E a outra sensação teen-pop do ano passado começa a dar sinais de vida esse ano: o Mickey Gang lança mais uma música, que pode ser a faixa de abertura de seu primeiro disco, batizado a princípio de Colatina Democracy (Colatina é a cidade do interior do Espírito Santo de onde vem a banda). O Diego falou que eles tão amarelando pra colocar esse nome. Já aviso: vacilaço, hein. Esse nome é ouro.
Tem mais, mas esse cara dá um bom resumo:
…………..………/’.’,.
…………………..|…..’,.
…………………………..
……………………|–…….
……………………/………..
…………………../…………
…………………,/-,.—.,…….
……………….(,-~,-~-,….’.
……………….|..O..O…./……
………………..,,,-^-,,’-……..
……………..–/,,,___,,–‘¯……
……………..-|…………………..’.PATRICK DOS BROTHER!
………..,-‘’’./…………………….’’,.
…….,-‘’’…/…………………………
…..,-‘…./…………………………..
…/……./……………………………
…|……|….o……………………….|
…_,-¯/-__………….,—-‘’’……/
……….¯’’’’—–‘’’’’’¯¯’’’’¯…./..,,/.
………………………………../.
………………_….,…………./.
………….|_____|¯|……….|
…………………./…..’’’’’’’’’’’/.
…………….’-,,-‘…………./.
…………………………’’’’.
SE VOCÊ NÃO MANDAR O PATRICK DOS BROTHERS PARA 5 BROTHERS AÍ VOCÊ NÃO É BROTHER
A nave parece que está indo pro saco mesmo – e depois do episódio de hoje, faltarão apenas DOIS para a série terminar.
Um meme essencialmente brasileiro e uma nova forma de comunicação
Geral veio me cumprimentar pela série “TENSO” que coloquei no 4:20 desta semana. Obrigado, mas os parabéns não vão pra mim – no máximo os aceito por ter reunido, num mesmo lugar, uma produção que está completamente alheia tanto dos olhos da mídia digital quanto da tal blogosfera brasileira. A lógica você já entendeu: é pegar uma foto qualquer e ir aproximando, aproximando, aproximando, até revelar, num canto escondido, a expressão de alguém que esteja com uma cara séria e compenetrada, até que aparece a palavra “TENSO” colocada por sobre o último quadro da foto.
Depois de encontrar aleatoriamente o primeiro tenso, fui achando outros aqui e ali até que mandei o termo no Google Images e fui apresentado não apenas às bizarrices que postei essa semana como variações infames, que encerram a foto com palavras como “DENSO”, “SENSO”, “INCENSO” ou “IMENSO”. E quem faz isso?
Quem faz as fotos com FAIL escrito por cima dela? Quem faz os lolcats? Qualquer um, ué. E assim nasceu um meme de fotorresposta essencialmente brasileiro. As imagens aparecem em fóruns de jogos, blogs de anônimos que estão cagando pra monetização ou status nerd e álbuns de fotos do Orkut.
Essas novas manifestações de comunicação unem texto e imagem para sintetizar uma idéia ou traduzir uma expressão com o mínimo de palavras. Quem nasceu online já usa esse tipo de conversa sem pensar demais – seja respondendo mensagens no MSN com emoticons, usando tinyurls pra enganar incautos ou fazendo campeonatos de criação amadora em nichos online. Quem nasceu antes do computador e tornou-se digital com o tempo, percebe esse tipo imagem como uma brincadeira, uma galhofa – mas talvez estejamos vendo o início de um novo alfabeto, de uma escrita paralela, de um subtexto que une foto e palavras que muitas vezes resumem argumentações gigantes ou intrincadas explicações.
Gostou? Comece a fazer seus “TENSO” – e me mande que se eu achar legal, eu publico. Mas não essa semana – porque o próximo 4:20 já anuncia o tema da semana que vem (e se você acha que eu tou falando muito de Watchmen, se prepara…).
