WhoMadeWho x Franz Ferdinand
Falando em Franz, o Bruno linkou esse remix feito pelos dinamarqueses do WhoMadeWho, que estão começando a aparecer.
Falando em Franz, o Bruno linkou esse remix feito pelos dinamarqueses do WhoMadeWho, que estão começando a aparecer.
A faixa de hoje traz a Céu se espreguiçando de outro jeito, roçando sua “Cangote” ainda mais perto do ouvido, a textura de sua voz ainda mais clara, passando calor. Do lado de lá, o Bruno chama os Do Amor.
Céu – “Cangote“
Que show foda. Depois eu conto melhor. Tem mais vídeos aqui, ó.
Se você não viu o episódio passado, cuidado com os spoilers abaixo. Se você viu, se segura:
Hector acertou em cheio, hein. E reparem no padrão: sempre que um episódio em que diversas perguntas cruciais são respondidas, pouca coisa acontece em relação à história principal, como se os autores frisassem o tempo todo que a história dos passageiros do 815 que a briga entre Jacob e o Men in Black (que é uma corrente magnética, um Dr. Manhattan steampunk, não?). O Gabriel ainda me passa esse vídeo dos cursos abertos do MIT em que o professor Walter Lewin explica a Lei de Faraday (a partir dos 5:26) e que pode explicar as duas realidades que estamos assistindo nessa temporada. E como perguntar não ofende, e se o fumaça preta escapou da ilha pelo fundo do mar e deu origem a um certo monstro?
Nerdismo tem limite, rapeize…
Citei o Fibonacci no início da semana e o Hemetério me indicou esse videozinho.
Peraí, Pedro:
É fácil perceber que Mallu não tem autoridade sobre o público. Não tem, nem poderia ter. Alguém disse a essa doce menina que ela estava pronta – o pai, alguns publicitários “geniais”, um bando de jornalistas escrevendo escrevendo escrevendo sobre ela. São (somos) todos cúmplices de uma crueldade.
“Eu saí de uma escola de que eu gostava, e meus amigos dessa escola vieram hoje”, a pequena comemora, morrendo de vontade de estar feliz. Os coleguinhas a aplaudem, solidários. Eles provavelmente só estudam, enquanto a amiga mais “famosa” deixa as bonecas de lado para pegar no pesado.
Espalhou-se isto por aí, mas, não, ela não é uma garota-prodígio. É uma menina de 17 anos forçada a trabalhar duro como a mulher feita e dona de si que ainda não é. Não deve ser por outra razão que pensa gostar tanto de folk – aí está um gênero musical gringo que fala desesperadamente de prisão, escravidão, assuns pretos, blackbirds, exploração e desejos de libertação. Não é por outra razão que “Don’t Think Twice, It’s All Right”, de Bob Dylan, veste tão sob medida nessa menina.
…quer dizer que Mallu Magalhães é exploração de trabalho infantil? Não custa lembrar que o próprio Dylan já fazia shows antes dos 20. Se Mallu tem de se apresentar no Ibirapuera e não no palquinho da escola ou do bairro, não é só questão de culpa ou cumplicidade, mas reflexo da época em que vivemos – Mallu não é a primeira (lembra do Michael…), não vai ser a última.
Mallu não foi forçada a cantar, ela não compõe por pilha alheia, não é obrigada a continuar artista – ela faz porque gosta. Pode ser que depois jogue tudo para o alto e vire dona de casa, o ponto não é esse. Tem mais a ver com o papel do artista no século 21, que está deixando de virar essa deformidade genialesca inventada pela indústria cultural (gente que precisa de “tempo para criar”, “silêncio para pensar”, limusine-cinco-estrelas, ó quão especiais) para se tornar característica do dia-a-dia de cada um. Se ela é um gênio, um prodígio ou só mais uma menininha sem graça, isso não interessa (ao menos, não a nós). O que importa é que ela é parte de uma mudança de lógica que já está em curso há pelo menos dez anos e não é registrada pelo jornalismo cultural, afinal, ainda precisamos de ídolos e de descobrir os novos Beatles e os novos Caetanos.