O Gonzo tá, aos poucos, botando seu pequeno império folk de pé – e o segundo passo está acontecendo agora, quando transforma sua Folk This Town, que completa dois anos agora no fim de 2009, em um selo. O primeiro lançamento é a coletânea Out of Place, que reúne nomes que passaram pelo palco da festa, como Picnic Hipster, Lulina, Hornek, Stela Campos e Fábrica de Animais – o lançamento da coleta acontece neste sábado, na Casa do Mancha. Ele antecipou três músicas do CD e eu pincei a nova do Bonifrate, dos Supercordas, “Cidade nas Nuvens”, que, como sempre, canaliza Lô Borges e psicodelia beatle na mesma toada acústica.
Bem bom o show dos Friendly Fires em São Paulo, que rolou nesta segunda, abrindo a semana. Já tinha ouvido que a banda tocava mal ao vivo e que, aos poucos, eles foram pegando o jeito da coisa. Nem parece. O entrosamento dos quatro principais músicos e a empolgação dos três titulares da banda (a saber: o baixista Rob Lee é músico convidado) garantiram uma explosão de excitação e adrenalina que mais têm a ver com uma pista de dança do que com um show de rock.
Friendly Fires – “Skeleton Boy”
Porque os Friendly Fires, dance ou não, são uma banda de rock – uma cruza inglesa de Talking Heads com Gang of Four com o gingado do Rapture (mentira, o vocalista Ed Macfarlane rebola mais do que todo o Rapture reunido). Se tivessem nascido em outra época, certamente não trabalhariam com grooves cavalares e percussão comendo solta nem incluiriam uma dupla de metais no show. Sorte nossa. Assim, a banda deixa de ser mais um roquinho genérico para incendiar a pista (como muitas outras bandas desta Nova Dance Music – um dia eu escrevo melhor sobre essa cena).
Friendly Fires – “Kiss of Life”
(O Copacabana Club chegou a dar o clima na mesma medida, botando no palco a mesma comoção de pista de dança dos Friendly Fires. Tá certo que eu cheguei no show na hora em que “Just Do It” transformava a platéia numa turba descontrolada, mas mesmo na última faixa eles mantiveram o público em ponto de bala para o incêndio que foi o show dos FF.)
Friendly Fires – “In the Hospital”
E incendiar Brazilian-style. Desfilando a íntegra de seu disco de estréia, o trio se jogou no palco. Além do requebro de boneco de posto do vocalista, o guitarrista Edd Gibson encarnava o guitar hero pós-punk enquanto o baterista Jack Savidge derrubava a bateria – amparado, vez ou outra, pela percussão do baixista (que, vez ou outra, assumia as baquetas para tocar tarol e vários cowbells) ou pelo agogô de Macfarlane. O público não ficou por menos e a massa pulava feliz ao assistir a um show que soava como uma discotecagem perfeita.
Friendly Fires – “Photobooth”
Ponto pro Lucio, que, na segunda edição de seu festival/festa, o Popload Gig, mostrou que dá pra trazer um artista que não é muito conhecido para o Brasil, fazer shows de médio porte (o Bruno também gostou do show dos caras no Rio) e deixar tanto público quanto crítica felizes. Que venham outros.
Não sei porque eu ainda dou bola pra isso, me parece um misto de pena com compromisso histórico, mas, sei lá. A cada música do disco novo (que agora tem nome, Haih or Amortecedor) dos novos Mutantes que aparece online, a banda me soa cada vez mais sem graça, genérica, desimportante. E seguindo com seus contatos no mundo indie americano, dessa vez foi o Stereogum quem levou o novo MP3, mas Brandon Stosuy não me parece muito convicente ao descrever a faixa:
“The track, co-written by Sergio Dias and Tom Zé, feels like it should usher a love story into a psychedelic barnyard-themed musical. This is a good thing. Clearly.”
Claro. Ouvindo daqui, percebo um Tom Zé como coadjuvante de luxo não acrescentar nada a uma musiquinha boba, que revive a manha do Simonal de cantar “País Tropical” pela metade, o timbre de guitarra de “Dia 36”, a gagueira de “Qualquer Bobagem” e o vocal de propaganda da nova vocalista Bia Mendes. Incredible String Band, Stereogum? Não força… (Isso sem contar essa capa horrorosa, que faz o departamento de arte da falecida Paradoxx parecer o Hypgnosis.)