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Como foi a Noite Trabalho Sujo com o Camilo Rocha

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Só quem foi na minha festa de aniversário sabe como incrível a Noite Trabalho Sujo com o Camilo Rocha (que ainda teve uma palhinha do Pattoli e a presença do compadre Arnaldo – demais!). As fotos da Bárbara, abaixo, dão só uma idéia geral do que aconteceu por lá…

 

Impressão digital #139: O vazamento de Django Livre

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Usei o gancho do vazamento online do Django para falar do novo filme de Tarantino na minha coluna do Link.

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O novo filme de Tarantino e o amadurecimento digital
Formatos piratas já não satisfazem as pessoas

Assisti a Django Livre, que estreia no Brasil na sexta-feira. Era dia de Natal (data da estreia oficial do filme de Quentin Tarantino) e eu estava em uma viagem no exterior. E fui com a minha mulher ver Django numa telona. Gosto de assistir a filmes e séries na TV, já vi muitos filmes no computador, mas nada substitui o cinema para alguns filmes.

O elemento social talvez seja seu aspecto mais encantador: sentar-se no meio de desconhecidos e conduzir-se por uma viagem de sons e imagens que passaram-se na cabeça de um autor, numa sala escura. É um processo completamente diferente da literatura. No cinema, as cores, formas e sons vêm antes da mensagem e da linguagem, e a comunicação é feita por instintos puramente estéticos. Todo mundo vê e ouve a mesma coisa, mas a história é interpretada por cada espectador. E absorver essas sensações coletivamente, uma viagem cerebral cujos condutores são apenas nossos olhos e ouvidos, é uma das grandes experiências sociais que o século 20 deixou para as gerações futuras.

Prefiro assistir aos meus cineastas favoritos assim. Tarantino é um dos meus prediletos entre os vivos (ao lado dos Coen, Cronenberg, Lynch, Scorsese, Herzog e mais alguns) – e por isso cedi à expectativa e resolvi ver o novo filme em inglês mesmo. Na semana passada, no entanto, pude revê-lo em português em uma sessão para a imprensa (que é chamada de cabine), dois dias depois de uma versão screener vazar na internet.

Versões screeners são DVDs enviados a jornalistas que não podem ir às cabines. Elas não têm a qualidade técnica de uma projeção cinematográfica nem a alta definição dos DVDs comerciais. Servem para que o crítico de cinema assista ao filme antes da estreia.

No mundo do download ilegal, essas versões recebem nomenclaturas específicas. Screener, abreviado SCR, é a versão mais apresentável nas primeiras vezes em que o filme vaza online, diferente de outras categorias.
CAM, abreviatura de “câmera”, é o filme pirata mais rasteiro possível, aquele em que o pirateiro filma a tela do cinema. É a qualidade mais tosca que se pode imaginar: iluminação ruim, silhuetas de espectadores e som fora de sincronia são características frequentes. A versão TS – telesync – é um pouco melhor, pois o pirateiro pega o áudio do projetor. Em seguida vem a versão SCR, como a que vazou de Django na semana passada.

Desta vez, o rebuliço que normalmente acompanha o vazamento de obras esperadas há muito tempo – como é o caso do filme de Tarantino – não foi tanto. Parte do público preferiu esperar o filme estrear no cinema (eu estaria entre eles, se já não tivesse visto o filme). Outra parte baixou sem saber da qualidade. E um terceiro grupo preferiu esperar o vazamento de uma versão melhor, em alta definição, ripada do DVD.

O que mostra que estamos vivendo um amadurecimento digital considerável. O mesmo vale para o vazamento de discos ou para a qualidade do áudio de músicas vendidas legalmente online. Há audiófilos que se recusam a ouvir música com bitrate – que mede a qualidade da frequência – menor do que 320 kbps. Dez anos atrás, muitos estavam comemorando o simples fato de o disco ter aparecido online – mesmo que a qualidade fosse inferior ao padrão mais baixo, o de 128 kbps.

Esta mudança está diretamente associada ao tipo de equipamento que temos hoje em casa. Com esses equipamentos, aos poucos estamos exigindo mais qualidade digital. Mas temos que nos acostumar com o fato de que o digital não necessariamente exige suporte para ser consumido. Você não precisa de um DVD para ver um filme como não precisa de um CD para ouvir um disco. Falo mais disso em colunas futuras.

E assistam a Django no cinema. Alguns momentos são de pura catarse coletiva. E saber que você tem que ficar quase três horas sem poder dar pause, olhar a internet no celular ou correr para pegar algo na geladeira torna a exibição ainda mais intensa.

As 75 melhores músicas de 2012: 1) Hot Chip – “Flutes”

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A melhor música de 2012 é a mesma que o Hot Chip escolheu para nos apresentar a seu disco de 2012, In Our Heads – e esta longa apresentação (quase oito minutos) começava a nos mostrar um disco sólido que só veio confirmar ainda mais que a presença do Hot Chip no imaginário musical do planeta vai muito além da banda que conquistou o mundo com o hit de pista “Over and Over” no fim da década passada. Desde então, o grupo inglês vem construindo sua reputação com um olho na pista e outro na perspectiva histórica e depois que o LCD Soundsystem pendurou as chuteiras, talvez sejam eles a banda mais importante nascida neste século. “Flutes” é um daqueles motivos em que este “talvez” deixa de existir. Uma pequena obra-prima, um colosso em forma de canção.

