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Lost por Tiago Doria

Lost é apenas o começo.

Acredito que muito do impacto de Lost reside no fato de ser a primeira grande série que estreou com a internet mais consolidada entre as pessoas. Esse detalhe potencializou todo o ecossistema criado em torno da série.

O interessante é que a série ajudou a quebrar e a provar certas premissas.

Primeiro, provou que o consumo de vídeos de longa duração na web era viável. Meio óbvio falar isso hoje em dia, mas até pouco tempo atrás existia um mito de que as pessoas somente teriam paciência para assistir a vídeos de até 3 minutos na web. Hoje é comum conhecer pessoas que assistiram a toda série sem nunca terem se sentado diante de uma televisão. Consumiram tudo em frente a tela de um computador.

Mais: Lost também provou que um modelo menos restritivo de distribuição é possível.Um dia após a exibição na TV, os episódios eram disponibilizados no site da ABC, inclusive via streaming, tecnologia cada vez mais endossada pela indústria de música e filmes.

Aliás, Lost foi uma das primeiras séries a estar disponível na loja online iTunes, chegando a servir de carro-chefe para a inauguração da versão alemã da loja da Apple.

Depois de Lost será difícil assistir a uma série como antes. Sem ter a alguns cliques de distância os episódios para assistir quando e onde quiser, as teorias das conspirações, as comunidades online para discutir cada detalhe da série, os remixes publicados no YouTube, os ARGs, enfim todo o rico ecossistema criado em torno da série.

No caso de Lost, assistir a um capítulo era apenas o início da experiência. Reflexo de que, hoje em dia, o consumo de um conteúdo (seja uma notícia, música, filme) deixou de ser apenas o ponto de chegada. É o início da experiência.

* Tiago Doria é um dos poucos caras que escreve sobre mídia e tecnologia no Brasil que precisa ser lido sempre

Lost por Chico Barney

A grande sacada de Lost foi ensinar ao homem comum a se portar feito um mané. Depois de anos sendo motivos de chacota entre a sociedade civil, fãs de Arquivo X, Star Trek e Star Wars tiveram enfim o gostinho da vingança.

Uma não-trama de eternos seis anos conseguiu segurar na frente do computador uma infinidade de pessoas como eu e você, que nunca foram fãs de metal, dão um rolé no shopping com a namorada, eventualmente vão a praia e, vai saber, talvez nem tenham um perfil no Twitter.

Isso porque, principalmente no início, Lost soube disfarçar muito bem. Enquanto ficava apenas sugerindo o que havia de cretino em sua história, a ilha passava muito bem por um entretenimento decente para o cidadão de bem. Tínhamos dramas pessoais plausíveis, ainda que entre sussurros e defuntos na floresta, com personagens até interessantes.

Enquanto tudo era apenas sugerido, como em um soft porn do Multishow, havia beleza e bom entretenimento. Os últimos anos do programa foram como se tivessemos closes ginecológicos em um soft porn do Multishow, destrinchando coisas que não estavam necessariamente acontecendo.

E quando passamos a descobrir o que realmente estavam nos contando, foi um tapa na cara da sociedade – e ficou uma marca estilo “vida longa e próspera” do trekker devidamente vingado.

* Chico Barney é um dos ícones da internet brasileira.

Let’s get Lost

Bom dia, aqui quem fala é o seu capitão Alexandre Matias e este é o último vôo da Oceanic Airlines rumo ao desconhecido. Nossa viagem durará 36 horas a partir das 8 desta manhã de sábado e tem hora para terminar, às 8 da noite de domingo. O destino: The End, episódio que encerra esta longa e bizarra lista de espera para saber as respostas para um monte de perguntas que, há seis anos, não incomodava a vida de ninguém. Para que nossa viagem não se torne cansativa, chamei alguns compadres e comadres para dividir com vocês todas as teorias, especulações, achismos, sensações, tensões e delírios sobre a série. Daqui a pouco muito mais gente que fez cara feia para Lost vai rever tudo – nem que seja pra falar mal -, fora gente que ainda nem nasceu que vai voltar à série como quem volta a um clássico. Mas só quem está nesta viagem, no dia 22 de maio de 2010, saberá o que foi viver a experiência da série. Espero que gostem. Apertem os cintos, boa viagem e é um prazer ter você a bordo de uma viagem do Trabalho Sujo.

* E se você quiser mandar sua contribuição (seja texto, foto, cartum, mixtape ou vídeo), me mande por email.

Faltam dois dias

E não se esqueçam que a partir de amanhã, às 8 da manhã, eu e um monte de malucos lhe faremos companhia até a hora do último episódio.