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E já que eu falei da Britney…

…tou pra linkar há um tempão uma música que eu até já toquei num Vida Fodona, e que sobrou do último disco de Britney Spears. “Amnesia” têm uma qualidade intraduzível que a torna ao mesmo tempo irresistível e esquecível, adolescente e artificial, ingênua e perversa. Ela começa como um electro quase sem alma, mas aí vem com um refrão que baixa na faixa feito o espírito de Molly Rigwald de décadas passadas:

I forgot my name, I forgot my telephone number
If he wanna see me, he don’t even know it
I forgot my address, damsel in distress
I forgot my boyfriend was the one that had bought me this rock

I get amnesia when I’m standin’ next to you
He’s been with me for several years I know this much is true
Didn’t know it was over til you came on over
And told me that you just, just can’t forget about me

O andamento, óbvio, é o mesmo de “If You Leave”, do OMD, mas não tem o apelo romântico do hit dos anos 80, pelo contrário, soa marcial, eletrônico e frágil como se Madonna fosse uma das integrantes do Duran Duran. Incrível que isso seja uma sobra de estúdio – e só tenha saído no disco extra da edição inglesa de Circus.


Britney Spears – “Amnesia

TV Serge Gainsbourg – Parte 6


Serge Gainsbourg – “New York USA”

Antes de passarmos para a fase mais controversa da carreira de Gainsbourg, vale abrir um parêntese para mostrar que, mesmo antes de se transformar num svengali do pop adolescente francês, ele já buscava novos rumos para sua música, visitando o continente africano décadas antes que qualquer outro popstar americano ou europeu. Ouvindo discos africanos sem parar, chegou à conclusão que era uma das formas que o pop francês poderia se contrapor ao cantado em inglês graças à percussão de suas antigas colônias. Gravado com muita percussão e corais femininos, Gainsbourg Percussions, de 1964, é um dos principais trabalhos de Serge nos anos 60 e, mesmo que tenha tido pouco sucesso comercial na época, tem o mérito histórico de ser um dos pioneiros a traçar uma conexão entre a música africana não-americanizada e a música pop – e fazendo-a soar tão pop quanto ela poderia ser, sem lançar olhos de colonizador sobre ritmos e músicalidade fora de seus padrões europeus.


Serge Gainsbourg – “Quand mon 6,35 me fait les yeux doux”


Serge Gainsbourg – “Machins Choses”


Serge Gainsbourg – “Couleur Café”

On the Run 58: The Glass DJ Mix Sirius Radio

Já mencionei o Glass duas vezes por aqui (num Vida Fodona e num Cinco Vídeos), agora pinço esse DJ Set que a dupla formada pelo nova-iorquino Dominique Keegan e pelo berlinense Glen Brady (que moram em suas respectivas cidades e fazem música à distância) fizeram para a Sirius Radio. Como no hit “Wanna Be Dancin'” a pegada fica entre o electro e o techno, mas começa a ficar um pouquinho mais pesada à medida que o set vai avançando. Na mistura, só finesse: Orbital, Martin Solveig, Ursula 1000, Knightlife e faixas produzidas ou remixadas pelo próprio Glass. Vai na fé.

The Glass DJ Mix Sirius Radio (MP3)

Eli Escobar – “Glass House”
Orbital – “Halcyon (Tom Middleton Re-Model)”
The Glass – “Wanna Be Dancin (Nadastrom Dub)”
Martin Solveig – “One 23 Four’ (NoToMash Remix/Glass Dub edit)”
Harvard Bass – “81”
Izza Kizza – “Hello (DJ Wool Remix)”
The Glass – “Superhero (Ursula 1000 Remix)”
The Glass – “Wanna Be Dancin (Fantastadon Remix)”
Knightlife – “Crusader (Radio Edit)”
Ursula 1000 – “Do It Right (The Glass Remix)”
Alex Gopher – “Handguns (Dada Life Remix)”
Martin Solveig “One 23 Four (Deepside Deejays Remix)”
The Glass – “Come Alive (Michel Class Dub)”
Harvard Bass – “81 Outro”

Britney Spears + 2

Ouviram a nova da Britney? “3” abole a sutileza e ela convida toda uma geração para encarar o sexo a três como uma coisa normal. “Are you in?”, ela pergunta em tom sedutor e desafiador, lembrando que “what we do is innocent”, que “livin’ in sin is the new thing” e que “everybody loves ***”. A música em si não tem nada de memorável, é mais um single para bater cartão nas paradas de sucesso. Mas a letra pode cutucar ainda mais uma revolução sexual que está em vias de explodir (para dentro ou para fora) na próxima década.


Britney Spears – “3