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A volta dos Strokes, por Thaís Mendes

A Thaís foi uma das 500 pessoas que estiveram no show de volta que os Strokes deram na quarta passada e eu pedi pra ela me deixar postar seu relato sobre o evento aqui no Sujo – e ela deixou. Valeu, Thaís 🙂

Eu não sabia. Não sabia que eles estavam planejando um retorno, e não sabia que esse retorno seria assim, surpresa, under the radar, completamente underground (ninguém sabia, aparentemente). Foi o email de um amigo conectado ao povo do Dingwalls dizendo que estava na luta pelos tais ingressos que me atiçou a curiosidade. Ele não me disse mais nada, e daí, pelos poderes do Google e do twitter, começou a maior caça ao tesouro desde 2007, quando o festival Glastonbury retornou depois de um break e 135 mil tickets foram vendidos em 1hr e 45min (eu também estava entre esses felizardos).

As 6 da tarde do dia 8, só o site da revista NME tinha se ligado na primeira pista. A banda havia postado no twitter (que eu não seguia) a imagem de um logo extremamente parecido com o deles onde se lia “Venison”, e na sequência, uma foto do canal que passa por Camden Town. Eles traçaram o tal logo ao site do Dingwalls, que incluiu em sua programação um show do tal Venison no dia seguinte, e uma única descrição: “Formely known as The Shitty Beatles.” Tickets seriam vendidos somente através do site da casa dali a 3 horas, as 9pm.

Obviamente, 3 horas no mundo virtual é MUITO tempo, ainda mais pra fãs tão dedicados como os do Strokes, e o site da casa caiu, quarenta e cinco minutos antes. Nove da noite o mundo estava dando reload na página inicial, e nada do link dos ingressos aparecer. No twitter, amigos frustrados já haviam desistido da idéia 20 minutos depois, mas dando um search em “strokes”, achei o username “VenisonFans”, conta de uma fã die-hard irlandesa que, até agora não sei como, tinha o link alternativo que levava aos benditos tickets. O momento que ela postou o link foi exatamente o momento que eu comecei a segui-la, e well, 20 libras mais tarde, eu era a felizarda recipiente de 2 ingressos (e confesso: podia ter comprado mais 2, já que meu BF conseguiu acessar o link ao mesmo tempo no computador do lado…mas deixamos pra lá, num raro momento anti-lucro).

Cheguei tarde, meia hora antes de as portas abrirem, e a fila estava curta e excessivamente calma. Uns poucos indie kids devidamente trajados em seus skinny-jeans-skinny-jaqueta-de-couro combo posavam com plaquinhas onde se lia “DESPERATE STROKES FAN, WILL PAY £XX FOR PAIR OF TICKETS” (valores entre £50 e £100), e um repórter da rádio BBC6 perguntava ao povo na fila quanto cada um tinha pago pelo seu (horas antes, um amigo disse no Facebook que a mesma rádio divulgou oferta de 6 mil libras.) Um espanhol se aproxima: venderia os meus por £300? No, thanks. Okay, £400? Hm. No, thanks, go away, antes que eu mude de ideia.

Na fila descubro feliz que seremos cinco brazucas (no final do show, éramos 7 – dois malucos conseguiram entrar no “jeitinho,” OF COURSE), e as portas abrindo, me dou conta do real tamanho do Dingwalls. É minúsculo pra uma banda desse porte. Tem um palquinho baixo, uma pistinha escura, duas bancadas/degraus, e um bar no fundo. Devagar, o lugar foi enchendo com calma, todo mundo se distribuindo de acordo: ninguém correu, ou se empurrou, ou deu de babaca. Parecia que aquele era só mais uma gig de uma banda qualquer, mas algo me dizia que a calmaria não ia durar, e do alto do meu 1 metro e meio, escolhi a bancada esquerda pra me posicionar estrategicamente. Iria tentar driblar os seguranças-armários e fotografar/filmar tudo para os incontáveis fãs malucos que me adicionavam no twitter aos quilos (graças a irlandesa die-hard, que me achou e divulgou).

Realmente, a calmaria não durou. Ás 9:20pm, Julian, Albert, Fabrizio, Nick e Niko, subiram no palco e 400 pessoas entraram em êxtase coletivo. Iniciando com “New York City Cops”, os 5 fizeram um set histórico só, SÓ com os maiores hits da banda desde 2001, em um clima de puro rock’n’roll: palco pouco iluminado, teto pingando o suor condensado de uma platéia que gritava todas as letras como se fosse rasgar as cordas vocais pra sempre (e Julian, mesmo assim, não deixou de cantar um segundo), em uma pista que se movia como uma serpente humana de tão sincronizados que eram os pulos. Foi uma paulada atrás da outra: “Modern Age”, “Hard To Explain”, “Soma”, “You Only Live Once”… a hora que o clássico riff de “Last Nite” entrou, foi como se todo mundo tivesse sido abençoado pelos deuses do rock: nós, os brazucas, a essa altura nos abraçávamos e dava parabéns uns aos outros, não acreditando na própria sorte. Julian, bem-humorado, brinca com um tênis perdido de algum fã, e agradece dizendo “You guys are the shit.”

