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Bat for Lashes no Brasil?

Não sei o que é mais sem-noção: achar que o Coldplay vai lotar o Morumbi (haja promoção de rádio e ingresso VIP pra convencer tanta gente a ver uma banda tão besta) ou colocar a delicada Natasha Khan, que assina como Bat for Lashes, para abrir o show morno dos caras num estádio. Fica a dica para a produção – ou para quem conseguir contactar a produção prum acordo: coloca ela em duas datas no Sesc Vila Mariana que, aí sim, alguém vai conseguir ver uma apresentação decente dela. E se você não conhece a Natasha, siga os marcadores deixados pela Kátia que, de longe, é a pessoa que eu conheço que mais cita o trabalho dela (e de onde eu inclusive surrupiei o trailer do documentário acima, chamado Two Suns).

E já que eu falei da Britney…

…tou pra linkar há um tempão uma música que eu até já toquei num Vida Fodona, e que sobrou do último disco de Britney Spears. “Amnesia” têm uma qualidade intraduzível que a torna ao mesmo tempo irresistível e esquecível, adolescente e artificial, ingênua e perversa. Ela começa como um electro quase sem alma, mas aí vem com um refrão que baixa na faixa feito o espírito de Molly Rigwald de décadas passadas:

I forgot my name, I forgot my telephone number
If he wanna see me, he don’t even know it
I forgot my address, damsel in distress
I forgot my boyfriend was the one that had bought me this rock

I get amnesia when I’m standin’ next to you
He’s been with me for several years I know this much is true
Didn’t know it was over til you came on over
And told me that you just, just can’t forget about me

O andamento, óbvio, é o mesmo de “If You Leave”, do OMD, mas não tem o apelo romântico do hit dos anos 80, pelo contrário, soa marcial, eletrônico e frágil como se Madonna fosse uma das integrantes do Duran Duran. Incrível que isso seja uma sobra de estúdio – e só tenha saído no disco extra da edição inglesa de Circus.


Britney Spears – “Amnesia

TV Serge Gainsbourg – Parte 6


Serge Gainsbourg – “New York USA”

Antes de passarmos para a fase mais controversa da carreira de Gainsbourg, vale abrir um parêntese para mostrar que, mesmo antes de se transformar num svengali do pop adolescente francês, ele já buscava novos rumos para sua música, visitando o continente africano décadas antes que qualquer outro popstar americano ou europeu. Ouvindo discos africanos sem parar, chegou à conclusão que era uma das formas que o pop francês poderia se contrapor ao cantado em inglês graças à percussão de suas antigas colônias. Gravado com muita percussão e corais femininos, Gainsbourg Percussions, de 1964, é um dos principais trabalhos de Serge nos anos 60 e, mesmo que tenha tido pouco sucesso comercial na época, tem o mérito histórico de ser um dos pioneiros a traçar uma conexão entre a música africana não-americanizada e a música pop – e fazendo-a soar tão pop quanto ela poderia ser, sem lançar olhos de colonizador sobre ritmos e músicalidade fora de seus padrões europeus.


Serge Gainsbourg – “Quand mon 6,35 me fait les yeux doux”


Serge Gainsbourg – “Machins Choses”


Serge Gainsbourg – “Couleur Café”