Carregadores de piano no supermercado
Procurando pelo Gainsbourg, encontrei esse plano-seqüência do diretor Bertrand Conard, ao som do “Le Charleston des Déménageurs de Pianos”, do Serge.
Procurando pelo Gainsbourg, encontrei esse plano-seqüência do diretor Bertrand Conard, ao som do “Le Charleston des Déménageurs de Pianos”, do Serge.
A dupla carioca lança sua terceira mixtape (depois dos 30 Minutes of Twelves e do Episode II) e segue nos mesmos trilhos que a consagrou: o tom geral fica entre o synthpop e a nu-disco, mas com ouvidos atentos aos hits conhecidos pela maioria das pessoas. Assim, o set desce macio e suave, perfeito para esse frio súbito desse início de primavera. Vi lá no Bloody Pop.
Twelves – The Twelfth Hour (MP3)
Methusalem – “Robotism”
Groove Armada – “Drop The Tough (The Twelves Remix)”
Glass Candy – “Miss Broadway”
Daft Punk – “Da Funk”
DJ Agent 86 – “Wavestate”
Gossip – “Standing in the Way of Control”
Gaz Nevada – “I-C Love Affair”
Phoenix – “Lisztomania”
Arpadys – “Mystery Rock (Vlad Maywad edit)”
The Do – “On My Shoulders”
Zoot Woman – “Information First”
The Jacksons – “Shake your Body”
Mr Oizo – “Two Takes It”
Bushy – “Sqezy Soul”
Zeigeist – “Humanitarianism (The Twelves Remix)”
Snoop Doggy Dogg – “Sensual Seduction”
Juan Maclean – “No Time”
DJ Agent 86 – “Magic”
K.I.D. – “Hupendi Musiki”
Franz Ferdinand – “Ulysses”
Siriusmo – “Discoding”
Dan Hartman – “Vertigo” / “Relight my Fire”
Air – “Sexy Boy”
Fever Ray – “Seven (The Twelves Remix)”
Pacific – “Hot Lips (The Twelves Remix)”
Patrick Alavi – “Power”
Dynasty – “I Dont Wanna be a Freak”
Metronomy – “Radio Ladio”
Siriusmo – “Last Dear”
Empire of the Sun – “Walking on Dream”
Elitechnique – “Spectral Escape”
The Virgins – “Rich Girls”
Black Kids – “…Dance With You (The Twelves Remake)”
The Juan Maclean – “Happy House”
M.I.A. – “Boyz”
Cut Copy – “So Haunted”
Space – “Magic Fly”
PNAU – “With You Forever”
Eddie Tour – “Up The Glitter”
Mr. Oizo – “Hun”
Cerrone – “Give Me Love”
Mr. Oizo – “Steroids (ft. Uffie)”
Tiga – “Shoes”
Kano – “It’s a War”
Daft Punk – “Revolution 909”
Radiohead – “Scatterbrain (The Twelves Remix)”
Terry Poison – “Comme Ci Comme Ça (The Twelves Remix)”
Sebastien Tellier – “Sexual Sportswear”
Chemical Brothers – “It Doesn’t Matter”
Database vs. French Horn Rebellion – “Beaches and Friends (The Twelves Remix)”
O site Moviefill fez o seguinte infográfico, comparando os lançamentos de filmes envolvendo as duas marcas para ver quem, no fim das contas, pesa mais que quem. Aparentemente, tá dando Marvel – mas foi a Disney quem comprou, né…

Foto: Porão do Rock
Nem tudo foi constrangimento no Porão do Rock que aconteceu no último fim de semana. Entre as trocentas bandas que o festival arrumou para ressuscitar (Escola de Escândalo, Detrito Federal, Maskavo Roots, Legião, Plebe Rude, etc.), uma delas foi o heróico trio Little Quail & the Mad Birds, que já havia voltado no início do ano para “apenas um show”. O show no Porão levou à escala de estádio o velho show da banda – além de um repertório classe A (só hit!), ainda contou com a falação interminável entre Gabriel e Zé Ovo, que dedicou várias vezes o show à profissão roadie. Rock’n’roll pra dançar, punk rock sem vergonha de ser pop, humor com guitarras – o Little Quail é o Raimundos que só Brasília (e alguns poucos felizardos fora da cidade) puderam conhecer. Pra quem não conhece, vale baixar o show, que já vazou online.
