Dando um tempinho na Temporada Sem Parar para mais um Vida Fodona tradicional, cheio de falação aleatória entre as músicas – e o programa ainda marca a inauguração de novas instalações e o início da despedida da unidade móvel da UAM.
Cidadão Instigado – “Escolher Pra Quê?”
Flaming Grooves – “Have You Seen My Baby?”
Gossip – “Vertical Rhythm”
Friendly Fires – “Skeleton Boy (Grum Remix)”
Franz Ferdinand – “Womanizer”
Noah & the Whale – “Love of an Orchestra”
Thom Yorke – “The Present Tense”
Fernanda Takai – “There Must Be An Angel (Playing With My Heart)”
Lucas Santtana – “Cira Regina e Nana”
Florence and the Machine – “Halo”
Miami Horror – “Make You Mine (Fred Falke Remix)”
Passion Pit – “Sleepyhead (Starsmith Remix ft. Ellie Goulding)”
Arctic Monkeys – “Dangerous Animals”
Erasmo Carlos – “Noite Perfeita (Uma Farra no Tempo)”
Mick Ronson e David Bowie – “Like a Rolling Stone”
Gabriel Thomaz & Móveis Coloniais de Acaju – “A Shot in the Dark Sim, E Daí?”
Wado – “Estrada”
Killing Chainsaw – “The Woke of Jo”
Cat Power – “Dreams”

Foto: Joca Vidal
O texto é velho (foi escrito há mais de um ano), mas segue atual. Reproduzo na íntegra:
Antigamente, até o ano 2000 mais ou menos funcionava assim: as gravadoras gravavam quem elas queriam e achavam que faria sucesso, então, faziam a divulgação em rádios e TVs.
Na maioria das vezes fechava-se o pacote. Por exemplo, fechou pacote com a Globo, fechou com TV e seus variados programas com variados públicos; fechou também com suas rádios AM e FM e seus variados públicos, mais seus jornais, suas revistas e seus sites em território nacional. Isso se fechar só com a Globo. Se fizer contrato com mais outras empresas de comunicação que também têm rádios, jornais, revistas e etc, isso se multiplica muito. Não é pouca coisa. E não é barato. É caro. Muito.
Mas depois dos computadores, da grande rede e da pirataria (graças a Deus) o jogo mudou um pouco.
O ministro das telecomunicações continua privilegiando e sendo indicado pelos conglomerados de comunicação e suas rádios e TVs (meios diferentes, mesmos donos) e deputados e senadores são donos, ou como eles preferem eufemizar, são cotistas das afiliadas das grandes redes em seus estados. Pra mim, não muda muito se são donos por inteiro ou cotistas já que ao deputado seu interesse empresarial pode vir 1º em suas escolhas no congresso.
Mas as gravadoras sofreram mais.
Com a pirataria perdeu dinheiro e com a internet perdeu muito de sua influência e credibilidade no meio musical.
Se antes ter um contrato era um sonho quase inalcançável por qualquer músico que se prezasse, hoje o mesmo é quase um pesadelo indesejável pois pode ser uma geladeira de anos para a maioria deles.
E nisso o mercado independente cresceu como nunca e tem hoje seu maior bum. Qualquer um hoje pode botar a boca e mostrar sua arte, o que é muito democrático e bom.
Incrivelmente não se vê a mesma “independência” nas rádios e TVs. O lobby das gravadoras com os meios de comunicação e seus donos ainda é fortíssima e quase – quase? – não se vê artistas independentes nas grandes redes de comunicação.
Na TV, nos programas mais assistidos só se vê os mesmos poucos e privilegiados artistas de gravadoras que ainda têm o seu espaço intocado lá.
As tentativas ainda são muito tímidas. Existe um quadro chamado “Pistolão” no Faustão, mas ainda tem que ser amigo de alguém muito famoso para poder fazer.
Partindo deste princípio, penso que as gravadoras não devem estar assim tão falidas.
Como pode a internet mostrar tantos artistas, bons artistas e ótimas músicas e somente os artistas de gravadoras têm espaço na TV e no rádio?
Claro que a concentração de mídia na mão de poucos donos, a chamada propriedade cruzada (na qual não se pode ser dono de mais de um veículo de mídia, é ou jornal ou TV ou rádio, não pode ter dois juntos ou mais, como normalmente acontece aqui) influi totalmente na disparidade de espaço dado aos artistas contratados pelas grandes empresas que têm poder, dinheiro e influência política e os outros que estão sozinhos e têm tão somente a boa música.
Com essa influência toda, não é de se espantar que nossos políticos não votem e não discutam sobre isso. Para que discutir isso quando você também é dono de canais de rádios e TVs e retransmite o sinal das grandes empresas de comunicação que recebem para manter estes artistas lá? É incoerente pros negócios, não é verdade?
Ah, mas alguém pode dizer que “os negócios” são ilegais e que os deputados não podem ou não poderiam ser donos de canais de rádios e TVs. Sim, isso é verdade. Eles não podeRIAM. Mas são. Até o ministro das comunicações tem a sua rádio (clique aqui para ler sobre).
Dizem que com a rádio digital o número de canais no rádio vai aumentar. Na TV ainda nada. Mas se isso acontecer provavelmente vai aumentar e melhorar muito o mercado independente de música que sobrevive graças a internet e este poderá inclusive sair do meio internet e entrar no meio rádio, muito mais popular e ainda muito mais democrático e poder ganhar as ruas e tocar país afora.
