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O próximo Sonho

Lindo demais o concerto Voz e Coração que Tagore concedeu ao público que foi ao Centro da Terra nesta terça-feira, quando mostrou várias canções inéditas que comporão seu próximo trabalho, já batizado de Sonho Verão, apenas ao violão, pinçando algumas músicas de ídolos – como Tom Zé (“Todos os Olhos”) e Ave Sangria (“Dois Navegantes”) -, além de repassar por diferentes fases de seu repertório autoral (tocando as faixas-título de seus discos Maya, Barra de Jangada, Movido a Vapor e Pineal). Mas o ápice da noite aconteceu no final, quando convidou dois velhos compadres – “classe de 2015”, como brincou antes do show começar – para dividir o palco, mas em vez de chamá-los um por vez e dividir algumas músicas com cada um deles, Tagore convidou Julito (da banda Bike) e Dinho (dos Boogarins) para subirem juntos no palco, cada um com sua guitarra, deixando os três instrumentos – dois elétricos e um acústico – criar um fluxo de melódico e harmônico em que seus convidados pudessem deslizar suas músicas – “O Enigma do Dente Falso” da Bike e “Erre” dos Booga, em versão baião acústico – numa tríade musical que não pode ficar só nessa única apresentação.

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Tagore: Voz e Coração

Nesta terça-feira recebemos mais uma vez o grande Tagore no palco do Centro da Terra, que traz sua apresentação Voz e Coração para mostrar as músicas de seu próximo trabalho, ainda em elaboração, somente com seu violão. Mas o pernambucano não estará só esta noite, quando também recebe convidados, como Julito Cavalcante da banda Bike e Dinho Almeida dos Boogarins, que o ladeiam nessa travessia abençoada. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A segunda edição do Jardim Sonoro vem aí!


Foto: Daniela Paoliello (divulgação)

O museu Inhotim, que fica no interior de Minas Gerais, abre mais uma vez suas portas para a música ao anunciar a segunda edição de seu festival Jardim Sonoro, que esse ano acontece nos dias 11, 12 e 13 de julho. No ano passado, o evento, que acontece em meio às obras de arte do parque-museu já havia marcado o calendário do ano ao reunir artistas como Paulinho da Viola, o coletivo Aguidavi do Jêje, o grupo Sambas do Absurdo e atrações internacionais como Kalaf Epalanga, Joshua Abrams & Natural Information Society, Kham Meslien e Zoh Amba – estive lá o ano passado e foi uma experiência incrível. A edição deste ano conta com a cantora e ativista indígena amazonense Djuena Tikuna, que apresenta o espetáculo Torü Wiyaegü, recriando um ritual de seu povo Tikuna, a mineira Luiza Brina, a paulistana Mônica Salmaso, a cantora franco-estadunidense Cécile McLorin Salvant, a baiana Josyara, a sulmatogrossense Tetê Espíndola, o grupo baiano Ilê Aiyê e a multiartista mineira Brisa Flow. “O festival segue dando ênfase a uma experiência que conecta arte, natureza e música e após o primeiro ano, percebemos que esses três elementos poderiam ser rearranjados conceitualmente a cada nova edição”, explica a nova curadora, Marilia Loureiro. “Na segunda edição, pensamos quais obras e quais paisagens do museu poderiam reverberar o partido curatorial que queremos explorar em 2025 – a voz -, por isso, os palcos serão montados em novos locais, tendo em conta as obras e a natureza dos arredores, bem como os percursos feitos pelas pessoas visitantes até as atrações musicais.” O Palco Desert Park fica localizado próximo à obra Desert Park, de Dominique Gonzalez-Foerster, em meio à vegetação do parque e próximo à Galeria Adriana Varejão, Galeria Galpão e ao Vandário. O outro palco, Piscina, ficará perto da obra de mesmo nome, feita de Jorge Macchi. “Redesenhar uma experiência imersiva nova a cada edição que conecte arte, natureza e música é, provavelmente, nosso maior desafio curatorial, mas também o que mais nos estimula a seguir com o Jardim Sonoro”, conclui. O festival é gratuito para quem visitar o parque nos dias do evento.

Preparando o mês

Muito bom o início de temporada de Rubinho Jacobina no Centro da Terra, quando começou a mostrar em público músicas que deverão ser a base de seu próximo álbum, entre elas parcerias com Otto, Nina Becker, Domenico Lancelotti e outros camaradas. Além de seu sagaz violão jorgebeniano – sua mão direita amacia bem o groove acústico como poucos de seus contemporâneos conseguem -, Rubinho esteve acompanhado de uma cozinha montada para essa temporada, quando reuniu o baixo de Gabriel “Bubu” Mayall à bateria de Theo Ceccato, os três desvendando juntos os mistérios das músicas inéditas de Jacobina. Além delas, também pinçou músicas menos conhecidas de nosso cancioneiro, como faixas de Jackson do Pandeiro e um literal lado B de Adoniran Barbosa, “Mimoso Colibri”, que quando lançada estava no outro lado do compacto “Saudosa Maloca”, e encerrou a apresentação depois que o público pediu bis e ele sacou um de seus hits, a ótima “Artista é o Caralho”. Bom demais.

