Outro trailer que pintou hoje foi o do próximo filme do Michael Moore, que desta vez direciona seu jornalismo cara de pau (ele é mais CQC que o Jon Stewart, hein) e seu humor vergonha alheia rumo a Wall Street e à crise financeira do final do ano passado. Parece bom, como sempre.
Será que esse filme vai ser tudo isso mesmo? O trailer é muito em cima do muro…
E por falar nisso, toda segunda eu posto aqui no Sujo as notícias da edição de segunda-feira do Link, caderno que edito no Estadão. Mas não consigo linkar tudo que é produzido no site, não: a velocidade e agilidade de publicação da minha equipe superam as minhas e resta-me sugerir acompanhar a leitura do Blog do Link, uma metralhadora de informação sobre cultura digital (de onde saiu, por exemplo, a ilustração acima, que mostra como seriam alguns sites se eles fossem pessoas – e a Ana aproveita para perguntar-se como seria o 4chan. Hmmmm…). O novo site não tem nem quatro meses de idade e – sem modéstia (até mesmo porque não sou disso) – tá bem fodão. E vai melhorar.
A Tati me ligou hoje cedo pra falar que um dos melhores blogs de música brasileira na rede, o Um Que Tenha, foi notificado e sairia do ar. E, antes mesmo de eu pensar em dar o OK, ela já tinha conversado com o Fulano Sicrano, o autor anônimo do site:
“Sempre houve vários blogs de música brasileira, uns vêm e outros vão. Sempre que há uma espécie de caça às bruxas, alguns são retirados do ar, espontânea ou compulsoriamente, mas novos blogs surgem e cobrem a lacuna deixada pelos que saem do ar.
Em dezembro passado, dei uma entrevista para o Caderno 2 da “Gazeta do Espírito Santo”. Na época, a ameaça era da Biscoito Fino. Olha o que eu disse: ‘Temo que o blog seja compulsoriamente fechado. É uma luta na qual a chance de vitória é praticamente nula’. No meio do ano, recebi uma mensagem de um gerente da Biscoito Fino para que retirasse vários álbuns do blog. Atendi prontamente e sem questionamento.
O mesmo e-mail seguiu para pelo menos mais dois blogs de que tenho conhecimento, um deles o Som Barato. No mês passado, recebi três notificações de que o blog disponibiliza material protegido pela lei de copyright americana. Esse foi o motivo pelo qual o blog Som Barato foi retirado do ar, em setembro passado.
Sei de outros que receberam semelhantes notificações e saíram do ar, espontânea ou compulsoriamente. Sei de outros, como o UQT, que igualmente receberam tais notificações, mas permanecem também no ar. Nada é garantido, pode ser que hoje mesmo o blog seja repentina e definitivamente extinto.”

Foto: Rafael Neddermeyer
Comece a reparar: primeiro Beatles, depois os Stones… Vem aí uma nova safra de caixas de CD, todas aspirando o caráter definitivo, épico, completista. É o último e longo suspiro da indústria fonográfica como a conhecemos, que exalará todo seu catálogo em diferentes formatos tácteis antes da distribuição digital, antes uma ameaça, tornar-se regra. E não é só na música, não; filmes e séries já estão nessa há até mais tempo.
Se passamos esses primeiros dez anos do século assistindo à briga entre indústria e público, a próxima década consolidará o consumo de arquivos digitais pela internet como principal forma de vender produtos, principalmente no setor de entretenimento. A discussão vai deixar de ser pirataria para cair para o preço – e se hoje já descobrimos que o download é a forma de consumo de música que menos agride o ambiente (como se precisasse de um estudo pra descobrir isso, mas enfim), já já essa discussão deixa de ser apenas de tom ecológico para recair sobre aspectos trabalhistas. Afinal, se não é preciso uma série de etapas que incluem a fabricação, o transporte e a distribuição de um pedaço de plástico fabricado em escala massiva, quando o CD sair de cena, é inevitável que essas fases deixem de existir e, pelo menos em tese, isso deveria se refletir no preço.
Fora que as lojas – sejam de conveniência ou megastores – ainda têm uma sobrevida maior, mas vão ter que se reinventar como espaço de interação social mais do que simples supermercados. E eu isso eu já falo há um tempo – em alguns anos vão aparecer lojas de amostras grátis de produtos, que podem ser tanto aplicativos para o celular e todo tipo de conteúdo digital gratuito, bocas-livres com marca em tudo (até na banda que fará o show) e uma mistura de loja de R$ 0,99 (lembra delas?) com self-service daqueles que você só paga um valor e come à vontade, só que em vez de “all you can eat”, “all you can carry” – e sem carrinho nem cesta, eis o truque. Imagino esse último tipo de loja como uma versão moderna da pesquisa de mercado. Todos clientes são betatesters e, em vez de pagar, tem de falar de seus hábitos de consumo. E isso não quer dizer ser entrevistado por um adolescente com uma prancheta, mas simplesmente preencher o cartão-fidelidade da loja que lhe dá acesso aos produtos gratuitos.
E falando em blog de MP3, o Furlan, do Kriola (blog dedicado a groovezeiras pesadaças – ou “música nega do cabelo duro”, como anunciam no slogan), lançou sua primeira mixtape, com dois pés no hip hop, muita ênfase no chamado turntablism e uma pitada de literatura beat. Pra dançar com a cabeça.
Mix20@Kriola Volume Um – Música Nega do Cabelo Duro (by a.k.a Furlan)
MixMaster Mike + Mario Caldato Jr. – “Fela Mentality”
DJ Shadow – “The Third Decade, Our Move”
Cut Chemist Meets Shortkut – “Moonbase Alpha”
Amon Tobin – “The Killer’s Vanilla”
Dj Shadow & Cut Chemist – “Funkybreakbeat”
Hexstatic – “Ninja Tune (Enter The Augmenter)”
Madlib – “Slim’s Return”
Kid Koala – “Drunk Trumpet”
Instituto & Dj Dolores – “Walkman (Versão Original)”
Allen Ginsberg / IllyB – “End The Vietnam War (Dj Spooky Remix)”
Deltron 3030 – “Madness”
Scratch Perverts – “Prime Cuts”
William S. Burroughs – “Curse Go Back”
E já que a onda é mixtape com discos velhos (e que eu falei em música brasileira), você tem que ouvir os três sets do Nuts chamados Disco é Cultura, lançados originalmente em 2005. Dá pra baixar o primeiro aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui. Vai na fé.