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Hoje é dia de Apple…

Calma, que isso é fake – ainda.

Daqui a pouco teremos o primeiro anúncio de uma nova série de produtos da Apple que não contará com a presença de Steve Jobs e a boataria sobre os motivos da ausência do fundador da empresa no tradicionalíssimo discurso na MacWorld em janeiro que ele teve de escrever uma carta aberta ontem explicando os motivos que obrigaram-no a se ausentar da feira esse ano:

As many of you know, I have been losing weight throughout 2008. The reason has been a mystery to me and my doctors. A few weeks ago, I decided that getting to the root cause of this and reversing it needed to become my #1 priority.

Fortunately, after further testing, my doctors think they have found the cause—a hormone imbalance that has been “robbing” me of the proteins my body needs to be healthy. Sophisticated blood tests have confirmed this diagnosis.

“Desequilíbrio de hormônios” que muita gente vem especulando ser eufemismo pra câncer, mas Jobs não toca no assunto.

Enquanto isso, cresce a boataria sobre o que pode ser o grande anúncio da empresa para 2009. As apostas incluem a ampliação do sistema de entretenimento digital que a empresa aos poucos está montando ao redor do iTunes (linkando Apple TV, locações digitais de filmes e seus portáteis numa mesma experiência), o anúncio do fim do DRM nas faixas vendidas via iTunes, servidores de mídia com conexões sem fio, a entrada da empresa na área de software online e o lançamento de um novo tablet, criado a partir do sistema operacional do iPhone.

Eu aposto em dois itens: um Mini Macbook, que seria versão da empresa para os netbooks/mininotebooks que começaram a desequilibrar o mercado em 2008, e o iPhone Nano aí em cima. O pequeno notebook já era especulado antes mesmo do lançamento do Macbook Air na Macworld em que fui no ano passado e alguns jornalistas com que conversei comentavam que o próprio Air tinha sido uma solução feita às pressas para apresentar um produto novo que combinasse a miniaturização do hardware Apple e os ataques que ecologistas fizeram à empresa. Que seria um meio-termo entre o Macbook e esse subnotebook que a empresa lançaria agora – reempacotando o produto da forma que só eles sabem fazer. Foi assim que, com o iPod e o iPhone, eles transformaram o MP3 player e o celular em itens que não eram apenas ícones de status, mas de cooleza, “mudernidade”. O iPhone Nano, que seria uma versão mais simples e mais barata para o telefone da Apple, já estaria sendo fabricado na Chinaenquanto versões fakes começam a aparecer antes mesmo do produto existir (que mundo lóki!).

Tudo isso porque a Apple está em uma bela sinuca de bico. Afinal, ela sempre se orgulhou em ser uma empresa de nicho e que esse pequeno e fiel séquito lhe garantiria o status necessário para se manter no mercado. Mas a partir do momento em que o iTunes, o iPod e o iPhone começaram a lhes dar o gostinho da popularidade global em escala massiva, a empresa parece ter gostado da brincadeira e está disposta a entrar no mercado. Afinal, por maior que seja o sucesso do iPhone, ele não chega nem perto das centenas de milhões de telefones que produzem, cada uma das cinco principais fabricantes do mercado (Nokia, LG, Samsung, Motorola e SonyEricsson). E também não custa lembrar que o sucesso do iTunes se deve à miopia administrativa do setor fonográfico. Idéias, a Apple tem. Resta saber se tem fôlego para brigar com os grandes.

E por falar em “tipo Cidade de Deus”…

Vocês viram o 24: Redemption, esse filme que a Fox fez pra compensar a ausência da sétima fase da série em 2007? A edição do ano retrasado do seriado de Jack Bauer bailou devido à greve dos roteiristas em Hollywood e os produtores inventaram um longa pra explicar o que aconteceu com o personagem de Kiefer Sutherland após o fim da ridícula sexta temporada. Redemption foi ao ar nos EUA no fim do ano passado e vai sair em DVD no Brasil agora em janeiro, pra coincidir com a nova sétima temporada que estréia – lá fora – esse mês.

E é uma merda.

O trailer dava uma certa impressão que veríamos a transformação definitiva de Jack Bauer num Rambo neocon, o torturador clean cut em plena guerra civil africana, linkando a série com recentes produções hollywoodianas que estão fazendo um revival meio reality show do culto à degração da África – filmes como Hotel Ruanda, Falcão Negro em Perigo, O Jardineiro Fiel, O Último Rei da Escócia, O Senhor das Armas e Diamantes de Sangue, entre outros, relêem o continente africano com uma piedade agressiva e em vez de coletâneas e festivais que foram montados como nos anos 80, assistimos a retratos hiperrealistas que ampliam os conceitos de miséria, degradação humana e violência para limites deprimentes.

