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Gainsbourg, Gainsbourg…

Você acertou: o show da Orquestra apertou o gatilho da obsessão e cá estou em meio de mais uma, dividindo com vocês, como sempre. Sempre acompanhei de perto a obra de Serge Gainsbourg e seus discos sempre apareceram em momentos estranhos ou inusitados – fazendo sentido à própria figura que Serge projetou para a posteridade. Apreciador não-linear, fui montar os pedaços que conhecia da biografia do sujeito graças à biografia escrita por Sylvie Simmons, editada no Brasil pela Barracuda. Um Punhado de Gitanes reconhece, de cara, não ser uma biografia definitiva, mas uma introdução à obra e à vida de uma figura sem par na história do século passado.

Serge era, ao mesmo tempo, o maior sabotador e o grande conservador da cultura francesa, reinventando-a para a era da música pop cantada em inglês. Serge é uma espécie de Bob Dylan influenciado por James Brown, ao piano; ou um Phil Spector que, quando sai dos bastidores, vira um Bowie 100% irônico; os Sex Pistols e Malcolm McLaren na mesma pessoa; um Chico Buarque cafajeste e politicamente incorreto. Qualquer paralelo é falho: Gainsbourg era um provocador profissional e um conservador ferrenho, maníaco por controle e pela própria família, obcecado com a própria imagem à ponto de reinventá-la a cada dois ou três anos. Cantor, compositor, cineasta, fotógrafo, celebridade e diretor de arte da própria vida, ele é o autor da música francesa mais conhecida do mundo (“Je T’Aime… Moi Non Plus”), além de emplacar dezenas de hits nas paradas de sucesso de seu país. Era uma máquina de composição no ritmo da Motown, mas com um requinte essencialmente europeu e, sua maior contribuição lírica, apegado à sonoridade de seu idioma. Misturando o francês com onomatopéias, costurando aliterações e jogos de duplo sentido com o som e o sentido das palavras, as letras de sua música sequer precisam de melodia para tornarem-se canções. Una-as a uma herança musical de berço que deu-lhe a formação mais clássica que um pianista noturno poderia ter, e aí está Serge Gainsbourg, que ainda temperava a própria imagem pública como um sujeito insuportável, um bêbado que não parava de fumar um segundo, sempre cercado de mulheres lindíssimas e metido em polêmicas absurdas. E, mesmo assim, mesmo sendo uma celebridade intragável – uma espécie de Pedro de Lara com estilo -, um ídolo pop para várias gerações e uma persona non grata que ridicularizou até o hino da França num reggae gravado com a dupla Sly & Robbie, Serge é tratado em seu país como uma instituição nacional.

A minha trip pelo sujeito começou com a resenha do show da Orquestra Imperial e seguiu na primeira parte de um especial no Vida Fodona. Como disse no programa, não sei se o próximo VF vai ser dedicado ao sujeito ou intercalo com um programa tradicional, mas certamente a parte 2 vem em seguida. Além dos podcasts, resolvi compartilhar alguns pérolas que me acompanharam nessa viagem, caçadas no YouTube. São seções de vídeos – shows, clipes e programas de TV – que contam as diferentes fases da carreira de Serge. Não vou entrar em muito mais detalhes em sua vida e carreira em texto – vou deixar pra falar disso no Vida Fodona e ligar a TV Serge Gainsbourg por uma semana ou duas (vai saber). E os 4:20 também vão na onda – e serão temáticos sobre a França até essa brincadeira acabar.

E se você não sabe falar francês, não liga. Eu também não sei.

Vida Fodona #178: Serge Gainsbourg (Parte 1)

Vamos começar nossa viagem ao mundo de Serge Gainsbourg pela parte formal e clássica de sua carreira, quando ele ainda não tinha assumido sua personalidade de bon vivant autodestruição.

Serge Gainsbourg – “Le Poinçonneur des Lilas”
Serge Gainsbourg – “La Femme des uns Sous le Corps des Autres”
Serge Gainsbourg – “Jeunes Femmes et Vieux Messieurs”
Serge Gainsbourg – “Charleston des Déménageurs de Piano”
Serge Gainsbourg – “L’Eau à la Bouche”
Serge Gainsbourg – “Cha cha cha du Loup”
Serge Gainsbourg – “Ce Mortel Ennui”
Serge Gainsbourg – “La Chanson de Prévert”
Serge Gainsbourg – “Black Trombone”
Serge Gainsbourg – “Le Rock de Nerval”
Serge Gainsbourg – “Baudelaire”
Serge Gainsbourg – “Intoxicated Man”
Serge Gainsbourg – “La Javanaise”
Serge Gainsbourg – “Les Cigarillos”
Serge Gainsbourg – “Requiem pour un Twister”
Serge Gainsbourg – “L’Appareil a Sous”
Serge Gainsbourg – “Chez Les Ye-yé”
Serge Gainsbourg – “Negative Blues”
Serge Gainsbourg – “Elaeudanla Teiteia”
Serge Gainsbourg – “No No Thanks No”
Serge Gainsbourg – “Quand mon 6’35 Me Fait les Yeux Doux”
Serge Gainsbourg – “Les Sambassadeurs”
Serge Gainsbourg – “Joanna”
Serge Gainsbourg – “Pauvre Lola”
Serge Gainsbourg – “New York USA”
Serge Gainsbourg – “Machin Choses”

On y va?

Cinco vídeos para o meio da semana – 98


Air – “Sing Sang Sung”


Thom Yorke – “Harrowdown Hill”


Mombojó – “Amigo do Tempo”


Scarlett Johansson & Pete Yorn – “Relator”


Crookers – “Put Your Hands on Me (featuring Kardinal)”

TV Serge Gainsbourg – Parte 1

Está entrando no ar a TV Serge Gainsbourg – um apanhado de vídeos do YouTube com o cara que eu fiz enquanto afundava em sua obra. Na primeira parte, seguem seus primeiros hits. Pianista de formação clássica, Serge – que se chamava Lucien Ginsburg, originalmente – queria ser artista plástico. Mas como o pai, pianista da noite, começou a receber muitas propostas de trabalho, passou algumas para o filho que, aos poucos, foi entrando no mundo da composição e interpretação. Esses primeiros vídeos são de sua fase inicial, quando ainda compunha sob a influência da canção tradicional francesa, antes de ser atingido pelo raio da música pop, que mudou completamente sua carreira e a percepção de seu trabalho junto ao público. Na época dos vídeos abaixo, Serge era apenas mais um nome promissor da cena da margem esquerda do Rio Sena, um grupo de artistas e intelectuais que freqüentava clubes e cafés até altas horas e que, ocasionalmente, lançava discos e tocava na TV ou no rádio. Algumas músicas (mais no final) foram compostas depois de seu contato com o pop, mas ainda refletem a importância que este tipo de canção tinha em sua composição. Nada de choque, de afrontas ou escândalos – a obra de Serge ainda era comportada e, no máximo, cogitava expressões de duplo sentido. No primeiro vídeo, Juliette Greco, um dos principais nomes desta cena, canta a primeira música de Gainsbourg a ter repercussão fora desse métier.


Juliette Greco – “Les Amours Perdues”


Serge Gainsbourg – “Le poinçonneur des Lilas”


Serge Gainsbourg – “La Nuit d’Octobre”


Serge Gainsbourg – “Adieu Créature”


Serge Gainsbourg – “Du Jazz dans le Ravin”


Serge Gainsbourg – “La Chanson de Prévert”


Serge Gainsbourg – “Ce Mortel Ennui”


Serge Gainsbourg – “L’Alcool”


Serge Gainsbourg – “Elaeudanla Teïtéïa”


Serge Gainsbourg – “La Javanaise”

Dan Brown, de novo

Dessa vez mexendo na história do mercado editorial:

Qual é o segredo do autor do ‘Código Da Vinci’?

Dan Brown volta às notícias com seu novo livro, ‘The Lost Symbol’: o e-book está vendendo mais do que o livro de papel

Vão falar em conspiração. Apesar do novo livro de Dan Brown, The Lost Symbol, mais uma vez abordar temas polêmicos, ele está prestes a entrar para a história por outro mérito: desde seu lançamento, na terça-feira passada, o livro ocupa, simultaneamente, as duas primeiras posições na lista dos mais vendidos em ficção na loja online Amazon. O detalhe histórico é que a versão eletrônica, o e-book, que só pode ser lida no Kindle, o e-reader lançado pela loja, está acima da versão em papel.

Aguardado desde o lançamento de O Código Da Vinci, que vendeu mais de 80 milhões de exemplares em todo mundo, o livro não criou uma expectativa de lançamento como se esperava, mesmo com o uso de ferramentas como o Twitter e o Facebook para promovê-lo. Mas sem vender um exemplar sequer, Lost Symbol já tinha conseguido seu pequeno lugar na história ao se tornar o primeiro livro a ser lançado tanto em formato eletrônico quanto em papel no mesmo dia. Até então, a cópia eletrônica sempre era lançada depois.

Mas bastou o livro chegar às lojas para conseguir suas primeiras marcas consideráveis. A primeira foi no terreno físico. Lost Symbol atingiu a marca de um milhão de cópias vendidas no primeiro dia de lançamento.

O feito invejável veio logo que a semana terminava e, embora a Amazon não confirmasse oficialmente, estava no site: o e-book, lançado há menos de uma semana, era mais vendido do que a edição de papel, posto em pré-venda há seis meses.

No Brasil, a editora Sextante, que lançará o livro em dezembro, já criou um blog (www.sextante.com.br/simboloperdido) para divulgar o lançamento. Mas não há previsão sobre uma versão eletrônica do livro.

Mas o ponto é que, mesmo que no fim das contas o e-book ainda não desbanque o livro de papel, vimos, na semana passada, o primeiro passo dado rumo à popularização do livro eletrônico, fato de que até os mais céticos duvidavam.