Little Quail & the Mad Birds – “Dezesseis“
Little Quail & the Mad Birds – “Cigarrette“
Little Quail & the Mad Birds – “Conversas“
Rede de Intrigas, que filme! Esbarrei com essa cena CLÁSSICA no Lágrima Psicodélica.
Pequenos detalhes… Daqui.
Você acertou: o show da Orquestra apertou o gatilho da obsessão e cá estou em meio de mais uma, dividindo com vocês, como sempre. Sempre acompanhei de perto a obra de Serge Gainsbourg e seus discos sempre apareceram em momentos estranhos ou inusitados – fazendo sentido à própria figura que Serge projetou para a posteridade. Apreciador não-linear, fui montar os pedaços que conhecia da biografia do sujeito graças à biografia escrita por Sylvie Simmons, editada no Brasil pela Barracuda. Um Punhado de Gitanes reconhece, de cara, não ser uma biografia definitiva, mas uma introdução à obra e à vida de uma figura sem par na história do século passado.
Serge era, ao mesmo tempo, o maior sabotador e o grande conservador da cultura francesa, reinventando-a para a era da música pop cantada em inglês. Serge é uma espécie de Bob Dylan influenciado por James Brown, ao piano; ou um Phil Spector que, quando sai dos bastidores, vira um Bowie 100% irônico; os Sex Pistols e Malcolm McLaren na mesma pessoa; um Chico Buarque cafajeste e politicamente incorreto. Qualquer paralelo é falho: Gainsbourg era um provocador profissional e um conservador ferrenho, maníaco por controle e pela própria família, obcecado com a própria imagem à ponto de reinventá-la a cada dois ou três anos. Cantor, compositor, cineasta, fotógrafo, celebridade e diretor de arte da própria vida, ele é o autor da música francesa mais conhecida do mundo (“Je T’Aime… Moi Non Plus”), além de emplacar dezenas de hits nas paradas de sucesso de seu país. Era uma máquina de composição no ritmo da Motown, mas com um requinte essencialmente europeu e, sua maior contribuição lírica, apegado à sonoridade de seu idioma. Misturando o francês com onomatopéias, costurando aliterações e jogos de duplo sentido com o som e o sentido das palavras, as letras de sua música sequer precisam de melodia para tornarem-se canções. Una-as a uma herança musical de berço que deu-lhe a formação mais clássica que um pianista noturno poderia ter, e aí está Serge Gainsbourg, que ainda temperava a própria imagem pública como um sujeito insuportável, um bêbado que não parava de fumar um segundo, sempre cercado de mulheres lindíssimas e metido em polêmicas absurdas. E, mesmo assim, mesmo sendo uma celebridade intragável – uma espécie de Pedro de Lara com estilo -, um ídolo pop para várias gerações e uma persona non grata que ridicularizou até o hino da França num reggae gravado com a dupla Sly & Robbie, Serge é tratado em seu país como uma instituição nacional.
A minha trip pelo sujeito começou com a resenha do show da Orquestra Imperial e seguiu na primeira parte de um especial no Vida Fodona. Como disse no programa, não sei se o próximo VF vai ser dedicado ao sujeito ou intercalo com um programa tradicional, mas certamente a parte 2 vem em seguida. Além dos podcasts, resolvi compartilhar alguns pérolas que me acompanharam nessa viagem, caçadas no YouTube. São seções de vídeos – shows, clipes e programas de TV – que contam as diferentes fases da carreira de Serge. Não vou entrar em muito mais detalhes em sua vida e carreira em texto – vou deixar pra falar disso no Vida Fodona e ligar a TV Serge Gainsbourg por uma semana ou duas (vai saber). E os 4:20 também vão na onda – e serão temáticos sobre a França até essa brincadeira acabar.
E se você não sabe falar francês, não liga. Eu também não sei.