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Lorde 2025: “Quando você tem um martelo, tudo parece ser prego”

Assim Lorde recepciona os ouvintes de seu quarto álbum, Virgin, que sai na próxima sexta, mas já teve sua faixa de abertura revelada uma semana antes. “Hammer” segue a mesma linha de crescendos dos dois singles anteriores, mas puxa mais pelo primeiro, “What Was That” (eletrônica classuda que aos poucos vai criando clima de pista), do que pelo segundo, “Man of the Year” (mais dramática e épica), estabelecendo um padrão que possivelmente repete-se pelo disco, saindo de climas intimistas para mais expansivos, sempre tratando de temas ao mesmo tempo íntimos e maduros – “não sei se é amor ou ovulação”, canta logo na abertura. O clipe tá aí embaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Hoovaranas e Jovita @ Picles (20.6)

Nessa sexta-feira temos mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles, quando reunimos duas bandas instrumentais psicodélicas que estão despontando na cena brasileira. Quem abre a noite é o trio da Zona Leste Jovina, que já tocou na festa mas estreia no palco do Picles, seguido pelos festejados Hoovaranas, que vêm de Ponta Grossa para tocar pela primeira vez na festa. Depois dos shows, que começam às 22h, quem segura a noite madrugada adentro sou eu e minha comadre Pérola Mathias, que está se segurando para não transformar a pista do Picles numa quadrilha de São João. E quem garantir o ingresso antecipado e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Vamos?

Amálgama de som

Coisa fina essa Sinfonia Orgânica Musical que o músico Marco Nalesso armou no Centro da Terra nessa terça-feira. Ao lado de seus velhos compadres Benedito Rapé (percussão), Marcelo Laguna (teclados), Sergio Ugeda (bateria), Pedro Silva (som e efeitos) e Rodrigo Coelho (trompete), ele amalgamou diferentes facetas de uma musicalidade quase instrumental que passeia pelo jazz rock, pelas músicas caribenha e nordestina, por uma psicodelia mineira, pela moda de viola, pelo reggae e pelo samba, pegando nos quadris e nos corações, às vezes ao mesmo tempo. Boa parte do repertório da noite saiu de seu recém-lançado disco, batizado apenas de Nalesso e que ainda irá sair nas plataformas digitais, mas que ele aproveitou essa apresentação para colocá-lo no mundo em seu próprio Bandcamp. A noite, com uma iluminação quase na penumbra como se nos induzisse a um espaço de vigília, entre o despertar e o sonho, ainda contou com a participação de Lúcio Maia, que soltou sua guitarra lisérgica nas duas últimas canções da noite, rasgando ainda mais o tecido musical do show. Emocionante.

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Marco Nalesso: S.O.M.

Enorme satisfação em receber, nesta terça-feira, o espetáculo S.O.M. (Sinfonia Orgânica Musical) idealizado e conduzido pelo multiinstrumentista de Santo André Marco Nalesso, em que antecipa músicas de seu quinto álbum, batizado apenas com seu sobrenome, com um repertório formado por canções registradas em mais de vinte anos de música experimental, seja tocando ao lado do MC Novíssimo Edgar, das bandas Marco Nalesso e a Fundação e HAB e nos projetos Nalesca Mantega e Santa Sangre. Ele vem acompanhado de Benedito Rapé, Marcelo Laguna, Sergio Ugeda, Pedro Silva e Rodrigo Coelho e mistura latinidade psicodélica, viola caipira, sintetizadores, trompete, guitarra e percussão, além da participação especialíssima do guitar hero Lúcio Maia. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Se Rasgum comemora 20 anos em grande estilo!

O paraense Se Rasgum comemora duas décadas na ativa como o festival independente mais longevo da região e começa a revelar seu elenco desse ano mostrando que não está pra brincadeira a partir dos primeiros nomes anunciados: o grupo escocês Teenage Fanclub, os paulistanos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, os candangos Móveis Coloniais de Acaju, a carioca Valesca Popozuda e as Suraras do Tapajós, o primeiro grupo feminino amazônico e indígena de carimbó, que vêm acompanhadas da paraense Lia Sophia. O festival acontece entre os dias 3 a 6 de setembro, no Porto Futuro, e os grupos recém-anunciados tocarão apenas no último dia do evento – que já está vendendo ingressos.

