Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

“How?”

Yoko segue faturando em cima da fama do marido morto – desta vez, botou o Lennon pra falar em laptops diretamente da tumba, graças à reconstrução digital de trechos de gravações com ele.

Fico imaginando o velho John resmungando ao cogitarem seu nome para uma propaganda dessas, se estivesse vivo…

Os 50 melhores discos de 2008: 33) Girl Talk – Feed the Animals

Se o mashup é o gênero musical que melhor reflete a década (remixada, esquizofrênica, rock e dance ao mesmo tempo, infame e divertida), Girl Talk é o espelho que os 2ManyDJs haviam imaginado no ano 2000. Mas se o Night Ripper tinha sido um dos discos cruciais para entender 2006, neste ano Gregg Gills simplesmente fez um upgrade básico, sem propor nada propriamente novo. A impressionante montanha russa de samples ainda causa espanto e delírio ao mesmo tempo em que é impossível acompanhá-la de forma racional – esqueça quem está cantando o que, deixe-se levar pelo convite de ouvir boa parte da produção pop do final do século 20 num flashback no liquificador, que não tritura as diferentes partes dos singles usados transformando-os em uma maçaroca de som – e sim os derrete com gosto e pulso firme, deixando todos os temperos usados facilmente reconhecível. Feed the Animals ainda se deu ao luxo de desafiar abertamente os detentores dos direitos autorais usados – se o primeiro disco teve uma prensagem mínima e foi mais distribuído em formas não tradicionais de divulgação oficial (como sites de compartilhamento e redes P2P), o Girl Talk em 2008 tinha endereço virtual para ser encontrado e quem quisesse ainda podia pagar por sua obra, como o Radiohead havia cogitado em 2007. Mas mesmo repetindo a própria fórmula, Gills ainda conseguiu fazer um discaço – tão bom quanto importante. Agora é torcer para ele se reinventar – porque ele sabe que essa é a regra.

33) Girl Talk – Feed the Animals

Girl Talk – “Give Me a Beat

Link Eldorado – 25 de janeiro de 2009

O programa de hoje dá uma geral na Campus Party 2009, fala das primeiras decisões de Barack Obama na área digital, mapas online e da situação dos blogueiros políticos na China. No som temos Nick Cave com Kylie Minogue, Lily Allen tocando Clash, Hot Chip tocando Joy Division, Michael Feinstein tocando Cole Porter, Quincy Jones e Stepháne Grappelli. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, às 21h, na rádio Eldorado de São Paulo.

4:20

Killers – “The World We Live In”

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C/E 032010

Fmaj7 G C/E Fmaj7
This is the world that we live in, I feel myself get tired.
Fmaj7 G
This is the world that we live in.

Cm Cm Cm Cm

Cm Cm Am Am Ab
Well maybe I was mistaken, I heard a rumour that you quit this day and age.
Ab C C
Well maybe I was mistaken.
F (G) Am (Bb) C C
Bless your body, bless your soul, pray for peace and self-control.
Cm Cm Am Am Ab
I gotta believe it’s worth it, without a victory I’m so sanctified and free.
Ab C C
Well maybe I’m just mistaken.
Am Bb C C Am Bb C C
Lesson learned and the wheels keep turning.

F G C/E F
This is the world that we live in, I can’t take blame for two.
F G C/E F
This is the world that we live in, and maybe we’ll make it through – aaah.

Cm Cm Am Am
Ab Ab C C

F (G) Am (Bb) C C
Bless your body, bless your soul, reel me in and cut my throat.
F (G) Am (Bb) C C
Underneath the waterfall, baby we’re still in this – woah, yeah!

F G C/E F
This is the world that we live in, I feel myself get tired.
F G
This is the world that we live in.

Eb Cm Bb F
I had a dream that I was falling (down).
Ab Ab C C Am
There’s no next time alone.
Bb C C
A storm wastes its water on me.
Am Bb C C
But my heart, was free.

F G C/E F
I guess it’s the world that we live in, it’s not too late for that.
F G C/E F
This is the world that we live in, I know we can’t go back.
F G C/E F
This is the world that we live in, I still want something real.
F G C/E F
This is the world that we live in, I know that, we can heal,
F G C/E F F G C/E F
Over time (This is the world that we live in.)

F G C/E F F G C/E F
(This is the world that we live in.)
F G C/E F

Falando no Bush…

Bem bom esse texto que a Míriam Leitão escreveu sobre o legado do Bush júnior no domingo passado:

Adeus, Bush

Foi ruim enquanto durou. O governo George W. Bush mentiu, torturou, prendeu pessoas sem acusação, teve prisões secretas, arruinou a economia, deixou um rombo nas contas públicas, desrespeitou a ONU, fez duas guerras, bloqueou acordos contra o aquecimento global, desamparou as vítimas do Katrina, censurou cientistas. Sim, foi pior do que o governo que odiávamos tanto: o de Richard Nixon.

Não, a História não lhe dará razão. Pode fazer o contrário: confirmar as piores suspeitas. Já começa a fazer isso. Bob Woodward, sempre ele, o lendário repórter do Watergate, publicou no “Washington Post” a confirmação de que em Guantánamo se torturava. Mohammed Al-Qahtani, um saudita, foi mantido isolado, impedido de dormir, exposto nu a frio extremo, sofreu afogamentos e outras perversidades próprias de governos extremistas. Quem confirmou isso ao jornalista não foi um “garganta profunda”, mas alguém de quem se sabe nome, rosto e cargo: a juíza Susan Crawford, funcionária do Pentágono, com autoridade de decidir quem deveria ir ou não a julgamento. Qahtani não irá a julgamento porque seu interrogatório foi criminoso. “Nós torturamos”, reconheceu.

George W. Bush foi para a vida americana o que o AI-5 foi no Brasil. Pessoas sumiam sem qualquer acusação formal, eram mantidas presas sem processo e formação de culpa, cientistas do governo, que alertaram sobre aquecimento global, foram perseguidos ou tiveram seus textos alterados, cidadãos tiveram conversas gravadas sem autorização judicial.

No princípio, foi a fraude eleitoral; no fim, o apocalipse econômico. O governo Bush foi todo equivocado, com um intervalo em que ele perdeu a chance aberta por uma tragédia: o 11 de Setembro. A primeira eleição foi perdida no voto popular e vencida no colégio eleitoral graças à manipulação na contagem dos votos no estado governado pelo irmão Jeb Bush, a Flórida. Foi o pior momento recente do sistema eleitoral americano, em que se viu o quanto o sistema e o método de votação haviam envelhecido.

A tragédia do 11 de Setembro abriu uma chance ao presidente. A população americana se uniu em torno da pessoa que representava a instituição máxima da Nação. O mundo se solidarizou com os Estados Unidos e sofreu pelos mais de três mil inocentes que morreram enquanto trabalhavam, ou andavam pelas ruas da cidade mais internacional do planeta. O terrorismo agindo em rede só podia ser enfrentado pelos governos unidos em rede. Bush fez naufragar essa chance, aberta pelo sofrimento e pelo luto, ao escolher o caminho do isolacionismo, do desrespeito às leis internacionais e do enfraquecimento das Nações Unidas.

Se, na luta contra os Talibãs, o governo americano teve o apoio da maioria da opinião pública mundial, na guerra do Iraque ele violou princípios e alienou aliados. Agora, Bush admite que errou ao apostar na existência das armas de destruição em massa. É tarde. Na época, ele ignorou os relatórios da ONU e a oposição de amigos como a França e a Alemanha. Saddam Hussein era um ditador e ninguém o chora, a não ser seus adeptos ferrenhos. Mas a civilização ganharia se ele fosse deposto de outra forma. O julgamento viciado e o enforcamento grotesco não ajudam a fortalecer princípios e valores democráticos.

Bush não criou um mundo mais seguro com suas guerras sem fim. O mundo estará mais seguro dentro de dois dias, quando chegar ao fim a era Bush. O desafio da luta contra a irracionalidade do terrorismo vai continuar, e testará o novo presidente. Mas se houver uma cooperação entre os países aliados e os organismos internacionais e respeito às leis e valores, haverá mais esperança de vencer.

Na economia, seu governo não foi apenas inepto. Foi irresponsável. Foram perseguidos e silenciados os que dentro da máquina pública alertaram para o risco da bolha imobiliária. Os sinais da excessiva ausência do Estado, no seu papel regulador e fiscalizador, ficaram cada vez mais contundentes. E a resposta foi mais ausência. Bush chegou a tentar nomear executivos da indústria de derivativos para órgãos reguladores do setor imobiliário. Surfou na bolha para se reeleger. O estouro lançou o mundo na era de incerteza. E até ontem, hora final, a crise bancária voltou a piorar.

Os republicanos tinham ao menos a fama de ser responsáveis fiscalmente. Hoje já não podem dizer isso. O governo George W. Bush recebeu os EUA com superávit orçamentário e entrega o país com um enorme déficit, que pode chegar a US$ 1,3 trilhão, e uma dívida crescente.

Bush sabotou deliberada e persistentemente todos os esforços do mundo para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Não por acaso, o estado campeão de emissões no país é exatamente o Texas. Foi incompetente no Katrina, antes e depois da tragédia, e não entendeu o alerta da natureza. Qualquer minuto de atraso na luta para preservar o planeta é um crime contra as gerações futuras, que herdarão a Terra.

Difícil saber onde Bush não errou. A boa notícia desta manhã de sábado é que faltam dois dias para o fim dos longos e duros oito anos. Terça-feira há de ser outro dia.

Esqueça!

Palavras para o Domingo XXXI: “Hermes Trismegisto e a Sua Celeste Tábua de Esmeralda”

Hermes Trismegisto escreveu
Com uma ponta de diamante em uma lâmina de esmeralda

O que está embaixo é como o que está no alto,
E o que está no alto é como o que está embaixo.

E por essas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só.
E como todas essas coisas são e provêm de um
Pela mediação do um,
Assim todas as coisas são nascidas desta única coisa por adaptação.

O sol é seu pai, a lua é a mãe.
O vento o trouxe em seu ventre.
A terra é seu nutriz e receptáculo.

O Pai de tudo, o Thelemeu do mundo universal está aqui.
O Pai de tudo, o Thelemeu do mundo universal está aqui.

Sua força ou potência está inteira,
Se ela é convertida em terra.

Tu separarás a terra do fogo e o sutil do espesso,
Docemente, com grande desvelo.
Pois Ele ascende da terra e descende do céu
E recebe a força das coisas superiores
e das coisas inferiores.

Tu terás por esse meio a glória do mundo,
E toda obscuridade fugirá de ti.
E toda obscuridade fugirá de ti.

É a força de toda força,
Pois ela vencerá qualquer coisa sutil
E penetrará qualquer coisa sólida.
Assim, o mundo foi criado.
Disso sairão admiráveis adaptações,
Das quais aqui o meio é dado.

Por isso fui chamado Hermes Trismegistro,
Por isso fui chamado Hermes Trismegistro,

Tendo as três partes da filosofia universal.
Tendo as três partes da filosofia universal.

O que disse da Obra Solar está completo.
O que disse da Obra Solar está completo.

Hermes Trismegisto escreveu com uma ponta de diamante em uma lâmina de esmeralda.
Hermes Trismegisto escreveu com uma ponta de diamante em uma lâmina de esmeralda.


Jorge Ben – “Hermes Trismegisto e a Sua Celeste Tábua de Esmeralda

Um dia na vida de Hunter Thompson

15h: Acorda
15h05: Chivas Regal, Jornais, cigarros Dunhill com Piteira
15h45: Cocaína
15h50: Mais Chivas e Dunhills
16h05: Café e Dunhills
16h15: Cocaína
16h16: Suco de laranja e Dunhills
16h30: Cocaína
16h54: Cocaína
17h05: Cocaína
17h11: Café e Dunhills
17h30: Mais gelo no Chivas
17h45: Cocaína
18h00: Maconha
19h05: Almoço na Taverna Woody Creek – cerveja, duas margaritas, dois cheeseburgers, duas porções de fritas, um prato de tomates, uma salada com taco, uma porção dupla de cebola frita, torta de cenoura, sorvete, um bolinho de feijão, mais Dunhills, outra cerveja, cocaína, e um cone de sorvete com uísque.
21h: Começa a cheirar cocaína a sério
22h: Ácido
23h: Vinho, cocaína e maconha
23h30: Cocaína
00h: HST está pronto para escrever
00h às 6h: Vinho, cocaína, maconha, Chivas, café, cerveja, suco de grapefruit, Dunhills, suco de laranja, gim, sessão contínua de filmes pornográficos
6h: Banho de banheira, com champanhe e fettuccine Alfredo
8h: Halcyon
8h20: Pega no sono

Pinçado no Fred.

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