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THE MOST GIGANTIC LYING HOAX OF ALL TIME

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Durante o fim de semana, o Radiohead instalou um relógio com uma contagem regressiva para o lançamento de seu novo álbum, num site que teoricamente anunciaria o sétimo disco da banda. Um rápido auê durante o finde e logo um monte de gente começou a desmentir a banda – inclusive ela mesma, que disse que o site em questão não tinha nada a ver com eles. Logo depois, o cronômetro apareceria zerado e em seu lugar, uma janela em vídeo começa a iniciar uma transmissão sob o título que batiza este post (O MAIS GIGANTE E MENTIROSO BOATO DE TODOS OS TEMPOS) e, em seguida, a página recarregava para um vídeo do Rick Astley mandando o hit “Never Gonna Give You Up” no YouTube.

Aí você abre o blog da banda no site oficial é eis o que temos, com a data desta segunda (já é segunda, na Inglaterra):

Hello everyone.

Well, the new album is finished, and it’s coming out in 10 days;

We’ve called it In Rainbows.

Love from us all.
Jonny

Detalhe: o link do In Rainbows acima redireciona para o site oficial do grupo. Que, por sua vez, redireciona para o site In Rainbows.com, que anuncia:

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Mais um clique e temos uma tela para encomendar o disco.

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Num FAQ, eles dizem que vão fazer a entrega do disco antes do dia 3 de dezembro, em todo o planeta e que trabalham com todos os cartões. Olha o bicho aí:

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E esse é o tracklist:

CD 1 AND VINYL
15 STEP
BODYSNATCHERS
NUDE
WEIRD FISHES/ARPEGGI
ALL I NEED
FAUST ARP
RECKONER
HOUSE OF CARDS
JIGSAW FALLING INTO PLACE
VIDEOTAPE

CD 2 AND VINYL
MK 1
DOWN IS THE NEW UP
GO SLOWLY
MK 2
LAST FLOWERS
UP ON THE LADDER
BANGERS AND MASH
4 MINUTE WARNING

Detalhe: clique para comprar o disco e o custo dele é de £ 40,00. Clica para comprar só o download e…

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Zero libras? Estranhou? Tem um ponto de interrogação ali. Sublinhado, tipo um link. Passe o mouse por cima dele e olha o link que ele indica…

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“It’s up to you”. Tipo “você que sabe”.

Será que os caras tão dispostos a, mais uma vez, reescrever a história da música online – se uma vez, vazaram um disco “sem querer” (com Kid A), agora estão perguntando pros fãs quanto eles pagariam apenas no download de um disco.

Isso se não for pegadinha, claro.

Mas eles disseram que o site http://radioheadlp7.com/ (o da contagem regressiva) não era deles e que não tinha nada a ver com a banda. Mas basta clicar nele para cair no site do disco novo.

Ou será que In Rainbows não é o disco novo?

Ou será que eles vão fugir com o dinheiro de todo mundo?

Depois dessa, boa semana…

“This is your God”

O Rafa mandou uma ótima lista com os 50 melhores filmes distópicos (“distopia”, pra quem não sabe, é o contrário de “utopia”) e entre jóias como Equilibrium, Alphaville, B13, Gattaca, Brazil, Filhos da Esperança, os dois Metrópolis, V de Vingança, Blade Runner, Total Recall, Rollerball, os dois Mad Max, Akira, Robocop, O Dorminhoco e Laranja Mecânica (incrível como esse tema rendeu obra-prima) está o subestimado They Live, um dos clássicos esquecidos do John Carpenter, um filme que sublinha que os anos 80 foram tão trash e ingênuos quanto os anos 50. Essa seqüência aí em cima é incrível, não sei como nenhuma banda usou isso no clipe – ou DJ usou isso de fundo de suas apresentações.

MúsicaLivre 30/09/2007

Desde que comecei a editar o Link em maio deste ano, ganhei uma tarefa a mais: apresentar o programa que caderno tem na rádio Eldorado, todo domingo às 21h (a freqüência é 92,9 FM e dá pra ouvir pelo site da rádio, em streaming). Divido o programa com o Otávio Dias, que edita o caderno comigo, e com o infame Fabio Lima, que conduz o bate-papo. No Link Eldorado, damos uma geral no caderno de segunda-feira e, aos poucos, fui conseguindo espaço para tocar artistas que disponibilizam músicas para download. Já incluí nesta brecha de espaço músicas do Supercordas, Jumbo Elektro, A Roda, Grenade, PELVs, Lucas Santtana, entre outros. A partir deste domingo estou oficializando a contribuição e toda semana tem duas musiquinhas tocando na rádio, com links e informações rápidas sobre as bandas escolhidas. Neste domingo, temos:

I Feel Fine” – The Twelves
Mini-Otário” – Hurtmold

Verequete é o Rei

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Quando estive em Belém na semana retrasada, trouxe uma pequena amostra de um forte tempero local depois de fazer compras na histórica loja de Ná Figueiredo: o disco Verequete é o Rei, lançado pelo próprio Ná, no ano passado. A abrangência dos domínios de sua coroa do cidadão do título se restringem ao território do carimbó, gênero afro-indígena que surgiu no litoral da ilha do Marajó e contagiou toda aquela região há mais de um século. Parente do samba, do blues, do rhythm’n’blues, do forró e do baião, o carimbó é o gênero-base de boa parte da música paraense – de sua natureza rítmica ao canto quase falado, de uma certa melancolia disfarçada a um gosto natural pela festa. Como seus parentes, o carimbó é bem-humorado e sacana, malemolente e sensível, bad boy e brincalhão.

