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Cinco vídeos para o meio da semana – 106


Jupiter Maçã – “Cerebral Sex”


Why? – “These Hands” / “January Twenty Something”


Juliana Kehl – “Ele não sabe sambar”


Yeasayer – “Ambling Alp”


Phantogram – “Mouthful of Diamonds”

The Sea that Thinks, de Gert de Graaff

Abstração em movimento

Não sei com quem eu tava comentando a resenha do 2001 que a Izadora indicou e da importância ou desimportância da técnica para o cinema o papo descambou na possibilidade ou não da história ser o principal chamariz em um filme. Muito pelo fato de termos sido alfabetizados audiovisualmente pelo cinema norte-americano (que é essencialmente devoto do roteiro), nos acostumamos a nos amparar no “sentido” ou “significado” por trás do filme justamente para estabelecer se gostamos ou não do mesmo.

Para mim, isso não faz mais sentido há um bom tempo – há uma categoria de blockbusters de Hollywood hoje em dia que pode ser entendida basicamente como um showcase de efeitos especiais e que, foda-se se a história de Transformers 2 não faz sentido, serve apenas para grudar o espectador na poltrona na base do choque. Sempre que o troar de uma explosão ecoa nas caixas de som da sala de cinema, me vem a clássica imagem do Alex de Laranja Mecânica atado numa camisa-de-força em uma projeção de imagens que, aparentemente aleatórias, começam a atiçar um sentido submerso no espectador que aciona uma forma de entendimento que não necessariamente é linear ou figurativo. É quase como se os efeitos especiais fossem o equivalente cinematográfico da pintura abstrata – não tente buscar a imagem por trás de todas essas manchas e cores. O próprio 2001 do Kubrick tem um elemento abstrato puro depois que o monolito aparece em Júpiter.

Tudo isso para chegar no bizarro The Sea that Thinks, do holandês Gert de Graaff, indicado pelo Bruno. Vencedor do principal festival de documentários do mundo no ano em que foi lançado (2000), o filme borra propositalmente as fronteiras entre ficção e não-ficção (um dos temas da década), usa ilusões de ótica como metáforas para o fim dessa distinção e põe em xeque nossa noção de compreensão e lugar-comum. Depois de ver os primeiros sete minutos do filme ali em cima, dá uma sacada no site oficial – e veja se você não ficou com vontade de ver essa história, como eu fiquei.

Doideira doida.

Nem sou eu quem tá falando…

E sim, o Nassif, que comenta a coluna que o Doria escreveu nesta segunda no Link, em que este último dizia que o Google seria um “cão de um truque só”. Antes de contra-argumentar Pedro (na verdade, o argumento é do Steve Ballmer, da Microsoft), Nassif gentilmente comenta o que acha do trabalho que faço diariamente com a minha equipe:

O Link é, de longe, o melhor caderno de informática do país – incluindo as revistas para micreiros.

Acho engraçado esses termos (“informática”, “micreiro”, parece o meu pai falando), mas agradeço o raro elogio. Sabe como é, jornalista é uma raça que não especialmente conhecida por reconhecer o trabalho de seus pares. E, em tempo, também discordei do Pedro quando ele veio me apresentar o tema de sua coluna, na semana passada. Mas é uma boa polêmica.

O significado do monolito de 2001

E falando no Kubrick, a Izadora passou a dica dessa ótima resenha sobre 2001, feita pelo professor de filosofia Pedro Blas Gonzalez. O texto, em inglês, é meio cabeçudo, principalmente na introdução, mas depois engrena bem. O trecho que cito, no entanto, é justamente da introdução academicista:

Cinema is a fine example of a field that from its earliest and rudimentary beginning has evolved beyond the wildest expectations of its originators. Even an informal survey of the thousands of films that have been made makes one privy to the qualitative complexities that all creative enterprise encounters.

When there was very little to rely on by way of technology, directors mostly embraced imagination and the inherent value of storytelling. But with the advent and frantic pace of technological development, more directors have come to rely less on storytelling and more on technology itself. It is fair to say that today a great number of films are nothing more than a sophomoric dare to prove that special effects alone can create cinema.

Dica da Izadora.

Vida Fodona #189: Essa pegada retrospectiva anos 00

Curti a retrospectiva do programa passado e sigo assim até o fim de 2009 – recapitulando as melhores músicas dessa primeira década do século. Junte-se a mim, se quiser.

Scanners – “Bombs (René Goulet’s Dollar Slot Bump)”
Arctic Monkeys – “You Know I’m No Good”
Avalanches – “Since I Left You”
MGMT – “Time to Pretend”
Britney Spears + Madonna – “Me Against the Music”
Justice – “D.A.N.C.E.”
Phoenix – “Lisztomania”
Gnarls Barkley – “Smiley Faces”
Mark Ronson + Amy Winehouse – “Valerie”
Frankie Valli + The Seasons – “Beggin’ (Pilooski Edit)”
My Chemical Romance – “Teenagers”
Digitalism – “Anything New”
Soulwax – “Can’t Get You Out Of My Kyluss”
Shout Out Out Out Outs – “Dude You Feel Electrical”
Dean Wareham + Britta Philips – “Ginger Snaps”

May I?