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As 75 melhores músicas de 2012: 47) Curumin – “Selvage”

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Em seu terceiro disco, Arrocha, Curumin finalmente chegou ao equilíbrio perfeito entre Jorge Ben e Stevie Wonder, santo graal que persegue desde o primeiro disco. “Selvage” é só um dos muitos exemplos bem sucedidos nesse último disco, mas destaca-se por sua concisão lírica e rítmica. Vale assiti-la ao vivo na versão do programa Ensaio, abaixo, logo depois da versão para “Ela”, do Gil.

As 75 melhores músicas de 2012: 48) Sambanzo – “Capadócia”

Não há como não admirar a redescoberta da música africana que vem acontecendo no centro da música paulistana atual, reunindo talentos e novas celebridades ao redor da pluralidade polirrítmica e da harmonia tranversal da musicalidade do continente negro. É graças a esse não tão súbito interesse por diferentes aspectos de uma arte continental que personalidades como Kiko Dinucci (um dos maiores guitarristas do Brasil atualmente), Thiago França, Marcelo Cabral, Samba Sam e Wellington Moreira podem se encontrar em um projeto como o Sambanzo, nome que batiza o grupo (e que grupo!) liderado pelo sax endiabrado de Thiago. Mas “Capadócia” tem algo que transcende a Etiópia que dá nome ao álbum, o continente e vai encontrar parentesco na new wave dos Talking Heads, justamente em seu período caribenho, entre Fear of Music e o clássico show em Roma, em 1980. Culpa de Kiko, indie em pele de tribalista, que sabe muito bem o ponto em que o pós-punk converge com todo tipo de ritmo. E a cozinha, cubista e espacial, acompanha tudo de perto, escolhendo pontualmente os silêncios da faixa. Um clássico instantâneo.

As 75 melhores músicas de 2012: 49) Tame Impala – “Elephant”

A forma como o segundo disco do Tame Impala foi lançado no segundo semestre de 2012 vai de encontro a todo papo em relação à forma como as pessoas consomem música na era digital – há muita gente disposta a ouvir um álbum inteiro sim, mas ele tem que ser justificado ao menos em termos de qualidade. E o contagotas em câmera lenta que, em três semanas, viu a aparição de “Apocalypse Dreams” seguida desta pesada “Elephant“, o nome do disco, a capa e a ordem das faixas até o vazamento definitivo de Lonerism (com direito a shows no Brasil com músicas novas no meio do caminho), serviu como aquecimento perfeito para um dos melhores discos do ano passado. “Elephant”, truculenta, orgulhosa, repetitiva, funcionava como o antídoto à alta viagem de “Apocalypse Dream”, trazendo a psicodelia de volta à terra, à vida real, às ruas.

As 75 melhores músicas de 2012: 50) Blur – “Under the Westway”

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A outra música que o Blur lançou em 2012 (além de “The Puritan“) alia duas qualidades da banda a uma de seu líder, Damon Albarn. Ela entra no rol de baladas sobre o cotidiano, lentas incursões introspectivas criadas ao piano que talvez sejam melhores que os hits instantâneos que a própria banda nos faz puxar pela memória, além do papel de cronista londrino, que descreve ruas, bairros, estradas, pessoas naquela obrigação de registrar uma história que não aparece nas manchetes de jornais – justamente por ser mais comezinha e fútil, corriqueira e mundana. Amarrando duas tradições do Blur à própria plural carreira solo, Damon Albarn prefere deixar sua primeira banda como principal veículo de comunicação com seu público, no mesmo ano em que lançou uma ópera sobre um conselheiro real do século 17 e um disco com o Flea e o Tony Allen (o trio que compôs minha música favorita de 2011). Não por acaso o Blur – que está longe do fim – foi uma das principais atrações durante os jogos olímpicos deste ano, realizados em Londres. E “Under the Westway” ainda tem a aceitação da maturidade, a consciência do reduto que é o saudosismo, uma melancolia inglesa rara (principalmente em tempos em que o pop da ilha é composto por dubstep, rockinhos de pista e bandas velhas voltando a todo minuto) que só encontra eco em extremos, como o do Xx ou o do Radiohead. Aqui, o sentimento é trivial como uma música que toca no rádio – algo que também é cada vez mais raro, ainda mais vindo de uma banda de rock.

As 75 melhores músicas de 2012: 51) Alabama Shakes – “Hold On”

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Difícil pinçar uma música só da estréia dos Alabama Shakes, daquelas bandas que fazem você esquecer em que época que você está porque as referências de tempo são inúteis. Presos até a cintura no lodaçal do rock hippie do final dos anos 60 e começo dos 70 embebedados por timbres curtidos na Stax, a banda ainda conta com o luxo de ter uma vocalista que é a encarnação da voz de Janis Joplin. Em “Hold On”, Brittany Howard flexiona toda sua amplitude vocal sem parecer exibicionismo e nos hipnotiza com a voz.

As 75 melhores músicas de 2012: 52) Mahmundi – “Desaguar”

2012 começou com aquela vibração oitentista que mistura verão e sintetizadores na mesma frase e essa marola retrô aumentou ainda mais com a presença de Marcela Vale – codinome Mahmundi – que leva o R&B carioca para a década do rock de bermudas, usando timbres eletrônicos quase 8-bit. Sua primeira aparição veio com “Desaguar”, gospel dance suave e manhoso em que o Redentor é, ao mesmo tempo, paisagem e literal.

As 75 melhores músicas de 2012: 53) Estelle + Janelle Monae – “Do My Thing”

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A voz que encantou o mundo com “American Boy” começou 2012 trazendo a clássica Motown para o século 21, numa parceria com a hipster p-funk Janelle Monae em que é impossível ficar parado. Fora que “you don’t know where I am going, and so you think I am lost”, senhor verso, poderia ser subtítulo para o ano inteiro.

As 75 melhores músicas de 2012: 55) ruído/mm – “Índios”

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A versão pós-rock instrumental que o grupo curitibano submete a triste constatação de Renato Russo ao final do segundo disco do Legião Urbana dá outra leitura ao clássico dos anos 80, que atinge níveis de grandeza, melancolia e desespero apenas cogitados em teoria nas letras do grupo de Brasília, mas nunca sonicamente falando. Até 2012.