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Como reunir dois ex-Clash em uma banda de desenho animado


Foto: Gary Stafford.

Mais um capítulo da série Damon Albarn é um gênio – ano passado ele reuniu nada menos que dois ex-Clash – Mick Jones e Paul Simonon – no mesmo palco, os transformando em parte da banda de apoio de seu projeto animado, o Gorillaz.

Abaixo, os dois comentam a experiência. É o mais próximo de uma reunião do Clash, que jamais aconteceu.

E o Paul Simonon curtiu tanto o visual marinheiro, que foi parar em um dos barcos do Greenpeace, como assistente de cozinha à paisana. Simonon quis ajudar à causa mas suas credenciais no mundo do rock tiveram de ser escondidas para não causar tensões a bordo – e foi indicado para um dos trabalhos mais subalternos do barco, na cozinha, onde se virou bem. O baixista inclusive foi preso por ter participado de um ataque ao petroleiro Leiv Ericsson, na Groenlândia – e ficou retido por duas semanas. E, no mês passado, chamou outro de seus projetos com Damon Albarn – o The Good, The Bad & The Queen – para tocar no convés do barco em que trabalhava e revelar o seu disfarce.

A vida depois do Cansei de Ser Sexy

Liv conversou com o Adriano sobre a saída dele do Canseide e ele falou do futuro:

“Faz um tempo que eu sinto que minha praia é outra. Estou estudando saxofone e trompete, sempre tive outras bandas e meu gosto começou a pesar para um lado que não casa com o estilo do CSS, que é música de festa. Estou gravando muitas músicas novas com vários amigos. Essa semana foi com a Marina Gasolina, ex-Bonde do Rolê. Semana que vem vai ser com um amigo australiano, vocalista de uma banda chamada Faker. E depois o Carlos Dias vem pra cá, vamos gravar umas coisas, matar saudades do Caxabaxa. Não que vamos falar que é o Caxabaxa, já inventamos um nome novo pra nossa banda, vai ser Ah-Va. Tipo A-Ha. E diz a lenda que o Marquinho (Marco “Butcher”, vocalista do Thee Butchers’ Orchestra) vai passar o fim de ano em São Paulo e se ele vier vamos gravar umas coisas, eu e ele. O Butchers nunca acabou na verdade, só estamos separados pela distância. Mas nos falamos quase todos os dias!”

A matéria toda continua aqui.

O suor de Collor na eleição de 89 e a saída de Fátima Bernardes do Jornal Nacional

As coisas tão, aos poucos, mudando na Globo. É o que escreve o Rodrigo Vianna:

Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.

Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.

Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.

Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.

Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.

Kamel foi o ideólogo da “retomada consevadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele.

Ele continua em seu blog.