Updeite-se e fale do que te aflige: O povo do VT (a aba “Vale Tudo” do fórum de games do UOL) está reivindicando a autoria dos “TENSO”. Não sabia que todos tinham vindo do mesmo lugar, mas, como todo meme que se preze, ele já saiu de controle – tanto que encontrei essas imagens por aí – apenas uma delas saiu diretamente do tal fórum, pelo que eu lembre. Mas, enfim, a César o que é de César – e eis os créditos pro povo. Foi bom falar disso porque me lembrou de falar sobre fama e anonimato em tempos digitais…
Mais Watchmen! Agora como se fosse um desenho dos anos 80.
Ouviram essa versão pra “Kids” feita só com aplicativos para iPhone? Ficou jóia.
Afinal de contas, é só um filme
Quem são esses caras? Não estou falando dos Watchmen, embora a pergunta seja cabível – e a resposta é não. Não existe um grupo de super-heróis chamado Watchmen. O termo só une os protagonistas quando somos mostrados às cenas do final dos anos 70, quando a população americana, revoltada com a polícia paramilitar que os super-heróis haviam se tornado, passa a questionar, na marra, os mascarados. E é em uma pergunta pichada nas paredes (“Quem vigia os vigilantes?”) que o nome da HQ aparece, nunca em primeiro plano, sempre com alguém passando em sua frente.
O título Watchmen, como a própria série original – guarda uma série de sentidos paralelos. Além dos “vigilantes” da pichação, o nome também faz referência ao grupo de heróis surgido nos anos 30 e 40, os Minutemen, ao mesmo tempo em que alude à infância do jovem Jon Osterman e seu posterior entendimento da realidade. Osterman, devido a um acidente nuclear, foi transformado em energia pura para, mais tarde, se recompor e renascer como o Dr. Manhattan, o único ser (humano?) com superpoderes de fato. Filho de um relojoeiro, ele aprendeu o ofício com o pai para, depois que se transformasse num cara azul feito de luz sólida, usasse o aparelho relógio em sua metáfora sobre o tempo e o espaço – cada engrenagem posicionada exatamente no lugar onde deveria estar para que o todo funcionasse. Esse relógio metafórico é nos mostrado como a homenagem de Moore à Fortaleza da Solidão do Super-Homem – isolado, Dr. Manhattan usa a areia do deserto marciano para criar um enorme fractal tridimensional de vidro em movimento, seu próprio relógio ficcional. Assim, Moore conecta os dois sentidos do termo “Watch” – relógio e vigia – e entende os super-heróis (ou, se tirarmos a metáfora, as pessoas que mandam no resto do mundo) como engrenagens necessárias para fazer o relógio da humanidade continuar funcionando. Junte isso e temos um dos temas da série, espelhado nas engrenagens mostradas no trailer e no relógio do fim do mundo – que no filme ganha importância extra desnecessária.
Mas eu me referia aos atores – quem são esses caras que estão nos papéis principais de Watchmen? O mais conhecido deles é Billy Crudup (quem?) que faz o filho no Peixe Grande do Burton e o guitarrista do Quase Famosos. Todos os outros são literais anônimos, sem carreira relevante em Hollywood: o Comediante é ator regular em Supernatural e Grey’s Anatomy, o papel mais memorável de Laurie é a loirinha casada com of freak no primeiro filme da dupla maconheira Harold & Kumar, o ator que faz Adrian Veidt veio do teatro, Rorschach era ator-mirim que teve a carreira revalorizada em Little Children e o segundo Coruja é o sujeito torturado por Ellen “Juno” Page em Menina.Má.com. Percebem um padrão de cultura pop de nicho nas conexões com o elenco? Acha pouco? Pois o primeiro Coruja é um namorado psicólogo da Elaine de Seinfeld, o ator que faz Dollar Bill é velho conhecido da saga Stargate e o ator que faz Moloch é ninguém menos que o mesmo sujeito que personificava Max Headroom. E para os fãs de Seinfeld há ainda uma pequena surpresa…
Isso sem contar o excesso de referências e reencenações históricas, que ao mesmo tempo em que conta a História com H maiúsculo (o assassinato de Kennedy, Fidel e a União Soviética, o Vietnã, o homem na Lua) consagra a cultura pop como a verdadeira cultura desses tempos – Lennon, Yoko, Rockwell, a disco music e, claro, Andy Warhol. Num mundo em que super-heróis fantasiados e coloridos são alçados ao patamar de arquétipos mitológicos (e esse mundo é o nosso, não o de Watchmen), é inevitável constatar que o rock’n’roll, a música pop e o cinema dos anos 70 sejam mais importantes para o final do século 20 do que todas as seis artes tradicionais juntas. O filme peca ao não incluir quadrinhos nessa homenagem – uma das poucos referências à nona arte é quando um dos personagens explica que ele não é “um vilão de histórias em quadrinhos”.