Acontece que o Elvis do carimbó é outra eminência parda – Pinduca, cujo nome tornou-se nacional quando Eliana Pittman gravou “A Dança do Carimbó” há um par de décadas. Contemporâneo de Verequete, Pinduca foi quem teve a sacada de transformar o formato em gênero radiofônico, traduzindo a batida dos tambores para a bateria e trocando o banjo por guitarra, além de acrescer sax e baixo elétrico. Tirou o carimbó do terreiro e o levou para as massas. Muitos disseram que ele havia “traído o movimento”. Poizé – até o carimbó tem dessas.

Verequete. não. Rústico por falta de opção e posteriormente estética, ele rege os tambores com sua voz peculiar e conduz o ritmo como quem toca gado. Se Pinduca é o Elvis, Verequete (olha ele aqui em vídeo, mais de 90 anos!) é uma mistura de Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, jóias brutas, sem lapidação. Uma pena é saber que o sujeito que é um dos mestres da cultura local – e brasileira, sem exagero – dorme no chão num colchão de espuma e depende da ajuda de uma farmácia que lhe dá uma “bolsa higiene” mensal para, literalmente, uma lenda-viva.

A passagem por Belém foi frutífera, se der outro dia eu conto aqui.

As Aventuras do Jovem Adolf Hitler

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Um papo sobre o novo Indiana Jones (o moleque do Transformers vai ser o filho do sujeito?) puxou a lembrança do clássico The New Adventures of Adolf Hitler, dessas histórias curtas que o Grant Morrison faz com tanta classe e estilo (como a irretocável We3 ou o psicodélico Vimanarama).

Polêmico é eufemismo: Morrison partiu da história de que Hitler teria passado seus dias de pós-adolescência com parentes em Liverpool (que, ao que consta, é fato) e, ao lado do desenhista Steve Yewol, resolveu propor o que poderia ter acontecido ao futuro führer alemão em seus dias respirando smog. A história foi publicada originalmente em 1989, na revista escocesa Cut, para depois ser republicada na revista Crisis, da mesma turma da 2000 AD. Nas duas aparições, a controvérsia veio a reboque – afinal, a simples menção do nome do austríaco megalomaníaco causa um certo desconforto social, pra ficarmos no mínimo (a lei de Godwin não existe à toa…).

Antes de pensar em cogitar alguma espécie de nazismo no gibi, vale lê-lo. Morrison não só mostra que Hitler não valia muito quando era moleque quanto pisa fundo nos delírios psicopatas de Hitler. Assim o vemos planejar sua conquista da Europa como um sonho de um nerd anti-social misógino e covarde, artista frustrado e filho esquecido, que busca encontrar o Santo Graal (mesmo que para isso ele tenha que sujar-se) e fazer seu nome vingar na história – e vingar todos aqueles que lhe disseram que ele não era um bom pintor. No meio do caminho, ele topa com o próprio John Bull (o Tio Sam dos ingleses), que lhe dá uns conselhos sobre como liderar um país e não consegue entender o que diabos Morrissey (é, cantando “There’s a Light that Never Goes Out”) faz em seu armário.

O personagem, no entanto, ainda assusta e a revista logo foi engavetada e tornou-se lenda. Felizmente, aqui está a internet para nos salvar do moralismo barato desses metido a certinhos. Dá pra baixar tudo aqui ou ver pela web aqui e depois aqui.

E falando em Hitler na Inglaterra…

Tempo Perdido

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Aproveitando o papo sobre Lost iniciado no RadarPop, aproveito pra linkar a tal matéria da Superinteressante, em que o Versignassi parece ter levantado outra ótima lebre. Depois que o Carlão cogitou a possibilidade de a ilha se encontrar na parte de dentro do planeta Terra (!!), a nova teoria se baseia, principalmente, no filme que a dupla Lindelof e Cuse revelou na Comic Con passada. Teoricamente, a ilha serviria como uma base de experimentos de viagens no tempo e os passageiros do vôo 815 podem estar presos em uma outro tempo-espaço.

Mais: o misterioso Jacob pode ser ninguém menos que o próprio Locke depois de uma viagem no tempo (!! – veja a montagem acima). Boa especulação, mas só uma certeza: a quarta temporada já começou. E bem na época em que a caixa da terceira temporada chega ao Brasil – e aqui o Carlão dá uma geral nos extras e nos easter eggs.

E aqui embaixo, um dos teasers da quarta temporada, marcada pra fevereiro do ano que vem. Sente o clima.

“O Rei da Night Paulistana”

Assim, o Cris e o Maron me apresentaram na trigésima nona edição do RadarPop, a primeira vez que participo do podcast dos caras. Na pauta, o primeiro episódio da segunda temporada de Heroes no YouTube, “Heart of Hearts“, o filme de Watchmen, P2P de streaming, Supertrunfo de blogs, Lost na Superinteressante, Paris Hilton na capa da Capricho, o fim da privacidade como conhecemos e mashup Gente Bonita. O MP3 cê baixa aqui – uma hora de papo furado. Enjoy.