Uma hora depois, a banda pausa e deixa a platéia, completamente fora de si, gritando “VENISON! VENISON!” Cinco minutos depois, retornam pra mais cinco musicas, e encerram com “Take It or Leave It.” They leave it, rápidos como entraram, sem apresentar nenhum material novo. Ninguém parecia decepcionado.

Tive sérias dificuldades pra filmar. Primeiro, de medo de ser arrastada pra fora por um dos armários, segundo, por medo de perder aquele momento único. Eu queria mesmo era ter me juntado a serpente humana (morreria esmagada, provavelmemte), mas a vontade de dividir foi maior e eu tentei ser firme. Falhei, claro. O resultado, altamente tremido, está entrando aos poucos no meu canal do youtube, que os malucos do twitter divulgaram ao redor do mundo.

No final, nós 5, mais uma francesa que fala português, e os dois brazucas penetras, fomos pro bar ao lado comemorar, cada um segurando orgulhoso sua camiseta com o logo da Venison. Não sem antes esbarrar em Chris Martin, aquele do Coldplay, saindo do show tão feliz quanto nós.


“Eu gosto de estar no meio da moçada para saber como a juventude se sente”

Blogs ao redor do mundo se perguntam qual foi o motivo dessa aparição, se não foi uma indulgência elitista sem sentido, já que não houve nenhuma musica nova. Eu nem quero saber. Foi um privilégio sem tamanho ter acesso a um evento desse, sem hype, sem mídia, organizado, freqüentado e apresentado por paixão.

Como disse meu amigo Thellius:

@thellius 


Imagine [going] back to 2001 in NYC undergrounds and see The Strokes playing in a very small venue an all-hit gig for 400 insanely lucky people. 10 June 2010 03:25:06 via web

@thellius That was my night. Best gig of my life. 10 June 2010 03:25:21 via web


Olha a cara de felicidade da Thaís, no meio da foto

ps: fotos e vídeos tudo meu, então DEEM CREDITOS, GENTE DA MIDIA BRAZUCA, tb sô jornalista pô. 🙂

Spoon – “The Mystery Zone”

A Dmsus7
Picture yourself, Set up for good in a whole other life
A
In the mystery zone
A
Make us a house, Some far away town
Dmsus7 A
Where nobody will know us well, Where your dad’s not around
A
And all the trouble you look for all your life
Dmsus7 A
You will find it for sure, In the mystery zone
A FmajC
Times that we met
GmajD A
Before we met…hhmmm light on mister (?)
FmajC GmajD
Times that we met…hmmmm
A
We’ll go there

(F *bass* G) Am and Asus(pluck through whole chorus)
To the mystery zone
(F *bass* G) Am and Asus
Ah the mystery zone

A
There goes the rider, At gates of dawn
Dmsus7 A
He takes no prisoners at all, He’ll be there on his own
A
What gets him going, Off down that road
Dmsus7 A
Is something he don’t understand, ooo the mystery zone
A
Maybe all he wants, Maybe all he needs
Dmsus7
Is to know that the sun don’t set
A
On the mystery zone
A FmajC GmajD A
How come it feels so familiar When you never been there?
A FmajC GmajD A
How come it seems so unreachable You never tried to find
A (F *bass* G) Am and Asus
Never tired to find the mystery zone
(F *bass* G) Am and Asus
Mystery zone, oooh

Dmsus7: x03230
FmajC: x3x210
GmajD: x5x430
Asus: x02200

Grizzly Bear – “Two Weeks”

F Am C
F Am C

F Am C
Save up all the days
F Am C
A routine relays
F Am
Just like yesterday
C F Am C
I told you I would stay

Bb F C
Would you always
Bb F C
Maybe sometimes
Bb F C
Make it easy
Bb F C
Take your time

F Am C

F Am C
Think of all the ways
F Am C
Momentary phase
F Am
Just like yesterday
C F Am C
I told you I would stay

F Am C
Every time you try
F Am C
Quarter half the mile
F Am
Just like yesterday
C F Am C
I told you I would stay

Bb F C
Would you always
Bb F C
Maybe sometimes
Bb F C
Make it easy
Bb F C
Take your time

Vuvuzela of the week


Foto: Mini

“Toda vez que a palavra ‘vuvuzela’ é lida, dita ou ouvida, um espírito milenar maligno fica mais forte”, me disse um morador de rua depois que eu lhe neguei dois reais pra comprar pão. Bobagem. Mesmo a trombeta sul-africana não tendo nada que a distingua da boa e velha corneta que freqüenta o cotidiano futebolístico há uns bons anos (décadas? Me falha a memória), a impressão que eu tenho é que o termo é só uma forma de fazer a imprensa esportiva entender o conceito de tag.

Calvin mindfuck

Daddy issues – e por causa de um disco, pobre coitado.