As referências históricas – e pop – continuam filtrando o filme por outro aspecto: Watchmen é uma festa anos 80, sem medo de ser feliz e chegar tarde no trabalho no dia seguinte. E tome amarelo-limão, rosa-choque e neons espalhados e espelhados pelos becos e poças no asfalto, fumaça que parece gelo seco, glow natural saindo das cores dos personagens e das explosões e uma trilha sonora que ousa reposicionar Tears for Fears como muzak em uma cena pra lá de ambígua. A trilha sonora é outro pequeno achado. Embora guiada pelas citações de Alan Moore (em certo sentido, ele é o discotecário do filme, mostrando que a força do DJ também é narrativa), a escolha das músicas consegue casar cenas fortes e canções manjadas criando painéis audiovisuais que são os grandes trunfos cinematográficos de Watchmen. Dylan e Hendrix soam majestáticos, grandiosos, enquanto Nena, Nat King Cole e Simon & Garfunkel transcendem seus próprios clichês e se relêem de forma quase cínica, como o quadrinho original. O único ponto fraco é a música que encerra o filme, uma versão sem graça do My Chemical Romance pra “Desolation Row”, do Dylan. Deixa aparecerem as versões reeditadas pelos fãs que alguém coloca a música original no lugar – com a maior duração possível.
A ação, que é mínima no quadrinho, foi ampliada para dar dinâmica e fôlego ao filme, que se arrasta demais em sua primeira parte para correr demais na segunda – dá pra ver exatamente em que ponto o diretor abriu mão para desengordurar a meia hora de filme pro lançamento comercial. E as atuações – fora uma – não chegam a comprometer. Matthew Goode se esforça, se esforça, mas é um Veidt pífio, sem densidade, sem o drama necessário para o papel e sem a panca de Lex Luthor (ops) civilizado que o original tinha. O Ozymandias do filme é quase um ex-integrante de boy band que foi pro mundo dos negócios, o equivalente pop branco do Jay Z. Ele tira onda, mas não funciona.
Outros, passam: Malin Akerman é uma Laurie OK, Crudup não é o Manhattan perfeito mas segura o papel sem parecer ridículo (o que já é um pequeno trunfo, convenhamos), Carla Gugino está bem como ex-vedete e o mashup de Javier Barden com Robert Downey Jr. que faz o comediante parece uma caricatura do personagem original – o que não soa mal. Há um subtexto que indica até que ele seria o Elvis deste universo bizarro, ao recriar a famosa foto de Elvis com Nixon – outra caricatura em movimento, no filme.
Mas dois atores – que conduzem a história – salvam o filme. Jackie Earle Haley é um Rorschach de Método, o cara afundou no personagem e virou ele, com ou sem máscara. E Patrick Wilson faz o Bruce Wayne da vida real, cheio de rugas de preocupação e expressões de autopiedade, um cara fascinado pelo que lhe fez tornar-se um herói (pássaros, aviões, ciência) a ponto de frustrar o pai magnata. No fim, a opção por anônimos talvez tenha sido crucial para o filme, pro bem e pro mal.
E eu não terminei de falar do filme ainda…