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Liv no Cruzeiro Weezer e o primeiro disco ao vivo na íntegra


Sorry Tati, te cortei da foto pra concentrar no casal OEsquema 😛

Liv e Arnaldo tiraram janeiro para passar a lua de mel no já mítico cruzeiro do Weezer e a Liv começa a contar como foi num post de seu blog:

Não adiantou me beliscar, sacudir a cabeça, fechar e abrir os olhos repetidas vezes. Só acreditei que estava fazendo um CRUZEIRO de Miami a Cozumel apinhado de BANDAS LEGAIS quando o weezer Rivers Cuomo, viciado em soccer, começou a bater bola ao lado do palco montado no ensolarado deck e tocou os primeiros acordes de “Hash pipe”. Cercados por três mil pessoas – sendo 30 brasileiros, todos devidamente identificados pela obcecada equipe deste blog (ou seja, eu) – Rivers, Brian Bell, Scott Schrinner e Pat Wilson fizeram um dos shows mais inusitados de sua longa carreira e, certamente, um dos mais inesquecíveis da vida de geral que estava ali.

Antes disso, o Diego já havia alertado que um vídeo com quase todo o show em que o grupo toca o primeiro disco – o “Azul” – já estava online.

E o show do Pinkerton, alguém viu? E eu tou esperando o cartum do Arnaldo sobre essa trip.

Impressão digital #0090: Don’t Think

Minha coluna no Link desta semana foi sobre o filme dos Chemical Brothers que vi na semana passada.

Imagine um filme-show em um cinema-pista-de-dança
Longa do Chemical Brothers mistura tudo

Uma hora e meia em uma sala de cinema assistindo a um show dos Chemical Brothers gravado no Japão. A experiência pode parecer atordoante para quem associa tal exibição aos velhos concertos de rock que eram lançados em salas de cinema, como The Song Remains the Same, do Led Zeppelin, lançado no Brasil com o infame nome de Rock É Rock Mesmo, nos anos 70. Ainda mais porque muita gente ainda vê apresentações de música eletrônica como meros nerds apertando botões e mexendo em equipamentos que pouco lembram instrumentos musicais.

O fato é que Don’t Think, o primeiro longa-metragem da dupla que popularizou a música eletrônica nos anos 90, foi exibido na quinta-feira passada em São Paulo e em outras 19 cidades no mundo inteiro, como pré-estreia. O lançamento de verdade acontece no próximo fim de semana e deve chegar a outros cinemas do Brasil (por enquanto foram anunciadas, além de São Paulo, datas no Rio de Janeiro, em Fortaleza, no Recife, em Curitiba e em Salvador).

Don’t Think, no entanto, é mais do que um simples “filme de show”. Para começar, em vez de ser lançado em DVD, como a maioria dos lançamentos desta natureza, Ed Simons e Tom Rowlands preferiram lançá-lo no cinema, para que a audiência não ficasse isolada, em casa, e sim conectada com mais gente interessada no evento.

E o filme vai além do mero registro do show. Afinal, apesar de ser uma dupla, os Chemical Brothers contam com um terceiro elemento, Adam Smith, responsável pela projeção das imagens que invadem os telões durante os shows dos Brothers. É ele quem assina a direção do filme – e, assim, mistura imagens que foram capturadas por dezenas de câmeras no show com as imagens que foram projetadas durante o show, transformando a tela de cinema num telão.

Aí basta seguir o conselho do título do filme – Não Pense, em inglês – e se deixar levar pela avalanche de sons e imagens, com hits como “Hey Boy Hey Girl”, “Block Rockin’ Beats” e “Galvanize” servindo de trilha sonora para cortes rápidos que intercalam imagens de animais, igrejas, palhaços e pessoas dançando com o público japonês extático.
O único problema é assistir a isso numa poltrona. O ideal é que a sala não tivesse cadeiras e o público pudesse dançar. E que o som (7.1 na gravação original) fosse bem mais alto.

O que me levou a imaginar um futuro em que bandas podem fazer shows e retransmiti-los em salas de cinema como se o público estivesse no lugar.

Imagine cidades do mundo inteiro interconectadas por um show que está acontecendo em um só lugar, transmitido em tempo real e com imagens editadas na mesma hora.

A telepresença não é novidade – São Paulo já assiste a transmissões de ópera feitas no exterior em salas de cinema, por exemplo –, mas ao destruir as barreiras entre filme, show e registro de show, os Chemical Brothers podem estar dando origem a um novo tipo de formato.

‘Link’ começa o ano com estreia de quatro colunas

A coluna da repórter Tatiana de Mello Dias nesta edição é uma das novidades do Link em 2012. Ela não chama-se P2P à toa – é a face impressa do blog de mesmo nome, publicado no site do Link desde o início de 2010, sobre as transformações que o digital vem impondo à cultura. Ao assumir o blog, Tati virou setorista e seria natural que assumisse uma coluna sobre o tema. A partir de hoje, o blog P2P passa a ter seu nome.

Sua coluna, quinzenal, alterna-se com a coluna No Arranque, do editor-assistente Filipe Serrano, dedicada ao cenário de startup no Brasil e no mundo. Filipe tem um blog com seu nome desde o fim de 2011 e também começa 2012 como colunista do Link. Outras novas colunas já circulam no caderno desde o início do ano, estas semanais. Homem-Objeto, do repórter Camilo Rocha, dedicada a testes de aparelhos, e esta Impressão Digital, que deixou as páginas do Caderno 2 no final de 2011 para frequentar este caderno. E são apenas as primeiras novidades de 2012. Outras virão.

Soundcloud além da música

Conversei com o David Haynes, um dos donos do Soundcloud e uma das atrações na Campus Party 2012, para a capa da edição do Link desta semana. E ele me falou que o site, que aos poucos se firma como a principal rede social de música atualmente, aspira ir para muito além do mercado fonográfico, apostando na voz como principal meio de comunicação online dos próximos anos.

A voz do som
O Soundcloud tem mudado a relação das pessoas, artistas e gravadoras na internet e é uma das atrações da Campus Party 2012

“Não acho que somos apenas uma rede social de música”, explica, pelo telefone, Dave Haynes, vice-presidente de negócios do Soundcloud, uma das atrações da Campus Party 2012, que começa na semana que vem.

Haynes pode até desconversar, mas o fato é que, aos poucos, seu site vem se estabelecendo como a principal rede social de música na internet, título que já foi do MySpace, quando este aspirava a ser maior rede social do mundo. Enquanto este último deslizou ao deixar a música em segundo plano – e aos poucos perder a relevância digital –, o Soundcloud restringiu seu foco e dedicou-se apenas ao compartilhamento de arquivos de áudio.

Esta definição rendeu bons frutos. Menos de dois anos depois de ter sido criado em 2009 pelo engenheiro de som Alex Ljung e pelo artista Eric Wahlforss na Suécia, já conseguiu atrair grandes nomes do mercado musical. Hoje o site é baseado em Berlim, na Alemanha. E diferentemente do MySpace, que começou a ganhar fama ao revelar artistas independentes como Lily Allen, Arctic Monkeys e Mallu Magalhães, o Soundcloud teve a facilidade de ser reconhecido mais naturalmente por artistas já estabelecidos. Eles começaram a usar a plataforma para mostrar, em alguns casos na íntegra, lançamentos inteiros em streaming, como foi o caso do Foo Fighters. A banda deixou seus fãs ouvirem todo seu disco mais recente, Wasting Light, na mesma semana em que ele foi para as lojas – digitais ou não. E não são apenas artistas cujos fãs já estão habituados a baixar músicas online, como é o caso do ex-beatle Paul McCartney. Ele encerrou o ano passado apresentando a primeira faixa de seu próximo disco – Kisses on the Bottom, na rede social. O disco será lançado no mês que vem.

E não são apenas artistas que se prontificaram a estabelecer perfis na rede social. Muitas gravadoras – principalmente selos pequenos – já o utilizam como base para lançamento de seus artistas, apresentando canções, discos e até mesmo promoções, como foi o caso da gravadora nova-iorquina DFA Records. Ela abriu no mês passado um concurso de remixes para a música “How Deep is Your Love”, do grupo Rapture. Na outra ponta do espectro, a tradicional gravadora alemã de música erudita Deutsche Grammophon também tem seu perfil no site.

Mas se Haynes não acha que o Soundcloud é uma rede social de música, então o que é este site, que, na semana passada, comemorou a marca de 10 milhões de usuários? “Somos uma plataforma de criadores de áudio”, diz. “É natural que nos associem a artistas, afinal música é muito popular e vários nomes – tanto estabelecidos quanto iniciantes – já ajudaram o público a entender a natureza do site. Mas achamos que música é só uma pequena parte de nosso potencial. Hoje, graças aos celulares, todos carregamos uma câmera no bolso, também temos um microfone à nossa disposição o tempo todo. E é nisso que apostamos.”

O executivo do site lista que as pessoas já usam o Soundcloud para publicar comentários falados, fazer diários em áudio, entrevistas e ler textos em voz alta. “E não são apenas pessoas comuns, mas jornalistas, comediantes, editoras de livros, radialistas, escritores, emissoras de rádio e TV”, continua Haynes.

Não é pouca coisa: nomes como a editora Penguin, a revista Vanity Fair, a emissora de rádio norte-americana ABC, a Sociedade Real pela Literatura inglesa e a BBC também utilizam a plataforma para priorizar mais a voz do que canções. E Haynes concorda quando pergunto se aos poucos vamos ver a voz substituir o texto como principal meio de comunicação na rede.

“Acho que isso é uma tendência que ainda vai se estender por alguns anos. A revolução da telefonia móvel está apenas começando”, diz, citando que só agora estamos vendo a ascensão dos smartphones para as pessoas que até outro dia apenas trocavam SMS e conversavam pelo celular. “Acredito que é uma tendência sem volta”, diz.

Na Campus Party, Haynes vai presidir o Music Hack Day, maratona de programação que o Soundcloud promove, com sucesso, em vários países. A competição reunirá programadores que terão de criar, em cima da API aberta do site, “a nova geração de aplicativos de música”, como gosta de falar.

“A antiga indústria musical – o rádio, as lojas de discos e as gravadoras – sempre impôs a forma como a música deve ser criada, distribuída e consumida. Isso acabou. Vivemos numa era em que todos colaboram com essa indústria, desde os programadores que participam destes Hack Days – que outros sites também fazem – até o ouvinte, além dos artistas e novos players no mercado de música. É um ecossistema em constante formação que não está restrito à definição de alguns poucos executivos com bons contatos.”

Mas ele não crê que o novo cenário deste mercado tenha aberto uma cisão entre duas gerações. “Acredito que a revolução digital a que estamos assistindo hoje é muito mais importante do que aquela que aconteceu há dez anos. Todos já entendemos que a internet chegou para ficar e há uma nova geração de executivos que entende a rede como um leque de novas oportunidades e não mais como uma ameaça. Eles estão dispostos a fazer novas parcerias, a dialogar com músicos, a ouvir o público, a criar novas ferramentas de interação entre os diferentes lados do mercado. Nós somos apenas uma peça neste novo cenário”, conclui.

Link – 30 de janeiro de 2012

• A voz do somCampus Party quer ser espaço de inovaçãoIncompatibilidade totalA erosão da privacidadeFacebook impõe Timeline para todo mundo • De que lado está a oposição à Sopa? • Imagine um filme-show em um cinema-pista-de-dançaSó para fotografarTatiana de Mello Dias: Se todo mundo é pirata, pagar pode ser obrigaçãoA briga do Megabox, Wikileaks na televisão, Napster é relançado na Europa, etc.Vida Digital: Tom Rachman

Duna sem palavras

Rob Beschizza resolveu por em prática um dica sugerida por John Waters (“Por quê só fazem remakes de filmes bons? Por quê não tentam consertar filmes ruins?” – algo nesse naipe) e resolveu retrabalhar um dos piores filmes de David Lynch, sua bisonha adaptação para o filme Duna. Sua premissa? Tirar os diálogos do filme. Todos. O resultado, que não dá pra embedar no post, é uma espécie de Moebius steampunk, um Cronenberg rococó, um Jodorowski felliniano, dirigido por um sueco com poucos amigos, e a primeira cena do filme pode ser assistida abaixo.

TENSO.

Bonifrate e a física quântica, por Rafa Spoladore

O Rafa abriu seu leque de conhecimento de física para jogar luz (ops) sobre o último disco do Bonifrate, analisando as referências à ciência nas letras de Um Futuro Inteiro. Ele começa assim:

Um dos exemplos clássicos da relatividade é o experimento “mental” do trem em movimento, que coloca um observador fixo fora do trem, olhando o movimento do trem que passa, e outro observador dentro do vagão do trem, que está “parado em relação ao interior do vagão” (quem quiser saber mais, procurar por relativity train experiment – é a versão moderna de um experimento proposto por Galileu em 1632);

Algumas vertentes desse experimento, para incluir a noção de variação de tempo conforme o deslocamento, colocam as vezes um relógio para cada observador, pra mostrar que o tempo passa mais devagar para as coisas em movimento (exemplo);

“Compreendida” a relatividade, podemos pensar no seu “nêmesis teórico” (“fogo amigo recíproco” talvez seja mais adequado): a mecânica quântica. Basicamente, a relatividade se presta a abordar o macro e a quântica, o micro;
A incompatibilidade entre esses dois mundos é, grosseiramente, que a relatividade é determinística, enquanto a quântica é probabilística. Na relatividade, você observa uma sequência de eventos que, somados, causam algo (é previsível). No universo quântico, você observa a probabilidade de determinado evento acontecer, mas não tem como determinar – e muito menos somar – os próximos (é imprevisível). Nosso conhecimento atual sobre relatividade e mecânica quântica fazem com que sejam excludentes (é uma das dificuldades apresentada por um buraco negro, por exemplo, que “une” esses dois universos , o “gigantesco” e o “minúsculo ao extremo”);

Um embate bonito entre esses dois mundos foi com os muy amigos Einstein e Bohr. O pai da relatividade, criticando a descrição probabilística da mecânica quântica, disse que “Deus não joga dados.” e ouviu a réplica “Pare de dizer a Deus o que fazer!” (fonte).

E depois ele relaciona essa lógica com o disco do Boni, lá no blog novo dele.