Todas as festas de amanhã
E o Beck segue com sua cruzada pessoal, dissecando desta vez “All Tomorrow’s Parties”.
E o Beck segue com sua cruzada pessoal, dissecando desta vez “All Tomorrow’s Parties”.
O melhor festival brasileiro vai virar um fim de semana no parque
A notícia surgiu nesta quinta-feira e foi recebida com cara feia pela maioria das pessoas a quem perguntei a opinião sobre o assunto. Mas, não sei não, viu: acho que a ida do Terra para o Playcenter pode ter sido mais um acerto de um festival cuja curta história já conta com bons pontos a favor.
Primeiro o fato de sua linha editorial ter um corte definido e específico (é um festival indie, no fim das contas), mas que não necessariamente é restrito, que permitiu que suas duas primeiras edições tivessem elencos bem diversos: a primeira contou com com Lily Allen, Devo, Datarock, Cansei de Ser Sexy e Rapture, enquanto a segunda teve Offspring, Animal Collective, Jesus & Mary Chain, Spoon, Kaiser Chiefs e Breeders.
Outra bola dentro do festival foi a pontualidade entre os horários das atrações, matando todo um histórico de descaso com o público já tradicional em eventos brasileiros desta natureza. E além das instalações funcionando perfeitamente, o Terra ainda tira a onda de cobrar o preço de um único ingresso – barato para os padrões paulistanos – para assistir todas as bandas que o festival trouxe. E aí mais um ponto positivo – ele dura apenas uma noite. Junte isso ao fato do evento ter transmissão ao vivo via internet e eis aí todos os motivos do Terra ser o melhor festival brasileiro hoje.
O Playcenter está longe de ser um lugar perfeito, mas me diga onde é esse lugar, aqui em São Paulo – o Motomix do ano passado (de graça) funcionou melhor no Ibirapuera do que o falecido Tim Festival. O parque – lógico – vive a má fase da inevitável decadência após seus dias de Disneylândia brasileira, que deu origem a problemas de segurança (relatos de assaltos ou arrastões pela região desde o início da década deram uma má fama especial ao lugar), mas lembre-se que o Terra em edições anteriores aconteceu quase em Interlagos, enquanto o Playcenter é quase no centro da cidade, em comparação (fora que inclusive facilita a vinda de caravanas de ônibus de outras cidades, uma vez que o Playcenter é na Marginal Tietê).
A Vila dos Galpões, onde o festival aconteceu, tinha que ser erguida do zero com a exceção dos tais galpões que a batizam, ao passo que o Playcenter já conta com estrutura própria. É evidente que a produção do festival sabe dos pontos negativos do velho parque (que irá funcionar durante o festival, veja só). Se ela tomar as medidas básicas para tornar a noite agradável, poderá transformar o festival em mais uma etapa na transformação da Barra Funda, que está deixando de ser um bairro de galpões abandonados para se tornar um dos principais bairros da São Paulo do século 21.
E, se alguém se importar, eis minhas dicas para o festival desse ano, levando em consideração que Green Day e Faith No More já estão fechados:
Palco Indie
Guizado
Momo
Fleet Foxes
Grizzly Bear
Passion Pit
Of Montreal
Sonic Youth
My Bloody Valentine
Palco Principal
Copacabana Club
Nancy
Black Keys
Hot Chip
Arctic Monkeys
Franz Ferdinand
Green Day
Faith No More
É, os quatro estão de volta para um episódio especial do Curb Your Enthusiasm. Mas não sei mesmo o que eu acho disso: a notícia parece excelente, mas essa foto de divulgação não tem a menor graça :-/
Se liga nesse beatbox:
Incrível.
Se você nunca viu o casamento das imagens de Leiji Matsumoto (da Patrulha Estelar) com o Discovery (inteirinho) do Daft Punk, recline-se, opte pela opção HD, ponha os fones de ouvido e escolha assistir com a tela cheia – pois uma das muitas pequenas obras-primas deste século está na íntegra no YouTube.
Steve Jobs, quem diria, um dia disse isso – ilustrado pelo Hulk4598.
Já falei: é o maior artista brasileiro vivo
Não canso de falar sobre a importância da fase atual do Laerte para a história da cultura brasileira, independente do impacto popular em nossa época. Já disse que o considero o artista brasileiro mais importante hoje, uma espécie de Millôr total, que transformou a tira de três quadrinhos em seu hai-kai e a proporção retangular em sua tela em branco portátil. Se tem um cara que o Brasil devia bancar para fazer sua arte, este é o Laerte – muito na frente de qualquer cineasta da nova ou velha geração, de qualquer dramaturgo ou medalhão ou nova musa da MPB. Por isso, recomendo o texto que o Nasi escreveu para o Universo HQ cujo título (Sinto muito, mas o Laerte é mais importante do que você) exprime a síntese de sua defesa da atual fase do quadrinista paulistano:
Entendeu?
Não importa. A pergunta a ser feita nesta fase de Laerte é outra: o que você sentiu?
Muitas dessas tiras provocam a introspecção. Mexem com sentimentos que estavam anestesiados.
É um baque para quem espera dar uma risada no último quadro para anuviar dos problemas. Algumas tiras têm o poder de transformar o dia de seu leitor – nem sempre para melhor.
Nasi ainda fala da perseguição que vem acompanhando a nova fase do autor, cada vez mais percebido por uma parcela conservadora de seus leitores como incômodo e experimental demais, para ficar em adjetivos publicáveis.
Aproveito a deixa para sugerir um site que compila boa parte da atual produção do sujeito. Vem por aqui.
Sim, eles existem: