A lista de filmes imperdíveis feita com garrancho de criança de doze anos foi feita pelo Michael Cera em um encontro com um primo do dono do blog Intervals of Awesome (ele até tirou foto com o ator). Será que também é viral pro Scott Pilgrim?
Tem mais cenas do seriado no YouTube (deve ter ele inteiro, mas sem legendas), só que não dá para embedar no blog.
A série Spaced, que a Gi se referiu há pouco, é o seriado que revelou Simon Pegg, Edgar Wright e Nick Frost como novos nomes do humor inglês. Escrita pelos protagonistas Pegg e Jessica Stevenson (que depois casou-se e virou Jessica Hynes), Spaced, como todo bom seriado inglês, durou apenas duas temporadas, e é o equivalente britânico de Freaks & Geeks – o seriado que lançou a turma do Judd Apatow – Seth Rogen, Paul Rudd, Jason Segel, James Franco, Jonah Hill – pronta para dominar a comédia dos anos 00 nos EUA.
Na Inglaterra, a turma de Spaced teve apenas o Office de Ricky Gervais pela frente, o que não impediu Wright, Frost e Pegg continuarem juntos nos ótimos Hot Fuzz (uma paródia sobre filmes policiais) e Shawn of the Dead (sobre zumbis). Em Spaced, Pegg e Jessica são Tim e Daisy, forçados a morar juntos por conveniência, têm de fingir que são um casal num sobrado habitado por malucos típicos inglês. Há um quê de Fawlty Towers no seriado (nunca acontece nada), mas as referências pop – características de todas as produções a seguir do mesmo time – não param de pular de todas as cenas.
Eis a importância de Scott Pilgrim – o filme: ele faz a conexão entre duas gerações de humor de lados diferentes do Atlântico. O diretor Wright como representante do time inglês e Michael Cera (que fez Superbad, da turma de Apatow) no time americano. Mas, pela repercussão, o primeiro contato não rendeu – ou será que Scott Pilgrim é um De Volta para o Futuro da era da Cauda Longa? A ver.
E, sim, é um comercial.
Muita psicodelia. Dica do Ariel.
Marvio se joga à obra de Nick Cave, em show que fez no Rio para o lançamento do novo livro de Cave no Brasil, A morte de Bunny Munro. Tomara que ele também faça esse show em São Paulo que, no Rio, teve a participação do Dado Villa-Lobos…
…e da Letícia do Letuce.
E Nick Cave pro Brasil, ninguém anima trazer?
Inebriation: onde seu fígado é a cena do crime.
Bem-vinda à maioridade, menina.
E a capa do Top 75 desta semana é do sócio-compadre-broder-irmão-caçula Bruno Natal.
A Gi Ruaro mandou, lá de Londres, sua opinião sobre esse tal Scott Pilgrim, que por aqui só estréia em novembro. Estou lendo o quadrinho agora, o máximo que conheço do filme são as carreiras dos dois principais envolvidos – Cera e Wright. Vamos às suas impressões:
“Fui ver Scott Pilgrim vs The World com um amigo meu que é fanático pelos quadrinhos. Eu não tinha lido nada e, assim como Kick-Ass, fui ver o filme sem saber muito sobre o que esperar – o que foi bom. Mas também, ruim, pois não posso dar opinião sobre a adaptação. Não curto quadrinhos, mas gosto de filmes baseados neles, além de gostar de games, cultura pop e… bem, cinema pipoca. Ou seja, adorei Scott Pilgrim bem massa.
Michael Cera faz papel de… Michael Cera. Vamos combinar: ele não consegue fugir da estigma Socially Akward Penguin ambulante. Calhou de Scott Pilgrim ser como o Michael Cera e, pronto, funciona – até mesmo quando ele está lutando.
Ramona é realmente a garota mais cool do planeta e os sete exs tem visuais e ‘poderes’ que os transformam em ícones instantâneos. Levando em conta que o filme é baseado num quadrinho com uma legião de seguidores, o filme é bem bom e funciona para fãs e não-iniciados.
O diretor, Edgar Wright, é conhecido pelos seus filmes anteriores Hot Fuzz e Shaun of The Dead. Mas aqui nas terras britânicas, o trabalho que o tirou do anonimato foi Spaced. A série de TV não teve muita repercussão na época pois foi lançada no mesmo período que The Office (de Ricky Gervais), mas tem roteiro brilhante de Simon Pegg (que também atua nos dois filmes de Wright) e sua direção ficou famosa pelas cenas surreais, edição rápida, referências pop jogadas na tela a cada ângulo – além do humor completamente nonsense. Ops, acabei de definir Scoot Pilgrim também!
Foi ótimo ter visto Spaced antes de ver Scott Pilgrim porque eu entendi que o visual e cadência do filme não eram gratuitos, mas fazem parte da bagagem de Wright. Aliás, li no Twitter que Scott Pilgrim é Spaced com Street Fighter. Concordo.
Mas como é que o filme fez tão feio nos Estados Unidos na semana de estréia se tem tantos elementos a seu favor? Na minha opinião é que Scott Pilgrim é um filme para quem tem menos de 25 anos. Não é tão nauseante quando Speed Racer, mas é colorido e veloz – talvez rápido demais para os que não fizeram parte da geração dos games. Há referências sonoras o tempo todo: Mario, Zelda, Sonic, Street Fighter, erro no Mac, start-up do Windows. E os vilões se transformam em moedas. E músicas que te fazem se sentir triste e pensar sobre a morte e tals. Meu pai não ia entender nada mesmo.
É um filme tão contemporâneo, tão impregnado pelo zeitgeist de agora, tão pop que infelizmente será considerado datado ano que vem. Juro. Sabe a cena em Kick-Ass, quando o vídeo faz sucesso no YouTube, quantos hits tinha? 3 milhões. Hoje em dia qualquer vídeo de gato andando em esteira rolante tem mais do que isso. O mundo avança rápido ao próximo meme e o tempo de finalização de um filme já é demorado demais para acompanhar as mudanças de uma geração que não pára.
E como disse Jason Schwartzman (que faz o papel do vilão Gideon Gordon Graves), Scott Pilgrim nunca poderia ter sido feito em 3D. Ainda bem, porque a quantidade de informação na tela ia furar os olhos protegidos pelos óculos de plástico.”