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Joinha, Joinha

A última música do show do Little Joy de ontem. Daqui a pouco escrevo mais. Cabem duas perguntas, no entanto:

1) O Little Joy é um dos melhores projetos paralelos de todos os tempos?
2) O jeito brasileiro do Fabrizio Moretti parece mais o Max B.O. ou alguém de uma banda de Pernambuco?

Os 50 melhores discos de 2008: 31) Department of Eagles – In Ear Park

Do you listen to your classical records any more?
Or do you let them sleep in their sleeves, where they be?
Do you suffer through those records that you turned around?
Or do you make them sleep in their sleeves where they weep?

Department of Eagles – “Classical Records”

Gigas de MP3 soltos, enchendo pastas e diretórios virtuais. Algum deles até formam discos, têm capas e seus autores são conhecidos por mais de 100 mil pessoas. Mas a vasta paisagem sonora de músicas produzidas em 2008 é composta por dezenas de milhares de artistas anônimos que não são conhecidos por mais que dez mil ouvintes – e a tendência é que isso se agrave e, em pouco tempo, estaremos, todos os seis bilhões de pessoas do mundo, fazendo música para dois ou três gatos pingados ouvirem. Isso é ruim? Não para mim – não é exagero pensar que mais música foi produzida na primeira década do século 21 do que em todo século 20 e não vejo como isso pode ser ruim. Existe, sim, outro problema com essa maçaroca de músicas mendigando três ou quatro megas de espaço no seu HD – a falta de ambição, de aspiração à grandiosidade, de disposição rumo a algo que vá ficar na história sem precisar, necessariamente, reinventar a roda ou criar um gênero tipo melancia-pendurada-no-pescoço-rock. A brusca mudança que aconteceu com o Department of Eagles pode dar um rumo para esse pop oba-oba dos anos 00. O projeto paralelo do carinha do Grizzly Bear (Daniel Rossen) era um laboratório de colagens de beats e samples quando foi criado, há cinco anos. Mas depois de tanto tempo marinando à espera, Rossen e seu compadre Fred Nicolaus transformaram o DoE em outra história. Em In Ear Park, sai o experimentalismo DIY eletrônico e em seu lugar entra a precisão para compor canções que pertencem a um cânone do século passado – quando a música feita para adolescentes começou a aspirar a eternidade. Estou falando de um material de composição que une autores como os Wings de Paul McCartney, Brian Wilson, Burt Bacharach, John Lennon, Randy Newman, Todd Rundgren, Harry Nilsson, Arnaldo Baptista, Alex Chilton, Andy Patridge, Steely Dan, Roxy Music, Joni Mitchell, Scott Walker, Raspberries e Traffic. Sim, músicas escritas ao piano, quase sempre cantando a infância e a inocência (o disco é dedicado ao pai de Rossen, que morreu no ano passado), que se alongam para além dos três minutos de duração e ultrapassam a estrutura estrofe-refrão-estrofe, sem cair no experimentalismo porraloca, em busca de uma narrativa (tanto lírica quanto musical) que equivalha a de um livro. Em alguns momentos (“Waves of Rye”, “Teenagers”, “Phantom Other”) o volume das guitarras aumenta para além do clima setentão, alinhando a dupla com o Mercury Rev e o Flaming Lips da virada do século, mas por quase todo In Ear Park o clima – cheio de violões dedilhados, banjos, teclados, cordas e percussão de orquestra (são tocadas ou sampleadas? Realmente não sei) e muito, muito piano – é bucólico e introspectivo, mesmo quando soa épico e se leva muito a sério. É, de longe, a melhor coisa que Rossen já fez na vida.

31) Department of Eagles – In Ear Park

Department of Eagles – “Teenagers

Eae, bora lá?


Música nova do Little Joy ao vivo ontem, em São Paulo

Tou indo.

Mais Lily Allen

Mais quatro faixas do disco novo da Lily Allen apareceram: “Kabul Shit” tem a construção melódica idêntica à “The Fear”, só que com um arranjo mais eletrônico (technopop na primeira metade, farofa no refrão), tanto “He Wasn’t There” quanto “22” bebem na fonte do jazzinho de cabaré pra reinventar o pop pós-rádio e “Fag Hag” (termo usado para designar mulheres que gostam da companhia de gays) é música pop descarada e hit pronto para estourar.


Lily Allen – “Fag Hag

S.U.S.S.A.

Depois do hit assobiável da década e de um disco entre o cabecismo e a morgação, o Peter Bjorn & John entra em 2009 tentando imaginar como o Gorillaz responderia à “D.A.N.C.E.”, do Justice. Hit.


Peter Bjorn & John – “Nothing to Worry About

Franz Ferdinand 2009

Ainda falando em show, nesse link dá pra ouvir o show que o Franz fez segunda passada no programa do Zane Lowe, na BBC. O cara não mede palavras pra se referir à banda: “arguably the most influential UK indie group of the past decade”, escreve no site, antes de recepcionar uma versão ao vivo para “Take Me Out” com a frase “hit after hit after hit”. Sugiro que você pule a primeira meia hora para não correr o risco de ouvir a música nova do U2 (que, em poucos dias, tocará em tudo quanto é lugar – se segura enquanto é tempo) e a fraca música nova do Eminem – a banda começa a conversar com o locutor pelos 40 minutos de programa, mas um pouco antes dá pra ouvir a nova do Peter Bjorn & John – aquela que, de alguma forma, lembra “D.A.N.C.E.” (falo dela depois) – além de um ESG escolhido pela banda e da fodona “Walking on a Dream”. No papo, eles falam do disco novo, óbvio, da turnê engatilhada (que deve ter uns shows abertos pelo Metronomy) e do fato de eles gostarem de começar todo show com Neutral Milk Hotel (que influenciou um bizarro arranjo de “Take Me Out” que ouvimos antes de tudo começar). O show começa exatamente depois de uma hora e dez minutos de programa e se liga no setlist:

“No You Girls”
“Matinee”
“Send Him Away”
“Walk Away”
“Bite Hard”
“DYWT”
“Turn It On
“40′”
“Ulysses”
“What She Came For”

Franz no Brasil de novo esse ano: quem trouxer, já sai na frente.