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Rihanna + Mickey

Ok, se a rodada é mediana, vamos com uma carta que é só legalzinha. Agora é a vez do Tomás, de novo.

Top 75 – 2 de agosto de 2010

E a capa do Top 75 da semana é do Mumu, que diz-se “inspirado no episódio da Turma do Didi” deste domingo. Vai entender.

  1. Soko – “I’ll Never Love You More”
  2. Lulina – “Argumentos”
  3. John Cale – “Fear is the Man’s Best Friend”
  4. Nick Cave & the Bad Seeds – “Mersey Seat”
  5. The Bird and The Bee – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
  6. Supercordas – “Índico de Estrelas”
  7. Arnaldo Baptista – “Eu Não Estou Nem Aí”
  8. Lissie – “Pursuit of Happiness”
  9. Tame Impala – “Remember Me”
  10. Tulipa Ruiz – “Efêmera”
  11. Xx – “Shelter (DJ Cremoso Remix)”
  12. Mombojó – “Papapa”
  13. Apples in Stereo – “Dance Floor”
  14. Julian Casablancas – “I’ll Try Anything”
  15. Lily Allen – “Everybody’s Changing”
  16. Lobsterdust – “Say It Ain’t Flow“
  17. Of Montreal – “Sex Karma”
  18. Pavement – “Shady Lane”
  19. Céu – “Visgo da Jaca”
  20. Autotune the News – “Double Rainbow”
  21. Jamie Lidell – “The Ring”
  22. Darwin Deez – “Up in the Clouds”
  23. Music Go Music – “Warm in the Shadows”
  24. Tulipa Ruiz – “Brocal Dourado”
  25. Lady Gaga – “Paparazzi (Samba Rock remix)”
  26. Breakbot + Irfane – “Baby I’m Yours”
  27. Mayer Hawthorne – “Your Easy Lovin’ Ain’t Pleasin’ Nothin’”
  28. Miike Snow – “Billie Holiday”
  29. Cut Copy – “It’s Working”
  30. Scissor Sisters – “Invisible Light”
  31. Franz Ferdinand + Marion Cotillard – “The Eyes of Mars”
  32. Phoenix – “If I Ever Feel Better”
  33. LCD Soundsystem – “You Wanted a Hit (Soulwax Remix)”
  34. Kid Cudi – “Day’N’Night (Party Ben Remix)”
  35. Dancing Pidgeons – “Ritalin”
  36. N*E*R*D + Nelly Furtado – “Hot N Fun”
  37. Bombay Bicycle Club – “Always Like This”
  38. Wale – “Freaks (Bird Peterson Remix)”
  39. Xx – “VCR (Matthew Dear Remix)”
  40. Chromeo – “Don’t Turn the Lights On”
  41. Two Door Cinema Club – “Something Good Can Work (Twelves Remix)”
  42. Hot Chip – “Slush”
  43. Chemical Brothers – “Another World”
  44. Yeasayer – “O.N.E.”
  45. Aloe Blacc – “I Need a Dollar (Pristine Blusters & DJ Mulher ‘Millionaire’ Remix)”
  46. 80 Kidz + Lovefoxxx – “Spoiled Boy”
  47. João Brasil – “One Poker Touch”
  48. Miami Horror – “Sometimes (Bo$$ in Drama Remix)”
  49. Time – “Get it Up”
  50. Do Amor – “Chalé”
  51. Superchunk – “In Between Days”
  52. Beck – “Need You Tonight”
  53. Paul McCartney- “Check My Machine”
  54. Curtis Mayfield – “Move on Up”
  55. Pacific! – “Hot Lips”
  56. JJ – “I Know”
  57. Jamaica – “Short and Entertaining”
  58. Mayer Hawthorne – “Maybe So, Maybe No (Reggae Mix)”
  59. Astrud Gilberto – “Beginnings”
  60. Arnaldo Baptista – “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
  61. Siba + Cidadão Instigado – “Deus é uma Viagem”
  62. Cat Power – “Sea of Love”
  63. Radiohead – “Gagging Order”
  64. Anna Scouten – “Blood Bank”
  65. Lou Barlow – “On Fire”
  66. Jeff Mangum – “Oh Comely”
  67. Paulo Moura + Wagner Tiso – “Doce de Coco”
  68. Beck – “Beechwood Park”
  69. Grizzly Bear – “A Boy From School”
  70. National – “Bloodbuzz Ohio”
  71. Céu + Herbie Hancock – “Tempo de Amor”
  72. Wilco – “Via Chicago”
  73. Beatles – “Helter Skelter”
  74. Pink Floyd – “Interstellar Overdrive”
  75. Grinderman – “Heathen Child”

Impressão digital #0021: A carnavalização dos trending topics

E a minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre a dominação brasileira nos trending topics.

Trending Trópicos
…E o Brasil dominou o Twitter

As coisas andam mais depressa no mundo digital. A Copa do Mundo terminou há mais de um mês, mas o movimento “Cala Boca Galvão” parece que aconteceu anos atrás. Para quem não lembra, a tentativa de calar o locutor da Globo começou a partir das reclamações de brasileiros no Twitter, o que fez que a frase chegasse aos trending topics da rede social. Esses tópicos funcionam da seguinte forma: quando um termo é repetido várias vezes pelos usuários do Twitter, ele aparece em uma lista que apresenta quais são as frases, palavras ou expressões mais twittadas naquele instante. Eis um dos grandes trunfos do Twitter: funcionar como um termômetro do inconsciente coletivo mundial – ou ao menos das pessoas conectadas à sua rede.