Hoje só se ganha dinheiro fazendo shows, mas fazer shows ainda é muito difícil. Dificilmente alguém contrata um show de alguém que não toca na rádio. Se você não toca na rádio você não existe, não é conhecido e se você não é conhecido porque trazê-lo para fazer show? Que empresário contrata para perder dinheiro?
Com a regulamentação de propriedade cruzada e a abertura do espectro de rádios e TVs a mais empresas e mais diferentes tipos de negócios, podemos ter com isso a abertura à bandas independentes o mercado independente vai de vez conseguir se auto gerir sem somente se auto sobreviver e depender de festivais que não pagam caché mas recebem dinheiro através de patrocinadores que geralmente não é repassado aos artistas. Ou seja, estes não recebem mesmo tocando.
Enquanto isso não acontecer e a regulamentação não for sequer discutida como se não fosse necessária ao país teremos 20 artistas muito famosos fazendo muitos shows e tocando na rádio e ganhando dinheiro com mega-shows lotados em estádios de futebol e publicidade enquanto todo o resto – sabe-se lá o nº de artistas independentes e populares – vão cotinuar na vontade de querer estar fazendo shows e vivendo de música. Sem poder se dedicar aquilo e sem até gerar empregos já que um espetáculo musical gera-se muitos empregos.
Mas nossa política, infelizmente, é outra.
Desestimulamos a criatividade do nosso povo e vetamos que o próprio povo possa decidir sobre o que ele quer ouvir, deixando isso por anos na mão de executivos de gravadoras, que sempre pensaram 1º no lucro das empresas que trabalhavam ou eram donos. E isso continua assim nas TVs e rádios.
Será que isso um dia muda?
Talvez no dia em que regulamentem a propriedade cruzada. Ou talvez no dia que a internet cobrir 95% do território nacional assim como a televisão.
É, esse dia deve vir mais rápido.
Isso se não mudarem as regras da internet.
O ótimo documentário que Jeroen Berkvens fez no início da década sobre Nick Drake pode ser assistido na íntegra no YouTube. Obrigatório para fãs e bem didático para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse mito moderno britânico. Escrevi há um tempinho sobre a importância do cara aqui.
E o Beck segue com sua cruzada pessoal, dissecando desta vez “All Tomorrow’s Parties”.
O melhor festival brasileiro vai virar um fim de semana no parque
A notícia surgiu nesta quinta-feira e foi recebida com cara feia pela maioria das pessoas a quem perguntei a opinião sobre o assunto. Mas, não sei não, viu: acho que a ida do Terra para o Playcenter pode ter sido mais um acerto de um festival cuja curta história já conta com bons pontos a favor.
Primeiro o fato de sua linha editorial ter um corte definido e específico (é um festival indie, no fim das contas), mas que não necessariamente é restrito, que permitiu que suas duas primeiras edições tivessem elencos bem diversos: a primeira contou com com Lily Allen, Devo, Datarock, Cansei de Ser Sexy e Rapture, enquanto a segunda teve Offspring, Animal Collective, Jesus & Mary Chain, Spoon, Kaiser Chiefs e Breeders.
Outra bola dentro do festival foi a pontualidade entre os horários das atrações, matando todo um histórico de descaso com o público já tradicional em eventos brasileiros desta natureza. E além das instalações funcionando perfeitamente, o Terra ainda tira a onda de cobrar o preço de um único ingresso – barato para os padrões paulistanos – para assistir todas as bandas que o festival trouxe. E aí mais um ponto positivo – ele dura apenas uma noite. Junte isso ao fato do evento ter transmissão ao vivo via internet e eis aí todos os motivos do Terra ser o melhor festival brasileiro hoje.
O Playcenter está longe de ser um lugar perfeito, mas me diga onde é esse lugar, aqui em São Paulo – o Motomix do ano passado (de graça) funcionou melhor no Ibirapuera do que o falecido Tim Festival. O parque – lógico – vive a má fase da inevitável decadência após seus dias de Disneylândia brasileira, que deu origem a problemas de segurança (relatos de assaltos ou arrastões pela região desde o início da década deram uma má fama especial ao lugar), mas lembre-se que o Terra em edições anteriores aconteceu quase em Interlagos, enquanto o Playcenter é quase no centro da cidade, em comparação (fora que inclusive facilita a vinda de caravanas de ônibus de outras cidades, uma vez que o Playcenter é na Marginal Tietê).
A Vila dos Galpões, onde o festival aconteceu, tinha que ser erguida do zero com a exceção dos tais galpões que a batizam, ao passo que o Playcenter já conta com estrutura própria. É evidente que a produção do festival sabe dos pontos negativos do velho parque (que irá funcionar durante o festival, veja só). Se ela tomar as medidas básicas para tornar a noite agradável, poderá transformar o festival em mais uma etapa na transformação da Barra Funda, que está deixando de ser um bairro de galpões abandonados para se tornar um dos principais bairros da São Paulo do século 21.
E, se alguém se importar, eis minhas dicas para o festival desse ano, levando em consideração que Green Day e Faith No More já estão fechados:
Palco Indie
Guizado
Momo
Fleet Foxes
Grizzly Bear
Passion Pit
Of Montreal
Sonic Youth
My Bloody Valentine
Palco Principal
Copacabana Club
Nancy
Black Keys
Hot Chip
Arctic Monkeys
Franz Ferdinand
Green Day
Faith No More
É, os quatro estão de volta para um episódio especial do Curb Your Enthusiasm. Mas não sei mesmo o que eu acho disso: a notícia parece excelente, mas essa foto de divulgação não tem a menor graça :-/
Se liga nesse beatbox:
Incrível.