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Drive: cool até dizer chega

Vintage 80s

A história do filme é ridiculamente simples – galã-durão trabalha como dublê em filmes de ação (capotando carros) e faz bicos como motorista em assaltos conhece vizinha gatinha que tem um filho com um sujeito que está preso. O que vem a seguir é aquela velha história de amor e vingança que habita todos os telefilmes que passam no Super Cine, aquele sábado à noite sem graça e dublado, “um crime que abalou a opinião pública norte-americana”, gangsters, carros e reviravoltas dignas de um filme de Steven Segal.

A diferença é que Drive não é um filme com Steven Segal – mas com Ryan Gosling, queridinho da cinefilia indie há uns cinco anos por um algum motivo inexplicável. E em vez do herói ter um rabo de cavalo e usar uma jaqueta de couro com franjas, ele traja uma jaqueta prateada fuleiraça com um escorpião estampado nas costas, uma versão 1983 de James Dean (canastrice inclusa no upgrade). E que a história pouco importa num filme essencialmente preocupado com estilo – estilo específico e perigoso de ser manuseado: o vintage 80s, a versão que não vê graça nenhuma no deboche trash dos anos 80. Assim que o filme começa, com sua tipologia pink cursiva-cool, sabemos que estamos no mesmo universo paralelo fundado pelo cinema cyberpunk daquela década, o futuro mundano e presente de filmes como Mad Max, Robocop, Blade Runner, Fuga de Nova York e Warriors. Tire o futurismo megalomaníaco e apocalíptico e perceba que já estamos em 2012. Não há carros voadores, nem andróides indistinguíveis de seres humanos nem ciborgues conversando com ETs. Mas as metrópoles estão implodindo, a violência está nas ruas e o máximo de tecnologia que realmente entrou nesse submundo é o fato de usarmos telefones portáteis minúsculos.

Pois o celular é um dos poucos elementos que nos lembra que Drive se passa depois de 1989. Todo o resto do filme é um exercício de estilo anos 80 – o neon superposto ao reflexo da poça d’água sobre o asfalto no escuro sobreposto à câmera lenta exageradamente lenta por sobre alguns litros de gel e outros tantos de vodca barata. O dinamarquês Nicolas Winding Refn faz jus ao prêmio de melhor direção que ganhou em Cannes no ano passado e faz um filme todo baseado numa estética que começa a ser reconsiderada (Drive é o Chromeo do cinema) – e não é por ter um coração de plástico que Drive não tem alma. A caricatura do “strong silent type” que Tony Soprano sentia falta torna o personagem de Gosling robótico como Clint Eastwood nos anos 70, mas o verniz fluorescente da direção torna a história trivial essencialmente secundária – o que é bom para a estética do filme. Um bom roteiro tornaria todo o estilo coadjuvante.

Drive é mais que trunfo da forma sobre o conteúdo, é pós-moderno na medula e cheira a mochila da Company. “2011 foi um grande ano para o cinema, vimos que dá para fazer um filme sem nenhum diálogo e ainda torná-lo divertido…”, Seth Rogen parecia se referir a filme mudo O Artista em seu discurso de abertura do Spirits Awards, mas falava de Drive. E, realmente, é um dos melhores filmes desse 2011 com cara de 1981.

O poster que abre o post não é oficial, e sim feito pelo designer canadense James White.

Conselhos de Drummond

Michel citou, eu recito:

10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante

1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.

3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.

4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.

5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.

6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.

7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.

8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.

9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.

10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

E como todos somos “escritores iniciantes” hoje em dia…

Caçador – de vírus – de aluguel

Mal sabíamos, em 1988, que esse tipo de ameaça se tornaria corriqueira e que esse bico de caçador de vírus iria tornar-se uma profissão de verdade…

Brasília: futuro no passado

Incrível esse vídeo que meu irmão me mandou:

Mais incrível ainda se você nasceu nessa cidade, hei de convir…. Fora o fato de tocar “Expo 2000”.