– Are you a mod or a rocker?
– No, I’m a mocker
É hoje que o Beatles mais velho entra na sétima década de existência.
Ringo, pra mim, é a essência do que é ser um Beatle. John era o beatle espertinho, Paul o beatle bonitinho, George o beatle tímido (ou, anos depois, o beatle revolucionário/chato, o beatle playboy/bon vivant e o beatle místico/rancoroso, respectivamente). Ringo, não. Ringo era só um Beatle, ponto. Os outros três olhavam para ele e viam a essência do que eram enquanto grupo – vejam a cara de Pete Best e veja se Brian Epstein não teve razão em trocá-lo:
É cruel, mas é o showbusiness – e os Beatles não só reinventaram o rock’n’roll para o resto do planeta como reinventaram o showbusiness para uma geração recém-chegada, os adolescentes. E, por mais triste que a saída de um integrante de banda possa ser, a medida foi crucial. Com Pete Best, os Beatles tinham uma âncora que os limitava como meros imitadores de um som norte-americano. Com Ringo, eram uma banda inglesa pronta para engolir o mundo. Se a cara de Best contrastava com o dos outros três, isso era só reflexo de quem ele era na banda. Com Pete, eles ainda não eram um grupo, uma turma como queriam ser.
Ringo deixou-se levar e liberou-os para um tipo de humor que não era permitido no rock americano – mas que é próprio do pop inglês. Com um baterista disposto a fazer o papel de bobo (tolo, “fool” – não é a mesma coisa que burro ou idiota, perceba), os Beatles liberavam-se para brincar e se divertir junto com o público. A geração de Elvis tinha que ser cool e suave o tempo todo, os risos eram de canto de boca, as brincadeiras eram manobras de palco (a dança do patinho de Chuck Berry, o piano em chamas de Jerry Lee). Nos Beatles, tudo era permitido, até mesmo fazer bobagem, rir sem parar, sair pulando por aí feliz da vida.
O Terron separou uns melhores momentos do cara num post lá no With Lasers e diz que poderia continuar “com muitos outros exemplos – todos dedicados aos ignorantes que insistem em dizer que Ringo não era bom o suficiente para os Beatles”. Assino embaixo e linko portanto outros grandes momentos do cara nos Beatles no decorrer deste post, encerrando com meu o momento Ringo favorito, abaixo, na introdução de “A Day in the Life” – repare na bateria logo após John cantar “He blew his mind out in a car…”
Sem o Ringo, não preciso nem pensar muito pra saber que o mundo seria bem mais chato hoje em dia. Parabéns, mestre, muitos anos de vida.
Imagina isso… Vi aqui.
Neguinho viaja…
Pra tu vê… Vi aqui.
Apresentação: Maria Paula.
Bom dia.
Se você acha que eu produzo muito, é porque ainda não vasculhou meu arquivo. As tags são uma boa forma de fuçar o passado do Trabalho Sujo, por isso, agora, toda terça-feira, dedico um post do dia a uma tag que tenha assunto o suficiente para você gastar seu tempo indo além de um único post. Assim quem sabe você também descobre a função dessas palavrinhas que ficam no pé de tudo que eu publico aqui. E pra começar…

Rafa reviu o primeiro Super-Homem não resistiu a postar sobre o assunto:
a melhor cena é a da entrevista exclusiva da lois lane com o superman, no terraço do apartamento dela
mario puzo foi roteirista do filme e garantiu um dos melhores diálogos entre um ser humano e um alienígena, pois é disso que a cena trata: contatos imediatos entre um humano e um extra terrestre, porém numa conversa amena, recheada de graça e duplos sentidos inofensivos
um espetáculo de diálogo, que termina com o superman convidando a lois pra um vôo
eles acabaram de se conhecer, ela está encantada com a presença e a gentileza do homem mais forte do mundo, mas não sabe exatamente quem ele é
então voando ela pensa e se pergunta: ‘você lê minha mente?’
ou seja: o cara podia tudo, mas será que até a mente ele lia?
sem saber se ele lia ou não, ela pensa na possibilidade e termina pedindo pra ele ler a mente dela!
“Can you read my mind? Do you know what it is that you do to me? I don’t know who you are. Just a friend from another star. Here I am, like a kid out of school. Holding hands with a god. I’m a fool. Will you look at me? Quivering. Like a little girl, shivering. You can see right through me. Can you read my mind? Can you picture the things I’m thinking of? Wondering why you are… all the wonderful things you are. You can fly. You belong in the sky. You and I… could belong to each other. If you need a friend… I’m the one to fly to. If you need to be loved… here I am. Read my mind.
Comentei até com ele que tinha a ver com o All Star Superman, do Grant Morrison, e ele pilhou de ler. Massa.
Grafitti stop-motion, dica do Rafa.
Desta vez, à brasileira:
Pedro Vidotto é brasiliense e criou um monte de outros posters do tipo – todos em seu site.
Se você gostou desses, sugiro também o espanhol Hexagonall, o americano Brandon Schaefer, o Supertrunfo de fontes do Face 37, os livros-game de Olly Moss, os filmes de papel do Spacesick, os pôsteres do polonês Grzegorz Domaradzkis, o Tarantino do canadense Ibraheem Youssef, a filosofia pop do Mico Toledo e os super-heróis pulp de Steve Finch.