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Cilibrinas do Éden

Falando em Rita Lee anos 70, muita gente já ouviu falar mas pouca gente ouviu o disco do primeiro projeto solo de Rita logo que saiu dos Mutantes. Enquanto os meninos brincavam de rock progressivo nos idos de 72, Rita, entediada, procurava o que fazer – e a idéia original de seu projeto paralelo era uma banda formada apenas por mulheres. Sem conseguir concretizar a idéia, ela juntou-se com a amiga Lúcia Turnbull e juntas formaram a dupla Cilibrinas do Éden, cuja estréia foi agendada para o dia da inauguração do palácio de convenções do Anhembi e o show foi um desastre, graças ao fato do público ser basicamente dos Mutantes (que tocavam rock pesado, longe do som light da dupla) e porque Lúcia, ao ver a multidão, travou de medo no palco.

Mesmo com o fiasco do show de estréia, a dupla gravou um disco que, depois de pronto, foi engavetado. O disco não é um primor como tudo que vinha com o selo de qualidade Mutantes da época e parece mais uma brincadeira de meninas com rock’n’roll do que propriamente um disco de verdade. O grande momento é, de longe, “Mamãe Natureza”, que Rita regravaria discos mais tarde, com o Tutti Frutti – banda que, aliás, é quem toca com as Cilibrinas em seu único álbum. Entre o glam rock, experimentalismo de araque (dá-lhe theremin!), musicalidade beatle e simpatia juvenil, Cilibrinas do Éden é um disco simpático e divertido, como deve ser um projeto paralelo. A lenda diz que o disco foi suspenso pelo próprio André Midani – o que levou Rita a juntar-se com outro recém-desafeto do produtor sírio-francês, Tim Maia, e destruir o escritório do executivo da gravadora. Mas boa parte do repertório do disco foi aproveitado por Rita em outras situações: “Nessa Altura dos Acontecimentos” apareceu em uma coletânea no início dos anos 80, “Bad Trip” virou “Shangri-lá” anos depois, “Mamãe Natureza” foi a única música aproveitada no disco seguinte de Rita, Atrás do Porto tem uma Cidade, “Gente Fina é Outra Coisa” virou “Locomotivas”.

Essa faixa, inclusive, tem uma história engraçada com a censura da época. Sua letra (“Não vá se misturar/ Com esses meninos cabeludos que só pensam em tocar/ E você escuta o papai dizendo/ Que gente fina é outra coisa… Hoje mesmo te vi/ pensei que fosse seu pai/ Não, não, não, mas que decepção/ Eu fiquei triste de ver/ A sua vida começando pelo lado errado”) foi interpretada da segunte forma pelo censor José do Carmo Andrade num documento de 30 de agosto de 1973: “Na letra em exame, uma jovem insurge-se contra o pátrio-poder, ao tentar persuadir um amigo a desacreditar de seu pai para juntar-se a um grupo juvenil de comportamento duvidoso. A mensagem é negativa e induz aos maus costumes”.

Mas não ter sido lançado oficialmente fez com que o disco ganhasse aspectos de culto e ares mitológicos, que não fazem jus à qualidade nada épica do disco – que foi relançado ano passado na Europa em vinil e em CD, graças à iniciativa de um grupo de brasileiros morando no exterior. O mesmo grupo também montou um MySpace para o disco, que ainda conta com informações sobre a banda Persona, o grupo de Lee Marcucci e Luís Carlini que depois se tornaria o Tutti-Frutti. O versão européia do disco das Cilibrinas ainda conta com duas faixas extra: uma demo para “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida”, do último disco que Rita gravaria com os Mutantes, e “Mande um Abraço para Velha”, da fase final do grupo, que só saiu em compacto.


Cilibrinas do Éden – “Gente Fina é Outra Coisa

Palavras para o domingo XXIX: “O Toque”

Rita Lee anos 70 é muito foda…

Abri a janela
Um som diferente entrou
Meus olhos mudaram, eu sei
Ou foi o sol que mudou, babe

O som das nuvens
A conversa do vento
A voz dos astros
A história do tempo

O som das estrelas
A música do luar
Contando em segredo, eu sei
Contando todo o meu medo, babe,

O som das flores
O murmúrio do céu
Me deram um toque
Quem tem ouvidos que ouça

Você é uma criança do universo
E tem tanto o direito de estar aqui
Quanto as árvores e as estrelas
Mesmo que isto não esteja claro para você
Não há dúvidas
Que o universo segue o rumo
Que todos nós escolhemos


Rita Lee & Tutti Frutti – “O Toque

Hoje só amanhã: a primeira semana de 2009

Eu falei que a partir desse ano não tem Sujo no sábado, lembrou?

