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Sobre a importância de Laerte

Já falei: é o maior artista brasileiro vivo

Não canso de falar sobre a importância da fase atual do Laerte para a história da cultura brasileira, independente do impacto popular em nossa época. Já disse que o considero o artista brasileiro mais importante hoje, uma espécie de Millôr total, que transformou a tira de três quadrinhos em seu hai-kai e a proporção retangular em sua tela em branco portátil. Se tem um cara que o Brasil devia bancar para fazer sua arte, este é o Laerte – muito na frente de qualquer cineasta da nova ou velha geração, de qualquer dramaturgo ou medalhão ou nova musa da MPB. Por isso, recomendo o texto que o Nasi escreveu para o Universo HQ cujo título (Sinto muito, mas o Laerte é mais importante do que você) exprime a síntese de sua defesa da atual fase do quadrinista paulistano:

Entendeu?

Não importa. A pergunta a ser feita nesta fase de Laerte é outra: o que você sentiu?

Muitas dessas tiras provocam a introspecção. Mexem com sentimentos que estavam anestesiados.

É um baque para quem espera dar uma risada no último quadro para anuviar dos problemas. Algumas tiras têm o poder de transformar o dia de seu leitor – nem sempre para melhor.

Nasi ainda fala da perseguição que vem acompanhando a nova fase do autor, cada vez mais percebido por uma parcela conservadora de seus leitores como incômodo e experimental demais, para ficar em adjetivos publicáveis.

Aproveito a deixa para sugerir um site que compila boa parte da atual produção do sujeito. Vem por aqui.

A Era do Gelo

Aos poucos 2009 vai assumindo suas cores: um preto e branco desfocado, entre o sonho lúcido e o cinema vérité, em que as barreiras entre gêneros e personalidades vêm desmoronando umas atrás das outras, criando uma paisagem desolada propícia para começar a próxima década. E o terceiro disco dos Arctic Monkeys, “Humbug” têm as qualidades necessárias para demolir, sozinho, algumas boas paredes. A começar pela produção de Josh Homme que, por mais que tenha ressaltado qualidades que glorifica em suas bandas (tente ouvir a passagem em que Alex Turner canta “Yours is the only ocean” em “Potion Approaching” e tente não lembrar do Queens of Stone Age), prefere ajudar o grupo a se distanciar do apelo adolescente do primeiro disco, obsessão do líder da banda, Alex. E por mais que o grupo tente emular o Black Sabbath, o que se ouve é uma versão rock do que Turner já havia nos mostrado ano passado, com seu projeto acústico Last Shadow Puppets. Há, sim, uma clara fixação em soar mais adulto do que divertido, mas o casamento da banda com o produtor torna tudo muito fluido e natural – e talvez não seja exagero imaginar que, com seu terceiro disco, os Monkeys consolidam uma nova fase no rock do Reino Unido. Essencialmente britânicos, eles se distanciam do internacionalismo pop dos escoceses Franz Ferdinand e mostram o que parece ser uma espécie de britpop ainda mais radical que o original. Se o gênero dos anos 90 glorificava a Swinging London, este pop inglês do novo disco dos Monkeys vê os anos 60 como o fim do Império Britânico que um dia mandou no mundo (não estranhem se eles não saírem por aí tocando “Victoria”, dos Kinks e regravada pelo Fall, em algum show do futuro). Coeso e redondo, Humbug já é um dos melhores discos de 2009 – e melhora a cada audição.


Arctic Monkeys – “My Propeller

Mãozinha pra cima

Esqueci (mas já corrigi) de creditar essa música nova da Kid Sister no último Vida Fodona – e mesmo com o refrão meio aurora trance (tipo essa onda que o Calvin Harris começou a se deslumbrar, com “Ready for the Weekend“), a música pega mesmo quando ela resolve rappear.


Kid Sister – “Right Hand Hi”