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Crumb, Shelton e eu

A vinda de Robert Crumb e Gilbert Shelton à Flip deste ano foi recebida com entusiasmo por muitos e por desdém por alguns, que reclamam da ausência de literatura da festa em Parati. Como não me animo a ir em eventos de escritores e sou avesso a botecos (já me basta ficar sentado na hora de trabalhar), comemorei mais a vinda dos dois como mais uma vitória da combalidade contracultura, que restou ser paga para posar de outsider nesses tempos neocon (eles já estão passando, perceba). Mas ao mesmo tempo a conjunção de dois patronos do quadrinho underground acendeu uma lâmpada num quarto emocional do meu cérebro. Foi com Crumb e Shelton que eu comecei a traduzir livros.

Eu havia acabado de ser demitido da Conrad e fazia os cálculos para ver se a vida de frila pagaria minhas contas. E entre os frilas que pintaram um dos primeiros foi o convite do Rogério para uma tradução. Rogério no caso é o de Campos, que até hoje está na Conrad, que fundou com o Forastieri ainda com nome de Acme. Os dois já não andavam bem entre si – o que culminaria, mais tarde, com a saída do André da Conrad – e quando o Rogério soube que o André havia me dado o cartão vermelho, me chamou para frilar. Não gostei muito de ver que entraria no meio da rusga dos sócios por causa de um frila, mas quando o Rogério me disse que era para traduzir o primeiro lançamento do Crumb pela Conrad, o álbum Zap Comix, não esquentei com a briga do casal e além da proverbial colher estava disposto a gastar todo um faqueiro para entrar nessa parada. E com o aval do Rogério (“Roxéééério”) traduzi não só o Zap como dois volumes do gato Fritz, outros dois do Mr. Natural, além de ter ajudado na preparação de texto do Minha Vida, traduzido pelo Galera. Além dos Crumb, ainda fui tradutor, sozinho, dos dois volumes dos Freak Brothers, do Shelton, lançados pela editora.

Ao saber do anúncio da vinda dos dois, lembrei-me de quando ainda morava numa casa de vila na Vila Mariana e passava madrugadas de dias da semana entre originais em inglês dos quadrinhos, cópias xerocadas dos mesmos com anotações e algumas edições nacionais anteriores – com suas traduções coxais (quase chorei de raiva ao ler, mais de uma vez, “smack” sendo traduzido por “beijinho”). Lembrei de quando fazia o Mateus, a Pri ou o Arthur reler pela quinta vez o mesmo trecho específico, para termos certeza de que a tradução estava correta, ou de fazê-los esperar por duas ou três páginas que deviam ser entregues no dia anterior. Eles sabiam que era esmero – e me orgulho hoje de ter traduzido cada “man…” em final de frase por “bicho…”, de ter abrasileirado bem todas as gírias e de ter incluído um ou outro “altos massa” no meio dos balões.

Depois deles, me aventurei por outras traduças da editora – e além de quadrinhos também me percorri dois livros densos e deliciosos: a coletânea de contos Futuro Proibido (que deveria ter um volume 2, também traduzido, mas que nunca saiu) e o livro Chuva de Estrelas. O primeiro era uma antologia de ficção científica, que me deu o prazer de traduzir Burroughs, Ballard, Gibson, Rucker, Sterling, entre outros, e o segundo foi escrito pelo mesmo Peter Lamborn Wilson que também assinava livros como o libertário radical Hakim Bey e linka diferentes tradições religiosas ou filosóficas (xamanismo, taoísmo, sufismo) pelo mundo cuja iniciação se dá sem mestre e através dos sonhos.

Entrevistaria Crumb e Shelton com prazer, mas só sairia de casa para vê-los se soubesse que não ia pegar fila e que teria lugar marcado. Descer pra Parati para assisti-los então, só com muitas doses de boa vontade. Mas só de saber da vinda simultânea de ambos para o Brasil já foi bom o suficiente por abrir essa janela na memória. Bom saber.

Todo Supercordas



Antes da banda existir, eu gravei muitas coisas num porta-estúdio de fita. Primeiro com uma banda ultra-psicodélica chamada ‘Psylocibian Devils’, depois como Bonifrate mesmo e depois me juntei ao Valentino pra gravar como ‘Vitrola Photossintética’. Tudo isso nunca passou dos nossos porões musguentos e mofados até formarmos os ‘Supercordas’. No ano passado meu disco ‘Os Anões da Villa do Magma’ foi lançado pela Peligro e até tenho feito uns showzinhos por aí, com banda (Os Anões) ou só com o violão e o Giraknob nas ambientações. Falando no Giraknob, ele também faz os trabalhos eletroacústicos dele. Tem um disco lançado pela Fronha Records daqui do Rio e algumas faixas a serem lançadas. Nosso mais novo integrante, o Digital Ameríndio, é baterista, mas também um baita de um compositor genial. Em breve vou postar uns discos dele no blog da Shroom Records. O Kauê também faz canções, mas ainda não as lançou. Talvez alguma entre no próximo disco dos Supercordas.

Dica do Marcelo: os Supercordas têm um blog em que despejam toda sua produção, inclusive o que não foi lançado não-oficialmente. E o blog Eu Ovo, de onde eu tirei a aspa acima (do Bonifrate), ainda compilou uma coletânea que encontrou numa pasta “2006 Outtakes Demos Covers Etc” de um usuário do Soulseek chamado supercuerda.

Vale destacar: Marcelo Camelo

“Os cientistas todos têm barba. É uma parada que avisa que você não está nesta vida de brincadeira.”

Camelo na Trip.

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A l l  w o r k
a n d
n o  b e a r d
m a k e s  S t a n
a  d u l l  b o y .

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    work     no       makes      a      boy.
All      and    beard       Stan   dull

All work and no beard makes Stan a dull boy.

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Psy micareta

Camilo conseguiu capturar um exemplar desta espécie, um mashup ainda selvagem, correndo solto, livre e feliz pela pradaria da molambagem brasileira, o YouTube.

Temo o que pode acontecer quando este bicho for domado, maquiado, penteado, bem vestido, bem apessado, desbanguelado e virar “pessoa humana incrível” no Faustão. Pobre Brasil.

Parangolé Rebolation

E ainda no espírito da molambagem, o mashup proposto pela Lia Lessa – a inacreditável “Rebolation” como trilha sonora para o conceito brasileiro de anti-arte – é um imenso ponto de interrogação querendo virar exclamação. Nem o Oiticica sabe o que faz no túmulo, se gira ou se rebola.