Lost
[REC]²
Gomorra
Angelitos
Jaydiohead
Heidi Klum
Nova do Franz
Zumbis nazistas
Nova do Eminem
Plágio do Justice?
Apple & Nintendo
Entrevista: Angeli
O que a Apple fez
Vida Fodona #138
Jay Z + Studio One
Pintando no iPhone
Trabalho Sujo 2009
Reforma ortográfica
O que indies dançam
Justice nos Simpsons?
Plágio do Kanye West?
Little Joy em São Paulo
Paul McCartney reggae
A história do videogame
Bastidores do Watchmen
Easy Riders, Raging Bulls
Ron Asheton (1948-2009)
Computador sem teclado?
Paul McCartney tecnobrega
20 anos de Paul’s Boutique
Britney + Madonna x Pixies
Trailer japonês do Watchmen
Midnights Juggernauts remix
A Decade Under The Influence
Beastie Boys – Paul’s Boutique
Documentário sobre o Paebirú
O que a Apple poderia ter feito
Watchmen lido por Alan Moore
The Pains of Being Pure at Heart
Alan Moore fala sobre Watchmen
Metronomy remixa Cansei de Ser Sexy
Pedro Bial e o cúmulo da vergonha alheia
Metronomy remixa Midnight Juggernauts

“Twilight Omens”

É o nome da nova do Franz Ferdinand, o primeiro concorrente sério ao posto de melhor disco de 2009. Que tática eles estão optando? Deixar aparecer as músicas mais fracas do disco antes de mostrar tudo ou testando hits potenciais antes de lançar o disco? Porque tanto essa “Twilight Omens” quanto “Ulysses” são boas, mas falta o “it” que faz com que o Franz seja uma banda bem acima da média de um hit por disco de sua geração.


Franz Ferdinand – “Twilight Omens

Leitura Aleatória 240


gregoryjameswalsh

1) Nasa descobre misteriosa estática de rádio no espaço
2) Billboard descobre o Animal Collective? (pulou o tubarão, hein…)
3) Mike Watt lamenta a morte de Ron Asheton
4) Após divórcio, médico pede de volta rim que doou à ex-mulher
5) Prince vai lançar três discos ao mesmo tempo
6) Amy Winehouse dá canja em hotel no Caribe
7) Netflix vai lançar vídeos em streaming em alta definição para locação
8) Oito invetos mais absurdos da ficção científica
9) Nove coisas que você não sabia sobre a Mad
10) O Lupe Fiasco tem uma banda indie na Inglaterra chamada Japanese Cartoon?

Jah Z

E conversando com o Tomate e o Marquinhos sobre esse assunto, eis que o primeiro saca da manga o sagaz Jay Z at Studio One, em que o rapper invade o mitológico estúdio jamaicano e se esbalda em cima de instrumentais temperados e calibrados. Tá vendo? É só mudar um pouquinho que a coisa já muda um tanto de figura…


Jay Z at Studio One – “99 Problems

Mas ainda podia ser outro MC, né…

Jaydiohead

Falando em mashup com Radiohead, o hypômetro dessa semana acusou um Grey Album pra banda do Thom Yorke. Um produtor de alcunha Minty Fresh Beats resolveu fundir os vocais de Jay Z em cima do versões instrumentais de músicas como “Paranoid Android”, “National Anthem”, “Optimistic” e a citada abaixo “Lucifer’s Jigsaw”. Batizou o disco de Jaydiohead e agora ta aí colhendo os louros da fama fugaz na dita blogosfera. Ficou legal, mas, vocês sabem que mashup com hip hop é o mais fácil de fazer (tanto que foram os primeiros) e que um mashup de Beatles com Jay Z (o tal álbum cinza) foi quem colocou o Dangermouse (1/2 Gnarls Barkley, pra quem não lembra) na paisagem pop atual. O lance é que mashup abre tantas possibilidades e neguinho continua insistindo em uma mesma fórmula. Muda ao menos o MC, né… Porque só esse ano outro cara – o Cookin Soul, que também fez uma mixtape em homenagem à passagem do Isaac Hayes -, já tinha feito isso, mashupando Jay Z com Oasis – mas pelo menos aí tinha uma desculpa boa devido ao incidente em Glastonbury


Jaydiohead – “Lucifer’s Jigsaw