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Um pouco de barulho

Nem sempre dá certo. Depois do show desta terça-feira no Centro da Terra corri para ver se pegava um pouco do show que Juliano Gauche estava fazendo no Teatro da Rotina, mas entre a demora do táxi chegar e pequenos imprevistos no percurso, cheguei a tempo de ver literalmente os minutos finais da apresentação que fazia acompanhado de Klaus Sena (nos teclados) e Victor Bluhm (na bateria eletrônica). Mostrando mais uma vez seu Tenho Acordado Dentro dos Sonhos, que ele lançou no ano passado e experimentou o formato antes de lançá-lo no próprio Centro da Terra, pude ter uma ideia do que ele havia me contado no dia anterior sobre seu próximo álbum, inclusive me citando como referência. E me lembrou de quando lançou seu disco Afastamento em 2018 no Centro Cultural São Paulo, quando fui curador de lá, num show que lembro até hoje por ele não ter dito uma palavra para o público além das letras das canções, numa provocação estética pesada. Perguntei pra ele depois do show sobre isso e ele mencionou que havia sido intencional, bem como o fato de praticamente não tocar a guitarra que levava pendurada no corpo, usando-a mais como um acessório cênico do que um instrumento. E lembro de ter comentado pra ele não propriamente tocá-la, mas apenas usá-la como fonte de ruído. Ele disse que vinha pensando nisso quando começou a cogitar o álbum que deverá gravar no ano que vem e que o novo formato do show já trazia um pouco disso. Não pude ver nenhuma música completa nem as participações de Tatá Aeroplano e Pélico (que, inocente, foi pego de surpresa pelo convite do amigo depois de ter feito exatamente isso no dia anterior), mas pelo menos deu pra entender que a lógica noise começa a habitar a musicalidade de Gauche. Agora quero ver esse disco novo…

Assista abaixo:  

Intensidade mineira

Forte. Assim foi o primeiro show autoral que Júlia Guedes apresentou nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada dos quatro integrantes da banda Terceira Margem (Tommy Coelho na bateria, Bento Sarto na guitarra, Cainã Mendonça nos teclados e Theo Rathsam no baixo elétrico, todos exímios músicos que inclusive trocaram de instrumentos em algumas partes do show), a cantora e instrumentista mostrou o repertório de seu primeiro álbum ainda não lançado revezando-se entre o piano e o teclado, deixando sua bela voz e aquela característica intensidade mineira (que envolve e tensiona ao mesmo tempo) conduzirem o ataque musical construído pelos arranjos que fez com a banda para uma casa cheia. Só não foi um show 100% autoral porque ela acenou duas vezes para o próprio avô, um dos fundadores do Clube da Esquina, visitado em suas “A Página do Relâmpago Elétrico” e “Cantar” e citado em um verso de “Nada Será Como Antes” na intensa “Vermelho e Sem Nome”, música que batizou o espetáculo.

Assista abaixo:  

Julia Guedes: Vermelho e Sem Nome

Maior satisfação convidar Júlia Guedes para apresentar seu primeiro espetáculo totalmente autoral e primeira apresentação solo em São Paulo. Descendente de uma linhagem de músicos cujo expoente mais conhecido é seu avô Beto Guedes, a cantora, compositora, pianista e pintora antecipa as composições de seu primeiro álbum, que ainda está sendo gravado. No espetáculo Vermelho e Sem Nome ela vem acompanhada dos músicos da banda Terceira Margem – e Tommy Coelho, Bento Sarto, Cainã Mendonça e Theo Rathsam a ajudam a conduzir o público para este lugar ao mesmo tempo desafiador e reconfortante que ela traz em suas canções. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Wilco no Brasil!

O C6Fest do ano que vem na tá pra brincadeira e acaba de soltar para a coluna do Gilberto Almêndola, do Estadão, que o Wilco é a terceira atração anunciada do festival, que acontece em maio de 2025. A terceira vinda da banda de Jeff Tweedy para o país vem somar-se às vindas dos Pretenders e do Air (tocando o Moon Safari!) no mesmo evento, o que já torna o festival um dos grandes acontecimentos do ano que vem. E tem mais: dia 22 eles anunciam a programação completa, nos dois dias seguintes a pré-venda é aberta para os clientes do banco que patrocina o festival e dia 25 os ingressos são vendidos para todos. A coisa tá ficando séria…

Beatles por Scorsese

E o que era boato se confirmou: o filme sobre o ano em que os Beatles dominaram o mundo. Beatles ’64 será lançado no dia 29 de novembro no Disney+ e conta a história sobre como a chegada dos quatro ingleses aos Estados Unidos mudou a história do planeta. O filme tem a produção de Martin Scorsese e foi dirigido por um de seus pupilos, David Tedeschi, que foi o editor de vários filmes do mestre sobre música, como Rolling Thunder Revue sobre a infame turnê do Bob Dylan nos anos 70, George Harrison: Living in the Material World sobre o terceiro beatle mais famoso e Shine a Light sobre os Rolling Stones, além da série The Blues. O filme conta com imagens raras e inéditas, parte delas filmadas pelos documentaristas Albert e David Maysles, e cenas clássicas como o primeiro show da banda em Washington, suas aparições no programa de Ed Sullivan, suas entrevistas e entrevistas com fãs, todas restauradas em alta definição e com som restaurado e remixado por Giles Martin. filho do produtor da banda, George Martin. Nada de trailer por enquanto, vamos aguardar.

Agora só com o violão

Em sua segunda noite no Centro da Terra, Pélico seguiu despedaçando suas canções de forma crua e aberta. e depois de dissecá-las usando piano e violão na semana passada, desta vez optou apenas pelo violão, quando convidou Kaneo Ramos para acompanhá-lo. Seguiu um repertório parecido com o da outra noite, mas incluiu novas canções de sua lavra (como o pagode “Você Pensa Que Me Engana” e “Quem Me Viu, Quem Me Vê”), a novíssima “Nossos Erros” e mais uma versão, além de “Espelhos d’Água” que cantou pela primeira vez na segunda anterior, quando puxou a linda “Tudo Bem”, de Lulu Santos. O show ainda contou com uma aparição surpresa do capixaba Juliano Gauche, que está passando por São Paulo e foi convidado, na hora, pelo Pélico, para dividir sua “Cuspa, Maltrate, Ofenda” no palco. Uma noite linda e intensa como a primeira, só que outro viés instrumental.

Assista abaixo:  

Washington Olivetto (1951-2024)

Washington Olivetto, que morreu neste domingo, era um publicitário acima da média. Mas mais do que celebrar seus feitos na área – campanhas históricas, personagens icônicos e slogans que até hoje estão em nossas cabeças -, vale reputar duas conquistas que fogem dos certames de sua área: a criação da Democracia Corintiana e a redescoberta de Jorge Ben. Com a primeira recuperou a auto-estima do principal time de São Paulo e criou uma mitologia que até hoje embasa o ser corintiano, ao usar o modus operandi do time no início dos anos 80 – de organização horizontal e participativa – para questionar a ditadura militar. Com o segundo, tirou um dos maiores nomes da nossa música de um ostracismo estético que o deixava para longe do panteão da MPB – e mesmo que “W-Brasil”, o hit que emplacou o nome de sua agência de publicidade nas paradas de sucesso do Brasil, não seja um dos grandes momentos de Ben (embora tenha bordões que citamos até hoje), fez sua carreira voltar a ser falada e tocada, reajustando um correção de curso que o tirou do Olimpo da MPB nos anos 70 para transformá-lo em um artista menor, algo que, graças a Olivetto, ficou para trás. Só por isso, ele já tem seu nome na história.

Ary Toledo (1937-2024)

Ícone do humor brasileiro, Ary Toledo, que morreu neste sábado, era um resistente. Começou na carreira artística ainda adolescente, mas só aos 27 anos passou ao dedicar-se ao humor, afiando um estilo que, em vez de criar personagens ou bordões, como muitos de seus contemporâneos, o tornou um especialista em contar piadas – apimentar e adocicar histórias cômicas com o auxílio de olhares, caras imprevisíveis, silêncios, caras e bocas, quase sempre de conotação sexual e de duplo sentido. Tanto que, 60 anos depois, seguia fazendo exatamente isso, associando seu nome a essa categoria do riso concentrada em pequenas historietas sórdidas. Começou no rádio e logo depois foi para a televisão, além de ter tentado brevemente carreira na música e no cinema ndos anos 60 e foi preso na ditadura militar por causa de uma piada (“quem não tem cão caça com gato, que não tem gato caça com ato”). Era o principal nome de um serviço prestado pela estatal de telefonia brasileira chamado “Disque Piada”, em que o público ligava para um número (em Brasília era 137) para ouvir uma piada nova todo dia, contada por ele. Foi casado com sua eterna musa, a vedete Marly Marley (que faleceu em 2014), por 40 anos.

Vem aí o Bacuri dos Boogarins

Geral tava esperando, mas agora tá vindo: os Boogarins acabam de anunciar Bacuri, seu quinto álbum de inéditas ao mostrar a curta “Crescer”, que você escuta na íntegra abaixo. Não há informações sobre data de lançamento, o que significa que pode ser A QUALQUER MOMENTO.

Ouça abaixo:  

Mais Carne de Caju

E o tributo que o Mombojó fez ao mestre Alceu Valença no início do ano segue em movimento, quando o grupo pernambucano acrescenta não só uma mas duas novas músicas ao disco original – e uma delas lançada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. O hit “Coração Bobo” entra no repertório celebrado pelo grupo num clipe que marca a estreia do vocalista Felipe S na direção. Ele explica como essas novas músicas surgiram depois que o disco já estava pronto: “Queríamos estender um pouco a turnê para conseguir chegar a algumas cidades onde ainda não tocamos — já passamos por mais de vinte cidades, mas ainda faltam algumas pelas quais temos muito carinho, como Fortaleza e Salvador, e essas duas músicas já estavam no nosso setlist ao vivo, e achamos que seria uma forma de fortalecer essa circulação.” Além de “Coração Bobo”, a nova versão do disco Carne de Caju ainda conta com a regravação que o grupo fez para “Solidão”, fechando uma dezena de canções de Alceu celebradas pelo Mombojó. Sobre a possibilidade de um show conjunto com o mestre, o grupo não tem nada em perspectiva, mas cogita novas versões para o próximo Carnaval. “Seria uma felicidade imensa, mas estamos aproveitando este ano para trabalhar com calma em um novo álbum autoral, que deve sair apenas no segundo semestre de 2025.” As duas novas músicas entram nas plataformas digitais neste sábado dia 12, mas “Coração Bobo” pode ser ouvida anteriormente abaixo: