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Aquele climinha “Sweet Jane”

Soko e Cornershop são dois artistas que nunca se preocuparam em soar diferente – e sim em recontextualizar estilos e gêneros à época em que vivem. Daí quando junta os dois…

Sonic Youth na parede


Ahh… Youth, de Mike Kelley, capista do Dirty

Se você quer ter na parede de casa um quadro original assinado por um artista que fez a capa de àlgum dos discos do Sonic Youth, eis uma oportunidade e tanto: o blog The Awl nos informa que as casas de leilão Sotheby’s, Christie’s e Philips de Pury’s iniciam uma série de vendas de artistas contemporâneos que incluem telas de pintores que já foram parar nas capas da banda nova-iorquina. O problema é que o Sonic Youth só escolhe fodão das artes plásticas pra fazer suas capas de disco, por isso tem quadro cujo lance mínimo é de US$ 11 milhões 😛


Nurse on Horseback, de Richard Prince, que foi parar na capa do Sonic Nurse


Wolken (Rosa), de Gerhard Richter, o autor da vela da capa de Daydream Nation


Untitled, de Christopher Wool, que foi para a capa de Rather Ripped


A Big Wave Came, de Raymond Pettibon, o cara da capa do Goo

Impressão digital #0057: O DJ e as redes sociais

A minha coluna no Caderno 2 foi sobre o debate sobre música eletrônica e redes sociais que mediei no YouPix, semana passada.

O DJ e a internet
Redes sociais e vida noturna

No dia 2 de abril, a colunista do C2+Música Claudia Assef publicou o artigo A Música Eletrônica Cresceu Demais?, em que comentava que os hábitos noturnos de São Paulo haviam mudado e como a noite paulistana havia deixado de se importar com música. Conversando com Facundo Guerra, empresário da noite e dono de casas como o Lions e o Vegas, ela ouviu que “os clubes já não são mais templos de música. São extensões das redes sociais, ponto de encontro. O cara vai na boate pra encontrar aquela menina que ele cutucou no Facebook. A música virou trilha de fundo”. E com as redes sociais, o artigo correu sozinho pela internet, gerando comentários acalorados e discussões enfurecidas.

Foi o suficiente para que a publicitária Lalai Luna, que também produz festas, resolvesse entrar na discussão, incentivando-a. Lalai estava na curadoria de uma das áreas do festival YouPix, que cresce ano após ano e que pode ter fôlego para disputar com a Campus Party o título de principal evento de cultura digital do País. E resolveu convidar algumas pessoas para continuar a discussão iniciada nas páginas do caderno. Além da Claudia e de Facundo, Lalai também participou da mesa e chamou a blogueira e produtora de festas Flávia Durante, o produtor e publicitário Bruno Tozzini e o jornalista e DJ Camilo Rocha e este nada modesto missivista para mediar a mesa. O título da discussão era propositalmente polêmico – As redes sociais estão matando a música eletrônica? –, mas o debate fugiu de rusgas fáceis e a discussão chegou a alguns pontos interessantes, que resumo aqui.

Sim – a noite virou uma extensão das redes sociais. As pessoas estão realmente mais interessadas em “reencontrar” pessoalmente os amigos com quem passaram o dia conversando, seja no Twitter, via Gtalk, no Facebook ou pelo MSN. E não é que as pessoas deixaram de se interessar por música, mas é que elas querem ouvir músicas que já conhecem, daí um fenômeno recente – de uns dez anos para cá – do frequentador que pede música para o DJ, algo considerado profano nos tempos em que o DJ era o soberano da noite. Talvez isso ocorra porque as pessoas estão ouvindo menos rádio e encontram, na noite, uma alternativa à zona de conforto que era o rádio em seus dias de glória.

Acontece que o DJ está perdendo a importância vertical que tinha sobre a pista – algo que afetou qualquer área que tenha sido invadida pela internet. Do mesmo jeito que as indústrias da música, do cinema, dos games, das notícias, entre outras, a cultura noturna também foi afetada pela horizontalização imposta pela rede. Agora é hora de aprender a lidar com isso para seguir a história.