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Alcione conheceu seu maior fã

Essa aconteceu no fim de semana passado, quando Alcione visitou – sem avisar – seu maior fã em uma passagem por Campina Grande, na Paraíba, realizando o sonho da vida de Reginaldo Marrom. Ele não coube em si quando viu a musa de sua devoção entrando no cômodo dedicado à cantora, decorado com capas de discos e revistas, DVDs, pôsteres, reportagens e todo o tipo de lembrança sobre a diva. Que momento!

Veja abaixo:  

Sílvio Santos (1930-2024)

Personagem único na história do Brasil, Sílvio Santos, que morreu neste sábado, misturava dois papéis que normalmente andam separados na cultura brasileira: era um homem de negócios, de bastidores e das sombras ao mesmo tempo em que era protagonista, estrela e comunicador. Empresário de si mesmo, transformou-se num produto que era a melhor propaganda de seu negócio e quando chegou ao ápice, durante a ditadura militar, assumiu ser um manipulador de opinião pública que fazia isso descaradamente. Enquanto todos os magnatas da comunicação no mundo escolhem seus testas de ferro para emplacar sua visão de realidade, Sílvio Santos fazia isso ele mesmo, misturando ares de gestor, self-made-man e popstar. Uma figura tão carismática quanto vil, tão amada quanto odiada, igualmente puxa-saco e idolatrado, num retrato deformado – e de alguma forma fiel – à natureza social do brasileiro.

Um ano de Porta Maldita!

E depois do show do Otto ainda deu pra prestigiar o aniversário de um ano do Porta Maldita, sonho que herói Arthur Amaral vem acalentando há uma década e que tornou-se realidade em agosto do ano passado. A noite começou com o quarteto Applegate mostrando que seu próximo álbum, Mesmo Lugar, que deve sair agora em setembro, vem pesado. Não os via desde antes da pandemia e é nítido ver a evolução da banda, engrossando seu caldo psicodélico com o entrelaçamento das guitarras do expansivo Gil Mosolino e do discreto Vinícius Gouveia, enquanto Rafael Penna segura o groove entre o baixo e o synthbass em conexão com o baterista Luca Acquaviva, que já tomou conta do espaço que antes era do Pedro Lacerda, que inclusive foi lá assistir ao show de sua antiga banda. A banda ainda aproveitou para comemorar o apoio dos fãs, que bancaram o disco que está vindo e continuma fazendo a banda existir na raça, como a maioria dos grupos underground sempre fizeram, e, lógico, para celebrar a importância do Porta Maldita, que em pouco tempo tornou-se referência para novos artistas do Brasil inteiro.

Depois foi a vez do anfitrião da casa mostrar seu novo projeto pela primeira vez, quando Arthur Amaral puxou sua Tranze para o palco. Reunindo músicos absurdos – o exímio guitarrista Gustavo Schmitt, o baixista da Applegate Rafael Penna, o tecladista Lukas Pessoa da excelente Monstro Amigo e o baterista Caio Felliputti -, a banda é fruto das jam sessions que Arthur recebe em seu Porta Maldita e nada como o primeiro show da banda do dono da casa para celebrar o primeiro aniversário deste espaço tão importante. Enquanto os músicos piram entre o jazz funk, o fusion e o rock psicodélico, Arthur envereda pelo spoken word narrando questões do nosso cotidiano de forma ao mesmo tempo abstrata e direta. Longa vida ao Porta Maldita!

Assista abaixo:  

Se joga, Otto!

Otto fez bonito nessa sexta-feira quando reuniu sua jambro band para mais uma celebração de seu disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos que completa quinze anos no próximo dia 1°. Era a segunda noite de três apresentações ao redor do disco de 2009, considerado seu maior clássico (discordo, mas é um discaçõ), no Sesc Pompeia e o pernambucano estava visilmente emocionado – como de hábito – ao ver a casa cheia cujos ingressos esgotaram rapidamente. E no clima do álbum homenageado, Otto entregou-se à paixão do momento e desandou a falar entre cada uma das músicas sobre o assunto que desse na telha – como de hábito -, embora girando entre três principais temas: política, a nova fase do Brasil e os quinze anos de seu álbum, além de pontuar o tempo todo seu sentimento por sua amada Lavínia – também como de hábito -, que subiu ao palco para cantar duas canções ao seu lado. Toda a entrega de Otto foi recebida calorosamente pelo público, que sempre fica eletrizado quando ele se joga desse jeito. E Otto conta com uma arma poderosíssima para mergulhar para dentro de si mesmo e para fora no público: sua banda. Regida pelo guitarrista Junior Boca, a banda nem precisa se olhar para entender para onde Otto está indo, fruto de anos de trabalho ao lado do galego, e todos brilham cada um à sua maneira – Guri Assis Brasil é o guitar hero da noite, Meno Del Picchia segura sólidas linhas de baixo que caminham entre o funk e o reggae, o baterista Beto Gibbs segura o tempo (e sonoriza as piadas de Otto entre as músicas) com precisão cirúrgica, o tecladista Yuri Queiroga passeia entre synths e efeitos especiais sorrateiro como um ninja. A única ausência foi a do percussionista Malê, que está internado num hospital mas passa bem, segundo disse o próprio Otto. E além do disco da noite, eles ainda enveredaram pelos “grand hitê” do pernambucano, viajando por todas as fases de sua discografia. Uma noite de lavar a alma.

>Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Celacanto

A primeira atração do Inferninho Trabalho Sujo em seu segundo ano é o grupo de indie-prog Celacanto, que apresenta-se neste sábado, 17, na festa que agora também acontece na na Porta (Rua Fidalga, 648. Vila Madalena). A casa abre às 18h e fica aberta até a meia-noite e antes e depois do show discoteco com as lindas Pérola Mathias, Francesca Ribeiro e Linda Andreosi. Os ingressos para entrar custam R$ 25. Vamos?

A expansão do Inferninho Trabalho Sujo

A novidade do segundo ano do Inferninho Trabalho Sujo é que a festa vai para além do Picles. Dedicada a apresentar novas bandas às que já existem, criei a festa há um ano transformando as sextas-feiras do Picles numa incubadora de talentos que mistura tanto artistas iniciantes quanto outros já estabelecidos para aproveitar o calor da cena musical brasileira pós pandemia. Em seu primeiro ano, a festa já já contou com artistas novíssimos como Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Pelados, Varanda, Os Fadas, Monch Monch, Madre, Tangolo Mangos, Desi e Dino, Janine, Mundo Vídeo, Boca de Leoa, Odradek, Fernê, Madrugada, Cianoceronte, Schlop, Monstro Bom, Manu Julian, Celacanto, André Medeiros Lanches, Ondas de Calor, Skipp is Dead, Lauiz, Fernanda Ouro, Grisa e Tiny Bear e nomes já consagrados da cena independente brasileira como Ava Rocha, Yma, Grand Bazaar, Test, Patife Band, Di Melo, Rafael Castro, Tagore, Lulina, Garotas Suecas, Filarmônica da Pasárgada, Xepa Sounds de Thiago França, Luna França, Laurie Briard, entre outros. E a partir deste mês começo a explorar novas casas de shows, novos formatos e horários para espalhar a palavra do Inferninho por aí. A primeira delas acontece neste sábado, dia 17, no Porta, quando recebemos a banda Celacanto. No dia 23, uma sexta, seguimos no Picles trazendo o tradicional show anual da Fernê ao lado da banda Monstro Bom, que está lançando seu disco de estreia. Na sexta seguinte, dia 30, vamos pro Cineclube Cortina, quando teremos o lançamento do segundo disco da banda catarinense Exclusive os Cabides, Coisas Estranhas, com abertura da banda paulistana Os Fonsecas (ingressos à venda por aqui). E na outra quinta-feira, dia 5 de setembro, fazemos uma versão ainda maior na Casa Rockambole, trazendo os trabalhos das cantoras Luiza Villa, Marina Nemésio, Tori e Júlia Guedes, a banda Tangolo Mangos e o grande Sessa (ingressos à venda neste link). Em todas as apresentações estarei sempre bem acompanhado na discotecagem com as queridas Francesca Ribeiro, Lina Andreosi, Pérola Mathias e Bamboloki, que me ajudam a deixar essa nova fase ainda mais quente. Vamos?

Clairo ♥ Lana Del Rey

A Clairo lançou mais um disco bonitinho esse ano e vem surfando na onda deste seu Charm fazendo movimentos como este single que gravou com exclusividade para o Spotify, revisitando sem mexer um tico na ótima “Brooklyn Baby” do excelente Ultraviolence de Lana Del Rey que está completando dez anos este ano. Uma boa deixa para voltarmos a ouvir este que é meu disco favorito da Laninha…

Ouça abaixo:  

Gena Rowlands (1930-2024)

Morreu uma das maiores atrizes de todos os tempos. Gena Rowlands é autora de uma das maiores atuações da história do cinema, quando interpretou a protagonista do clássico Uma Mulher Sob a Influência (1974), dirigida por seu marido à época, o mitológico John Cassavetes, de quem era, além de esposa, sua musa – juntos fizeram 10 filmes, entre eles outro grande momento da carreira da atriz, no final Glória (1980). Atriz de teatro que desbravou o cinema e a TV, ela também ficou conhecida pelo público mais recente a partir do filme Diário de Uma Paixão (2004), dirigida por outro Cassavetes, Nick, seu filho, ao interpretar uma mulher mais velha que sofria de Alzheimer. Ironicamente, o próprio Nick foi quem tornou pública a condição de sua mãe, que há cinco anos sofria deste mesmo mal, e que pode ter abreviado sua vida, embora a causa da morte não tenha sido revelada.

Um passo importante

Casa cheia para assistir Ana Spalter dar um importante passo em sua primeira apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira. Em meio às gravações de seu disco de estreia, ela trouxe a banda que já a acompanha (o guitarrista Johnny Accetta, o tecladista Michael O’Brien, o baixista Pedro Petrucci e o baterista Leo de Braga) e a turbinou com a entrada de um percussionista (Bruno Tonini) e duas luxuosas vocalistas de apoio (as maravilhosas Fernanda Ouro e Luiza Villa), criando roteiro, direção de arte e estética para contar a história de seu primeiro álbum num espetáculo chamado Coisas Vêm e Vão. Trocando poucas palavras com o público na primeira metade do show, ela passeou por um repertório influenciado especificamente pelo cânone clássico da MPB para depois receber dois convidados, a saxofonista Mariana Oliveira e seu comparsa Felipe Távora, com quem faz apresentações ao vivo em dupla – e com quem teve um dos momentos mais bonitos da noite, quando dividiram os vocais em duas baladas, acompanhados apenas por Ana ao violão. A partir daí deu para perceber que Ana ficou mais à vontade e encerrou a noite mais uma vez com a banda completa, concluindo bem sua proposta: inaugurar uma nova fase em sua própria carreira.

Assista abaixo:  

Ana Spalter: Coisas Vêm e Vão

Quem toma conta desta terça-feira no Centro da Terra é a cantora, compositora e musicista paulistana Ana Spalter, que apresenta o espetáculo Coisas Vêm e Vão como um aquecimento ao vivo de seu primeiro disco solo, que está em fase de finalização. Na apresentação ela expande sua banda para além da formação com a qual já trabalha e além de contar com guitarra (Johnny Accetta), teclados (Michael O’Brien), baixo (Pedro Petrucci) e bateria (Leo de Braga), também conta com percussão (Bruno Tonini) e vocais de apoio (com Fernanda Ouro e Luiza Villa), além de contar com as participações de Mariana Oliveira (no saxofone) e Felipe Távora (nos vocais). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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