Psicodelia baby
Aos 15 segundos. É quando bate o ácido.
Aos 15 segundos. É quando bate o ácido.


Toquei uma faixa gigantesca do Neil Young com o Crazy Horse no último Vida Fodona e agora ele me vem com outro calhamaço em forma de épico de guitarras. “Walk Like a Giant” é mais uma do disco Psychedelic Pill – que, entre outras, colocará o velho Neil em contato direto com os fãs através de seu site nesta quarta-feira, a partir do meio-dia californiano (cinco da tarde no horário de Brasília).

E a minha coluna nessa edição do Link foi a continuação da coluna da semana passada…

Só melhora: o otimismo é a mola mestra de nossa evolução
A ficção científica não previu o celular
Engraçado ver como um assunto repercute. Na coluna da semana passada, me referi a um texto do comediante norte-americano Louis C.K. para comentar como passamos o tempo todo reclamando e não percebemos como a época em que vivemos é fantástica. Muitos aplaudiram, outros contestaram e a discussão ficou dividida entre os que consideraram o texto deslumbrado e os que se identificaram com meu otimismo. E, claro, muitos apenas reclamaram, uns com argumentos, outros só por prazer.
E, no meio da repercussão, um link me foi enviado quatro vezes. Ele remetia ao site do escritor inglês Warren Ellis, autor de quadrinhos que já são clássicos modernos, como Transmetropolitan, Authority e Frequência Global (todos lançados no Brasil). Ellis usa os quadrinhos como veículo para discutir temas que ainda são ficção científica, mas que ele trata como realidade iminente, justamente pela onipresença da tecnologia em nossos dias (como robótica, inteligência artificial, transferência de consciência, a fusão homem-máquina).
O texto, chamado Como ver o futuro, foi apresentado durante a conferência de ficção científica Improving Reality, que foi realizada no início do mês passado na Inglaterra. Ele começava o texto explicando que a obsessão tecnocêntrica de nossos dias tem nos deixado apáticos em relação aos avanços do presente e, desta forma, desiludidos em relação a qualquer tipo de futuro melhor.
E, em dado momento, cita uma das principais passagens do pensador maior da era digital, Marshall McLuhan: “Olhamos para o presente pelo espelho retrovisor. Marchamos de ré para o futuro. Devido à invisibilidade de qualquer tipo de ambiente durante este período de inovação, o homem só passa a perceber conscientemente o ambiente que veio anteriormente. Em outras palavras, um ambiente só se torna inteiramente visível quando é substituído por um novo ambiente. Assim, estamos sempre um passo atrás de nossa visão do mundo. O presente é sempre invisível porque ele é o próprio ambiente em que vivemos e assim acaba saturando todo nosso campo de atenção de forma implacável. É por isso que vivemos no dia de ontem.”
Isso foi escrito em 1969. E Warren Ellis destrincha o tema no texto: “Você não consegue ver o presente propriamente pelo retrovisor. Ele está à sua frente. Bem aqui.”
E descreve o nosso presente fantástico e invisível: “Exatamente agora, há seis pessoas morando no espaço. Há pessoas imprimindo protótipos de órgãos humanos e pessoas imprimindo tecidos compostos por nanofios que vão misturar a carne humana com o sistema elétrico humano. Já fotografamos a sombra de um único átomo. Temos pernas mecânicas controladas por ondas cerebrais.”
Ele continua: “Nos últimos dez anos, descobrimos duas espécies desconhecidas ao ser humano. Conseguimos fotografar erupções na superfície do Sol, aterrissagens em Marte e até mesmo na lua de Titã. Isso parece sem graça para você? É porque está acontecendo agora, neste exato momento. Olhe as horas no seu relógio, pois este é o presente e essas coisas estão acontecendo. O telefone celular mais simples é, na verdade, um dispositivo de comunicação que envergonharia toda a ficção científica, todos os rádios no pulso e comunicadores portáteis. O Capitão Kirk tinha de sintonizar seu comunicador, que não conseguia mandar mensagens de texto, nem tirar fotos em que ele poderia colocar um filtro Polaroid por cima. A ficção científica não antecipou a chegada do telefone celular.”
Mais uma citação para encerrar a coluna dessa semana (mas não o assunto). O escritor de ficção científica inglês Arthur C. Clarke repetia que “toda tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”. Imagine nossos avós no começo do século passado, antecipando a nossa rotina do século 21. Mais do que comemorar feitos fantásticos, eles ficariam espantados a nos ver vivendo como… magos.
O otimismo é a mola mestra de nossa evolução, e não o pessimismo. Digo e repito meu mantra: só melhora.

• Limpeza social • Homem-Objeto (Camilo Rocha): De volta para o futuro • Xbox Music tem catálogo com mais de 30 milhões de músicas • Impressão digital (Alexandre Matias): Só melhora: o otimismo é a mola mestra de nossa evolução • P2P (Tatiana de Mello Dias): Um aviso para a indústria: não processe. Seduza os clientes • Games em alta • “Gangnam Style”: O viral do ano • Servidor •

Ok, galera, parece que acertaram com a Chloë Grace Moretz pro papel principal. Mas…
…é impressão minha ou botaram o final do filme no trailer?

Quem vem comigo?
Dusty Springfield – “Spooky”
Sexy Fi – “Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte”
Toro y Moi – “So Many Details”
Divine Fits – “Would That Not Be Nice”
Neil Young & Crazy Horse – “Ramada Inn”
Otto – “The Moon 1111”
Tennis – “Guiding Light”
Silva – “Moleton”
Radiohead – “Bloom (Jamie Xx Rework)”
SBTRKT – “Terminal”
Holy Ghost – “It Gets Dark”
Chromatics – “Looking for Love”
Grace Jones – “Nightclubbing”
Giorgio Moroder – “From Here to Eternity”

O viral do Robocop do Padilha já começou faz tempo – o site da nova OCP, que agora chama-se Omnicorp, está no ar desde julho.
Mas isso é pra dizer que em breve escrevo o texto sobre como eu imagino que poderia ser este novo filme – e como ele se encaixa na filmografia do Padilha.

Comentei que os Chromatics tinham feito a trilha para o desfile da coleção primavera/verão 2013 da Chanel desse ano e disse que ia voltar ao assunto. Pois segue abaixo o vídeo feito durante a apresentação, que teve, no repertório “Tick of the Clock”, “Lady”, a nova “I Want Your Love”, “Running Up That Hill” da Kate Bush e a faixa título de um dos melhores discos de 2012, “Kill for Love”.