As 75 melhores músicas de 2012: 2) Chromatics – “Lady”

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Uma canção irrepreensível, que começa feito luz passando por frestas no escuro para, depois da entrada do vocal gelado de Ruth Radelet, estourar em uma explosão de disco music em câmera lenta que se metamorfoseia lentamente em uma paisagem pastoril eletrônica, de baixos marcados e guitarras distantes. O universo musical de Johnny Jewel traduz-se melhor entre os ecos e sussurros de “Lady” e torna-se parte da textura sonora de 2012.

As 75 melhores músicas de 2012: 3) Curumin – “Passarinho”

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Fazia tempo que a música brasileira não soava doce e natural ao mesmo tempo, principalmente numa voz de homem. O falsete de Curumin passeia bonito por uma melodia simples, mas arranjada com um cuidado específico que permite que vocal, teclados, bateria e violão mantenham o mesmo pulso tanto nos momentos mais cândidos quanto no breque que não faz média para colocar o dedo na cara do ouvinte. Não é o momento central do melhor disco nacional do ano (que fica entre “Afoxoque” e a sutileza de “Paris Vila Matilde”) e talvez por isso soe tão… livre.

As 75 melhores músicas de 2012: 4) Kendrick Lamar – “Bitch, Don’t Kill My Vibe”

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Enquanto Frank Ocean ganhou 2012 por expandir seu universo sonoro para além do hip hop, abraçando diferentes camadas da black music num disco ao mesmo tempo sensível e maduro, Kendrick Lamar aproveitou sua primeira incursão na primeira divisão da indústria fonográfica para transformar seu Good Kid, m.A.A.d. City no grande disco de rap do ano. Ao mesmo tempo em que resolve contar seus dramas da juventude (o título do álbum se refere à sua chegada em Compton, berço do gangsta rap no sul de Los Angeles, além de conter uma sigla para “my angry adolescence divided”), resolve assumir sua maturidade, tanto nos beats mais sossegados quanto no flow manhoso, quase falado. E o grande momento do disco é sem dúvida a irresistível “Bitch Don’t Kill My Vibe”, tão californiana quanto Dr. Dre e 2Pac Shakur, mas transformando a arrogância em desprezo, atitude resumida numa frase inusitada em uma música de hip hop: “Às vezes preciso ficar só”.

As 75 melhores músicas de 2012: 5) Frank Ocean – “Pyramids”

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Hip hop progressivo, épico R&B, soul de fases: “Pyramids” foi o cartão de apresentação do irrepreensível Channel Orange, o grande disco de 2012, e quando ela apareceu por inteiro – groove sintetizado pesado num começo ancestral, cantando o Egito antigo sobre timbres dos anos 70, mudando para uma R&B lento e digital que se passa nas pirâmides de Las Vegas; duas canções superpostas em dez minutos de lascívia em duas demãos, sob a vigília da Árvore da Vida e um longo e contemplativo solo de guitarra (tocado por John Mayer!) – o ano já não era o mesmo. E pertencia a Frank Ocean.

As 75 melhores músicas de 2012: 6) Poolside – “Harvest Moon”

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Peça central no disco Pacific Standard Time, a versão que a dupla californiana fez para o clássico de Neil Young transfere a oração de amor dos campos do meio dos EUA para uma praia ensolarada no verão – e mesmo que a lua da colheita pareça sumir no céu azul, ela segue mandando suas vibrações suavemente, ainda que com um beat.

As 75 melhores músicas de 2012: 7) Tame Impala – “Feels Like We Only Go Backwards”

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A grande música do Tame Impala em 2012 talvez seja a que menos caiba no rótulo “psicodélico”, que sempre é atrelado à banda australiana. “Feels Like We Only Go Backwards” é uma canção de reencontro e reaproximação, tanto numa relação quanto individualmente, guiada pelo doce vocal de Kevin Parker (até o nome desse rapaz é clássico), que paira sobre uma estranha combinação de teclados etéreos e bateria rock’n’roll. Um primor.

As 75 melhores músicas de 2012: 8) Grimes – “Genesis”

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Base eletro-teutônica sob vocais indie com tempero oriental – descrita, “Genesis” lembra muito “Oblivion“, a outra grande faixa de Grimes em 2012. Mas a placidez dos teclados se sobrepõe aos beats quebrados a colocam num ponto equidistante entre a eletrônica mais tímida e o indie dance, a arte conceitual e o synthpop. Uma das melhores surpresas do ano, em “Genesis” Grimes se firma como a mais forte candidata ao posto de herdeira da Björk – trono que andava vago desde que a islandesa abriu mão do pop para ficar só com a arte, no início do século.