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“…You’re the one that I’d be thinking of”

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E depois de passar pela Band, por Dylan e pelos Stones, Martin Scorsese mira suas lentes para George Harrison. Resta saber se o filme vai entrar em detalhes sobre como o beatle George torrou a grana que ganhou quando tava vivendo a maior aventura do século vinte bancando os filmes do Monty Python. George nunca se recuperou direito dessa época (tem que manter um certo padrão, né…) e foi isso que fez ele ceder a Paul McCartney e aceitar a “voltar” com os Beatles nos anos 90. Aliás, vai saber se o filme vai falar da reunião póstuma…

Free as a Dylan

Eis a versão filmada pro remix que o Mark Ronson fez pra “Mostly Likely You’ll Go Your Way, and I’ll Go Mine”, do Dylan (mas como a gravadora não permite embedar o link, não dá pra assistir o filme aí em cima – você tem que clicar nele pra cair na página do YouTube, tosco paca). Como o vídeo que inaugurou a Anthology dos Beatles, o clipe compila um monte de referências à carreira do sujeito, em ordem cronológico. Tem desde recriações de cenas clássicas (a capa de Freewheelin’ Bob Dylan, o clipe de “Subterranean Homesick Blues“) até referências mais subjetivas (os tons sépia das tomadas noturnas do final do disco remetem aos três últimos discos, o clima street anos 80 é uma alusão ao Oh Mercy e Infidels, a conversão dele pro cristianismo e o coral de Slow Train Coming) e transcrições literais de fatos (o acidente de moto, a ida para Woodstock) e de músicas (no começo, um cara está parado no meio da rua enquanto o vento gruda pedaços de papel em seu corpo – “Blowin’ in the Wind”, infame – e em outra parte, um casal está em uma cama de metal – a tal “big brass bed” de “Lay Lady Lay”). Brega, mas feito pra fã – um cuidado raro no mercado de discos atual.

The Radiohead Experience

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Será? O Ivo tá acompanhando as possibilidades e as brincadeiras da banda rumo ao sétimo disco, que incluem o blog da banda (que voltou a ser atualizado essa semana, com esse pseudo-alfabeto que eu postei aí em cima – o NME publicou algumas traduções feitas pelo Atease), um site enigmático com apenas login e senha (uma mensagens no código-fonte), um blog alimentado por dois pseudônimos (wierd fishee e kid.android) e outros mistérios envelopados em enigmas (nome das músicas? Disco novo em março de 2008? A gravadora é a Eartrax?). Tem mais novidades sobre o sétimo disco dos caras na Wikipedia.

O detalhe é que o Radiohead tá sem gravadora desde que lançou Hail to the Thief (já vão quatro anos) e as especulações sobre a futura casa do grupo não páram de aparecer, vez por outra (o boato mais forte, que rolou no primeiro semestre desse ano, é que o grupo talvez fosse pro Olimpo que a Starbucks tá motando – e que já inclui o Dylan, o Lennon, o Paul, o Ray, a Amy, etc.). Aumentando a fogueira dos boatos, o grupo – que não vende discos pelo iTunes porque não concorda nem com a política de DRM da loja do Steve Jobs e nem com a possibilidade de ver seus discos desmembrados – anunciou que irá vender seus discos virtualmente na íntegra, sem DRM e com bitrate 320 pelo site 7Digital.

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Junta nessa brincadeira um experimento à Dark Side of Oz/Zaireeka em que teoricamente a banda teria gravado Kid A de um jeito que se duas cópias do disco fossem tocadas quase simultaneamente (com o espaço de 17 segundos entre o primeiro e o segundo play) daria origem a um novo disco, batizado de Kid17 (o upload também é culpa do Ivo, agradecimentos em público aqui pro cara – não fosse o post dele, esse não existiria).

E você pensava que o Lost Experience era complicado… 😛

Tropa de quem?

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Não vi Tropa de Elite ainda (quero ver no cinema, que nem todo mundo), mas algumas repercussões estão começando a sair e a destoar do oba-oba inicial ao redor do pré-lançamento – chamado de prontidão de “o novo Cidade de Deus”, por reunir rigor de linguagem de cinema comercial com apelo político e social. Sem querer entrar no mérito técnico do filme, o fato é que suas qualidades cinematográficas (que o diretor Padilha já havia exibido com maestria, em seu filme anterior, Ônibus 174) parecem enaltecer a figura do torturador, que antigamente era um dos vilões da história. É o elemento Jack Bauer da história, ao que parece – o glamour visual é tão convincente que faz com que o espectador aceite a verdade do sujeito que faz o outro sofrer pra arrancar uma verdade – e isso parece normal e certo.

Pode ser que o argumento sobre a veracidade da situação funcione para justificar ela ter sido transformada em filme, mas cinema é arte mas também é comunicação – e tá aí o filme rendendo aplausos fascistas pelo Orkut (como disse a matéria de capa da Época). Mas, como comentei no início, o legal é que, mesmo antes do filme sair no cinema (como você sabe, o filme vazou na internet antes do lançamento oficialque ainda vai acontecer – etc.), estão começando a surgir vozes que começam a colocar outras cores no hype de Tropa de Elite.

Na Ilustrada de hoje, o Plínio Fraga fala dos problemas de enaltecer a tortura (o título resume o tom do texto – “Tropa de Elite: Não dá para aplaudir nem sob tortura” – mas o conteúdo é restrito a assinantes), enquanto o Jotapê tá tomando um suadouro por ter dito que o Brasil é bonzinho com seus torturadores e ter chamado o Tropa de “o filme da geração ‘Cansei'” (sublinhando a última palavra do título do filme como um dos maiores termos na cloud-tag do nosso zeitgeist) em seu blog n’O Globo. E correndo por fora, o Arnaldo fala primeiro sobre a questão da pirataria do filme (que é hit nos camelôs brasileiros, a ponto de gerar continuações) e de outros estereótipos endossados pelo longa.

Mas depois de ver o filme, eu falo…