A última ponta do Planet Hemp

O Planet Hemp acaba de anunciar sua turnê de despedida, quando passam por diversas capitais brasileiras (Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) a partir de setembro, culminando com um show no estádio do Palmeiras em São Paulo, dia 15 de novembro. Os ingressos começam a ser vendidos a partir desta quarta-feira, ao meio-dia, neste link (à exceção do show de abertura da turnê, que acontece na Concha Acústica de Salvador, e ainda não tem link pra ingressos). No mesmo dia os ingressos estarão disponíveis nas bilheterias físicas dos locais que receberão os shows. E se o grupo seguir o padrão que vem estabelecendo nessa nova sobrevida pós-pandêmica, é de se esperar algo do nível Parliament-Funkadelic do século 21 em termos de produção e do nível dos shows clássicos dos Racionais MCs em quantidade de convidados. Não é pra menos, afinal de contas, estamos falando de uma das maiores bandas da história da música brasileira. Veja as datas abaixo:  

Hélio Delmiro (1947-2025)

Morreu nesta segunda-feira um dos maiores nomes da música instrumental brasileira e um dos maiores guitarristas do mundo. Hélio Delmiro acompanhou gigantes da música brasileira como Elis Regina (com quem gravou o emblemático Elis & Tom e tocou no histórico show que a gaúcha fez no festival de Montreux, na Suíça, meu disco ao vivo favorito), Nana Caymmi, Djavan, Milton Nascimento e João Bosco, além de seguir carreira no jazz instrumental tocando ao lado de outros monstros sagrados como Victor Assis Brasil (com quem tocou na obra-prima Trajeto, de 1966), César Camargo Mariano (parceiro em seu disco mais autoral, Samambaia, de 1981) e os norte-americanos Claire Fischer e Sarah Vaughan, que o considerava um de seus guitarristas favoritos. Hélio já estava mal desde o ano passado e morreu em decorrência de problemas de saúde ligados ao diabete. Um mestre.

Engatando a terceira

Na terceira noite de sua temporada Segurando a Chama no Centro da Terra, Rubinho Jacobina mais uma vez passou o verniz em suas novas parcerias com Otto, Nina Becker, Mãeana e Domenico Lancellotti, tirou a poeira de pérolas eternizadas por Adoniran Barbosa, Jackson do Pandeiro e Doris Monteiro ao lado da máquina de groove que vem azeitando com seus novos comparsas Allen Alencar, Gabriel “Bubu” Mayall e Theo Ceccato. O convidado da semana foi Péricles Cavalcanti, que pegou o violão de Rubinho e assumiu o centro do palco para mostrar as suas “Blues da Passagem”, “Quem Nasceu” e o novíssimo reggae “Na Babilônia” para o repertório dessa noite.

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Don L e a revolução que dança

Don L conseguiu de novo e subiu o sarrafo de 2025 ao lançar, sem aviso, seu melhor disco e sério candidato ao título de grande disco do ano. Com o segundo volume de sua série Caro Vapor – tecnicamente seu quarto disco solo -, o MC (“favorito do seu favorito”, como reza seu adágio) se supera novamente e lança mais um disco contundente e… pop. Em Caro Vapor II: Qual a Forma de Pagamento?, ele retoma o disco original, de 2013, à luz do ano que marca o fim do primeiro quarto do século 21, mencionando todos os problemas que atravessam nossas rotinas, a brutalidade das ruas, a ilusão babilônica e a tormenta mental e emocional desvirtuada de cada um nessa idade das trevas pós-pandêmica, tudo filtrado por paixões pautadas pela confusão entre sucesso e fama, influenciadores, reality shows, Trump, bets, likes e algoritmos. Mas em vez de tornar o clima pesado, prefere lembrar que somos brasileiros e sublinha essa tensão com uma leveza que traz pérolas musicais únicas, que além de citar Itamar Assumpção, Milton Nascimento, o disco clássico do Pessoal do Ceará e a primeira música (“Morra Bem, Viva Rápido”) do primeiro volume dessa série, ainda consegue arregimentar um elenco que reúne o melhor do pop brasileiro que está fora do radar do mainstream, como Fernando Catatau, Anelis Assumpção, Thiago França, Luiza Lian, Terra Preta, Alt Niss, Giovani Cidreira, Alice Caymmi, Terra Preta, entre outros, todos conduzidos pela produção de Iuri Rio Branco (que equilibra samples, bases eletrônicas e instrumentos tocados ao vivo com maestria) e do grande Nave (que produz três faixas). Diferente de seu disco mais recente (Roteiro Pra Aïnouz, Vol. 2, lançado em 2021), Caro Vapor II tem um caráter menos aguerrido, mas não por isso menos revolucionário – o dedo segue no gatilho e a mira segue na cabeça da serpente, mas L desta vez prefere seduzir e fazer dançar do que apontar o dedo na cara. “Se eu não consegui me derrubar, cês não vão” – estamos vendo, Don.

Ouça abaixo: