“Tecnologia é mato, o importante são as pessoas”
@dpadua
Não conheci o mineiro @dpadua pessoalmente, mas há quase dez anos acompanho e admiro seu trabalho, seja na militância de causas relacionadas à liberdade no mundo digital (dos protestos anti-Lei Azeredo ao trabalho no Metareciclagem), como na criação de dispositivos e ferramentas que inspiravam a criação coletiva e a organização 2.0, como o blogchalking (um plugin que permite localizar blogs por regiões geográficas, que foi o responsável por colocá-lo no mapa em 2002, quando pautei matéria com o criador para a falecida revista Play) e o Xemelê (linguagem baseada no protocolo XML, que facilitava a troca de informações para desenvolver um projeto coletivo, desenvolvido ainda no projeto Metáfora e adotado pelo Ministério da Cultura de Gilberto Gil). Envolvido com a criação do Blog do Planalto, ele estava afastado há dois meses do trabalho para lidar com a doença que lhe levou na quinta de noite. Mas, raízes firmes no campo fértil do mundo digital, é fácil prever que seu legado começa a entrar em ação a partir de agora e que seu nome será muito maior do que quando em vida. Valeu, rapá!
Parece que o filme inglês Creation que conta a história de como Darwin criou sua teoria da evolução não conseguiu distribuidores nos EUA, devido à nóia com o criacionismo. Mas não deixa de ser bizarro ver o logo da Icon (do Mel Gibson) logo no início do trailer…
Da mesma lista da Paste, mais uma desossada: desta vez é o Jon Stewart que desanca os apresentadores do programa de política Crossfire da CNN ao dizer que eles só fazem um mero teatrinho sobre política em vez de falar de verdade sobre o assunto – e sempre que os caras voltam pra dizer qual é o papel dele, ele responde que tem um programa num canal chamado Comedy Central. Esperem pelo menos até ele perguntar a idade do apresentador do programa.
Isso é outra coisa que nunca aconteceria no Brasil, essa república dos tapinhas nas costas.
A Paste publicou uma lista com os melhores momentos ao vivo da TV durante a década e entre várias histórias que eu não tinha ouvido falar (afinal, a TV é a americana) estava esse discurso que Stephen Colbert deu na Casa Branca logo após a reeleição de Bush. O cara não perdoa NADA – e olhando na cara do sujeito.
Ninguém tem coragem de fazer algo que chegue aos pés disso, aqui no Brasil.
Eis a data de estréia da sexta e última temporada de Lost. O episódio inicial, de novo, tem duas horas e a grande mudança em relação à temporada anterior é o dia de exibição, que deixa de ser nas quartas-feiras para ir ao dia anterior. É isso aí: em 2010, veremos Lost na madrugada de terça pra quarta (ou na manhã de quarta ou quarta depois de chegar do trabalho, dependendo da rotina de cada um). E eis o poster oficial da nova etapa da série.
Um dos nomes por trás da série, o criador e produtor Damon Lindelof, comentou numa coletiva durante o lançamento do DVD de Jornada nas Estrelas, na segunda passada, que o público não irá assistir nenhuma cena da nova temporada em previews, comerciais ou clipes promocionais.
“I think even a single scene from the show would basically tip what it is we’re doing this year, and what it is we’re doing this year is different than what we’ve done in other years,” (…) “That is the marketing strategy that we are trying to impose upon our masters. I can’t unequivocally say that we will be able to hold the embargo all the way up until the actual premiere, but it’s pretty cool that we’re not showing anything as late as November, so we’ll see. I think once the show actually starts, once we’re back on, then we’ll start showing people what we’re up to.”
E um spoiler de leve: parece que teremos menos Desmond nessa temporada. Pra quem gosta do “brotha”, uma pena.
E com Doug Yule? Calma, Lou e Moe sobem de novo juntos aos palcos (sem Cale e, claro, Morrison ou Nico) com o guitarrista da segunda fase da banda mas para conversar sobre como era o Velvet Underground em seu tempo. O jornalista David Frickle é o mediador do encontro que acontece dia 8 de dezembro no Celeste Bartos Forum, na esquina da Quinta Avenida com a rua 42, em Nova York. Os ingressos já estão esgotados, mas os vídeos vão aparecer no YouTube.
É o tipo de evento que poderia ser mais explorado. Afinal, muita gente volta a fazer show depois de velha para atrair fãs que não se importam muito com o fato dos shows serem bons ou não – querem apenas estar na presença do ídolo. Uma conversa civilizada num ambiente de médio porte pode render histórias e lembranças mais genuínas e poderosas do que requentar velhas músicas sem muita empolgação além do dinheiro por uma hora e meia numa apresentação para milhares de pessoas – fora os arranhões na reputação. Como estamos vivendo na era dos popstars do power point (Al Gore e Steve Jobs, para citar os primeiros que vêm à cabeça), não duvide que isso se torne cada vez mais comum.