o Carlão cogitou a possibilidade de a ilha se encontrar na parte de dentro do planeta Terra (!!), a nova teoria se baseia, principalmente, no filme que a dupla Lindelof e Cuse revelou na Comic Con passada. Teoricamente, a ilha serviria como uma base de experimentos de viagens no tempo e os passageiros do vôo 815 podem estar presos em uma outro tempo-espaço.

Mais: o misterioso Jacob pode ser ninguém menos que o próprio Locke depois de uma viagem no tempo (!! – veja a montagem acima). Boa especulação, mas só uma certeza: a quarta temporada já começou. E bem na época em que a caixa da terceira temporada chega ao Brasil – e aqui o Carlão dá uma geral nos extras e nos easter eggs.

E aqui embaixo, um dos teasers da quarta temporada, marcada pra fevereiro do ano que vem. Sente o clima.

“O Rei da Night Paulistana”

Assim, o Cris e o Maron me apresentaram na trigésima nona edição do RadarPop, a primeira vez que participo do podcast dos caras. Na pauta, o primeiro episódio da segunda temporada de Heroes no YouTube, “Heart of Hearts“, o filme de Watchmen, P2P de streaming, Supertrunfo de blogs, Lost na Superinteressante, Paris Hilton na capa da Capricho, o fim da privacidade como conhecemos e mashup Gente Bonita. O MP3 cê baixa aqui – uma hora de papo furado. Enjoy.