As cenas exibidas antes do filme ir ao ar, davam a entender que Jack Bauer seria um elemento novo – e completamente fictício – nesse cenário, o que podia até dar uma certa liga, mas que também exigiria a forçação de algumas barras. Mas o filme passa longe dessa nova visão sobre a África e, em vez disso, lê um continente inteiro como se fosse um país imaginário. Mais ou menos como Sarah Palin imaginava…

Porque o país fictício inventado pelos criadores da série é uma colcha de retalhos de referências de terceiro mundo que, sem querer, joga o Brasil na mistura. Não bastasse o espírito ONG que domina o filme – além de um personagem propriamente ONG, vivido pelo Robert Carlyle (o Begbie do Trainspotting) -, o filme ainda conta com uma cena em que, numa aldeia com chão de terra batida, moleques jogam futebol cercados por animais de fazenda, incluindo algumas galinhas… Câmera na mão e tal – só falta o molequinho brincando com a câmera no canto.

Mas se o problema do filme de 24 Horas fosse só chupinhar estética alheia, tudo bem. O problema é que, ao repetir a fórmula de um episódio da série em um filme de duas horas, ele limita a correria de Jack Bauer por apenas um cenário, na África, enquanto acompanha duas histórias nos EUA que, provavelmente, irão descambar em algo que detonará o início da próxima temporada: a posse da primeira presidente mulher do país e os problemas de um moleque que tem vínculo com pessoas poderosas no governo. O único porém: as histórias não se encontram! Em momento algum! Há até uma certa tentativa em vincular a história de Jack com a que se passa nos EUA, mas ela é superficial e não altera um fio de cabelo das três histórias principais do filme. A principal preocupação do filme parece ser saber se Jack Bauer irá voltar para os EUA, uma vez que ele está foragido. Às vésperas de uma nova temporada, será que ele não conseguirá sair da África? O problema não é a velha reclamação que filme baseado em série quase sempre são episódios longos e sim o fato de Redemption ser um episódio longo E ruim.

E Jack pagando de humanista querendo salvar crianças de um possível genocídio não dá pra engolir. Ele faz aquela cara de pânico com ódio que até convence quando um vilão está apontando uma arma pra cabeça de sua filha, mas não dá pra achar que, de uma hora pra outra, ele começou a se preocupar com as criancinhas. Peraê, né…

Se a próxima temporada continuar nesse mesmo tom, já era. E justo depois de ter atingido sua melhor forma em 2005.

Fuja do Gomorra

Não caia nesse papo de “Cidade de Deus italiano”, não, viu… Gomorra é tão chato, mas TÃO CHATO, que nem sequer chega a ser digno de nota. Sério, não acontece NADA no filme. NADA. Duas horas e 15 minutos que parecem DOIS DIAS na fila do banco lendo a página de polícia de um jornal de uma cidade minúscula. Tem todo a onda Syriana de querer mostrar como o crime tá infiltrado em diferentes camadas da sociedade e tudo é contado de forma picada, com ações acontecendo simultaneamente, mas, sério, NADA acontece. Se o filme serve pra mostrar como é o crime organizado italiano, ele simplesmente tirou qualquer possibilidade de glamour – seja da violência, da miséria, da bandidagem, do que for – e mostrou que o crime organizado é um trabalho chato e sem graça como outro qualquer, só que inclui matar umas pessoas e infringir um monte de lei. Espere passar na TV a cabo que você vai ver…

E pra esse bando de crítico de cinema que deu mais do que uma estrela pra esse filme, um conselho: vai ver Sopranos!

Vida Fodona #138: O primeiro Vida Fodona de 2009

Feliz ano novo aê povo!

Franz Ferdinand – “Ulysses (Disco Bloodbath Remix)”
Burro Morto – “Cabaret”
Pacific! – “Don’t You (Forget About Me)”
Midnight Juggernauts – “Into the Galaxy (Metronomy Remix)”
Maroon 5 – “This Love (Cut Copy Galactic Beach House Mix)”
Ladyhawke – “Better than Sunday”
Bag Raiders – “Shooting Stars”
Nego Moçambique – “Highlander do Funk”
Cansei de Ser Sexy – “Left Behind (João Brasil Tropical Mix)”
Marisa Monte – “Não é Proibido (Deeplick Remix)”
Britney Spears – “Womanizer (Teenagers Remix)”
All-American Rejects – “Gives You Hell (Bloody Beetroots Remix)”
Ting Tings – “Great DJ (Chernobyl Remix)”
Animal Collective – “Taste”
Passion Pit – “Sleepyhead”
We Start Fires – “Let’s Get Our Hands Dirty”
Flaming Lips – “It Was a Very Good Year”
Morrissey – “One Day Goodbye Will Be Farewell”
Black Lips – “Starting Over”

Vamo lá?

Enquanto isso, na ilha de Lost…

Mais um comercial com imagens dos primeiros episódios, que vão ao ar em menos de um mês hein…

…e pelo que já se sabe desse começo de quinta temporada, o negócio é sério.

Zumbis nazistas!

Essa é a premissa de Dead Snow, olha que foda:

Robert Anton Wilson sorri em algum lugar. Só a parte em que os humanos mostram as armas pra encarar os mortos-vivos já garante a minha audiência. Dica do Black Zombie.