“Cala Boca Galvão”, portanto, foi uma das expressões que apareceram nos trending topics logo que a Copa começou. Quem não era brasileiro e viu aquela expressão em português nos tópicos, passou a perguntar o que era aquilo. Irônicos, alguns brasileiros começaram a brincar com o significado e disseram que a frase era o slogan de um movimento que queria salvar aves em extinção no Brasil – isso foi assunto até desta coluna, domingos atrás.

Não foi a primeira vez que o Brasil chegou à lista dos tópicos mais falados no Twitter. Em junho do ano passado, o ator Ashton Kutcher resolveu brincar com a seleção brasileira e aprendeu, na lata, o significado da expressão “Chupa!” Twittou e, em pouco tempo, o termo “Chupa” estava nos trending topics.

Mas depois do “Cala Boca Galvão”, algo mudou. Cientes de que haviam emplacado um termo na lista, brasileiros começaram a twittar freneticamente para ver se alguma bobagem entrava nos trending topics. E elas começaram a entrar. Foi questão de tempo para que quem não fosse brasileiro começasse a se perguntar, como perguntaram sobre o Galvão, o que era “Fiuk”, “Cala Boca Stallone” ou “Bruna Surfistinha”. E nas últimas semanas, não apenas um ou dois, mas todos os dez tópicos mais comentados no Twitter tinham sido criados por brasileiros.

Isso gerou uma repulsa brasileira ao próprio comportamento dos brasileiros – gente inconformada, reclamando da presença de algum termo no Twitter, sem perceber que, ao reclamar dele, o ajudava a mantê-lo no topo. Mas é um comportamento típico: reclamar que o brasileiro avacalha tudo e que isso é coisa de subdesenvolvido.

O engraçado é que essa avacalhação é uma das bases da nossa cultura – vide Oswald de Andrade, o Amigo da Onça, o Pasquim, Chacrinha e Hermes e Renato. E agora, as brincadeiras no Twitter entram nessa tradição, como uma manifestação em massa que pode ser chamada de “trending tropicalização”.

Mais barato
Kindle: Às vésperas da popularização?

Foi posta em pré-venda na semana passada, a terceira versão do e-reader da Amazon, o Kindle. Menor e mais leve que as versões anteriores, a maior novidade é a redução de preço. O aparelho, que começou a ser vendido a US$ 399, agora custa US$ 139, três anos depois de seu lançamento. Analistas acreditam que, uma vez que o dispositivo passe a custar US$ 10o, ele deixa de ser um produto de nicho e ganha o mercado de vez.

Adolescentes e pornografia na internet

O Reina e o Burgarelli fizeram uma matéria sobre adolescentes e pornografia na edição de domingo do caderno Metrópole, do Estadão, e me pediram para escrever algumas palavras sobre o tema:

Educar é a melhor forma de proteger o adolescente

É uma questão de educação – e não de repressão. Grande parte dos pais costuma entrar em pânico quando o tema “sexo” surge entre seus filhos – e a primeira reação quase sempre é de espanto e censura. O sentimento de proteção próprio da paternidade ganha contornos distorcidos e o adolescente se incomoda.

Em tempos digitais, essa preocupação aumenta de forma exponencial. Não bastasse o sexo ser onipresente na cultura de massa que vivemos, a natureza da internet torna tudo acessível para quem quer ver e ser visto.

É o caso dos adolescentes que se expõem via Twitcam: achando que estão apenas brincando com desconhecidos virtuais, não percebem que estão produzindo pornografia. E não apenas para os que assistem ao vivo. Uma das regras não-ditas da internet é bem simples: uma vez que algo (texto, vídeo, áudio, foto) cai na rede, já era. O meio digital permite a reprodução infinita de tudo. Não se “entra” em um site, e, sim, copia-se o conteúdo deste para o computador de quem o acessou.

No exterior, há donos de sites de sexo explícito que contratam hackers para buscar fotos picantes – e não apenas de adolescentes. Basta um casal filmar uma noite mais empolgada para que se torne alvo em potencial. O mercado de pornografia com amadores – conscientes ou não de sua exposição – é tão grande quanto o que conta com profissionais.

Por isso, o cuidado com os rastros eletrônicos deve ser de todos. Não quer que fotos de nu apareçam na internet? Não as tire. Mas com os filhos, isso não é tão trivial. Primeiro, porque há a natural rejeição dos adolescentes aos conselhos dos pais. E, também, pelo fato de eles não pensarem nas consequências.

Por isso, vale conversar, mais do que proibir. A repressão pode fazer com que filhos reajam de forma impensada, apenas pelo fato de terem sido censurados. Deve-se explicar que a intimidade na era digital tornou-se um conceito tão maleável quanto o de privacidade. E que basta ligar uma câmera ou publicar uma foto para exibir tudo para todo o mundo.