Vintedoze: Especial Carnaval
Alexandre Matias, Ronaldo Evangelista, Lorena Calabria, White Russian, Smiths e bandas cult.
O MP3 tá aqui e as citações vêm a qualquer minuto!
Alexandre Matias, Ronaldo Evangelista, Lorena Calabria, White Russian, Smiths e bandas cult.
O MP3 tá aqui e as citações vêm a qualquer minuto!
Anda direito, pô!
Você sabia que existia essa possibilidade…?
Da mesma safra desse show, mas é outro:
Coisa fina.
Publicamos mais um texto do Morozov no Link – e desta vez ele fala sobre como o Facebook está matando a idéia de se perder na internet. Um trecho:
Na segunda metade do século 19, Paris passou por profundas mudanças. As reformas na arquitetura e no planejamento urbano promovidas pelo barão Haussmann no governo de Napoleão III foram particularmente importantes: a demolição de estreitas ruas medievais, o estabelecimento de praças amplas (construídas em parte para melhorar a higiene e em parte para impedir barricadas revolucionárias), a proliferação da iluminação de rua a gás e as crescentes vantagens de passar o tempo em ambientes fechados transformaram radicalmente a cidade.
A tecnologia e as mudanças sociais também tiveram seus efeitos. O tráfego de carros na rua fez de passeios contemplativos uma atividade perigosa. Galerias foram substituídas por lojas de departamentos. A racionalização da vida urbana conduziu os flâneurs ao subterrâneo, obrigando-os a se refugiar num tipo de flanar interno, cujo apogeu é o exílio autoimposto de Marcel Proust em seu quarto (situado, voilà, no bulevar Haussmann).
Algo parecido aconteceu na internet. Transcendendo sua brincalhona identidade original, a rede não é mais para passear – virou lugar de cumprir tarefas. Ninguém mais navega. A popularidade dos aplicativos – que conduzem àquilo que queremos sem que seja necessário abrir o browser, faz do flanar online algo cada vez menos provável.
O fato de uma parte tão preponderante da atividade contemporânea na rede envolver compras não ajuda em nada. Passear pelo Groupon não é tão divertido quanto caminhar por uma galeria, eletrônica ou não.
O ritmo da internet mudou. Dez anos atrás, um conceito como o tempo real, em que cada tweet e atualização de status é automaticamente indexada, atualizada e respondida, era impensável. Hoje, este é o termo do momento no Vale do Silício. Não se trata de algo surpreendente: as pessoas gostam de velocidade e eficiência.
Mas as páginas de outrora, que abriam lentamente ao som de estranhos ruídos do modem, tinham um inusitado lado poético. Ocasionalmente, a lentidão chegava a nos alertar para o fato de que estávamos sentados diante de um computador. Bem, esta tartaruga não existe mais.
Enquanto isso, o Google, ao tentar de organizar a informação do mundo, vem tornando desnecessária a visita a sites individuais assim como, gerações atrás, o catálogo da Sears tornou desnecessária a ida a lojas físicas. A atual ambição do Google é responder nossas perguntas – sobre o clima, as taxas de câmbio, o jogo de ontem – ele mesmo, sem levar a nenhum outro site. Digite a pergunta, e a resposta aparece no topo da lista de resultados.
(O impacto de atalhos deste tipo nas buscas não interessa aqui; quem imagina a busca por informações em termos tão puramente instrumentais, enxergando a internet como pouco mais do que um gigante FAQ, dificilmente criará espaços que convidem ao flanar online.)
Mas, se há um barão Haussmann na internet hoje, ele é o Facebook. Tudo aquilo que torna possível o flanar online – solidão e individualidade, anonimato e opacidade, mistério e ambivalência, curiosidade e o desejo de correr riscos – está sob o ataque desta empresa. E não estamos falando de uma empresa qualquer: com 845 milhões de usuários ativos espalhados pelo mundo, dá para dizer que aonde quer que o Facebook vá, a internet irá atrás.
É fácil culpar o modelo de negócios do Facebook (a perda do anonimato permite que ele lucre mais com os anunciantes), mas o problema é mais embaixo. O Facebook parece acreditar que os peculiares elementos que tornam possível o flanar devem ser eliminados. “Queremos que tudo seja social”, disse Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, em entrevista ao programa de TV Charlie Rose alguns meses atrás. Na prática, isso foi explicado pelo chefe dela, Mark Zuckerberg, no mesmo programa. “Preferimos ir ao cinema sozinhos ou com amigos?”, perguntou, respondendo imediatamente: “Com amigos”.
As implicações são claras: o Facebook quer construir uma internet na qual ver filmes, ouvir música, ler livros e até mesmo navegar sejam atividades desempenhadas não só abertamente como social e colaborativamente. Por meio de parcerias com empresas como Spotify e Netflix, ele cria poderosos incentivos que fariam os usuários adotarem ansiosos a tirania do “social”, a tal ponto que desempenhar qualquer uma dessas atividades sozinho seria impossível.
Ora, se Zuckerberg de fato acredita no que disse sobre cinema, há uma longa lista de filmes que eu gostaria de sugerir aos amigos dele. Por que ele não leva a turma para ver Satantango, sete horas de filme de arte branco e preto do húngaro Bela Tarr? A resposta: se fizéssemos uma pesquisa de opinião entre os amigos dele, ou um determinado grupo numeroso de pessoas, Satantango seria quase sempre derrotado por um título que pode não ser o filme preferido por todos, mas que também não vai incomodar ninguém. Eis um exemplo da tirania do social.
Minha coluna no Link de segunda foi sobre a falta de educação das pessoas ao falar no celular.
Nossa falta de educação ao usar o celular
Estamos cercados por pessoas falando sozinhas
Uma amiga minha me contou que dois amigos dela chegaram com uma novidade do exterior. Um vinha da Califórnia; o outro, da Europa. E os dois lhe explicaram uma espécie de brincadeira que aos poucos estava tornando-se popular longe do Brasil. Ela apelidou de “roleta russa da conta”, que funciona assim: ao encontrar-se com amigos em um bar ou restaurante, todos fecham um trato que começa ao deixar o telefone celular exposto à mesa. Todos numa mesma pilha, num canto específico, eles não precisam nem estar desligados. Mas é melhor desligar. Porque aquele que atender o telefone no meio do encontro assume a conta da noite. É um teste para os nervos, ainda mais quando o celular é deixado ligado. Ele pode tocar. O problema não é esse. É resistir à chamada. Atendeu, pagou.
Nem faz muito tempo que o celular entrou em nossas vidas – um pouco menos que o Google, um pouco mais que o Facebook –, mas ele se tornou um acessório tão onipresente, que as pessoas perderam até a noção da própria presença quando começam a falar no telefone.
A tal “roleta russa” é uma brincadeira, mas revela que o uso do celular em ambientes sociais já está sendo visto como um problema até mesmo para quem não consegue deixar o aparelho de lado. Há um quê de vício, mas o hábito está mais próximo da ansiedade do que propriamente de uma adição.
Um dos motivos que me fez parar de frequentar boteco – um deles, não o único – é aquela mesa lotada com várias pessoas falando com outras que não estão ali. Você já deve ter visto tal cena: quatro pessoas ao redor de uma mesa, as quatro no celular, em conversas que poderiam muito bem ficar para depois daquele encontro.
Mas a frequência em bares e restaurantes é só um dos muitos aspectos da nossa má educação no uso do telefone móvel. Há inúmeros outros exemplos. Como andar na rua sem olhar para frente, checando SMS ou acessando a internet. Ou conversar com alguém olhando sempre para baixo, para ver se alguém está ligando ou mandando mensagem. Ou falar ao telefone no carro, usando apenas uma das mãos para dirigir. Ou usar o celular no cinema! Isso sem contar o pior de todos os pecados celulares: ouvir música sem fones de ouvido, discotecando sua trilha sonora para quem estiver por perto – e nunca, NUNCA, alguém que escuta música assim ouve algo que presta.
Quando o telefone ainda era fixo, o hábito de usá-lo era quase um sacramento. Havia um canto da casa dedicado ao aparelho – havia até móveis feitos para apoiar o telefone e ficar sentado ao mesmo tempo. Se uma ligação fosse interurbana ou fosse demorar mais tempo, era melhor fazer à noite, pois as taxas eram mais baixas. Ligar para alguém era uma atividade que requeria preparo e tempo. Era bem pouco comum ligar para alguém só para dizer que estava saindo de casa ou apenas para perguntar um ingrediente de uma receita, como fazemos hoje (isso sem contar que era preciso discar o número, em vez de simplesmente pressionar botões ou achar o nome da pessoa numa lista de contatos).
Veio o celular e estes hábitos mudaram completamente, com a exceção do fato de que ainda transformamos a ligação em um momento individual. E é aí que começa nossa falta de educação ao telefone. Basta reconhecer quem está ligando para ser teletransportado para uma esfera íntima que é habitada por apenas duas vozes.
E aí não importa se você está na rua, no ônibus, na sala de aula, no bar… As pessoas começam a conversar sem pensar nas outras que estão ao redor, conhecidas ou não. Assim, acompanhamos conversas alheias sem querer e, em poucos minutos, estamos cercados por pessoas falando sozinhas, sem parar.
A tal “roleta russa da conta” é o início de reação a tal hábito. Não deverá ser o único. Não duvido que, em pouco tempo, aparecerão restaurantes finos que pedem que os clientes deixem o celular à porta como restaurantes japoneses pedem para que se deixe os sapatos ao entrar. O problema é menos falta de educação e mais falta de noção. Vamos torcer para aprendermos a superar isso.
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Suspendo as atividades até terça, quando retorno com o CARNAVALANALÓGICODIGITAL. Cuidem-se e até lá!