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“Start spreading the news…”: Nico cantando “New York, New York”

Eis a Nico cantando “New York, New York” como parte de sua participação na peça de vanguarda Mr. Dead and Mrs. Free, escrita pelo diretor húngaro Andrei Serban e pelo dramaturgo estadunidense Jeff Weiss, e encenada no Squat Theatre, na própria Nova York, em 1982. É impressionante como a letra da música – feita para o filme de mesmo nome de Scorsese, que fracassou nas bilheterias, mas que levantou a carreira de Frank Sinatra – ganha um tom completamente diferente a partir do timbre e do histórico da própria Nico. Muito foda.

Assista abaixo:  

Atenção: Alerta Talking Heads!

A esperança é a última que morre! Lá vão os Talking Heads se reunir de novo, ainda sem previsão de apresentação ao vivo, mas agora sem nenhum lançamento próprio além de um canal na rádio via satélite dos EUA SiriusXM dedicado a tocar o catálogo do grupo. O canal se chamará Talking Heads Radio e promete reunir músicas do grupo e dos trabalhos de seus ex-integrantes solo a partir do mês que vem. Assim, lá se vão Chris Frantz, Tina Weymouth, David Byrne e Jerry Harrison se reunir mais uma vez em uma entrevista em público, que acontecerá no dia 28 deste mês com mediação feita por Este Haim, baixista do trio de irmãs conhecido por seu sobrenome. Não custa lembrar que o grupo mal se falava há pouco mais de três anos, quando o relançamento do filme Stop Making Sense os fez voltar a atuar publicamente em nome da banda, com direito a retratações públicas de Byrne e Frantz, os primeiros parceiros musicais do grupo (quando a banda ainda chamava-se The Artistics), cujas farpas após o final do grupo provocavam uma tensão que tornava a simples aparição num mesmo evento de seus quatro integrantes um tabu. Essa briga está no passado e, embora não exista a possibilidade próxima de vermos o grupo voltar a tocar juntos, segue a nossa torcida.

Toe atordoante!

Absurdo o show que o quarteto japonês Toe fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Equilibrando com maestria delicadeza e esporro, doçura e ruído, o grupo hipnotizou o público que abarrotou a casa de shows para cantarolar riffs e as poucas letras que o grupo quase instrumental puxa em alguns momentos do show. Dividindo o setlist entre músicas do álbum mais recente (Now I See the Light, de 2024) e do clássico For Long Tomorrow (de 2009), o grupo expande as próprias composições de modo muito didático, criando peças circulares entre as duas guitarras – ou, por vezes, guitarra e violão – que vão sendo regadas pelo movimento do grupo no palco e, a cada nova repetição, uma nova camada de ruído e volume vai sendo acrescida a uma avalanche de pós-rock que começa a partir do contato de pequenos cristais de som. É interessante ver a dinâmica do grupo no palco, com o intenso baterista Kashikura Takashi atuando como o regente da intensidade do grupo, acompanhado de perto da guitarra performática de Mino Takaaki, que parece encarnar todos os integrantes do Sonic Youth em si mesmo. No centro do palco, o baixista Satoshi Yamane funciona como peso da balança do grupo e marca o andamento precisamente – às vezes parando de tocar para fazer a banda desacelerar, enquanto o tecladista convidado tempera algumas canções com timbres eletrônicos ou andamentos introspectivos nos momentos mais quietos do show. O guitarrista e vocalista bissexto Yamazaki Hirokazu é a baliza das emoções do Toe e entrega-se ao violão e à melodia gritada das letras que induzem o público ao torpor como se fossem os instrumentos elétricos – e por mais tímido que pudesse parecer no início (foi cumprimentar o público com mais de uma hora de show), ele não só ergueu uma bandeira mashup do Brasil com a do Japão como chamou uma brasileira para ler uma declaração de amor ao nosso país e um manifesto sobre a necessidade de se fazer o que se gosta sem fazer concessões, explicando que o Toe é isso para eles. Encerraram o show com um bis mais acústico de quase meia hora, atordoando as expectativas sônicas e emotivas do público, que saiu em transe.

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E a Björk cantando Beatles?

“Álfur Út Úr Hól” é uma versão para “The Fool on the Hill” dos Beatles que a pequena Björk gravou em seu primeiríssimo álbum, antes de seus grupos punk da adolescência (Spit and Snot, Exodus e Tappi Tíkarrass) e de ela formar os Sugarcubes nos anos 80. O disco, lançado apenas com seu nome como título na Islândia em 1977, traz a cantora com apenas 11 anos de idade mostrando que já tinha futuro – embora bem diferente do que parecia ser o rumo naquela época. Felizmente.

Ouça abaixo:  

“Airplanes” ao vivo!

E a Hayley Williams que chamou a Rico Nasty para tocar “Airplanes” ao vivo no show que fez nesta quinta-feira no Forest Hills Stadium, em Nova York? Será que ela vai tocar essa no Brasil?

Assista abaixo:  

Modest Mouse e My Morning Jacket ♥ Neil Young

Eis mais duas músicas dos próximos dois volumes do tributo a Neil Young que se materializa no início de novembro. Heart Of Gold: The Songs Of Neil Young – Volume 1 foi lançado no ano passado com versões feitas por fãs do bardo canadense como Fiona Apple, Eddie Vedder, Sharon Van Etten, Courtney Barnett, entre outros, e desde seu título deixava claro que seria uma série de discos em homenagem ao mestre. Só que os dois volumes seguintes foram anunciados simultaneamente em julho com versões feitas por King Princess e Jaco Rosa – e agora outras duas faixas, novamente uma de cada disco, surgem para manter a chama do disco acesa antes de seu lançamento. A primeira delas traz uma versão cheia de sopros para a épica “Like a Hurricane”, feita pelo My Morning Jacket ao lado da Preservation Hall Jazz Band, que começa meio barroca, meio Pet Sounds, antes de explodir numa catarse elétrica típica de seu autor, com direito a solos rasgados de guitarra (que, na segunda vez, vem acompanhado de perto por um trompete desenfreado). Já o Modest Mouse até quis arriscar outro épico (sua primeira opção foi “Cortez the Killer”), mas preferiu voar mais baixo e recorrer a básica “Barstool Blues” ao lado da banda Califone. A versão ganha um ar meio new wave, meio indie, mas nada que soe estranho ao repertório de seu autor. Os novos volumes ainda contam com músicas gravadas por Peter Frampton, Ben Gibbard, Cold War Kids, Los Lobos, MJ Lenderman, Kurt Vile and The Violators, Lucinda Williams, Devendra Banhart, Edie Brickell, Ann Wilson, entre outros, já está em pré-venda e toda sua renda será arrecadada para a Bridge School, escola para crianças especiais que Young mantém desde os anos 80.

Ouça os novos singles abaixo:  

Peter Hook tocando Joy Division em São Paulo!

Se o New Order vem só com Bernard Sumner para duas apresentações em novembro em São Paulo, o ex-baixista do grupo, Peter Hook, acaba de anunciar que virá ao Brasil no ano que vem, quando toca na íntegra os discos Unknown pleasures (1979) e Closer (1980), dois únicos discos que o grupo Joy Division, que originou o New Order, gravou antes da morte de seu vocalista Ian Curtis. Apresentando-se como Peter Hook & The Light, ele toca em São Paulo no dia 9 de março de 2027 na Áudio e os ingresos começam a ser vendidos nesta sexta-feira.

King Crimson ao vivo em 1969!

Acabaram de encontrar esse vídeo com o King Crimson (formação com Robert Fripp na guitarra, Ian McDonald no sax, Greg Lake no baixo e vocal e Michael Giles na batera) em 1969 exibido em um programa de TV alemão (que provavelmente superpôs a gravação original do grupo com a versão gravada de “21st Century Schizoid Man’) num raro registro de um dos primeiros momentos da banda.

Assista abaixo:  

Snail Mail ♥ Liz Phair

Uma das atrações de abertura da turnê que as Sleater-Kinney estão fazendo com a Liz Phair pelos Estados Unidos, Lindsey Jordan, que todos conhecemos melhor pelo nome artístico Snail Mail, realizou um sonho ao dividir o palco com uma de suas maiores inspirações – ela que já teve uma banda cover de Liz Phair (chamada Lizard Phair) quando começou a tocar. Na segunda-feira, quando a musa indie dos anos 90 tocou no Fillmore Auditiorium em Denver, ela chamou a fã indie dos anos 20 para dividir vocais em “Go West”, do ótimo Whip-Smart, que Phair gravou em 1994. Ela até tirou uma foto com a ídola!

Assista abaixo:  

Invocação em dupla

Linda demais a homenagem que Caio Colasante e Carol Maia fizeram ao ídolo e mestre Jards Macalé nesta terça-feira no Centro da Terra, dando início a um trabalho em dupla que reúne o guitarrista paulista e a cantora carioca num espetáculo que joga luz na própria obra dos dois. Revezando-se entre guitarras e violões, a dupla passeou por hits inevitáveis do velho Macau (abrindo com “Mal Secreto” seguida de “Anjo Exterminado”, passando por “Soluços”, “Hotel das Estrelas” e encerrando a noite com “Pano Pra Manga”), os dois também buscaram músicas menos óbvias de Jards, como a versão que ele fez para “Imagens” (de Valzinho e Orestes Barbosa) e “Dente no Dente”. Mas o que mais marcou a noite foi a conexão das músicas de Macalé com composições de cada um deles e assim Caio mostrou “Fantasma Supersônico”, “Atropelado” e “Vida Nova”, enquanto Carol trouxe “Vermelha Rosa” e “A Boca do Cão”, esta composta quando ela soube da morte de Jards. O show contou com a dupla o tempo todo no palco dividindo instrumentos e vocais mesmo nas composições próprias, reforçando que aquela invocação era a dois (Caio até brincou com as interferências no som como sendo uma materialização do próprio Jards). E um dos grandes momentos da noite foi quando cantaram outra de Carol, “Sinal Fechado”, que acabou por ser um belo resumo da noite, tanto com a guitarra precisa de Caio e o vocal completamente solto de Carol. Uma beleza.

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