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Rubinho Jacobina: Segurando a Chama

O mês de junho no Centro da Terra começa com a temporada que o carioca Rubinho Jacobina faz nas segundas-feiras do mês, quando apresenta a temporada Segurando a Chama ao lado de seus compadres Gabriel “Bubu” Mayall (no baixo) e Theo Ceccato (na bateria). Em quatro datas, eles investigam o que será o quarto disco solo de Rubinho, que testará as canções pela primeira vez no palco, além de buscar clássicos da música brasileira que foram cruciais para sua formação. Na primeira segunda, dia 2, ele apresenta-se apenas com seu novo trio para receber, nas semanas seguintes Sílvia Machete (dia 9), Péricles Cavalcanti (dia 16) e Juliana Perdigão (dia 23), sempre experimentando como será seu novo trabalho. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Os Talking Heads vão voltar!?!?!?

Os Talking Heads vão voltar!?!?!? Eu não estou preparado pra isso. O grupo acaba de postar em suas redes sociais a data 5 de junho de 2025 ao som da famigerada linha de baixo de “Psycho Killer” e com a mesma fonte de seu primeiro disco, Talking Heads ‘77. Importante notar que a data coincide com o aniversário de 50 anos do primeiro show que a banda deu com esse nome, ainda como um trio, dividindo a noite com os também então desconhecidos Ramones. E como vocês se lembram, os quatro voltaram a se conversar devido ao relançamento do filme Stop Making Sense, inclusive admitindo terem resolvidos questões pessoais que levaram ao fim da banda, nos anos 80. Ai meu coração…

Veja abaixo:  

A vingança de Kim Gordon

Além de seu evento principal, o Popload desse ano desdobrou-se em dois eventos paralelos realizados no Cine Joia – o primeiro deles com a banda nova-iorquina Lemon Twigs, um dia antes do festival e o outro no dia seguinte, com a mestra Kim Gordon fazendo uma apresentação solo. E diferente do primeiro deles, o segundo contou com uma abertura à altura da atração principal. E não apenas porque a norte-americana Moor Mother – artista,ativista e poeta – transita em uma seara musical tão perigosa e transgressora quanto a atual fase da fundadora do Sonic Youth, mas por ter convidado Juçara Marçal e Kiko Dinucci para a acompanharem na primeira parte de sua apresentação, que pode ser considerada um dos grandes momentos do festival como um todo. Juntos, os três desbravaram um caminho tortuoso entre o canto e a fala, com Moor Mother e Juçara entrelaçando vozes em uma ação contínua entre som e sentido, enquanto Kiko seguia tornando seu violão percussivo, batucando riffs, linhas de baixo e ruídos para as duas soltarem-se livres. Depois que a dupla saiu, Moor Mother seguiu sozinha no palco igualmente virulenta, cuspindo versos em dois microfones, um deles sempre com algum efeito, enquanto disparava bases eletrônicas e pesadas a partir de seu computador. Mas depois do ataque inicial do trio, seu solo perdeu um pouco do atordôo, tornado livre justamente por não ter nenhum elemento sonoro pré-gravado. E era só o começo da noite…

Depois Kim Gordon subiu ao palco do Cine Joia para encerrar as atividades do Popload Festival deste ano como principal artista do segundo show paralelo do evento – e quanta diferença um lugar pode fazer a um show. Porque ela apresentou um show bem parecido – tanto em repertório quanto em duração – com o que fez na versão completa do festival, no dia anterior. Mas colocá-la em uma casa de shows sem luz natural e com o foco totalmente preso nela fez toda a diferença – principalmente porque no sábado ela tocou ao ar livre, sob a luz do sol e com o som e atenção do público dispersos. O domingo foi a vingança de Kim Gordon, que ainda contou com um ótimo som no Cine Joia, que potencializou ainda mais a virulência de sua apresentação. Vestindo uma camisa social e gravata preta no lugar do moletom do dia anterior, ela veio mais a rigor para um show que, como o outro, priorizava seu segundo álbum, The Collective, à frente de uma banda de rock novíssima que não ficava presa às amarras do gênero – muito pelo contrário, buscava explorar com vigor e ruído os espaços abertos por Kim em sua investigação musical em torno da música urbana deste século. O canto falado e quase ausência de contato com o público reforçavam a frieza da sonoridade daquele quarteto, solapando bordoadas sonoras que passavam pela banda anterior de Kim como referência (ela inclusive pegou na guitarra em várias canções), mas não reverência, fazendo todos saírem felizes do encontro ao perceber que ela continua um motor da transgressão, mas não quer olhar para trás. Muito foda.

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Abaixo algumas fotos que a Bárbara Monfrinato fez do show:  

Gilberto Gil ♥ Djavan

No sábado, no primeiro show que Gilberto Gil fez no repeteco de aparições no Rio de Janeiro neste fim de semana, ele chamou ninguém menos que Djavan para dividir com ele os vocais de sua “Estrela”… Já tô sacando que está se desenhando um disco ao vivo dessa turnê de despedida cheio de participações ilustres, uma pra cada show. Vai vendo…

Assista abaixo: